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Conhecendo o Autor #3 - Álvares de Azevedo
#1
ÁLVARES DE AZEVEDO



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NOITE NA TAVERNA, UM DOS LIVROS MAIS FODEROSOS QUE VOCÊ VAI LER, PUTA QUE O PARIU!
 
Acha canibalismo leve? Ok.
E assassinato? Também? Ok.
E necrofilia? Tá...
E incesto?
Pedofilia?
QUE PANCADA NA FUÇA!
 
Esses são alguns dos temas da obra absurda e espetacular intitulada Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo.
 

Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em 12 de setembro de 1.831, na cidade de São Paulo. Aos dois anos de idade, mudou-se com a família com destino ao Rio de Janeiro.

Aos 15 anos viveu uma de suas crises internas: abominava seu pai, que apesar de bom nome e status, era ausente e violento. Por conta disso, Azevedo era deveras apegado com sua mãe e principalmente sua irmã mais nova.
Azevedo gostava de cavalgar na chuva e em uma dessas ocasiões, sua irmã pediu para ir com ele. Na volta, ela começou a ter febre e, depois de alguns dias, faleceu, fazendo com que Álvares se sentisse culpado, inclusive tentando tirar a própria vida.
 
Nesse momento, o pai percebeu o remorso do filho e começou a se aproximar mais dele. Perguntando ao jovem o que o deixaria mais feliz, Azevedo diz que seria a Faculdade de Direito, ao passo que iniciou os estudos no curso em 1.848, o que o fez voltar para São Paulo.
Na faculdade, teve contato com vários escritores românticos.

O pai de Azevedo, bem abonado, disponibilizou um ótimo casarão para ele viver enquanto cursava Direito, todavia, Álvares solicitou ao pai que queria morar em um porão escuro, sem luz e janelas. Devido ao passado turbulento dos dois, o pai, para evitar mais desgaste na relação pai e filho, aceitou e alugou o tal porão.

Álvares gostava da vida boêmia de São Paulo, juntamente com outros três amigos de sala.

O interessante – seria engraçado, se não fosse cômico – é que a cada ano na faculdade, um desses amigos morria KKKKKKKKKKK (estou rindo, mas não é de deboche, Deus sabe). Todos vítimas da tuberculose.

Isso o levou a fazer um poema para ele mesmo, a ser lido no dia de seu velório, pois se a premonição continuasse acontecendo, ele seria o próximo. Esse poema é famosíssimo e simplesmente espetacular. Chama-se Se Eu Morresse Amanhã e deixo, logo abaixo, seus dizeres:

Citação:SE EU MORRESSE AMANHÃ

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que amanhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o doloroso afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!
 

E olha o que acontece: mês depois ele passa mal e seu pai o leva ao Rio de Janeiro, para se consultar com um especialista. Acabam descobrindo que a tuberculose havia o pegado, ao passo que também sofria com um tumor.  Os médicos tentaram operá-lo às pressas, mas sem sucesso.
Manuel Antônio Álvares de Azevedo morreu em 25 de abril de 1.852, com apenas 20 anos de idade.

CARALHO, CADA ANO MORREU UM.
QUE GRUPO DE AMIGOS ELES ACHAVAM QUE ERA, PORRA? SE MORRESSEM JUNTOS EU OS CHAMARIA DE MAMONAS ASSASSINAS (É PIADA HEIN, BRINKS CONFRADES).

 
Bom, esse foi um breve resumo da vida dele. Preferi deixar as curiosidades acerca de sua carreira para agora, acho que fica mais organizado. 
Vamos lá:
 
Desde cedo, Azevedo sempre se destacou nos estudos. Um dos donos do colégio em que ele estudou chegou a declarar que ele fora o aluno mais brilhante de toda a América. Ele sempre foi o melhor aluno da sala. Sempre.

Quando retornou a São Paulo, teve muito contato com um poeta chamado Bernardo Guimarães. Os dois fundaram uma sociedade secreta, que denominaram de Epicuréia. Eles aplicavam de maneira equivocada os preceitos filosóficos de Epicuro, que dizia que da vida nós devemos extrair o máximo de prazer. Os arrombados acharam que o camarada estava falando de putaria, orgia e bebedeira Gargalhada
 
Enquanto estava na faculdade, fundou a revista Ensaio Filosófico Paulistano.

Outra curiosidade de Álvares é que ele era um baita tradutor, inclusive de algumas obras de Shakespeare, como o quinto ato de Otelo.

Agora, o que mais me chama atenção é que ele fez poemas e obras absurdas e várias traduções e morreu só com 21 anos. Mais do que isso, ele foi tão importante no século que, mesmo tendo morrido bem antes da fundação da ABL – Academia Brasileira de Letras, ele foi o escolhido para ser patrono da cadeira número 2.

Foi um grande representante do ultrarromantismo. Não tenho dúvidas de que se tivesse vivido mais, seria um dos principais escritores do país (mais do que já é e muito mais reconhecido).

Muito louco isso, um legado tão gigantesco em muito pouco tempo de carreira, pois ele só iniciou os escritos depois que estava na faculdade.
Outra obra conhecida dele é a Lira dos Vinte Anos. Ao que parece, é excelente, mas não conheço.

Dele, li o poema Se Eu Morresse Amanhã e a obra Noite na Taverna. É sensacional esse último, pesadíssimo, baita livro e é inimaginável pensar em alguém com 20 anos escrevendo essas porras. Se eu fosse fazer um top 5 de melhores livros que já li, esse aí está em segundo (atrás de A Metamorfose). Superou Misto Quente, do Véio Buk, e olha que o Chinaski é meu autor predileto.


NOITE NA TAVERNA basicamente é uma reunião de cinco amigos em uma taverna (bar rústico, digamos assim) e cada um começa a contar suas barbaridades. São sete capítulos, onde o primeiro é a introdução da obra. Os próximos cinco são os nomes dos jovens: Solfieri (o capítulo desse cidadão é macabro demais), Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann. O último se chama Último Beijo de Amor.
 
EU VOU CONTAR UM POUCO DO SEGUNDO CAPÍTULO, QUE É QUANDO SOLFIERI COMEÇA A CONTAR AS HISTÓRIAS, POIS NÃO SOU BAÚ PARA GUARDAR SEGREDO!
 

Solfieri estava passeando por Roma depois de uma noitada de orgia. Ele vê uma moça, que entra em um cemitério. Ele vai atrás, a moça some e ele dorme ali mesmo.

Ok, vida que segue.

Até que em um outro dia dessa semana, ele acaba parando dentro de uma cripta, com um caixão aberto. Quem está dentro do caixão? A tal da moça.

Como ele achava essa moça linda, não podia fazer nada, a não ser sexo com ela (nas palavras dele, hein porra).

Quando ele termina, a moça simplesmente acorda. ELA NÃO ESTAVA MORTA, ERA UM CASO DE CATALEPSIA, DIGAMOS ASSIM KKKKKKKKKKKKK.

Ele pega a mulher e leva para sua residência. Ela adoece e morre (dessa vez de verdade).

Muito apaixonado, chama um artista para esculpir o corpo da donzela. Depois da escultura pronta, ele a enterra embaixo de sua cama KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.
 
Se vocês acham que o capítulo Solfieri é pesado, digo que ele foi o primeiro amigo a contar as pérolas. Falta quatro e o próximo, Bertram, quer muito contar a pior história da noite.


E EU SÓ DIGO O SEGUINTE: ELE CONSEGUE SUPERAR SOLFIERI, MAS AINDA NÃO É A PIOR HISTÓRIA DA NOITE.

 
EU VOU TER QUE LER ISSO LIVRO DE NOVO, QUE FACADA NA BEIÇA PORRA. E O FINAL DO LIVRO É PORRETA!
 

Até os dias atuais se tem dúvida acerca dessa obra no que se refere a sua publicação. Ela só foi exposta após a morte do Azevedo. Será que ele queria que fosse publicada?

Ele tinha um pseudônimo, Job Stern. Se tivesse publicado em vida, seria como Álvares de Azevedo ou como Job Stern?
NA MINHA OPINIÃO, ele não iria publicar esse livro como Álvares de Azevedo nem a pau, e tenho dúvidas se teria coragem como Job Stern.

 
Queria deixar um pedido aos camaradas: leiam Noite na Taverna. LEIAM. Apenas 100 páginas e vale muito a pena. Se conhecerem livros e autores nessa pegada, façam as recomendações!
 
É isso aí, esse autor aí é brabo, o cara era foda, bicho!
Mateus 21:22
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#2
Yaoming Yaoming

Nunca vi alguém gostar tanto de livro trágico, esgotosfera, dor e desgraceira como você.
“A maior necessidade do mundo é a de homens — homens que se não comprem nem se vendam; homens que, no íntimo de seu coração, sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” Ellen White, Educação, Pág 57.
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#3
(27-10-2020, 04:57 PM)Libertador Escreveu: Yaoming Yaoming

Nunca vi alguém gostar tanto de livro trágico, esgotosfera, dor e desgraceira como você.

Eu sigo o mesmo caminho. Leio schopenhauer, cioran, nietzsche, esperando tradução para o inglês de Philipp Mainländer... Na parte de literatura curto Machado de Assis, Dostoievisky...
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