23-01-2021, 10:27 AM
8. Gerando atração
Para surtir resultados positivos, provocando admiração, impacto e, consequentemente, atração, nosso destaque deve preferencialmente se dar nos círculos em que a presença feminina é marcante. A atração surge de nosso destaque positivo em relação aos outros homens, perante os quais “aparecemos mais” e reúne múltiplos fatores combinados. Elas sempre nos comparam.
Provoca-se sentimentos intensos pelos seguintes caminhos: uma fala decidida, com objetivo certeiro e temas que não sejam repetitivos; alternância comportamental; sexo selvagem de boa qualidade e com grande intensidade; desmascaramentos destemidos e justos; destaque na hierarquia dos machos; olhar penetrante; afrontamento de convicções; severidade; segurança; masculinidade; frieza; calma; objetividade; desenvoltura; domínio de si e das situações; liderança; comando protetor; habilidade desarticulatória; iniciativa; atividade; penetrabilidade da inteligência; virilidade. Não se provoca medo no inimigo quando se o teme. Não se provoca ira no escarnecedor quando se está enfurecido.
Similarmente, não se provoca o apaixonamento de uma mulher quando se está apaixonado. Nas relações sociais, os sentimentos se complementam por oposição: aquilo que sinto pelo outro é, de alguma forma, oposto ao que o outro sentirá por mim. É uma questão de lógica. Os cafajestes provocam nas mulheres intensos sentimentos de entrega e dedicação. As paixões humanas seguem os princípios do magnetismo universal.
Infelizmente, os fanfarrões, contadores de vantagens, mentirosos e narcisistas provocam mais impacto emocional, e consequentemente maior impressionamento, do que os sinceros, transparentes, humildes e honestos. Temos que superar, em poder de impressionamento, os portadores da “tríade sinistra” de Schmitt, mas sem nos convertermos de fato no que eles são. Movida pela competitividade e pela curiosidade, defeitos que costumam tragá-las vivas, uma mulher se interessará especificamente por um homem se perceber que muitas outras mulheres se sentem atraídas por ele.
Quanto mais bonitas e desejáveis forem essas rivais, tanto mais intenso será o interesse. Gerar atração nas mulheres é atuar da maneira correta (que normalmente é o contrário daquelas que nos ensinaram) e não tentar forçar arbitrariamente suas vontades, ato este que nos retira toda a razão e lhes confere motivos de sobra para nos acusar e para nos manipular por meio de nossos próprios sentimentos de culpa. Um exemplo de tentativa arbitrária de ativar o desejo feminino por caminhos equivocados é o impulso incontrolável, muito comum nos desconhecedores, de demonstrar interesse, perseguir e assediar.
Se ela não se mostra atraída, é porque as informações que você transmite (in)voluntariamente não apresentam nada de interessante. Modifique, então, sua forma de ser e de agir. Não insista no mesmo caminho equivocado contra todas as evidências.
9. Significados do ato sexual
Enquanto o órgão sexual feminino é associado à vida e ao nascimento, o órgão sexual masculino é associado à invasão, à dor, à penetração e à agressão. O ato sexual masculino, ao contrário do feminino, não é um ato de amor e nem de carinho mas sim um ato de agressão e de fúria, em um certo sentido. É por este motivo, entre vários outros, que a mulher reluta, seleciona tão cuidadosamente os parceiros e exige que os homens escondam sua verdadeira intenção, que é a de penetrá-la, até o momento em que ela decida se aceitará ou não ser “agredida” deste modo.
Caso conclua que não poderá controlar a agressividade do ato, rejeitará o pretendente, considerando-o demasiadamente impulsivo, e o relegará ao nível dos desejosos insatisfeitos que devem esperá-la pelo resto da vida. Não irá cortar o vínculo definitivamente, por meio do esclarecimento, mas irá mantê-lo preso sem permitir que satisfaça o seu desejo de possuí-la.
O mais curioso é que, apesar de ser, em um certo sentido, uma agressão, o ato sexual selvagem pode, em alguns casos, fazer a mulher se sentir “mais fêmea”, prendê-la e torná-la dependente. A contradição se explica porque a fúria agressiva, apesar de temida, impacta e transmite virilidade. Ao mesmo tempo, pode se transformar em um infortúnio se o macho animal escapar ao controle. É um problema complexo e de difícil solução.
Do caráter agressivo decorrem as medidas sociais preventivas contra o phalus erectus, incluindo punições por certas condutas exibicionistas ou assediadoras, bem como as regras que restringem e condicionam a expressão da sexualidade masculina. Os exibicionistas causam asco.
10. Divergências com a sedutologia
Minha divergência com os sedutólogos (pelo menos com boa parte deles) são duas: discordo de seus incentivos à promiscuidade e de suas justificativas às trapaças femininas. Suas posições acríticas com relação ao feminino me parecem um tipo de “conformismo matrixiano” muito bem disfarçado. Os sedutólogos não são solidários ao sofrimento amoroso dos “machos-beta” e se submetem à lógica, tipicamente norteamericana, de vencedores e fracassados.
Pelo que os observei, costumam disfarçar seu conformismo fingindo superioridade para dar a entender que não possuem problemas com mulheres. É claro que se trata de uma grande mentira pois todo homem heterossexual tem problemas amorosos com mulheres, inclusive o tão idealizado “macho-alfa”. Supor que um homem esteja definitivamente isento de problemas amorosos por enquadrar-se no perfil alfa é supor que tal perfil seja milagroso, que não possa ser relativizado e nem que possa ser desgastado pelo tempo.
É, portanto, supor um absurdo. Nos textos de sedutologia que tenho lido, costuma-se atribuir aos homens toda a culpa (100%) por seu sofrimento amoroso e pelas artimanhas femininas, isentando-se totalmente as mulheres, as quais não teriam o menor dever de serem honestas e sinceras. Minha posição é a de que a culpa e a responsabilidade devem oscilar mais ou menos em torno de 50% para cada sexo (ou 100% para ambas as partes e não somente para uma das partes). Não são falsas as características atribuídas pela sedutologia aos machos alfa e beta, no que concerne ao sucesso na conquista e na convivência com as mulheres (são, na verdade, praticamente as mesmas que aponto).
Entretanto, isso não significa que tenhamos que isentar estas últimas da crítica, elogiando todas as suas trapaças, e nem que tenhamos que condenar aqueles que se rebelam contra o despotismo passional exercido sobre o coração. Estamos, portanto, de acordo com relação às características comportamentais masculinas que atraem e que repelem o sexo oposto. Estamos, ainda, em desacordo com relação às formas de emprego deste conhecimento, bem como às formas de se valorizar as artimanhas femininas e as reações masculinas de indignação que suscitam.
A sedutologia não parece se esforçar para livrar-se da misandria.
