Avaliação do Tópico:
  • 0 Voto(s) - 0 em Média
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Reflexão do livro "Portões de Fogo" - Chegou a hora de servir APOLO!
#1
Fala, confraria! 
Quero dividir com vocês uma reflexão que extrai na leitura do livro “Portões de Fogo” (Steven Pressfield):

[Image: banner_portoes-de-fogo_facebook-809x300.png]

Esta leitura fez uma diferença enorme para mim, em um momento limítrofe. A situação em questão, era profissional, mas podemos adapta-la para qualquer contexto da vida pessoal também.
Abaixo, um resumo do ponto da história que quero abordar, seguido do trecho do livro em destaque e minha breve reflexão ao final.


Meu resumo sobre o ponto da história em questão


Xeones é o protagonista de Portões de Fogo.

Teve sua Polis (cidade natal) destruída pelos Argivos, viu sua família e amigos serem massacrados e sua prima (por quem nutria uma paixão), ser estuprada pelos invasores.
Nutriu um ardente sentimento de vingança, de um cidadão constituído pela sua terra natal (para os Helenos na antiguidade clássica, o senso de identidade era enormemente vinculado a sua Polis, com sua cidade destruída para sempre, Xeones era menos que um indigente).

[Image: travando-batalha-D8.jpg]

Então, lutou para sobreviver e esperava ser aceito como um Hóplita em Esparta.
Devida a fama destes soldados, que eram conhecidos por toda Hélade, Xeones encontrou neste plano a possibilidade de obter a tão sonhada vingança, em uma eventual guerra entre os espartanos e argivos.
Os espartanos tornaram-se em seu sonho, como deuses da vingança!

Porém, em uma tentativa de roubo para obter alimentos, foi capturado por pastores e tão severamente castigado através de surras e uma “crucificação”, que seus tendões, ligamentos e mesmo alguns músculos, tiveram danos irreversíveis.
Após ser resgatado e levado de volta às escondidas em segurança para as montanhas por sua prima e seu cuidador Bruxieus, Xeones teve que encarar a dura realidade que seu sonho, agora era impossível.
Devido os danos irreparáveis, não seria mais capaz de segurar a lança ou o escudo Hóplon, ou ao menos, ajudar sua prima e Bruxieus nas atividades do dia adia. Sentiu-se um estorvo e acreditou que nunca mais conseguiria restaurar sua dignidade e nem das pessoas que ele queria proteger.

[Image: que-grego-escreveu-a-historia-da-guerra-...poneso.jpg]

Em um momento sozinho, mesmo com uma febre e dores terríveis oriundas de seus ferimentos, decidiu tirar a própria vida a acabar com sua existência miserável.
Ao tentar escolher a árvore que iria auxiliar na consumação do suicídio, ele não conseguia decidir... teve o receio de não conseguiria se matar e na tentativa, ficaria ainda mais dependente de seus parceiros.

Ele foi tomado pelo desespero... não servia sequer para se matar. 

Com a febre acentuando as dores de seus ferimentos, ele foi tomado por um terror inexplicável. 
Porém, este momento que parecia ser um fim indigno, foi na verdade, o momento de sua redenção...


Trecho do livro descrevendo este momento e a revelação, para Xeones


E se essa fosse a árvore errada? Talvez eu devesse me apoiar naquela outra. Ou ainda naquela mais adiante. Fui tomado por um pânico de indecisão.
 
Estava no lugar errado! Tinha de me levantar, mas havia perdido o comando dos meus membros. Gemi. Estava falhando até mesmo em minha morte. 

Quando o meu pânico e desespero atingiram o seu ápice, levei um susto com um homem em pé, bem diante de mim, no bosque! O meu primeiro pensamento foi que ele poderia me ajudar a me mover. Poderia aconselhar-me. Ajudar-me a me decidir.
 

Juntos escolheríamos a árvore certa e ele  me  apoiaria  contra  ela.  De  alguma  parte  de  minha  mente,  surgiu  um pensamento meio dormente: o que um homem está fazendo a esta hora, aqui, nesta tempestade?

[Image: a-menina-e-os-vultos-11438556-271220171858.jpg]
 
Pisquei e tentei, com todas as minhas forças, focar a visão. Não, não era um sonho. 
 
Quem  quer  que  fosse,  estava  realmente  ali.  Ocorreu-me,  um  tanto indistintamente, que poderia ser um deus. Ocorreu-me que eu podia estar agindo de maneira ímpia com ele. Eu o estava insultando. Certamente o decoro exigia que eu reagisse com terror ou reverência, ou que me prostrasse diante dele.
 
Mas alguma  coisa  em  sua  postura,  que  não  era  solene,  mas  estranhamente extravagante, parecia me dizer:
 
- "Não se incomode com isso." Acatei.
 
Parecia agradar-lhe.  Eu  sabia  que  ele  ia  falar,  e  que  quaisquer  palavras  que  fossem proferidas seriam de suma importância para mim, nessa minha vida terrena ou avida que estava prestes a deixar. Tinha de escutar com toda a atenção e não me esquecer de nada.
 
Os seus olhos encontraram os meus com uma gentileza divertida, delicada.
 
— Sempre achei a lança — falou ele com uma majestade que não poderia ser outra coisa que não a voz de um deus — uma arma muito deselegante.

Que coisa esquisita a se dizer, pensei eu. E por que "deselegante"? Tive a impressão de que a palavra era decisivamente deliberada, o preciso termo que o deus buscava. Parecia conter um significado sutil, embora eu não fizesse a menor idéia de qual pudesse ser. Então, vi o arco de prata pendurado em seu ombro.

O Arqueiro em pessoa.
Apolo, o Atirador a Longa Distância.

[Image: Apolo.jpg]

 Em  um  lampejo,  que  não  foi  nem  um  raio  nem  uma  revelação,  mas  uma compreensão mais simples, menos elaborada do mundo, percebi tudo o que as suas palavras e sua presença implicavam. Soube o que ele queria dizer, e o que eu devia fazer. A minha mão direita. Os tendões  rompidos  nunca  permitiriam  um  punho  de guerreiro na haste de uma lança.

Mas seus dedos podiam pegar e puxar a cordado arco. A minha esquerda, apesar de nunca mais ser capaz de se fechar para segurar o escudo hoplon, ainda podia manter estável um arco e esticá-lo até o fim.

O arco.
O arco me preservaria!
 
Os olhos do Arqueiro devassaram os meus, gentilmente, por um último instante. Tinha  eu  compreendido?  Seu  olhar  parecia  não  tanto  me  perguntar 

"Agora, servirá a mim?"

Quanto confirmar o fato, desconhecido para mim até aquele momento, que eu estivera a seu serviço durante toda a minha vida...

(Fim do trecho do livro)


Reflexão e insigth a respeito deste trecho


Quando li isso, tomei uma das maiores decisões de minha vida, que foi uma mudança de carreira do setor bancário onde eu atuava de maneira estável por quase 16 anos, para realizar o desejo de deixar isso para trás e investir em outra carreira, que me traria felicidade que eu já havia perdido a tempo nas selvas do setor financeiro (que já a muito tempo, só me causavam dores de estomago e muitas dores de cabeça), além de uma qualidade de vida indescritível, que antes eu nunca sequer sonhei.

Não foi uma decisão fácil, mas quando li este trecho do livro, eu tinha finalmente decidido.

- Vou servir a Apolo...!

A analogia que minha mente fez, foi inevitável!
Me sentia esgotado na minha carreira, apesar de ter alcançado o patamar que eu sempre quis... assim como Xeones, percebi apesar de não ser mais possível segurar a lança e o escudo, poderia me dedicar a algo novo, que fosse mais de encontro inclusive, as minhas aptidões naturais! Poderia sustentar o arco, o arco me preservaria!

Um novo deus, um novo senhor, mais especificamente no meu caso, uma nova carreira profissional que mudaria tudo. 

E desde esta leitura e desta mudança, lá se foram 2 anos, do qual só tenho a agradecer pelo meu “eu do passado” ter tomado esta decisão. Realizei a leitura novamente esta ano, e me lembrei desta reflexão.
Confrades, muitos de vocês chegam neste fórum destruídos por inúmeros motivos, desilusão amorosa, peso da idade, situação financeira complicada, ou até mesmo alguém, pensando em tirar a própria vida como Xeones cogitou!

Saibam que sempre está em tempo de “servir a um novo senhor” e um novo propósito!
Espero que o trecho extraído deste livro fantástico, tenha algum impacto positivo para algum de vocês.
Agradeço também ao confrade @Héracles, pela indicação do livro.


A REAL SALVA VIDAS!
"Paulistarum Terra Matter..."
Responda-o
#2
Muito bem, a minha assinatura desde tempos imemoriais é uma passagem desse livro, e não por acaso. Eu costumo dizer que Portões de Fogo é o livro que pode, ou melhor, irá reascender ou acender a sua motivação para vida, para ação, para conquista - mais eficiente que qualquer auto ajuda ou best seller dos coach´s da moda - .

A primeira vez que eu li fiquei um bocado receoso... não sabia o que viria a seguir e fiquei um pouco aflito em alguns trechos, achando que a narrativa ia descambar para relacionamentos homo afetivos. Parte desse receio veio devido a moderna propaganda gayzista que afirma que em Esparta e toda a Grécia antiga, relacionamentos eróticos entre homens eram a regra. No mínimo podemos dizer que isso é uma meia-verdade... todo período de declínio de uma civilização - como todos aqui já devem estar cansados de saber - é marcada por comportamentos antinaturais por excelência (e não, a narrativa não enviesa para veadagem em nenhum momento). Seguramente na Grécia não foi diferente ...porém, como dito, isto em períodos de declínio. Portões de fogo se passa no momento áureo dos Lacedemonios, ondem as leis eugênicas de Licurco eram aplicadas a ferro e fogo... por isso nosso protagonista não via futuro para si mesmo, afinal de contas era um mero aleijado de procedência medíocre, inferior.

Mas grande parte do fascínio que o livro desenvolve em nós é justamente por esse detalhe - um escravo fodido que vai conviver com a Elite militar da história humana - é fácil de imaginar que ele seria tratado feito um vira-lata sarnento e se sentira diariamente humilhado, o que nutriria um sentimento de ressentimento e vingança ainda maior do qual sentia pelos agressores da sua amada. Mas não. A conduta dos Espartanos, sua vida austera e profundamente rígida em disciplina militar, seu senso de pertencimento e um comportamento laconico - de poucas palavras - acabaram por fascinar o escravo. Ele conseguiu vislumbrar porque, de fato, era inferior ... não exatamente por ter um sangue ruim ou uma deficiência, mas sim porque não tinha aquela tenacidade mental que todos os soldados tinham.

Essa rigidez entre seus pares, a busca pela superação constante, a dor e o sofrimento perenes, ambiente não apenas comum, mas desejável entre os soldados desenvolveu uma masculinidade saudável, onde um dos aspectos é não ver sentido ou não ver mérito em maltratar por diversão ou fetiche seres mais fracos...mas isso sem perder a rigidez, sem prejudicar a capacidade de comando... como um sábio já disse, quem quer comandar precisa antes aprender a obedecer, e nisso os espartanos eram mestres... aprimoraram também um senso de humor ácido e quase delirante em momentos de morte certa, e esta característica é um dos marcos de homens inteiros...o sorrir para tragédia. Essa característica rendeu a história algumas das frases mais icônicas de todos os tempos:

"Molon Labe”  

Quem ler essa obra com os olhos certos, seguramente vai retirar alguma coisa de positivo que pode ser aplicada a própria vida cotidiana hoje mesmo... eu sou exemplo, o Bandeira é exemplo entre outros; é um vislumbre de uma época antiga, completamente diferente da nossa realidade, mas mesmo assim você vai perceber que ela conversa com alguma coisa aí dentro de você. Estamos longe de sermos espartanos ou mesmo soldados de elite, mas ainda somos homens, e pegando o exemplo do próprio Xeones, sempre podemos melhorar enquanto indivíduos e essa saga é um motivador para tal.
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

Responda-o
#3
Esse livro realmente é sensacional, e muda muito a nossa forma de enxergar o mundo. É engraçado que estou numa situação parecida com a sua, vida profissional estável e de sucesso pra minha formação, em quase duas décadas de carreira e pensando seriamente em mudar de ares. Nem todos podem se dar ao luxo de mudar derepente, principalmente quem tem filhos.

Um dos melhores livros que já li na vida.
Spoiler Revelar
"Use o sistema contra o sistema, parasite o parasita"
Responda-o
#4
(03-04-2024, 09:54 AM)Trglodita Escreveu: Esse livro realmente é sensacional, e muda muito a nossa forma de enxergar o mundo. É engraçado que estou numa situação parecida com a sua, vida profissional estável e de sucesso pra minha formação, em quase duas décadas de carreira e pensando seriamente em mudar de ares. Nem todos podem se dar ao luxo de mudar derepente, principalmente quem tem filhos.

Um dos melhores livros que já li na vida.

Mesmo no meu caso essa mudança foi um processo construido ao longo de 1 ano.

Com filhos, a logística precisa ser ainda mais bem planejada.
O lição neste caso foi na verdade de que, se deseja a mudança, viabilize ela pelo tempo que for preciso, mas faça!

Que é o que acredito que todos estamos fazendo, no seu caso, incluindo a questão do $Bitconho$.
"Paulistarum Terra Matter..."
Responda-o
#5
Muito bom texto em vez de lamentar o tempo perdido focou no que queria sem medo de correr atrás sua atitude e coragem é uma inspiração.
Responda-o
#6
(10-04-2024, 11:33 PM)Kikuoka Escreveu: Muito bom texto em vez de lamentar o tempo perdido focou no que queria sem medo de correr atrás sua atitude e coragem é uma inspiração.

Obrigado, confrade.

Um dos grandes problemas da vida é a auto sabotagem e as comparações, sem sombra de dúvidas.
Quando na verdade, raramente é verdadeiramente tarde demais para realizar alguma coisa importante. 

É só planejar e ir em frente!
"Paulistarum Terra Matter..."
Responda-o


Possíveis Tópicos Relacionados...
Tópico Autor Respostas Visualizações Última Postagem
  [DÚVIDA] Alistamento Militar - Servir ao exército. Hulk 21 10,387 06-09-2015, 09:14 AM
Última Postagem: Winston Churchill

Pular fórum:


Usuários visualizando este tópico: 1 Visitante(s)