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Nessahan Alita - Textos Complementares I
#11
19. Do encantamento

Este é um aspecto “tático” que negligenciei. Pertence principalmente ao terceiro nível, mas também deve ser esporadicamente adotado no quarto. Sucede que nem tudo é guerra no relacionamento. Devemos saber combinar opostos. Aos atos desarticulatórios defensivos temos que acrescentar o ato de encantamento romântico, em doses adequadas e nos momentos certos.

Sim, há momentos em que é preciso dizer-lhes, sem exagero, o quanto gostamos delas. Quais são os momentos corretos para se dizer isso? Ainda que sejam raros, são aqueles em que elas agem como mulheres de verdade e não como molecas. Há também momentos em que temos que estreitar a simpatia com atitudes de demonstrem uma moderada afetividade e até simular que estamos apaixonados (como elas fazem conosco). A voz é a melhor ferramenta para o encantamento. Segundo Eliphas Lévi, não há instrumento mais encantador que a voz humana. Certos tons românticos de voz combinados com palavras corretas podem ter um efeito muito interessante quando utilizados no momento adequado.

O magnetismo da luz astral flui principalmente pelos olhos, pela boca (e isso inclui a voz), pelas mãos e pelos órgãos sexuais. É por isso que o encantamento no segundo e no terceiro níveis depende da forma de olhar e de falar. E é também por isso que o encantamento no quarto nível depende do estreitamento da intimidade física. Se você se polarizar na frieza e nunca utilizar estas ferramentas, não conseguirá nada.

20. Da revolta contra a realidade

Aquele que desperta da ilusão e “sai da matrix”, como dizem meus leitores, deve tomar cuidado para não se deixar tomar por sentimentos negativos, como a raiva, tristeza e outros. Quando percebemos que as mulheres não são os anjos que acreditávamos e que também possuem o lado sinistro da natureza humana apontados por Maquiavel e por Freud, podemos cair em estados internos indesejáveis.

Tais estados são prejudiciais e aumentam os nossos problemas emocionais e amorosos ao invés de diminuí-los. Ao perceber que a mulher trapaceia, joga, não abre mão do domínio, manipula e quer ser dona do seu coração, ex-matrixiano recém-liberto deve cuidarse para não se deixar tragar pela revolta. A rebeldia e a indignação são justas e até necessárias, mas a revolta (raiva) é prejudicial, anti-estratégica e contra-producente.

Na guerra da paixão, a capacidade de aceitar a realidade crua, tal como se apresenta, é requisito indispensável para se poder operar sobre a mesma de forma realista, tirando proveito ou modificando-a na medida do possível. O revoltado não aceita a realidade, se debate contra o inevitável e esmurra facas, demonstrando incompreensão. Qualquer estrategista sabe muito bem que, para se vencer uma guerra, são necessários a frieza e o realismo. Os impulsivos fazem burradas, metem os pés pelas mãos, caem como patos em armadilhas e são facilmente vitimados por artimanhas. 

Entendo que, na guerra da paixão, a meta do homem sensato não é conquistar a mulher amada/desejada a todo custo e nem tampouco forçá-la a se enquadrar em moldes idealizados ou a se adequar, contra a sua própria vontade, aos nossos desejos, mas sim conseguir estados interiores resolvidos. É isso o que interessa: resolver os nossos sentimentos e conquistar a paz interior. 


21. Amor passional e luxúria

Dizem que a paixão é algo lindo e que faz muito bem. Incentiva-se em todos os lugares a luxúria. Por toda parte se diz, como observou Alberoni: “Seduza a todo(a)s.” Esta é uma doença de nossa civilização: o culto à luxúria e ao sentimentalismo. Chega-se ao ponto de acreditar que o sentimentalismo é a mais sublime espiritualidade, não atentando-se ao fato de que há sentimentos horríveis e destrutivos que se articulam em sucessão bipolar com o passionalismo “benevolente”.

A paixão romântica é sentida no coração. A impulso luxurioso é sentido no órgão sexual. Não obstante, ambos possuem uma origem mental, estão na cabeça. Fundamentam-se em formas mentais, pensamentos, lembranças, imaginações mecânicas morbosas e românticas. É por isso que a reflexão filosófica liberta o homem e ensina-o a viver: a luxúria e o passionalismo romântico estão na mente e é dali que devem ser primeiramente extirpados. São visões equivocadas, entendimentos distorcidos, percepções subjetivas e errôneas. Aquele que tenta vencer suas fraquezas sem limpar a mente, ficará cada vez pior, cairá cada vez mais fundo.

O caminho é compreender a realidade e isso se consegue primeiramente por meio da educação mental para o pensar correto, silencioso e concentrado. Somente este pensar possibilita a auto-análise, auto-reflexão e a auto-observação ensinadas por Eric From. A mente silenciosa não dá guarida ao despotismo de formas mentais bestiais. Quanto mais se pensa, tanto mais se piora a situação. Por outro lado, o pensamento concentrado conduz, com o passar do tempo, ao não pensar e à compreensão pura.

O apaixonado pensa na amada constantemente. O luxurioso pensa na mulher desejada sem parar. Suas mentes estão, em certo sentido, obsessionadas. Portanto, se você quer superar suas fraquezas afetivas e sexuais, deve começar por amansar e educar sua mente. Tanto a paixão romântica como o impulso luxurioso podem invadir a mente. Obsessionado, o indivíduo não tem mais controle sobre si mesmo e não é dono de seus próprios atos. A insatisfação do impulso obsessor provoca sofrimento e esta dor impele a pessoa à satisfação. Para superar este sofrimento, o obsessionado deverá separar-se do impulso invasor, observando-o “de fora”, como algo estranho, considerando-o uma pessoa estranha (um outro “eu” dentro dele mesmo).

Deve penetrar, com a observação, em primeiro lugar a sua mente (seus pensamentos, imaginações, fantasias, memórias, raciocínios e lembranças). É principalmente ali, na mente, que estão os elementos psíquicos obsessores e indesejáveis. O problema está, portanto e antes de mais nada, na cabeça (centro intelectual). Quando o resolvemos ali, facilmente poderemos resolvê-lo no coração (centro emocional) e nos demais centros (sexual, instintivo e motor). 

Um grave erro cometido por obsessionados é tentar deter os impulsos sem deter os pensamentos correspondentes. Tal tentativa faz com que os impulsos o assaltem com ainda mais força. A concentração do pensamento e o controle da mente são úteis ainda na superação da ejaculação precoce, resultado da hiperexcitação mental por fantasias eróticas insatisfeitas que invadem a cabeça durante o ato sexual, e na eliminação de quaisquer outros defeitos de teor psicológico. É um cuidado específico que se necessita ter durante a morte do Ego.

22. Reforçando os pilares da teoria

A pesquisa de Skyler S. Place

Recentemente tomei conhecimento de uma pesquisa, realizada por Skyler Place (Universidade de Indiana), em que foi demonstrado que as mulheres, durante a “paquera”, se comportam de forma a dificultar ou impedir que os homens tenham certezas no que se refere a um possível interesse da parte delas.

Fiquei muito satisfeito ao saber que mais uma pesquisa experimental comprova o que já venho dizendo há muito tempo. Place demonstrou, por meio de testes, a dificuldade em se ler o comportamento feminino durante a abordagem pelo homem, de modo a concluir com certeza se a mulher está ou não gostando daquele que a aborda. Mulheres que foram solicitadas a observar e emitir um parecer sobre os mesmos comportamentos de suas iguais também apresentaram dificuldades. Em suma: Place demonstrou que é difícil para os homens saberem se as mulheres estão ou não interessadas neles.

O inverso não se constatou. A dificuldade ou impossibilidade de se ler os comportamentos masculinos pelas mulheres é bem menor. Se o comportamento feminino se manifesta de modo a impedir que o homem tire conclusões e se mostra difícil de ser interpretado, isso significa que o mesmo é ambíguo. Place demonstrou, portanto, a veracidade de um dos pilares centrais de minha teoria: a ambigüidade comportamental feminina.

Dela deriva a paradoxalidade desconcertante que desorienta os julgamentos racionais do homem por meio da ilogicidade. É difícil para nós concluirmos se elas querem ou não algo conosco porque seus comportamentos costumam ser indefinidos. Como tenho dito, a indefinição é a arma fundamental do sexo feminino na guerra da paixão. Place a entende como um mecanismo evolutivo de adaptação para a seleção dos melhores machos da espécie, em total acordo com minha teoria neste sentido.

Porém, por ser cientista, ele não amplia e nem aprofunda as implicações filosóficas e morais de sua constatação. Tampouco fornece aos homens caminhos para lidar com tais dificuldades e chega mesmo a justificar o uso de tal “arma” pelas mulheres. Na verdade, a ambigüidade comportamental feminina não se limita ao nível do cortejamento pelo homem. Está presente também no namoro, no casamento, nas relações estáveis, instáveis e onde quer que o desejo sexual do macho e aceitação da fêmea estejam em jogo.

Elas costumam se comportar de modo a nos confundir, agindo como se gostassem e ao mesmo tempo não gostassem de nós, como se nos quisessem e ao mesmo tempo não nos quisessem. Simultaneamente, atraem e repelem, mostram-se abertas e opõem resistência. Enviam sinais opostos e contraditórios, o que dificulta a leitura dos mesmos. Nunca facilitam, somente estimulam e dificultam, mantendo-se, assim, no controle da situação.

Exemplos? Existem aos montes: quando ela sorri maravilhosamente e te lança olhares diferentes, mas diz que você “entendeu tudo errado” quando é abordada; quando diz que te ama entre lágrimas, mas faz exatamente aquilo que você mais detesta; quando diz que é fiel, mas age de forma suspeita; etc. Ante o comportamento feminino ambíguo, vejo duas alternativas:

1) aceitá-lo e tirar proveito de tudo o que for;

2) forçar a definição em uma direção inesperada, ou seja, aceitar e incentivar o pólo desagradável do comportamento indefinido, que é justamente o que a espertinha não espera. A segunda opção é apenas para aqueles que estão dispostos a se arriscarem a perder a mulher. 

As pesquisas de Johnasson e Schmitt

Já mencionei a pesquisa de ambos em meu livro “Reflexões Masculinas”. Peter Johnasson e David Schmitt apresentaram, no Japão, um estudo demonstrando que as mulheres preferem os homens portadores da tríade sinistra (mentirosos, impulsivos e trapaceiros). Este estudo reforçou outro pilar de minha teoria: a atração pelos maus. Vale a pena conhecê-lo e eu o aconselho.

A pesquisa de Dario Maestripieri

Esta pesquisa, que também reforçou outro pilar de minhas teorias e foi realizada pelas Universidades de Chicago e de Santa Bárbara, demonstrou que as mulheres diferenciam rápida e certeiramente, a partir de traços faciais, os homens que gostam de crianças daqueles que não gostam e também diferenciam os que apresentam altos níveis de testosterona dos que não apresentam. De acordo com Maestripieri, um dos autores do estudo, os mais masculinos são preferidos para relações de curto prazo, enquanto aqueles que gostam de crianças são escolhidos para compromissos duradouros. Há várias implicações e possíveis desdobramentos interessantes deste estudo. Se os exemplares mais masculinos servem para relações de curto prazo, então servem para o sexo sem compromisso, já que o homem não aceitará uma relação assexuada. E, se os menos masculinos que gostam de crianças são preferidos para compromissos duradouros, isso significa que os mesmos servem para serem esposos e companheiros. Em suma: elas querem os segundos para a convivência do casamento e os primeiros para o sexo.

Os mais masculinos ficam com a melhor parte: o sexo intenso e a liberdade. Os menos masculinos ficam com o pior: preocupações com crianças, dores de cabeça e compromissos de fidelidade não retribuída (e então eu me lembro mais uma vez de Schopenhauer!). A meu ver, tudo isso se relaciona também com a pouca atração sexual que os maridos costumam exercer sobre suas esposas. Resta então a pergunta: de quem são os filhos criados pelos bonzinhos que gostam de crianças?
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RE: Nessahan Alita - Textos Complementares I - de Guardião - 23-01-2021, 11:07 AM

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