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Ser Correto Vs. Não Querer Saber Do Que Os Outros Pensam
#1
Ser Correto Vs. Não Querer Saber Do Que Os Outros Pensam.
[Image: free.jpg]


"Comentário de Leitor":

"Ao mesmo tempo que vendes a ideia que te estás a cagar para o que os outros pensam e que és completamente livre. E é isto que me incomoda porque é falsamente genuíno. Não me incomoda o facto de queres ser mais atraente para as mulheres, ou o facto de passar ideia que te estás a cagar, é o conflito resultante da combinação das duas que me incomoda. É o gajo que diz que é correto e depois vai assaltar o banco. A mim não me incomoda o assaltar o banco, o que me incomoda é o esforço pessoal de tentar passar a imagem de correto.”


Resposta, comentários:

Este é um mal entendido perfeitamente compreensível. São duas atitudes que em aparência parecem contraditórias, logo a confusão é legítima. Mas é tudo uma questão de intenção e contexto, que passo a explicar.

Então como raio é que uma pessoa pode ser correta e ao mesmo tempo não querer saber do que os outros pensam? Como é que isso é possível? Bom, não é possível quando a razão pela qual a pessoa é correta tem a ver com querer agradar aos outros. Ou seja, quando a intenção é obter a validação/aceitação/aprovação dos outros. Neste caso a pessoa está a ser correta pois quer saber do que os outros pensam em relação a ela. Neste caso específico, neste contexto, com esta intenção, é claro uma óbvia contradição. E das duas uma: a pessoa ou está a fingir ser correta, ou está a fingir não querer saber do que os outros pensam.

Agora vamos analisar brevemente o que os termos significam.

Ser correto: ter maturidade, ser responsável, educado, ter empatia, honestidade, humildade, ser generoso, justo, bondoso, etc. São qualidades positivas que vêm de integridade e poder.

Não falo aqui do falso correto, ou seja, de ser bonzinho, politicamente correto ou pseudo-santinho (basicamente o totó sem autenticidade e sem auto-respeito que finge ser assexuado tipo anjo, e finge nunca estar chateado, por exemplo).

Essas atitudes são um teatro que tem como objetivo obter o máximo de validação e evitar ao máximo a rejeição. É um mecanismo de defesa do nosso lado animal para otimizar as suas possibilidades de sobrevivência. Ele foi criado e programado para funcionar a um nível primitivo, na selva, quando vivíamos em pequenas tribos de dezenas de pessoas. Nesse contexto ser rejeitado significava quase de certeza ser expulso da aldeia, e ter de enfrentar o mundo selvagem sozinho, onde a morte era certa, devido a ataques de animais selvagens, doenças, etc. Logo o nosso lado animal inconsciente tem medo de ser rejeitado e tenta ser aprovado pelo maior número de pessoas, pois quantas mais pessoas gostarem dele, mais apoio ele tem para garantir a sua sobrevivência. Faz sentido e é aceitável, mas leva a uma mentalidade fraca e negativa, e a um narcisismo que só traz sofrimento que poderia ser evitado.

Agora o outro termo: ser completamente livre, ou seja, estar a cagar para o que os outros pensam. Eu gosto do termo “estar a cagar”, é sincero e revela logo a atitude sem pôr-se com tretas para não parecer mal. Seja como for, o não querer saber do que os outros pensam significa ser emocionalmente independente. Por sua vez, ser emocionalmente independente significa que não se precisa da validação dos outros. E é aqui que se começa a desfazer a contradição.

Uma pessoa pode ser correta (decente, íntegra, etc) e ao mesmo tempo não querer saber do que os outros pensam (ser emocionalmente independente), pois a intenção com que é correta não é para obter a validação dos outros, mas porque a pessoa está num nível de consciência de tal satisfação e preenchimento interior, que segue automaticamente e espontaneamente certos princípios de integridade que por sua vez alimentam esse bem estar interior. Ou seja, a pessoa é correta pela satisfação interior de ser correta, e não pelo que os outros acham disso. Não para agradar e obter validação, mas sim porque quando é correta ela sente-se bem com ela própria, sente-se satisfeita por ser assim. Se os outros apreciam isso ou não, é-lhe indiferente.

E porque esta pessoa é íntegra, mas não politicamente correta, está livre da necessidade de validação dos outros, e por isso tem automaticamente a capacidade de ter auto-respeito. Ou seja, se alguém a desrespeita de alguma forma, ela reage e defende-se, podendo dizer e fazer coisas que em aparência não parecem ser de pessoa correta (rejeitar, ferir o orgulho do outro, etc) mas são corretas nesse contexto de proteger aquilo que ama (auto-respeito = amor). E essa pessoa só consegue fazer isso pois não precisa da validação da pessoa que a está a desrespeitar, pois se precisasse seria mais um caso do totó de quem abusam e deixa continuar a abusarem.

Ou seja, estar a cagar para o que os outros pensam, não é não querer saber dos outros como ser humano. É não querer saber da sua validação. Logo não vem de narcisismo e ódio, vem de integridade e confiança. Logo vem de poder, vem de um estado e nível positivo. Logo não leva a pessoa a desrespeitar por desrespeitar, não leva a pessoa a querer magoar ou prejudicar os outros intencionalmente, muito menos a leva a cometer crimes. A pessoa correta, ou íntegra, não quer saber da validação dos outros, mas quer saber de princípios, morais e ética. Quer saber do bem estar dos outros, e respeita a existência dos outros. Não quer saber do que os outros pensam dela, mas tem consideração pelos outros. E como não anda à caça da validação dos outros, consegue ser seletiva e rejeitar aqueles que percebe que só lhe iriam trazer problemas, complicar a vida e magoar. Resumindo, aqueles que por uma razão ou outra, conscientemente ou inconscientemente, seriam mal intencionados por serem demasiado negativos e narcisistas.

É tudo uma questão de energia.

As pessoas que querem saber do que os outros pensam delas precisam da validação dos outros pois essa validação traz-lhes uma energia e bem estar interior que só por elas, como são em essência, não conseguem sentir. Sozinhas não têm acesso a esse bem estar e energia. Logo essas pessoas são corretas (o bonzinho, politicamente correto e pseudo-santinho), para obterem essa validação.

As pessoas que não querem saber do que os outros pensam delas não precisam da validação dos outros, pois são emocionalmente independentes. Isto significa que por elas, sozinhas, conseguem sentir um determinado bem estar e têm acesso a um certo nível de energia, devido a como são e como vivem a vida (com decência, honra, dando o melhor em tudo o que fazem, com coragem, autenticidade, etc). Não querem saber da validação dos outros, mas querem saber da felicidade dos outros, e respeitam isso. Não querem obter a validação, mas têm morais, ética e princípios, e por isso são corretas. Mas num contexto em que são desrespeitadas, em que a sua vida e felicidade são ameaçadas, por não precisarem da validação conseguem defender-se como for necessário, chegando a rejeitar e ferir o orgulho dos outros, ou mesmo num caso extremo, matar em autodefesa. Estas pessoas não decidem fazer o que fazem conforme o que os outros pensam (dependência de validação), mas fazem sim o que realmente as deixa satisfeitas (autenticidade = amor próprio, pois só é autêntico quem se aceita como é). É como um artista que pinta a óleo. Ele pinta o que quer e lhe apetece, o que o faz sentir bem e preenche interiormente, o que o inspira, e pinta à sua maneira aquilo que gosta. O que os outros acham ou deixam de achar é-lhe irrelevante, pois ele não pinta por validação, mas sim por amor.

Espero ter conseguido deixar menos confusa esta aparente contradição. Num caso há sem dúvida contradição e um nível de falsidade, mas no segundo caso não há qualquer contradição. Pode parecer que há em aparência, mas não há em essência.
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#2
"Nesse post um leitor escreveu":

Pois bem, quando falas da moral e ética... De qual falas exatamente? Porque a moral é tipicamente cultural. Não é? Muda-se a cultura, muda a definição de moral. Muda-se o núcleo de relação próxima, muda a definição de ética...

Gostaria muito de saber tua opinião à luz dos ensinamentos de Hawkins inclusive. O que é a moral, qual é a ética que nos leva para a integridade?
Por exemplo, mesmo ladrões têm sua definição de ética...? Há situações ou ações que devem são imorais, outras morais, mas muda o país, as regras mudam. Algumas palavras usadas aí em Portugal não podem ser usadas aqui sem gerar um transtorno, pois são más.
Agradeço como sempre, em meu coração, termos você aqui para ser uma luz.
Abraços!


Resposta, para o comentário:

A minha compreensão de morais e ética é a seguinte:


Morais: regras mentais emocionalmente energizadas de certo/errado que ignoram o contexto e intenção. São úteis para os não-íntegros que por si não conseguem Ver a realidade das situações/pessoas e Saber o que é apropriado dizer ou fazer. É muito útil para as crianças, por exemplo, pois não têm consciência do que estão a fazer e das suas consequências. Muito úteis para pessoas sem empatia/compaixão que não têm a capacidade de perceber como as suas escolhas fazem os outros sentir, etc.

Ética: tem em consideração o contexto e intenção. Vem de uma consciência da realidade do momento/pessoa, engloba valores espirituais integrados na essência da pessoa que tem ética. A grande diferença é que enquanto morais são regras decoradas e catalogadas de certo ou errado, ética é uma atitude espontânea que surge no momento devido ao nível de consciência da pessoa. Enquanto que morais podem cair no politicamente correto para não ferir o narcisismo das pessoas... ética não quer saber dessas tretas e fere o narcisismo se isso servir um bem maior. Regras de moral servem mais a sobrevivência, e são úteis; mas ética é o que nos inspira e eleva o espírito, e que tem em conta o lado invisível da vida que define tudo.
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