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Que livros estão lendo?
(19-09-2022, 10:44 AM)Libertador Escreveu: [Image: jocko.jpg]

Spoiler Revelar
Terminei de ler o livro Discipline equals freedom - Field Manual do Jocko Willink. Esse aí eu li em inglês porque quando comprei ainda não tinha a versão em português.

É um livro que recomendo aqui para os realistas do fórum. Tem muita coisa útil para nos ensinar.

O título do livro já evidencia bem a mensagem dele. A pessoa verdadeiramente livre é aquela disciplinada e não a que é escrava dos seus vícios e desejos flutuantes. Porque o disciplinado faz o que quer, aquilo que precisa ser feito, sempre pensa no longo prazo no que seja melhor para si. Já o indisciplinado, fica adiando as coisas importantes e fazendo o que é fácil e o que dá prazer no curto prazo, o que no fundo ele não quer, e o que acaba gerando grandes prejuízos no longo prazo. As vezes o indisciplinado até começa a fazer o que é para o seu bem e que no ele fundo quer, mas como as coisas ficam flutuando de acordo com seu humor e motivação, quando passa a empolgação ele desiste. Por isso várias vezes começam e desistem.

Ele diz para não se basear em motivação e em sentimentos flutuantes e sim em disciplina porque com ela você faz o que precisa ser feito estando disposto ou desanimado, feliz ou triste. E ensina como desenvolver a disciplina (de forma simples e direta como: se quer levantar cedo, coloque o despertador no horário que quer levantar e quando ele tocar levante, é só isso, não existe segredo, nem truque, nem fórmula mirabolante).

Ele explica que não existe caminho fácil, não existe truque, não existe atalho, que isso tudo é uma mentira. As pessoas passam a vida toda buscando por esses atalhos para não terem que pagar o preço que precisa ser pago, sendo que o melhor caminho é sempre o caminho longo e difícil. É o caminho do trabalho duro. É caminho que foca nos fundamentos. É o caminho do suor, do sangue, das cicatrizes e da disciplina. 

Eu fiz um tópico sobre isso, não foi inspirado nesse livro (até porque só o li agora), mas a mensagem é muito parecida, o tópico se chama: Não pegue atalhos, eles demoram demais.

E ele defende que a disciplina é a base de todas as boas qualidades. Por isso vale a pena investir tempo para desenvolver a disciplina. Ela não é um dom que uns nasceram com ela e outros sem como ocorre com alguns talentos ou características físicas como altura. Todo mundo pode se tornar mais disciplinado se realmente quiser.

Outro ponto muito interessante que ele explica é sobre assumir a responsabilidade por tudo que ocorre no seu mundo. Ser o exato oposto daquelas pessoas que estão sempre se esquivando, sempre colocando a culpa nos outros, sempre justificando os seus fracassos. Ele defende a auto-responsabilidade extrema, ou seja, não inventar desculpas, não ficar arrumado culpados. Assumir os seus erros. Reavaliar como poderia ter agido melhor em cada situação em que falhou e que acertou. Fazer tudo que está ao seu alcance para fazer o seu melhor. E deixar que os fracos reclamem que o mundo não é justo, culpando seus pais, chefes e governo.

[Image: 22222jocjo.jpg]




Tem o pdf dele?
  • Sem a visão de um objetivo um homem não pode gerir a sua própria vida, e muito menos a vida dos outros.
Leia: Nuvem de Giz
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(02-09-2022, 11:55 AM)Héracles Escreveu:
I

Depois de um tempo, vou postar sobre 2 livros que me chamaram a atenção recentemente. Porém eu gostaria de fazer 2 observações importantes antes de falar sobre os livros em si. 

II

A primeira observação que é direcionada aos mais jovens, e consiste em alegar que esse tópico é sem dúvida uma das minas de ouro do fórum, conforme já falei em outras oportunidades. Muitos dos dilemas e dos problemas que enfrentamos rotineiramente estão respondidos aqui, para quem tiver a perspicácia de observar com cuidado. 

Outra é uma consideração pessoal que o tempo e a vivência me ensinaram. Hoje em dia, minhas leituras são mais espaçadas, feitas ao ar livre, mais demoradas e eu confio que de melhor qualidade. Abandonei o hábito de ler - ou seja, consumir idéias de outros - nas melhores horas do meu cérebro e passei a refletir e a escrever ... passei a criar. E quando digo criar, não me refiro a "ser produtivo" - como está na moda - algo que se tornou vazio, pejorativo, sinônimo de uma atividade inútil maquiada de virtude. Aos homens que buscam de fato o conhecimento, o tempo nos ensina a priorizar a qualidade e não a quantidade... por isso eu deixo de lado toda leitura prolixa, ou a leitura de coisas que vão me agregar pouco ou quase nada e que são feitas unicamente para massagear o meu próprio ego e exaltar uma ideia de intelectualidade pela prática da leitura obsessiva. Eu leio quando minha alma sente sede. Esse hoby - se assim posso chamar - não deixou de ser menos importante, na verdade é ainda mais importante que nunca... por isso priorizo as coisas boas. Toda leitura cansativa ou a feita num estado de ânimo do tipo "estou fazendo algo", numa espécie de "produtividade dos campeões" eu tendo a evitar.

Com essa prática de focar em coisas profundas e de grande extensão para minha constituição, eu percebo como a grande maioria das coisas publicadas não passa de tagarelice, da falsidade, de embuste. Qualquer coisa que não pareça original deve ser deixado de lado, ou seja, quem não escreve com sangue não merece ser lido. Dito isso, vamos aos livros: 

III

Spoiler Revelar
[Image: 9788544001219_RED.jpg]


Dostoiévski dispensa apresentações. O simples fato de ser um relato autobiográfico do tempo em que ele passou encarcerado numa prisão Siberiana já é motivo suficiente para ser lido. Uma das considerações que me chamaram mais a atenção, que podemos fazer um paralelo com a real é a percepção do fato de que nenhum criminoso, por mais cruel e sanguinário que tenha sido, se arrepende do seu crime. Todos tem a consciência limpa quanto ao ato cometido, inclusive fazem menções e recordações da cena numa espécie de terceira pessoa que só tinha como único caminho óbvio, cometer a transgressão. O arrependimento que alguns sentem não é do crime mas da descoberta do crime. Isso sim é um martírio para quem se encontra privado da liberdade, a descoberta, o julgamento público.

A reflexão que temos é a seguinte: todo ato de crueldade e violência cometido contra outra pessoa é uma espécie de instinto de sobrevivência. A valoração de certas almas é completamente distinta do que encontraremos na maioria das pessoas que vivem em uma sociedade organizada balizada por regras de conduta. A sobrevivência destes depende do sofrimento alheio - que é bom lembrar, apresenta-se em muito níveis - e até da subtração da vida de algum ser vivo. Muitos consideram sem nenhum sinal de remorso que o crime foi na verdade um favor feito a vítima, o ato cometido é uma representação da força do agressor que pode ter um efeito inebriante sobre a sua presa - dito de outra forma, algumas pessoas precisam ser vítimas como uma espécie de justificação da própria existência. Fica claro, ao decorrer a narrativa como essas considerações são apresentadas factivelmente.

O autor faz profundas digressões sobre como o espírito humano é profundo e insondável, paradoxalmente como é similar e parecido entre si. Como as aparências podem e vão enganar. Puxando para a realidade, fica a observação que cada pessoa com a qual você interage é um universo único cheio de falhas, que vive balizado pelo instinto de sobrevivência próprio, crueldades e mesmo atos de benevolência não dizem respeito ao objeto em si, mas a própria consciência do individuo que os faz. 

IV

A minha segunda observação diz respeito  ao trabalho forçado. Quem vê de fora, pensa que a grande pena dos condenados a prisão na Sibéria é o labor desumanamente penoso e bruto, mas não é exatamente isso. Existe sim esse trabalho forçado, mas ao que é descrito não é tão duro assim, pelo menos não tanto quanto à de qualquer mujique da época que com certeza trabalhava muito mais arduamente que os presidiários. A grande pena, a grande tortura, que poderia destruir até o melhor dentre eles era o trabalho forçado INÚTIL. Isso era precisamente a grande horror dos condenados, que dada essa situação o suicídio era algo a ser considerado seriamente.

O trabalho inútil é capaz de destruir por completo a alma de qualquer homem, o destruindo de dentro para fora da maneira mais torturante possível. O autor nos relata coisas como ficar o dia todo cavando um buraco, para no final do dia tampá-lo de novo, pintar paredes para depois lixá-las e deixá-las como no início, carregar pedras de um monte para outro, etc... todo homem submetido a esse tipo de tortura psicológica virá a sucumbir. Os presos faziam vários tipos de trabalho, e os que tinham uma finalidade real eram até disputados por eles, mesmo sendo muito mais penosos que esses sem objetividade, afinal, davam algum sentido de utilidade para a pessoa.

Acho que não é preciso muito esforço para fazer um paralelo com a nossa contemporaneidade. Quanta gente se encontra nessa situação de desamparo, trabalhando mesmo que em um emprego bem remunerado, mas que ao final das contas não se vê utilidade prática. Quantos jovens - e velhos - não chegam aqui se sentindo desprezíveis e inúteis. Talvez a resposta seja essa falta de objetividade. O único destino possível de uma pessoa nessa condição é a angustia e a auto flagelação. Provavelmente as observações feitas pelo autor sobre esse trabalho sem finalidade é em si mesmo uma crítica ao avanço da sociedade comercial pautada exclusivamente em transações financeiras. Em todo caso, o que se pode dizer é que se o homem não ver sentido no trabalho que estiver fazendo ele irá sim se autodestruir, começando por um regresso psicológico que procura amparo a qualquer custo em coisas e pessoas até ao estágio anterior a própria vida em si. 

V

Para não cometer o erro de ser demasiado cansativo, em outra ocasião mais oportuna comentarei sobre o outro livro que eu ACHO que pode ser de valia ao conhecimento realista como um todo.

Muito foda mano Herácles, lerei esse livro o mais breve possível, gostei bastante da reflexão acerca de trabalho inútil
Oitavo anjo do apocalipse
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(19-09-2022, 12:09 PM)Temujin Escreveu:
(19-09-2022, 10:44 AM)Libertador Escreveu: [Image: jocko.jpg]

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Terminei de ler o livro Discipline equals freedom - Field Manual do Jocko Willink. Esse aí eu li em inglês porque quando comprei ainda não tinha a versão em português.

É um livro que recomendo aqui para os realistas do fórum. Tem muita coisa útil para nos ensinar.

O título do livro já evidencia bem a mensagem dele. A pessoa verdadeiramente livre é aquela disciplinada e não a que é escrava dos seus vícios e desejos flutuantes. Porque o disciplinado faz o que quer, aquilo que precisa ser feito, sempre pensa no longo prazo no que seja melhor para si. Já o indisciplinado, fica adiando as coisas importantes e fazendo o que é fácil e o que dá prazer no curto prazo, o que no fundo ele não quer, e o que acaba gerando grandes prejuízos no longo prazo. As vezes o indisciplinado até começa a fazer o que é para o seu bem e que no ele fundo quer, mas como as coisas ficam flutuando de acordo com seu humor e motivação, quando passa a empolgação ele desiste. Por isso várias vezes começam e desistem.

Ele diz para não se basear em motivação e em sentimentos flutuantes e sim em disciplina porque com ela você faz o que precisa ser feito estando disposto ou desanimado, feliz ou triste. E ensina como desenvolver a disciplina (de forma simples e direta como: se quer levantar cedo, coloque o despertador no horário que quer levantar e quando ele tocar levante, é só isso, não existe segredo, nem truque, nem fórmula mirabolante).

Ele explica que não existe caminho fácil, não existe truque, não existe atalho, que isso tudo é uma mentira. As pessoas passam a vida toda buscando por esses atalhos para não terem que pagar o preço que precisa ser pago, sendo que o melhor caminho é sempre o caminho longo e difícil. É o caminho do trabalho duro. É caminho que foca nos fundamentos. É o caminho do suor, do sangue, das cicatrizes e da disciplina. 

Eu fiz um tópico sobre isso, não foi inspirado nesse livro (até porque só o li agora), mas a mensagem é muito parecida, o tópico se chama: Não pegue atalhos, eles demoram demais.

E ele defende que a disciplina é a base de todas as boas qualidades. Por isso vale a pena investir tempo para desenvolver a disciplina. Ela não é um dom que uns nasceram com ela e outros sem como ocorre com alguns talentos ou características físicas como altura. Todo mundo pode se tornar mais disciplinado se realmente quiser.

Outro ponto muito interessante que ele explica é sobre assumir a responsabilidade por tudo que ocorre no seu mundo. Ser o exato oposto daquelas pessoas que estão sempre se esquivando, sempre colocando a culpa nos outros, sempre justificando os seus fracassos. Ele defende a auto-responsabilidade extrema, ou seja, não inventar desculpas, não ficar arrumado culpados. Assumir os seus erros. Reavaliar como poderia ter agido melhor em cada situação em que falhou e que acertou. Fazer tudo que está ao seu alcance para fazer o seu melhor. E deixar que os fracos reclamem que o mundo não é justo, culpando seus pais, chefes e governo.

[Image: 22222jocjo.jpg]

Tem o pdf dele?

Comprei a versão impressa dele.

Mas, pesquisei aqui e achei a versão em PDF nesse link: https://pt.br1lib.org/book/5626850/9b36b9

E em português achei só esse outro livro dele (que também comprei em inglês e está na fila de espera pra ler): https://pt.br1lib.org/book/18259062/b367ea
“A maior necessidade do mundo é a de homens — homens que se não comprem nem se vendam; homens que, no íntimo de seu coração, sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” Ellen White, Educação, Pág 57.
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A Condessa Vésper, do Aluísio Azevedo.
Como obra literária em si é bem meia-boca, mas me impressiona a personagem feminina que ele construiu: narcisista, manipuladora, bissexual e que usa os homens apenas para extrair vantagens. Em 1882 já tinha gente ligada no lado sombrio das fêmeas.
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