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Nessahan Alita - Textos Complementares I
#8
11. Um círculo vicioso

Enquanto não tenha experiência, o homem inocente sempre cairá nos mesmos joguinhos trapaceantes, até o momento em que aprenda a esperá-los conscientemente para desarticulá-los antes que se iniciem. Para não ser frustrado por uma promessa, basta não acreditar nela. Entretanto, como observou Eliphas Lévi, as pessoas possuem dificuldade para não acreditar no que desejam.

Quanto maior o desejo, maior a credulidade. A empolgação com promessas ou ofertas (formalizadas ou não) que nunca serão cumpridas e as desilusões que a seguem formam um círculo vicioso ao qual o homem bom e inexperiente normalmente fica preso. Aos momentos de alegria originados pela esperança se seguem momentos de frustração. Um tempo após frustração originada pela trapaça, vem o esquecimento e então o inexperiente está pronto para ser iludido novamente. Assim o sofrimento amoroso é prolongado indefinidamente.

Exemplos concretos do círculo vicioso das frustrações não faltam: as promessas de encontro, de sexo espetacular e outras maravilhas quase nunca são cumpridas. A solução para este problema é acostumar-se a nunca acreditar nas promessas que possam nos empolgar. Também pode ser de alguma valia antecipar-se e, no momento em que a promessa for feita, destruir a artimanha revelando nosso ceticismo pessimista (realista). Aquele que nunca acredita não pode ser enganado. 

12. O adiamento infinito

Quando uma espertinha se mostra interessada, permite que você alimente esperanças e, ao mesmo tempo, te enrola indefinidamente, adiando encontros, inventando desculpas esfarrapadas e protelando o melhor até o infinito, isso indica que ela carrega a certeza de seu interesse. Ela sabe que você está acorrentado e não irá deixá-la, por isso protela e protela, atiça o seu desejo e não o satisfaz. Para sair desta situação horrível, temos que acertá-la corretamente nos sentimentos. Como? Atingindo-a naquilo que ela mais teme.

O que ela mais teme? Que você passe ao extremo oposto ao qual está, isto é, que passe a sentir aversão e repulsa ao invés de atração. Este temor é o ponto fraco e nevrálgico sobre o qual operar. Como atingí-la neste ponto fraco? Mostrando como a atitude dela é repulsiva. Como mostrar isso? Desmascarando sua artimanha no momento em que acontece. Se você, ao invés de enchê-la de perguntas ou ficar pressionando, simplesmente informar que sabe exatamente quais são as intenções dela e que tem certeza de que a espertinha não irá encontrar-se com você nunca, afastando-se em seguida (ou desligando o telefone, se for o caso), sem dizer mais nada e muito menos terminar a relação, é quase certo que a terá acertado bem onde ela não queria. Estando a trapaça em pleno curso, pode-se dizer algo mais ou menos assim:

“Sei que você está apenas me enrolando e que já decidiu que não vai sair comigo nunca!” Se for o caso daquelas que marcam repetidos encontros por telefone somente para desistirem na última hora, basta perguntar mais ou menos o seguinte, muito antes que ela tome a iniciativa de desmarcar: “Você vai desmarcar o encontro quando estiver se aproximando o momento?”

É claro que não há uma fórmula única para se enunciar essas idéias. Estas frases são apenas sugestões de modelos que precisam ser modificados e adaptados à situação real em que os fatos estiverem se dando. O que estou dizendo é que devemos tomar a dianteira e desmascará-la amigavelmente antes que ela desmarque ou adie.

Temos que levá-la a perceber que “adivinhamos” sua intenção dissimulada, ou seja, levá-la sentirse flagrada em plena artimanha. Devo lembrar que isso é uma reflexão teórica com aplicabilidade prática e não uma receita de bolo. Não pressione, não brigue, não discuta. “Acerte-a” e se afaste, mantendo-se, porém, acessível. Se ela não te procurar após um tempo, faça uma última tentativa.

Se ainda assim a trapaça continuar, não haverá mais esperança: ela decidamente te abomina e não há mais nada que possa ser feito. Porém você não terá mais dúvidas, tudo estará resolvido. Este procedimento não garante a conquista da mulher desejada mas tem eficiência quase total para desarticular a artimanha em questão, dissipar dúvidas, descobrir as verdadeiras intenções que se escondem por trás de comportamentos contraditórios e fazer com que as coisas fiquem resolvidas daí em diante, evitando que percamos nosso precioso tempo correndo atrás de uma espertinha que nunca irá nos dar nada.

O adiamento infinito é uma artimanha feminina para preservar o interesse do homem, a despeito do quanto ele possa sofrer. É um procedimento sádico que pode ser desarticulado quando repentinamente nos polarizamos no extremo mais improvável e inesperado. O que importa é desarticular com maestria e devolver a contradição. Lidar com trapaças amorosas é como lidar com trapaças comerciais: tomamos as medidas de precaução muito antes que aconteçam. De todas as maneiras, é melhor prevenir do que remediar.

O mais conveniente é nos anteciparmos à trapaça logo no primeiro contato (“Você é daquelas que gostam de enrolar para sempre?”), desarticulando-a antes que se inicie. Seja mais rápido e aborte a artimanha enquanto ainda estiver se gestando.

13. Agressão afetiva

Além do poder de agredir fisicamente, pessoas de ambos os sexos podem agredir o outro psicologicamente. Entre as formas de agressão psicológica, temos a agressão por meio da paixão amorosa. Seu poder não pode ser negligenciado e é capaz de elevar o estresse a níveis altíssimos e até letais. Torna-se, então, importante conhecer os meios de nos defendermos emocionalmente e de desarticularmos tais agressões. Tenho escrito sobre as agressões afetivas perpetradas pelas mulheres contra os homens e a respeito dos possíveis meios que permitiriam desarticular tais agressões.

O motivo é que sou homem e a experiência é minha primeira fonte de inspiração. Minha hipótese é a de que as mulheres possuem uma habilidade maior para instrumentalizar o amor como arma, enquanto as agressões masculinas costumam ser de outro teor, mas nem por isso menos preocupantes. Que me provem que estou errado e modificarei minha hipótese, bem como as idéias dela decorrentes. Muito do que escrevi pode ser aplicado de forma invertida, em proveito das mulheres, mas não tudo. Uma mulher poderá ler meus textos e aprender muito sobre a arte de combater na guerra da paixão, mas deve tomar o cuidado de não atribuir ao suposto “sexo forte” somente as táticas femininas de ataque porque os homens muitas vezes utilizam táticas diferentes. 

Em outras palavras: as táticas dos cafajestes, a respeito das quais quase nada escrevi, nem sempre são as mesmas utilizadas pelas espertinhas. Todas as minhas reflexões devem ser situadas somente dentro do limite afetivo, amoroso e passional nos relacionamentos entre homens e mulheres. Não tenho posicionamento político algum e não acredito na política como meio de libertação do homem. Posso, com acerto, ser considerado um “alienado” político, já que sou alheio a tais questões. Sou completamente desiludido com políticas e a proposta que faço ao leitor é de ocupar-se somente com sua libertação interior.

Acredito que a única liberdade verdadeira é a liberdade da alma e esta não se consegue com lutas sociais, reformas políticas ou medidas econômicas. Os “ismos” nunca libertaram e, com certeza, não libertarão o homem do sofrimento. Considero que devemos nos libertar interiormente de todos esses vínculos. Entretanto, se alguém quiser militar em favor de alguma causa, bem...isso não é problema meu. Na medida do possível, devemos nos libertar interiormente, não somente da opressão afetiva causada pelo sexo oposto, mas também da opressão emocional que todas as coisas da vida exercem sobre nosso coração.

As emoções negativas ocasionam grande dano à nossa saúde física e mental, prejudicando a qualidade de nossa vida. Por estar na essência da agressão afetiva que abordo, entendo que a paixão romântica é um mal sob um disfarce idílico e maravilhoso. Meu parecer é o de que a mesma é um transtorno obsessivo-compulsivo cultuado incessantemente em nossa sociedade, para prejuízo de todos.

Há uma distância imensa entre o amor verdadeiro e o amor romântico. O primeiro é uma postura resultante da vontade e o segundo uma possessão emotiva e exaltada resultante do desejo. Entenda-me bem: não é que devamos ser frios, o que devemos é dar guarida a emoções sublimes dentro de nós.
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RE: Nessahan Alita - Textos Complementares I - de Guardião - 23-01-2021, 10:36 AM

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