29-05-2019, 06:28 PM
Salve confrades,
Abri mão de um pouco do meu tempo para alertar os amigos para que não caiam na mesma armadilha que caí.
Pois bem. Há 11 anos atrás minha tia 1 (adotada), teve a brilhante ideia de ter uma filha, mesmo ela e o pai da criança não tendo a mínima condição de sustentar, quem dirá sustentar uma criança. Diante dessa situação, a minha avó decidiu obter a guarda da criança pois os pais não tinham condições materiais, morais e educacionais para criar a menina. O detalhe é que na época minha avó tinha 78 anos de idade: teve que fazer as vezes de pai e mãe da menina porque os vagabundos dos pais nunca demonstraram se importar com a criança. E quando digo se importar, não me refiro a questões financeiras: uma visita semanal que fosse, levar a menina para passear, cuidar dela, já demonstraria um pouco de interesse por parte dos pais. Mas as vezes em que isso ocorreu foram raríssimas.
Não satisfeita com toda a merda que tinha feito, minha tia 1 resolveu engravidar novamente de um outro cara. Ninguém queria criar uma outra criança e a coitada da minha avó que já tinha que ser mãe e pai aos 78 anos de idade, mesmo que quisesse não podia. A criança acabou sendo adotada por um militar. A altura desses fatos, eu já tinha um apartamento que minha tia 2 (biológica) havia comprado para minha avó. Posteriormente a família resolveu abrir mão desse apartamento em meu favor, com uma condição: que eu abrisse mão de um apartamento que tinha em Goiânia, herança deixada pelo meu pai, em favor da minha tia 1 (meus pais faleceram quando eu tinha 7 anos de idade). Como o apartamento de Goiânia era 1/5 do que valia o de Brasília, e o trato era de que o apartamento da minha avó passaria para meu nome, concordei e o trato foi feito.
Não demorou muito minha avó resolveu vender o apartamento de Goiânia (que agora era da minha tia 1) para pagar uma laqueadura e evitar que essa minha tia 1 resolvesse abrir a fábrica de filhos novamente. O resto do dinheiro minha avó tinha dito que era para pagar dívidas: do que e de quem, ela não dizia. Briguei muito para que não vendessem o apartamento, querendo ou não era uma pequena fonte de renda mensal que ajudaria bastante, mas como o apartamento já não era meu eu não podia fazer nada a não ser aceitar essa estupidez.
Há algum tempo eu já sabia que tinha uma bomba relógio no meu colo que explodiria a qualquer momento. O fato é que minha avó já estava idosa, mal dava conta dela, quem dirá de uma criança de 11 anos. Eu já sabia que a qualquer momento ela iria fechar os olhos e bom, o resto vocês já sabem... iriam empurrar a responsabilidade da menina para cima de mim.
No caso de minha avó morrer, eu me comprometi a deixar a menina morando comigo, mas deixei bastante claro que não assumiria nenhuma responsabilidade perante ela.
O tempo passa e o inevitável ocorreu: minha avó faleceu nas primeiras horas do dia 15/05/19, com 89 anos de idade. Já se passaram 14 dias, mas parece que foi ontem que eu vi minha avó naquele caixão. Não sei se vou conseguir superar isso, eu tinha uma dívida de gratidão com ela que eu jamais pude pagar a altura, porque ela foi a única que me deu toda a assistência material, moral e educacional que eu precisei durante a vida. Eu queria dar a ela a felicidade de me ver concursado; não pude dar a ela isso. Pretendo fazer um tópico mais detalhado a respeito disso depois.
Lembram-se da tal bomba que eu tinha falado? Pois bem, ela explodiu. Aprendam uma coisa: nós só sabemos quem de fato é nossa família nos momentos de provação. Quando tudo está bem, todo mundo é família, mas é quando a coisa azeda que ficamos sabendo quem é e quem não é família. E no momento só existe uma pessoa que eu considero família, e a ironia é que ela sequer tem laços sanguíneos comigo. Foi a única pessoa que soube respeitar meu luto, a única pessoa que demonstrou se importar comigo de forma desinteressada, a única pessoa que até hoje todos os dias me pergunta se estou bem.
O restante que se diz família (tia 2) quer me empurrar a força uma responsabilidade que não é minha, que é cuidar da menina. A partir de Junho terei que buscá-la todos os dias na escola. Hoje tive que ir atrás dos documentos da guarda dela. Estou desempregado desde janeiro, mas isso não quer dizer que eu esteja desocupado: estou estudando para concurso público. Só ano passado, quando arrumei um emprego que pagava bem é que tive condições de assinar um cursinho online para me preparar para concursos públicos. Os anteriores davam no máximo para pagar as contas e só.
Tenho dinheiro suficiente para me sustentar sozinho só com os rendimentos da poupança se vender o apartamento que moro atualmente e comprar algo mais barato. Não dá para sustentar nem de longe uma vida de excessos, mas me basta o suficiente para o básico enquanto busco minha aprovação em um concurso. O problema é que, ao tempo em que comprei esse apartamento (vendi o que tinham abrido mão em meu favor, comprei um apartamento mais barato e investi o resto na poupança), descobri que ele possui uma cláusula de inalienabilidade temporária de 5 anos (não posso vender esse apartamento pelo prazo de 5 anos). A cláusula passou batida, a ideia era morar aqui por pelo menos 5 anos. Mas mesmo assim, dá para segurar a barra.
Enfim, não posso deixar a criança sozinha em casa porque posso ser denunciado por Abandono de Incapaz para o Conselho Tutelar ou MP. Terei que levá-la ao hospital quando ficar doente. E se eu quiser sair com meus amigos? Viajar?
O fato é que ninguém quer assumir essa responsabilidade e minha tia 2 quer que eu assuma essa responsabilidade porque a responsabilidade com a qual ela se comprometeu é muito simples, que é entrar com a grana. Ela tem uma boa condição financeira, para ela isso é fácil. Agora para mim? Porra, eu tenho 32 anos, evitei por ano essas piranhas sanguessugas, evitei casamento, evitei problemas para ter uma vida agradável agora que cheguei nos 30! Passar num concurso, pegar umas gatas, viajar pelo mundo! Mas não, agora querem que eu seja pai de uma criança que não é minha!
Eu sou profundamente grato aos meus tios e especialmente a minha avó porque foi ela quem me criou. E posso dizer que nunca fui o "meninho da vovó" porque eu sempre tive empatia pelo próximo! Sempre pagava metade do IPTU e do Condomínio, tenho orgulho de dizer que nunca pedi nada para a minha avó (só quando eu era criança e quando ela não podia eu entendia). As poucas coisas que eu tenho ela me dava sem eu pedir. E sou grato por meus tios porque se não fossem eles eu não teria esse apartamento.
O grande problema nisso tudo é que as pessoas costumam confundir GRATIDÃO com SACRIFÍCIO. Se um dia eles passarem por dificuldade financeiras e eu for rico, eu ajudaria sem pensar duas vezes! Mas querer minha vida como gratidão já é demais.
Estou pensando em ir no Conselho Tutelar, dizer a mesma coisa que estou dizendo aqui. Por mais que eu goste da menina, por mais que que queira o bem dela, eu não tenho estrutura para assumir a criação de uma criança. Uma coisa é você ser pai de família, ter uma estrutura familiar, outra coisa é você evitar a merda do casamento para poder aproveitar a vida e as pessoas, por terem feito um favor a você, achar que você tem que se sacrificar por elas!
Uma solução? Existe minha Tia 1, Tia 2 e Tio 3. O meu Tio 3, por meio da esposa, já disse que não quer saber da menina. A Tia 2 é quem está empurrando toda essa merda para mim. E a Tia 1, é a pirada. A melhor solução que consigo encontrar é entregar para o pai e ficar de olho, dando toda a assistência material, moral e e educacional que a menina precisar.
Fica vendo, vão querer empurrar a Tutela para cima de mim. Vão querer que eu ajuíze uma ação para pedir pensão... Além de não ser minha responsabilidade, só quem detém a guarda/tutela/adoção pode ajuizar a ação.
Enfim, fica a lição. Não caiam na esparrela de depender dos outros. O meu erro foi ter confiado, ter esperado sensatez de quem não deveria. Eu tenho condições de me manter sozinho sim, sinto que estou em débito com meus tios, mas não quero pagar essa dívida dessa forma. Justo eu um Realista e quase MGTOW. Será que as coisas vão ter que acabar assim? Se ofereceram para pagar algumas contas minhas mas querem em troca que eu vire pai de uma menina de 11 anos?
Acho que já deu. Me desculpem pelo wall of text mas essa merda toda está me deixando puto. Tenho amigos, parentes que acham absurda a ideia de eu assumir essa responsabilidade.
Se você tem uma irmã meio louca, cuidado: ela pode aparecer com uma penca de filhos para você cuidar da noite para o dia. M$ol hoje em dia sequer se dá o trabalho de arranjar um trouxa porque sabe que dentro da família o lado fraco da corda sempre arrebenta.
Se me sinto mal tendo que viver com um dinheiro que ganhei ao invés de conquistar? Sem sombra de dúvidas. Se soubesse que tudo que me dessem era para me colocar na situação que estou agora, jamais teria aceito nada! Daria um jeito na vida, mesmo sendo pobre. Mas é assim, as pessoas te dão a mão e espera que o braço para elas.
Fica o alerta para vocês. Cuidado com quem diz ser tua família. Você só vai saber se é mesmo tua família nos momentos de dificuldade.
Abri mão de um pouco do meu tempo para alertar os amigos para que não caiam na mesma armadilha que caí.
Pois bem. Há 11 anos atrás minha tia 1 (adotada), teve a brilhante ideia de ter uma filha, mesmo ela e o pai da criança não tendo a mínima condição de sustentar, quem dirá sustentar uma criança. Diante dessa situação, a minha avó decidiu obter a guarda da criança pois os pais não tinham condições materiais, morais e educacionais para criar a menina. O detalhe é que na época minha avó tinha 78 anos de idade: teve que fazer as vezes de pai e mãe da menina porque os vagabundos dos pais nunca demonstraram se importar com a criança. E quando digo se importar, não me refiro a questões financeiras: uma visita semanal que fosse, levar a menina para passear, cuidar dela, já demonstraria um pouco de interesse por parte dos pais. Mas as vezes em que isso ocorreu foram raríssimas.
Não satisfeita com toda a merda que tinha feito, minha tia 1 resolveu engravidar novamente de um outro cara. Ninguém queria criar uma outra criança e a coitada da minha avó que já tinha que ser mãe e pai aos 78 anos de idade, mesmo que quisesse não podia. A criança acabou sendo adotada por um militar. A altura desses fatos, eu já tinha um apartamento que minha tia 2 (biológica) havia comprado para minha avó. Posteriormente a família resolveu abrir mão desse apartamento em meu favor, com uma condição: que eu abrisse mão de um apartamento que tinha em Goiânia, herança deixada pelo meu pai, em favor da minha tia 1 (meus pais faleceram quando eu tinha 7 anos de idade). Como o apartamento de Goiânia era 1/5 do que valia o de Brasília, e o trato era de que o apartamento da minha avó passaria para meu nome, concordei e o trato foi feito.
Não demorou muito minha avó resolveu vender o apartamento de Goiânia (que agora era da minha tia 1) para pagar uma laqueadura e evitar que essa minha tia 1 resolvesse abrir a fábrica de filhos novamente. O resto do dinheiro minha avó tinha dito que era para pagar dívidas: do que e de quem, ela não dizia. Briguei muito para que não vendessem o apartamento, querendo ou não era uma pequena fonte de renda mensal que ajudaria bastante, mas como o apartamento já não era meu eu não podia fazer nada a não ser aceitar essa estupidez.
Há algum tempo eu já sabia que tinha uma bomba relógio no meu colo que explodiria a qualquer momento. O fato é que minha avó já estava idosa, mal dava conta dela, quem dirá de uma criança de 11 anos. Eu já sabia que a qualquer momento ela iria fechar os olhos e bom, o resto vocês já sabem... iriam empurrar a responsabilidade da menina para cima de mim.
No caso de minha avó morrer, eu me comprometi a deixar a menina morando comigo, mas deixei bastante claro que não assumiria nenhuma responsabilidade perante ela.
O tempo passa e o inevitável ocorreu: minha avó faleceu nas primeiras horas do dia 15/05/19, com 89 anos de idade. Já se passaram 14 dias, mas parece que foi ontem que eu vi minha avó naquele caixão. Não sei se vou conseguir superar isso, eu tinha uma dívida de gratidão com ela que eu jamais pude pagar a altura, porque ela foi a única que me deu toda a assistência material, moral e educacional que eu precisei durante a vida. Eu queria dar a ela a felicidade de me ver concursado; não pude dar a ela isso. Pretendo fazer um tópico mais detalhado a respeito disso depois.
Lembram-se da tal bomba que eu tinha falado? Pois bem, ela explodiu. Aprendam uma coisa: nós só sabemos quem de fato é nossa família nos momentos de provação. Quando tudo está bem, todo mundo é família, mas é quando a coisa azeda que ficamos sabendo quem é e quem não é família. E no momento só existe uma pessoa que eu considero família, e a ironia é que ela sequer tem laços sanguíneos comigo. Foi a única pessoa que soube respeitar meu luto, a única pessoa que demonstrou se importar comigo de forma desinteressada, a única pessoa que até hoje todos os dias me pergunta se estou bem.
O restante que se diz família (tia 2) quer me empurrar a força uma responsabilidade que não é minha, que é cuidar da menina. A partir de Junho terei que buscá-la todos os dias na escola. Hoje tive que ir atrás dos documentos da guarda dela. Estou desempregado desde janeiro, mas isso não quer dizer que eu esteja desocupado: estou estudando para concurso público. Só ano passado, quando arrumei um emprego que pagava bem é que tive condições de assinar um cursinho online para me preparar para concursos públicos. Os anteriores davam no máximo para pagar as contas e só.
Tenho dinheiro suficiente para me sustentar sozinho só com os rendimentos da poupança se vender o apartamento que moro atualmente e comprar algo mais barato. Não dá para sustentar nem de longe uma vida de excessos, mas me basta o suficiente para o básico enquanto busco minha aprovação em um concurso. O problema é que, ao tempo em que comprei esse apartamento (vendi o que tinham abrido mão em meu favor, comprei um apartamento mais barato e investi o resto na poupança), descobri que ele possui uma cláusula de inalienabilidade temporária de 5 anos (não posso vender esse apartamento pelo prazo de 5 anos). A cláusula passou batida, a ideia era morar aqui por pelo menos 5 anos. Mas mesmo assim, dá para segurar a barra.
Enfim, não posso deixar a criança sozinha em casa porque posso ser denunciado por Abandono de Incapaz para o Conselho Tutelar ou MP. Terei que levá-la ao hospital quando ficar doente. E se eu quiser sair com meus amigos? Viajar?
O fato é que ninguém quer assumir essa responsabilidade e minha tia 2 quer que eu assuma essa responsabilidade porque a responsabilidade com a qual ela se comprometeu é muito simples, que é entrar com a grana. Ela tem uma boa condição financeira, para ela isso é fácil. Agora para mim? Porra, eu tenho 32 anos, evitei por ano essas piranhas sanguessugas, evitei casamento, evitei problemas para ter uma vida agradável agora que cheguei nos 30! Passar num concurso, pegar umas gatas, viajar pelo mundo! Mas não, agora querem que eu seja pai de uma criança que não é minha!
Eu sou profundamente grato aos meus tios e especialmente a minha avó porque foi ela quem me criou. E posso dizer que nunca fui o "meninho da vovó" porque eu sempre tive empatia pelo próximo! Sempre pagava metade do IPTU e do Condomínio, tenho orgulho de dizer que nunca pedi nada para a minha avó (só quando eu era criança e quando ela não podia eu entendia). As poucas coisas que eu tenho ela me dava sem eu pedir. E sou grato por meus tios porque se não fossem eles eu não teria esse apartamento.
O grande problema nisso tudo é que as pessoas costumam confundir GRATIDÃO com SACRIFÍCIO. Se um dia eles passarem por dificuldade financeiras e eu for rico, eu ajudaria sem pensar duas vezes! Mas querer minha vida como gratidão já é demais.
Estou pensando em ir no Conselho Tutelar, dizer a mesma coisa que estou dizendo aqui. Por mais que eu goste da menina, por mais que que queira o bem dela, eu não tenho estrutura para assumir a criação de uma criança. Uma coisa é você ser pai de família, ter uma estrutura familiar, outra coisa é você evitar a merda do casamento para poder aproveitar a vida e as pessoas, por terem feito um favor a você, achar que você tem que se sacrificar por elas!
Uma solução? Existe minha Tia 1, Tia 2 e Tio 3. O meu Tio 3, por meio da esposa, já disse que não quer saber da menina. A Tia 2 é quem está empurrando toda essa merda para mim. E a Tia 1, é a pirada. A melhor solução que consigo encontrar é entregar para o pai e ficar de olho, dando toda a assistência material, moral e e educacional que a menina precisar.
Fica vendo, vão querer empurrar a Tutela para cima de mim. Vão querer que eu ajuíze uma ação para pedir pensão... Além de não ser minha responsabilidade, só quem detém a guarda/tutela/adoção pode ajuizar a ação.
Enfim, fica a lição. Não caiam na esparrela de depender dos outros. O meu erro foi ter confiado, ter esperado sensatez de quem não deveria. Eu tenho condições de me manter sozinho sim, sinto que estou em débito com meus tios, mas não quero pagar essa dívida dessa forma. Justo eu um Realista e quase MGTOW. Será que as coisas vão ter que acabar assim? Se ofereceram para pagar algumas contas minhas mas querem em troca que eu vire pai de uma menina de 11 anos?
Acho que já deu. Me desculpem pelo wall of text mas essa merda toda está me deixando puto. Tenho amigos, parentes que acham absurda a ideia de eu assumir essa responsabilidade.
Se você tem uma irmã meio louca, cuidado: ela pode aparecer com uma penca de filhos para você cuidar da noite para o dia. M$ol hoje em dia sequer se dá o trabalho de arranjar um trouxa porque sabe que dentro da família o lado fraco da corda sempre arrebenta.
Se me sinto mal tendo que viver com um dinheiro que ganhei ao invés de conquistar? Sem sombra de dúvidas. Se soubesse que tudo que me dessem era para me colocar na situação que estou agora, jamais teria aceito nada! Daria um jeito na vida, mesmo sendo pobre. Mas é assim, as pessoas te dão a mão e espera que o braço para elas.
Fica o alerta para vocês. Cuidado com quem diz ser tua família. Você só vai saber se é mesmo tua família nos momentos de dificuldade.
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