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As vezes o cara só quer tomar um cerveja e conversar...
#1
Olá confrades, venho aqui só desabafar um pouco, sempre fui uma pessoa muito sozinha, e isso anda me deixando muito triste ultimamente, não é nem questão de mulher, mas as vezes eu só queria ter alguém para bater um papo em um bar de esquina e jogar conversa fora, alguém que tivesse alguma coisa parecida comigo, algum papo em comum, ou só jogar conversa fora sobre qualquer coisa com um amigo aleatório mesmo, mas ultimamente, e quando digo ultimamente, falo coisa de meses mesmo, anos, dependendo do tipo de interação, faz muito tempo que não tenho esse tipo de contato humano.

Minha vó sempre diz: "não existe amigos, apenas colegas" pude comprovar isso quando fui atropelado e ninguém que eu considerava "amigo" veio me visitar, nem mesmo um sujeito que vivia enchendo o saco para eu conversar com ele, mesmo quando eu estava em época de prova ou ocupado com alguma coisa, aquele tipo de pessoa que acaba sugando a sua energia para falar dos problemas dela(no caso dele, na maioria das vezes, relacionado a mulher) e eu parava para ouvir e aconselhar porque não queria ser cuzão, e as vezes me compadecia, de qualquer forma, quando fui atropelado, fraturei a clavícula, e rachei o crânio, nem ele veio me visitar...

Mas por mais que isso tenha sido um elefante branco na sala por muito tempo em minha vida, eu decidi criar esse tópico justamente hoje porque percebi que minha mãe anda passando pela mesma situação, mas ao contrário de mim, que lido com ela estudando e fazendo planos, ela acaba recorrendo ao vinho, e não é de hoje que eu tenho percebido que a personalidade dela mudou bastante, desde o meu acidente a personalidade dela tem mudado, antes ela tinha mais personalidade e energia, mas conforme o tempo foi passando ela foi ficando, sei lá, mais tranquila, mas de uma forma meio abobada, eu não sei se recorrer ao vinho com tanta frequencia tenha influenciado nisso, é óbvio que todo mundo fica abobado bêbado, mas eu percebo que mesmo sóbria ela não é mais a mesma pessoa de antes, é como se a personalidade dela estivesse fragmentada.

Isso me lembra, inclusive minha avó paterna, que está faz mais de 10 anos sem sair de casa, por escolha própria, ninguém sabe o motivo, mas ela simplesmente parou de sair, mas ela sempre teve alguns problemas, alguns transtornos, e acabou que o isolamento tornou ela uma pessoa completamente desconexa da realidade, que se você deixar, começa a falar e falar sobre as mesmas coisas, os mesmos golpes que sofreu no passado(ela emprestou dinheiro para um cara, e ele nunca mais devolveu, sempre falava disso quando eu conversava com ela) enfim, uma personalidade completamente fragmentada.

Mas hoje eu resolvi pesquisar mais sobre isso, e descobri que neurônios morrem com o isolamento social, eles podem até se manter por mais tempo se você for uma pessoa organizada, mas não adianta, isolamento social prolongado(uma semana já é considerado "prolongado" de certa forma, com ratos, duas semanas foram mais que o suficiente para mudar as bases do cérebro) mata seus neurônios, ponto. 

Isso me fez pensar também no outro lado da moeda, vivemos em uma sociedade cada vez mais egocêntrica e narcisista. Essas merdas de redes sociais serviram só para deixar as pessoas alienadas e idiotas, mas isso é chover no molhado.

O meu ponto é que, mesmo sabendo que a maioria das pessoas estão cagando para sua existência, e provavelmente te desprezam, percebo que se isolar não é o melhor caminho, isso vai te deixar doente.

Mas sinceramente não consigo ver uma alternativa ao isolamento, de um lado, você tem a solidão e os malefícios FÍSICOS do isolamento ISSO MESMO, VOCÊ QUE ACHA LINDO SE ISOLAR DA SOCIEDADE, SER FRIO E CALCULISTA E NÃO CONVERSAR COM NINGUÉM, VOCÊ ESTÁ FODENDO COM OS SEUS NEURÔNIOS, O CÉREBRO HUMANO NÃO FOI FEITO PARA ENCARAR GRANDES INTERVALOS DE ISOLAMENTO SOCIAL E ISSO ESTÁ PROVADO! 

E outra coisa que me fez refletir sobre isso, foi um vídeo desse cara, que eu vou deixar o link aqui: https://youtu.be/A3dh43P7Chg o vídeo não lá o suprassumo da sabedoria, mas acabei concordando com o cara, apesar da maioria das coisas que ele fala serem sim um pouco óbvias, outras me fizeram refletir bastante.

Falando sobre como, mesmo que sabendo que muitas pessoas não se importam com você, é importante se manter socializado para aproveitar oportunidades e etc.

De qualquer forma, isso me fez e refletir e pensar em como simplesmente, não só não tenho amigos próximos, como não tenho nem sequer colegas para uma vervejada de vez em quando, nem algum conhecido para bater um papo pela internet, faz um tempo que ando me dando conta do quão sozinho estou no mundo, claro que todos estão, mas alguns tem alguns contatos superficiais que, querendo ou não, são saudáveis de qualquer forma.

Não quero acabar como minha vó, e nem quero que minha acabe daquele jeito, o caso dela acaba sendo pior, porque o álcool acelera o processo de destruição das células, enquanto atividades físicas e intelectuais reduzem. Mas não é tão simples assim fazer ela parar com o álcool, esses dias, acordei ela, ela estava sem respirar, por causa de um remédio do nariz, que eu também uso, e que desnetope o nariz na hora, mas entope depois de um tempo novamente, em estado normal, você acorda com o nariz entupido, desentope, volta a dormir, e segue a vida, mas ela estava bêbada e tinha misturado isso com um remédio para dormir, o resultado foi que ela não conseguia respirar, e se eu não tivesse acordado no meio da noite, por causa do nazis entupido também, e ido no banheiro, não teria escutado a respiração entrecortada, e nem sei o que poderia ter acontecido... quando contei para ela no dia seguinte, e falei que o alcool acelera o processo de desentupimento, ela largou o remédio do nariz...



Não sei se estou exagerando sobre o ocorrido, de qualquer forma isso foi só uma forma de desabafar e refletir também, porque faz muito tempo que não tenho uma conversa franca com alguém, acho que talvez mais de um ano, aquela conversa de homem para homem, amigo para amigo, ou colega para colega, acho que faz mais de um ano que não tenho esse tipo de coisa.

Sinceramente não se é só comigo, mas impressão que eu tenho é que todo mundo está menos socialmente, e fodendo os próprios neurônios por tabela, as vezes sinto falta de ter uma mesa cheia de gente para jogar conversa pro ar, só que não tenho amigos, e ninguém mais quer tirar a cara do celular hoje em dia.

Inclusive, as vezes tento conversar com minha mãe, até para fazer ela socializar também, porque tirando isso, ela só tem o trabalho, mas não é a mesma coisa, e eu sinto que a forma como ela conversa está cada vez mais desconexa e obscessiva, tenho medo disso, mas acho e torço para que não seja nenhuma doença, porque uma doença não seria tão gradativa desse jeito, eu acho.

De qualquer forma isso foi só um desabafo.
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#2
Então Reale.

Primeiro começo dizendo que essa história de ligar se alguém te visitou ou não em um acidente é bobagem. Faz parte

Mas essa questão do Isolamento é um FATO CONSUMADO! Deus criou nós para que vivamos em relacionamento com nossos irmãos o tempo todo.

Tudo que você procurar fazer, que preze pelo isolamento, irá ter consequências ao cerébro com o tempo( Depressão e Ansiedade são as mais comuns).

Tem um empresário que acompanho no youtube, que volta e meia ele fala sobre isso em seus videos.

O Quanto é importante para quem é empresário ou até mesmo funcionário, estar sempre conversando com os clientes, procurando aprender alguma coisa.

Segundo ele, você aprende muito mais conversando com um estranho na rua do que em livros!

E sobre a Quarentena.. 
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Além disso, ore para que a vontade de Deus seja feita! Não a sua.
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#3
Quero começar comentando a questão do álcool. Não vou ser hipócrita, eu bebo (o que chamam de socialmente) uma cerveja ou outra nos finais de semana sim, eu gosto e é meu momento de lazer, mas é inegável os efeitos do álcool a longo prazo. Quando mais novo eu bebia muita vodka, bourbon e destilados em geral e comecei a reparar que nos dias subsequentes a essas seções etílicas eu ficava extremamente irritado e estressado, as bebidas estavam me deixando agressivo. Por sorte, foi fácil para mim fazer sessões e jejuns para me desintoxicar (30, 40, 50, 60 dias sem beber uma gota de álcool).

 Em relação a socializar. Vamos deixar de lado as teorias socialistas de socialização que exaltam o coletivismo, vamos olhar para a história. Nós, seres humanos, precisamos de cooperação para evoluir e progredir. Os interesses particulares de cada um motivam e conduzem a essa cooperação, resultando no bem-estar social das partes envolvidas. Entenda, não é o "bem comum" que leva os indivíduos a cooperarem , como os progressistas pregam, mas sim o oposto, a necessidade e os interesses pessoais que demonstram a necessidade de ajudar e ser ajudado.

Observe a natureza, animais mais fracos precisam se unir para superar predadores mais fortes e rápidos. Grande impérios não existiriam sem o esforço de milhares de homens, em torno de um objetivo. Pensando em uma escala menor, como uma empresa familiar (por exemplo, uma padaria) poderia ser gerida e funcional sem a colaboração de outras pessoas (mesmo que incentivadas pela necessidade e/ou objetivo monetário).

O que eu quero dizer é: ter "amigos", ou colegas, é necessário e produtivo, desde que se tenha em mente que as pessoas são movidas sim por interesse e não é errado agir com base nos próprios interesses também. Tenho a mentalidade de não destratar ninguém, pois nunca se sabe quando você vai precisar de algo daquela pessoa.

Já refleti sobre isso antes, vou deixar um trecho do texto do meu blog no spoiler.

Spoiler Revelar

Precisamos encontrar um equilíbrio, não deixar nossos sentimentos falarem mais alto que a razão. A melhor forma que vejo pra isso é valorizando boas amizades, bons relacionamentos mas sem idealizações, ter ciência dos limites e defeitos alheios e dos próprios. Considero importante também a reciprocidade. Eu tenho um problema nesse quesito. Absorvi muito do meu pai, que é o tipo de sujeito que não gosta e evita sair de casa, tem pouquíssimos amigos devido a traíções sorrateiras que sofreu no passado. é necessário avaliar constantemente os esforços que se faz nas relações. Sem se esforçar e cooperar, não se criam laços, por outro lado, sem esforço não há relações sinceras.

  Já deixo claro que relações interpessoais envolvem interesses diversos, e algumas vezes sem sentido, mas existem outras facetas, como afinidade, histórico, passado, objetivos em comum, entre outros. 

  Seja independente, mas não seja um doente isolado. Você pode até evitar traições, situações constrangedoras e outras mas vai ter problemas com seu networking, problemas emocionais e psicológicos, menos oportunidades, nas dificuldades vai acabar sozinho. Repito, mesmo fazendo tudo isso, você pode se ver sozinho e esse é o ponto de todo esse texto.

  Saber lidar com os momentos onde nos encontramos sozinhos. Nem sempre um amigo vai querer ouvir ou ajudar, nem sempre sua parceira vai querer saber dos seus problemas, inclusive, trazer problemas pessoais pra dentro da relação é cavar a própria cova, sugiro cuidado com isso.

  Como disse meu irmão uma vez: saiba aproveitar o tempo com os amigos, o tempo namorando, mas saiba aceitar e aproveitar o tempo sozinho, solteiro, etc.


Um homem com escolhas é um homem livre.
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#4
Tirando a parte filosófica e filhadaputística das pessoas de hoje em dia, ocorre que o mundo tá muito corrido.

Trabalhar o dia todo, treinar a noite e com o tempo que sobra cuidar das coisas de casa (lavar/passar/comida), trocar ideia com umas vadias ou ir atrás das vontades de momozin ocupam o dia todo, quando não falta tempo. Inclua ainda um tempo para estudo.

Dificilmente tu vai arrumar alguém disposto a sair beber com outro macho e falar besteira.

Se isso te faz falta é porque talvez esteja com muito tempo de sobra. Troque ideia com o frentista enquanto abastece o carro, com a caixa do supermercado enquanto passa as compras, saia sozinho beber uma na conveniência e troca uma ideia rápida com o bêbado da mesa do lado e ja era.

Arrume um hobbie e troque ideia com pessoas que estão fazendo a mesma coisa, enfim..
[...]
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#5
(28-05-2020, 11:05 AM)Mindingo Escreveu: Tirando a parte filosófica e filhadaputística das pessoas de hoje em dia, ocorre que o mundo tá muito corrido.

Trabalhar o dia todo, treinar a noite e com o tempo que sobra cuidar das coisas de casa (lavar/passar/comida), trocar ideia com umas vadias ou ir atrás das vontades de momozin ocupam o dia todo, quando não falta tempo. Inclua ainda um tempo para estudo.

Dificilmente tu vai arrumar alguém disposto a sair beber com outro macho e falar besteira.

Se isso te faz falta é porque talvez esteja com muito tempo de sobra. Troque ideia com o frentista enquanto abastece o carro, com a caixa do supermercado enquanto passa as compras, saia sozinho beber uma na conveniência e troca uma ideia rápida com o bêbado da mesa do lado e ja era.

Arrume um hobbie e troque ideia com pessoas que estão fazendo a mesma coisa, enfim..

É exatamente isso que eu quis dizer. As pessoas se surpreenderiam o tanto que eles podem aprender conversando com estranhos.
Além disso, ore para que a vontade de Deus seja feita! Não a sua.
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#6
O nosso jovem amigo ainda está na infância psicológica. Acha que o mundo ou alguém lhe deve algo só pelo fato de existir.

Infelizmente amigo, realmente ninguém se importa, e antes de reclamar que ninguém da a mínima para você reflita, quantos amigos doentes você já foi visitar? você já deu suporte para alguém necessitado? Alguma vez você já se mostrou realmente interessado pelos problemas dos outros? Ou só se facha no seu mundinho paralelo e espera que um anjo caia do céu e te tire da insignificância existencial?

Geralmente quem se acha excluído é pq não mostra interesse genuíno por ninguém além de si mesmo.

E corroborando o que já falaram, é só sair da porra do quarto e falar com as pessoas caralho!

Reflita sobre isso, mas de forma adulta por favor.
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

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#7
Aí que delícia! Então, isso significa q vc quer dar o cu? A vida é assim, não reclame, jogue o jogo, menina.
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#8
(28-05-2020, 11:05 AM)Mindingo Escreveu: Tirando a parte filosófica e filhadaputística das pessoas de hoje em dia, ocorre que o mundo tá muito corrido.

Trabalhar o dia todo, treinar a noite e com o tempo que sobra cuidar das coisas de casa (lavar/passar/comida), trocar ideia com umas vadias ou ir atrás das vontades de momozin ocupam o dia todo, quando não falta tempo. Inclua ainda um tempo para estudo.

Acho isso hilário. Nunca tivemos tantas tecnologias hoje para economizar tempo, carros que nos levam de forma bem mais rápida para os lugares, aviões que nos permitem chegar em questão de horas em outros países. Celulares que podemos ligar e resolver coisas a distância sem ir pessoalmente. Enviar documentos por e-mail. Máquinas de lavar roupa e louça. Noticias na palma da mão sem precisar ir comprar um jornal. Cursos online sem precisar ficar indo pra salas de aula. 

Tem absolutamente muita coisa que foi feita e está sendo feita para economizar o tempo das pessoas e agilizar as coisas. É a melhor época nesse sentido mas ao mesmo tempo acho que as pessoas nunca viveram tão sem tempo pra nada como atualmente. Estão sempre ocupadas e correndo de um lado pro outro. Em um desespero frenético contra o relógio. Não tem tempo de jogar uma conversa fora com os amigos. E aí quando conseguem ir pro campo pra descansar as energias, ficam sem o celular e outras modernidades que economizariam tempo e agilizariam as coisas e voltam a fazer as coisas que antes tomavam muito tempo, como ir caminhar pra resolver algo e de repente ficam com tempo de sobra de novo. Muito irônico.
“A honra, a integridade e a verdade precisam ser guardadas, custe o que custar ao próprio eu.” Obreiros Evangélicos, pág. 447
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#9
(28-05-2020, 12:41 PM)Libertador Escreveu:
(28-05-2020, 11:05 AM)Mindingo Escreveu: Tirando a parte filosófica e filhadaputística das pessoas de hoje em dia, ocorre que o mundo tá muito corrido.

Trabalhar o dia todo, treinar a noite e com o tempo que sobra cuidar das coisas de casa (lavar/passar/comida), trocar ideia com umas vadias ou ir atrás das vontades de momozin ocupam o dia todo, quando não falta tempo. Inclua ainda um tempo para estudo.

Acho isso hilário. Nunca tivemos tantas tecnologias hoje para economizar tempo, carros que nos levam de forma bem mais rápida para os lugares, aviões que nos permitem chegar em questão de horas em outros países. Celulares que podemos ligar e resolver coisas a distância sem ir pessoalmente. Enviar documentos por e-mail. Máquinas de lavar roupa e louça. Noticias na palma da mão sem precisar ir comprar um jornal. Cursos online sem precisar ficar indo pra salas de aula. 

Tem absolutamente muita coisa que foi feita e está sendo feita para economizar o tempo das pessoas e agilizar as coisas. É a melhor época nesse sentido mas ao mesmo tempo acho que as pessoas nunca viveram tão sem tempo pra nada como atualmente. Estão sempre ocupadas e correndo de um lado pro outro. Em um desespero frenético contra o relógio. Não tem tempo de jogar uma conversa fora com os amigos. E aí quando conseguem ir pro campo pra descansar as energias, ficam sem o celular e outras modernidades que economizariam tempo e agilizariam as coisas e voltam a fazer as coisas que antes tomavam muito tempo, como ir caminhar pra resolver algo e de repente ficam com tempo de sobra de novo. Muito irônico.

Não faz sentido essa comparação.

Uma coisa é rotina diária de trabalho, outra coisa é descanso de final de semana.

Lembro bem de quando eu era criança meu pai mal tinha tempo pras próprias vontades, uma vez que só o trabalho já consumia quase um dia inteiro..

Mas concordo com o ponto de vista de tirar um tempo pra trocar uma ideia com os amigos. É aquela velha máxima de vagabunda rejeitada: "quem quer dá um jeito".
[...]
Responda-o
#10
E deixa a porra da véia se embriagar em paz.
[...]
Responda-o
#11
(28-05-2020, 12:41 PM)Libertador Escreveu: É a melhor época

ISSO. "Melhor janela da história" #G



Gargalhada Yaoming
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

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#12
Antes de dar um parecer segue algumas observaçãos e questionamentos:

Primeiro já sabemos o problema: A socialização.

Segundo outro problema: O afastamento social da mãe e avó e o consalamento no alccol.

Agora uns questionamentos:

Já que sabemos o problema, o porque você não tem amigos e/ou colegas ? Porque até onde sei tudo vai depender de você. Onde mora não existe ninguém que não posso fazer amizade ? Ou você mesmo se tranca em casa e não sai para socializar e coloca a culpa nos outros ?

Tem dificuldades para fazer amizades ?

Quando faz amizades tende a afasta-los mesmo que inconsciente ?

Tu trabalha ? Estuda em alguma instituição ? Faz parte de algum circulo social especifico ? Como por exemplo igrejas, academias, clubes etc. ?

                Passei, vi e, ao contrário deles, venci.
Responda-o
#13
* Texto imenso, se não quiser ler, foda-se, só ignore e siga sua vida.
 
Spoiler Revelar
"Você só sabe quem você é de verdade quando você está sozinho [...] a sua existência só se apresenta a você verdadeiramente quando você está sozinho, não pode ter nem ao menos a companhia um cachorro ao seu lado [...] a regra é: você só sabe quem verdadeiramente é, quando está completamente sozinho, porque aí você se defronta com sua verdadeira existência [...] a experiência de autopercepção completa é quando você está em alto mar num barquinho sem remos, não tendo terra em nenhum dos quatro lados, de noite e numa noite escura...". 

 Essas sábias palavras foram ditas pelo professor Monir Nasser, que infelizmente não está mais aqui conosco, e também não recebeu o mínimo de reconhecimento pelas contribuições que deixou, mas felizmente tem o carinho daqueles que o conheceram, é isso que ele falou sobre o desejo intenso de reconhecimento que permeia essa sociedade hodierna. 

 Você citou algo sobre a neurociência, a respeito da morte dos neurônios, certo? Hoje como essa ciência bem sabe, o corvo (aquele animal sombrio que é ilustrado sempre nos cemitérios) conseguem pensar, contar e até resolver cálculos aritméticos simples assim como uma criança no primário, mas eles não possuem a linguagem, a linguagem é o que nos diferencia dos animais, e tão somente isso que nos permitiu atingir o estágio atual de desenvolvimento...  

 Há um embate aqui na tentativa de descobrir se isso é predestinação ou não, na filosofia judaico-cristã, a linguagem é senão uma dádiva divina que nos coloca à frente no reino animal, assim como Adão, criado por Deus, sendo-lhe ofertado a maior benção que ele poderia receber em vida, e por isso seria o supremo rei dentre os animais. 

 Por outro lado, em se tratando de ciência pura, a neurociência assente que temos até a idade de 30 anos (alguns cientistas defendem que ela pode se estender alguns anos mais, outros menos), para desenvolver o máximo de conexões neurais possível, é o momento que temos para adestrar o cérebro, alimentá-lo com as melhores fontes (ganho de cultura, aquisição de novos idiomas, pensamento abstrato, cálculo, escrita, artes, música e etc.), quanto mais conexões você desenvolver, melhor preservado será o seu cérebro do ponto de vista do aprendizado. É por isso que dizem que não dá pra ensinar truque novo pra cachorro velho.

 Pode parecer bobagem, mas penso que isso é muito importante, muito mais do que podemos imaginar. Só em você notar que tem algo de errado na sociedade, e de fato tem, já merecia dar maior importância a esse fato. O desenvolvimento do homem só começa quando ele nota que tem algo de errado e não apenas isso, quando ele transforma essa percepção, ou melhor, quando ele entende sua autopercepção diante do meio externo, a compreende e transmuta sua vontade e energia para modificar isto, é que seu desenvolvimento de fato começa. É um caminho longo e sua maior aliada se chama paciência.

 Eu não consigo dizer se é o seu caso, mas na medida em que vamos saindo dessa "caverna", e de fato a conhecemos como "Caverna de Platão", perceberemos que o mundo já parece muito distante de nós, e essa autopercepção ficará cada vez mais solitária, uma vez que aquilo que você se tornou e principalmente viu, os outros "prisioneiros" não obtiveram semelhante sucesso, eles ainda estão lá, parados, acorrentados e olhando a própria sombra em uma caverna enegrecida e vazia. Você se distanciará cada vez mais desse mundo que conhece, essa será sua nova realidade, é o inferno e o purgatório de Dante. 

 Mas reiterando a fala da morte dos neurônios, a partir da idade fatídica de 30 anos, para a neurociência, você só aprenderá algo novo quando "matar" uma conexão que já existia, ou seja, será cada vez mais difícil tomar posse de alguns conceitos mais abstratos pois sua fase de desenvolvimento já passou, e entende-se aqui o crescimento que vai desde a primeira infância até o completo desenvolvimento do neo-córtex (a parte frontal do cérebro, e a maior). Quando falamos de isolamento, você deveria estar em uma ilha assim como Hayy ibn Yaqzân, no livro O Filósofo Autodidata, mas mesmo nessa situação em completo isolamento, seus neurônios iriam se desenvolver do mesmo modo, claro, de forma bem lenta, mas aos poucos o seu cérebro te levaria a desenvolver a mesma capacidade da qual dispomos hoje (que por sinal é a mesma dos hominídios nossos progenitores mais antigos), mas se houvesse a viabilidade de você conhecer uma mulher na mesma situação, e os dois se reproduzirem, a evolução da espécie aconteceria de modo igualitário.

 Esse isolamento moderno nem de longe é o verdadeiro isolamento, e mesmo que você não perceba, as conexões neuronais estão se formando do mesmo modo, resta saber de que forma elas estão se consolidando, se você já percebeu que o mundo não é aquilo que seus olhos estão acostumados a ver, não deve perder nem um só minuto a arriscar suas conexões neurais com baboseiras e inutilidades. Deve plantar para colher, assim como manda a Lei da Semeadura, e dessa forma continuará aprendendo cada vez mais.

 Retornando ao exemplo do corvo, o simples fato de você pensar e se sentir solitário, é apenas uma manifestação da própria consciência humana, nossas emoções são evidentemente idênticas, somos instáveis e dependentes dos neurotransmissores que nos comandam, mas apenas sentir essa melancolia não te levará a lugar algum, na verdade isso é uma manifestação bem primitiva de consciência, todas as mentes, inclusive as mais brilhantes que por aqui já passaram (com exceção claro das divinas), já sentiram algo semelhante ou pelo menos no rumo, mas a diferença é que só os que se lançam na tentativa de entender, ou de desenvolver essa autopercepção, e de utilizá-la para impulsionar o desenvolvimento individual, que de fato o conseguiram.

 Você precisa superar essa fase animal e partir para o próximo estágio, o do desenvolvimento claro. Saia do estágio primitivo das emoções e comece a utilizar mais a linguagem, é a única forma de evoluir. E eu vou contar algo que percebi nessa quarentena, muitas pessoas estão com comportamentos completamente primitivos, quase irracionais, do ponto de vista emocional, eu mesmo presenciei coisas inacreditáveis nesse ínterim, o que seria isso? Nem de longe essas pessoas estão isoladas, estão apenas mais inertes, inseridas em um mundo fictício. Observe o fenômeno bizarro que as redes sociais proporcionaram esses últimos meses, até mesmo shows musicais estão sendo transmitidos por uma tela artificial, e as pessoas se portam como se estivessem verdadeiramente em uma apresentação real (se arrumam, compram bebidas, se perfumam pra ficar à frente de uma tela acompanhando um cantor e acompanhada de mais pessoas enquanto desfrutam de um churrasco) Yaoming

 As pessoas não estão isoladas e esse "isolamento" é o menor dos males ao teu cérebro, você deveria estar preocupado com coisas maiores, com o tipo de informação que chega ao seu sistema límbico, ou ao tipo de informação que você está consumindo ou sendo colocado, como uma espécie de furação que te leva para todos os lugares mas ao mesmo tempo você está sendo levado por ele enquanto gira feito um tresloucado, debatendo-se com todo tipo de catrevagem que existe e destroços daquilo que destruiu-se.

 A socialização, em uma urbe com cada vez mais habitantes, hoje estamos a lidar com milhões de pessoas em um mesmo perímetro geográfico, devemos tomar o dobro de cuidado para não nos associarmos com qualquer pessoa, essa carência é de todo modo destrutiva. Existe algo chamado de o Número de Dunbar, que à grosso modo nos diz que só podemos nos associar com um número limitado de 150 pessoas, esse é o limite de amigos que deveríamos ter. O problema é que estamos cada vez mais inseridos em um mundo tecnocrático, se é que eu posso assim chamar, onde estamos inseridos em uma verdadeira ficção científica em que o mundo das lives se confunde com o mundo real. 

 É de se esperar que essas conexões aconteçam também com esse intercâmbio entre vida real e virtual, então quem são essas 150 pessoas que te influenciam nesse momento? Pode ser aqui do fórum, da tua família, de conhecidos e etc., como também podem ser "falsos amigos virtuais" das redes sociais e também personagens importantes da literatura, música, esporte, filmes e também personalidades históricas. Você pode sim ser influenciado por esses meios, é talvez por isso que as empresas sempre contratam famosos e pessoas do mainstream para divulgarem seus produtos idiotas, em grande maioria. 

 O mercado da propaganda e da publicidade é demoníaco (eu chamo de demonioso), e você nem imagina as artimanhas que esses crápulas utilizam para manter as pessoas escravas e dependentes de produtos e do meio artificial, nesse caso, virtual. 

 Pare de romantizar o mundo e comece a se instruir, por que vai desperdiçar mais de 2000 anos de evolução (muito mais), e retroceder ao nível de um hominídio provecto? Se a cultura greco-romana influenciou as bases da civilização ocidental, porque vai desprezá-la em detrimento de um mundo cada vez mais artificializado em que as pessoas dependem de estímulos e da influência dantesca dos neurotransmissores (viciados pela alimentação, estímulos diversos, pornografia etc.).

 Quanto mais desorganizado forem as tuas conexões neurais, melhor será para a composição da massa de acéfalos (com respeito), que teremos no futuro com uma população inteiramente imbecilizada (muito mais do que os parâmetros recomendam), e reduzidas ao nível do animal mais bruto que existe na natureza, bem longe da autopercepção e do exercício da linguagem, que é aquilo que tu faz, a ação da interpretação que você tem do mundo. 

  A quarentena não se trata de isolamento mas da tortura que é quando você se depara com o seu verdadeiro eu, que ficará cada vez mais sedento por estímulos (virtuais e físicos) para se sentir novamente inebriado por uma realidade ilusória. Não é o isolamento em si o responsável por esse comportamento doentio que estamos a ver, mas sim a intensidade dos estímulos que está sofrendo variações, é uma das muitas manifestações de um vício nessa falsa realidade. A consciência clara e pura é silenciosa, somente no silêncio o indivíduo (sua individualidade) pode se desenvolver, não existem amigos nesse caso, você precisa substituir essa carência e ter contato com as mentes mais brilhantes que por aqui já passaram, e só a literatura tem esse poder, a literatura e o exemplo. 

OBS - É uma tortura quando alguém se depara com a tenra situação de conviver consigo próprio, talvez essa quarentena tenha mostrado isso, esse ensandecimento em massa.

  

 Encerro aqui.
 

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#14
(28-05-2020, 01:46 PM)Karl Rossmann Escreveu: * Texto imenso, se não quiser ler, foda-se, só ignore e siga sua vida.
 
Spoiler Revelar
"Você só sabe quem você é de verdade quando você está sozinho [...] a sua existência só se apresenta a você verdadeiramente quando você está sozinho, não pode ter nem ao menos a companhia um cachorro ao seu lado [...] a regra é: você só sabe quem verdadeiramente é, quando está completamente sozinho, porque aí você se defronta com sua verdadeira existência [...] a experiência de autopercepção completa é quando você está em alto mar num barquinho sem remos, não tendo terra em nenhum dos quatro lados, de noite e numa noite escura...". 

 Essas sábias palavras foram ditas pelo professor Monir Nasser, que infelizmente não está mais aqui conosco, e também não recebeu o mínimo de reconhecimento pelas contribuições que deixou, mas felizmente tem o carinho daqueles que o conheceram, é isso que ele falou sobre o desejo intenso de reconhecimento que permeia essa sociedade hodierna. 

 Você citou algo sobre a neurociência, a respeito da morte dos neurônios, certo? Hoje como essa ciência bem sabe, o corvo (aquele animal sombrio que é ilustrado sempre nos cemitérios) conseguem pensar, contar e até resolver cálculos aritméticos simples assim como uma criança no primário, mas eles não possuem a linguagem, a linguagem é o que nos diferencia dos animais, e tão somente isso que nos permitiu atingir o estágio atual de desenvolvimento...  

 Há um embate aqui na tentativa de descobrir se isso é predestinação ou não, na filosofia judaico-cristã, a linguagem é senão uma dádiva divina que nos coloca à frente no reino animal, assim como Adão, criado por Deus, sendo-lhe ofertado a maior benção que ele poderia receber em vida, e por isso seria o supremo rei dentre os animais. 

 Por outro lado, em se tratando de ciência pura, a neurociência assente que temos até a idade de 30 anos (alguns cientistas defendem que ela pode se estender alguns anos mais, outros menos), para desenvolver o máximo de conexões neurais possível, é o momento que temos para adestrar o cérebro, alimentá-lo com as melhores fontes (ganho de cultura, aquisição de novos idiomas, pensamento abstrato, cálculo, escrita, artes, música e etc.), quanto mais conexões você desenvolver, melhor preservado será o seu cérebro do ponto de vista do aprendizado. É por isso que dizem que não dá pra ensinar truque novo pra cachorro velho.

 Pode parecer bobagem, mas penso que isso é muito importante, muito mais do que podemos imaginar. Só em você notar que tem algo de errado na sociedade, e de fato tem, já merecia dar maior importância a esse fato. O desenvolvimento do homem só começa quando ele nota que tem algo de errado e não apenas isso, quando ele transforma essa percepção, ou melhor, quando ele entende sua autopercepção diante do meio externo, a compreende e transmuta sua vontade e energia para modificar isto, é que seu desenvolvimento de fato começa. É um caminho longo e sua maior aliada se chama paciência.

 Eu não consigo dizer se é o seu caso, mas na medida em que vamos saindo dessa "caverna", e de fato a conhecemos como "Caverna de Platão", perceberemos que o mundo já parece muito distante de nós, e essa autopercepção ficará cada vez mais solitária, uma vez que aquilo que você se tornou e principalmente viu, os outros "prisioneiros" não obtiveram semelhante sucesso, eles ainda estão lá, parados, acorrentados e olhando a própria sombra em uma caverna enegrecida e vazia. Você se distanciará cada vez mais desse mundo que conhece, essa será sua nova realidade, é o inferno e o purgatório de Dante. 

 Mas reiterando a fala da morte dos neurônios, a partir da idade fatídica de 30 anos, para a neurociência, você só aprenderá algo novo quando "matar" uma conexão que já existia, ou seja, será cada vez mais difícil tomar posse de alguns conceitos mais abstratos pois sua fase de desenvolvimento já passou, e entende-se aqui o crescimento que vai desde a primeira infância até o completo desenvolvimento do neo-córtex (a parte frontal do cérebro, e a maior). Quando falamos de isolamento, você deveria estar em uma ilha assim como Hayy ibn Yaqzân, no livro O Filósofo Autodidata, mas mesmo nessa situação em completo isolamento, seus neurônios iriam se desenvolver do mesmo modo, claro, de forma bem lenta, mas aos poucos o seu cérebro te levaria a desenvolver a mesma capacidade da qual dispomos hoje (que por sinal é a mesma dos hominídios nossos progenitores mais antigos), mas se houvesse a viabilidade de você conhecer uma mulher na mesma situação, e os dois se reproduzirem, a evolução da espécie aconteceria de modo igualitário.

 Esse isolamento moderno nem de longe é o verdadeiro isolamento, e mesmo que você não perceba, as conexões neuronais estão se formando do mesmo modo, resta saber de que forma elas estão se consolidando, se você já percebeu que o mundo não é aquilo que seus olhos estão acostumados a ver, não deve perder nem um só minuto a arriscar suas conexões neurais com baboseiras e inutilidades. Deve plantar para colher, assim como manda a Lei da Semeadura, e dessa forma continuará aprendendo cada vez mais.

 Retornando ao exemplo do corvo, o simples fato de você pensar e se sentir solitário, é apenas uma manifestação da própria consciência humana, nossas emoções são evidentemente idênticas, somos instáveis e dependentes dos neurotransmissores que nos comandam, mas apenas sentir essa melancolia não te levará a lugar algum, na verdade isso é uma manifestação bem primitiva de consciência, todas as mentes, inclusive as mais brilhantes que por aqui já passaram (com exceção claro das divinas), já sentiram algo semelhante ou pelo menos no rumo, mas a diferença é que só os que se lançam na tentativa de entender, ou de desenvolver essa autopercepção, e de utilizá-la para impulsionar o desenvolvimento individual, que de fato o conseguiram.

 Você precisa superar essa fase animal e partir para o próximo estágio, o do desenvolvimento claro. Saia do estágio primitivo das emoções e comece a utilizar mais a linguagem, é a única forma de evoluir. E eu vou contar algo que percebi nessa quarentena, muitas pessoas estão com comportamentos completamente primitivos, quase irracionais, do ponto de vista emocional, eu mesmo presenciei coisas inacreditáveis nesse ínterim, o que seria isso? Nem de longe essas pessoas estão isoladas, estão apenas mais inertes, inseridas em um mundo fictício. Observe o fenômeno bizarro que as redes sociais proporcionaram esses últimos meses, até mesmo shows musicais estão sendo transmitidos por uma tela artificial, e as pessoas se portam como se estivessem verdadeiramente em uma apresentação real (se arrumam, compram bebidas, se perfumam pra ficar à frente de uma tela acompanhando um cantor e acompanhada de mais pessoas enquanto desfrutam de um churrasco) Yaoming

 As pessoas não estão isoladas e esse "isolamento" é o menor dos males ao teu cérebro, você deveria estar preocupado com coisas maiores, com o tipo de informação que chega ao seu sistema límbico, ou ao tipo de informação que você está consumindo ou sendo colocado, como uma espécie de furação que te leva para todos os lugares mas ao mesmo tempo você está sendo levado por ele enquanto gira feito um tresloucado, debatendo-se com todo tipo de catrevagem que existe e destroços daquilo que destruiu-se.

 A socialização, em uma urbe com cada vez mais habitantes, hoje estamos a lidar com milhões de pessoas em um mesmo perímetro geográfico, devemos tomar o dobro de cuidado para não nos associarmos com qualquer pessoa, essa carência é de todo modo destrutiva. Existe algo chamado de o Número de Dunbar, que à grosso modo nos diz que só podemos nos associar com um número limitado de 150 pessoas, esse é o limite de amigos que deveríamos ter. O problema é que estamos cada vez mais inseridos em um mundo tecnocrático, se é que eu posso assim chamar, onde estamos inseridos em uma verdadeira ficção científica em que o mundo das lives se confunde com o mundo real. 

 É de se esperar que essas conexões aconteçam também com esse intercâmbio entre vida real e virtual, então quem são essas 150 pessoas que te influenciam nesse momento? Pode ser aqui do fórum, da tua família, de conhecidos e etc., como também podem ser "falsos amigos virtuais" das redes sociais e também personagens importantes da literatura, música, esporte, filmes e também personalidades históricas. Você pode sim ser influenciado por esses meios, é talvez por isso que as empresas sempre contratam famosos e pessoas do mainstream para divulgarem seus produtos idiotas, em grande maioria. 

 O mercado da propaganda e da publicidade é demoníaco (eu chamo de demonioso), e você nem imagina as artimanhas que esses crápulas utilizam para manter as pessoas escravas e dependentes de produtos e do meio artificial, nesse caso, virtual. 

 Pare de romantizar o mundo e comece a se instruir, por que vai desperdiçar mais de 2000 anos de evolução (muito mais), e retroceder ao nível de um hominídio provecto? Se a cultura greco-romana influenciou as bases da civilização ocidental, porque vai desprezá-la em detrimento de um mundo cada vez mais artificializado em que as pessoas dependem de estímulos e da influência dantesca dos neurotransmissores (viciados pela alimentação, estímulos diversos, pornografia etc.).

 Quanto mais desorganizado forem as tuas conexões neurais, melhor será para a composição da massa de acéfalos (com respeito), que teremos no futuro com uma população inteiramente imbecilizada (muito mais do que os parâmetros recomendam), e reduzidas ao nível do animal mais bruto que existe na natureza, bem longe da autopercepção e do exercício da linguagem, que é aquilo que tu faz, a ação da interpretação que você tem do mundo. 

  A quarentena não se trata de isolamento mas da tortura que é quando você se depara com o seu verdadeiro eu, que ficará cada vez mais sedento por estímulos (virtuais e físicos) para se sentir novamente inebriado por uma realidade ilusória. Não é o isolamento em si o responsável por esse comportamento doentio que estamos a ver, mas sim a intensidade dos estímulos que está sofrendo variações, é uma das muitas manifestações de um vício nessa falsa realidade. A consciência clara e pura é silenciosa, somente no silêncio o indivíduo (sua individualidade) pode se desenvolver, não existem amigos nesse caso, você precisa substituir essa carência e ter contato com as mentes mais brilhantes que por aqui já passaram, e só a literatura tem esse poder, a literatura e o exemplo. 

OBS - É uma tortura quando alguém se depara com a tenra situação de conviver consigo próprio, talvez essa quarentena tenha mostrado isso, esse ensandecimento em massa.

  

 Encerro aqui.

Eu entendi a visão que você quis passar, mas não acho que é a verdadeira realidade do confrade.

Compreendo totalmente a necessidade de uma pessoa evoluir através da literatura. OK

Mas pelo oque eu entendi, você está falando para o cara se isolar dentro da literatura e esquecer as pessoas, é isso?

Me desculpe se entendi errado, mas se for isso, não concordo nenhum pouco.

Conversando com pessoas mais velhas bem sucedidas, a maioria NUNCA LEU UM LIVRO NA VIDA! 

A Inteligência que adquiriram foi trabalhando, conversando com pessoas, buscando aprender, tendo humildade.


Então essa história que só "vou encontrar meu verdadeiro EU, lendo" acho equivocado.

Embora reconheça totalmente a importância da leitura no desenvolvimento humano.

Por fim, continuando defendendo que a pessoa acima de TUDO, acima de estudo, desenvolvimento pessoal em sí.

ELA TEM QUE SOCIALIZAR, e não socializar em festas se drogando ou no celular.

Sair na rua, conversar com pessoas, conversar com estranho, tente sempre ver na conversa, uma oportunidade para aprender algo novo, seja curioso.

Segundo alguns empreendedores, esse é o remédio para muitas doenças e um dos segredos do sucesso.

Inclusive eu comecei a praticar isso na minha vida, e tenho colhido resultados muito bons. Financeiramente e psicologicamente falando.

Mass digo novamente.. se eu entendi errado seu texto, me desculpe, é porque realmente o conteúdo é denso.
Além disso, ore para que a vontade de Deus seja feita! Não a sua.
Responda-o
#15
O que você tem a oferecer aos outros em uma conversa?
Já fez uma avaliação de si?
Como você demonstra sua personalidade?

Se você fala o tempo inteiro de si, interrompe as pessoas durante a conversação, a tendência será isolado naturalmente.


@Karl Rossmann O negócio não é digitar muito, é ter sentido. Antes ler um tópico do @Patrulheiroque é completamente conciso a ler um de 4000 linhas que não diz absolutamente nada a ninguém, é um lenga-lenga de palavras difíceis e encheção de linguiça para impressionar os leitores. 

Uma coisa é: 

"Irmão, se você fizer isso assim e assado irá acontecer isso por conta daquilo..." 

Outra coisa: 

"De acordo os meandros bucólicos da sociedade intra-cognitiva, os devaneios outrora inexoráveis agora embasbacam os esdrúxulos néscios ..." [+3000 linhas aqui]
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Responda-o
#16
(28-05-2020, 08:59 AM)gRILO Escreveu:
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Então Reale.

Primeiro começo dizendo que essa história de ligar se alguém te visitou ou não em um acidente é bobagem. Faz parte

Mas essa questão do Isolamento é um FATO CONSUMADO! Deus criou nós para que vivamos em relacionamento com nossos irmãos o tempo todo.

Tudo que você procurar fazer, que preze pelo isolamento, irá ter consequências ao cerébro com o tempo( Depressão e Ansiedade são as mais comuns).

Tem um empresário que acompanho no youtube, que volta e meia ele fala sobre isso em seus videos.

O Quanto é importante para quem é empresário ou até mesmo funcionário, estar sempre conversando com os clientes, procurando aprender alguma coisa.

Segundo ele, você aprende muito mais conversando com um estranho na rua do que em livros!

E sobre a Quarentena.. 
[img]<a href=[/img][Image: Bastter1.png]" />
[img]<a href=[/img][Image: Bastter.png]" />

Concordo, inclusive, a época que vendia doces por ai, foi a época mais mentalmente saudável da minha vida, tirando a infancia, eu acho, estou usando a quarentena para aprender inglês e estudar para concursos, estou atirando para todos os lados.

Spoiler Revelar
[quote pid='87142' dateline='1590668657']
Quero começar comentando a questão do álcool. Não vou ser hipócrita, eu bebo (o que chamam de socialmente) uma cerveja ou outra nos finais de semana sim, eu gosto e é meu momento de lazer, mas é inegável os efeitos do álcool a longo prazo. Quando mais novo eu bebia muita vodka, bourbon e destilados em geral e comecei a reparar que nos dias subsequentes a essas seções etílicas eu ficava extremamente irritado e estressado, as bebidas estavam me deixando agressivo. Por sorte, foi fácil para mim fazer sessões e jejuns para me desintoxicar (30, 40, 50, 60 dias sem beber uma gota de álcool).

 Em relação a socializar. Vamos deixar de lado as teorias socialistas de socialização que exaltam o coletivismo, vamos olhar para a história. Nós, seres humanos, precisamos de cooperação para evoluir e progredir. Os interesses particulares de cada um motivam e conduzem a essa cooperação, resultando no bem-estar social das partes envolvidas. Entenda, não é o "bem comum" que leva os indivíduos a cooperarem , como os progressistas pregam, mas sim o oposto, a necessidade e os interesses pessoais que demonstram a necessidade de ajudar e ser ajudado.

Observe a natureza, animais mais fracos precisam se unir para superar predadores mais fortes e rápidos. Grande impérios não existiriam sem o esforço de milhares de homens, em torno de um objetivo. Pensando em uma escala menor, como uma empresa familiar (por exemplo, uma padaria) poderia ser gerida e funcional sem a colaboração de outras pessoas (mesmo que incentivadas pela necessidade e/ou objetivo monetário).

O que eu quero dizer é: ter "amigos", ou colegas, é necessário e produtivo, desde que se tenha em mente que as pessoas são movidas sim por interesse e não é errado agir com base nos próprios interesses também. Tenho a mentalidade de não destratar ninguém, pois nunca se sabe quando você vai precisar de algo daquela pessoa.

Já refleti sobre isso antes, vou deixar um trecho do texto do meu blog no spoiler.

[spoiler]

Precisamos encontrar um equilíbrio, não deixar nossos sentimentos falarem mais alto que a razão. A melhor forma que vejo pra isso é valorizando boas amizades, bons relacionamentos mas sem idealizações, ter ciência dos limites e defeitos alheios e dos próprios. Considero importante também a reciprocidade. Eu tenho um problema nesse quesito. Absorvi muito do meu pai, que é o tipo de sujeito que não gosta e evita sair de casa, tem pouquíssimos amigos devido a traíções sorrateiras que sofreu no passado. é necessário avaliar constantemente os esforços que se faz nas relações. Sem se esforçar e cooperar, não se criam laços, por outro lado, sem esforço não há relações sinceras.

  Já deixo claro que relações interpessoais envolvem interesses diversos, e algumas vezes sem sentido, mas existem outras facetas, como afinidade, histórico, passado, objetivos em comum, entre outros. 

  Seja independente, mas não seja um doente isolado. Você pode até evitar traições, situações constrangedoras e outras mas vai ter problemas com seu networking, problemas emocionais e psicológicos, menos oportunidades, nas dificuldades vai acabar sozinho. Repito, mesmo fazendo tudo isso, você pode se ver sozinho e esse é o ponto de todo esse texto.

  Saber lidar com os momentos onde nos encontramos sozinhos. Nem sempre um amigo vai querer ouvir ou ajudar, nem sempre sua parceira vai querer saber dos seus problemas, inclusive, trazer problemas pessoais pra dentro da relação é cavar a própria cova, sugiro cuidado com isso.

  Como disse meu irmão uma vez: saiba aproveitar o tempo com os amigos, o tempo namorando, mas saiba aceitar e aproveitar o tempo sozinho, solteiro, etc.

[/quote]
[/spoiler]

O isolamento é bom para fazer você pensar na vida, mas eu me isolei pelos motivos errados, me isolei por raiva e birra, e na verdade, eu "não me isolei" simplesmente parei de buscar a socialização ativa com as pessoas, e fiquei sozinho naturalmente.
Responda-o
#17
(28-05-2020, 11:05 AM)Mindingo Escreveu:
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Tirando a parte filosófica e filhadaputística das pessoas de hoje em dia, ocorre que o mundo tá muito corrido.

Trabalhar o dia todo, treinar a noite e com o tempo que sobra cuidar das coisas de casa (lavar/passar/comida), trocar ideia com umas vadias ou ir atrás das vontades de momozin ocupam o dia todo, quando não falta tempo. Inclua ainda um tempo para estudo.

Dificilmente tu vai arrumar alguém disposto a sair beber com outro macho e falar besteira.

Se isso te faz falta é porque talvez esteja com muito tempo de sobra. Troque ideia com o frentista enquanto abastece o carro, com a caixa do supermercado enquanto passa as compras, saia sozinho beber uma na conveniência e troca uma ideia rápida com o bêbado da mesa do lado e ja era.

Arrume um hobbie e troque ideia com pessoas que estão fazendo a mesma coisa, enfim..

Tem razão, estou com tempo livre, e tento usar esse tempo de forma efetiva, o isolamento não me afeta tanto justamente por conta disso, uma coisa que eu percebi, é que quanto mais isolado você está, mais isolado tende a se tornar, pode reparar, se você fica muito tempo sem conversar com ninguém, parece que você "perde" a capacidade de socialização, mas eu foquei mais no nível emocional da coisa também, sempre fui introvertido, então "demora" mais para o isolamento começar a me afetar, mas fico triste vendo pessoas comunicativas como minha mãe isoladas.

(28-05-2020, 11:46 AM)gRILO Escreveu:
[spoiler Escreveu:Mindingo pid='87143' dateline='1590671124']Tirando a parte filosófica e filhadaputística das pessoas de hoje em dia, ocorre que o mundo tá muito corrido.

Trabalhar o dia todo, treinar a noite e com o tempo que sobra cuidar das coisas de casa (lavar/passar/comida), trocar ideia com umas vadias ou ir atrás das vontades de momozin ocupam o dia todo, quando não falta tempo. Inclua ainda um tempo para estudo.

Dificilmente tu vai arrumar alguém disposto a sair beber com outro macho e falar besteira.

Se isso te faz falta é porque talvez esteja com muito tempo de sobra. Troque ideia com o frentista enquanto abastece o carro, com a caixa do supermercado enquanto passa as compras, saia sozinho beber uma na conveniência e troca uma ideia rápida com o bêbado da mesa do lado e ja era.

Arrume um hobbie e troque ideia com pessoas que estão fazendo a mesma coisa, enfim..[/spoiler]

É exatamente isso que eu quis dizer. As pessoas se surpreenderiam o tanto que eles podem aprender conversando com estranhos.
Fiz amizade com um vendedor de laranjas, estou pensando em vender doces para ele vender por ai.
Responda-o
#18
(28-05-2020, 12:41 PM)Libertador Escreveu:
(28-05-2020, 11:05 AM)Mindingo Escreveu:
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Tirando a parte filosófica e filhadaputística das pessoas de hoje em dia, ocorre que o mundo tá muito corrido.

Trabalhar o dia todo, treinar a noite e com o tempo que sobra cuidar das coisas de casa (lavar/passar/comida), trocar ideia com umas vadias ou ir atrás das vontades de momozin ocupam o dia todo, quando não falta tempo. Inclua ainda um tempo para estudo.

Acho isso hilário. Nunca tivemos tantas tecnologias hoje para economizar tempo, carros que nos levam de forma bem mais rápida para os lugares, aviões que nos permitem chegar em questão de horas em outros países. Celulares que podemos ligar e resolver coisas a distância sem ir pessoalmente. Enviar documentos por e-mail. Máquinas de lavar roupa e louça. Noticias na palma da mão sem precisar ir comprar um jornal. Cursos online sem precisar ficar indo pra salas de aula. 

Tem absolutamente muita coisa que foi feita e está sendo feita para economizar o tempo das pessoas e agilizar as coisas. É a melhor época nesse sentido mas ao mesmo tempo acho que as pessoas nunca viveram tão sem tempo pra nada como atualmente. Estão sempre ocupadas e correndo de um lado pro outro. Em um desespero frenético contra o relógio. Não tem tempo de jogar uma conversa fora com os amigos. E aí quando conseguem ir pro campo pra descansar as energias, ficam sem o celular e outras modernidades que economizariam tempo e agilizariam as coisas e voltam a fazer as coisas que antes tomavam muito tempo, como ir caminhar pra resolver algo e de repente ficam com tempo de sobra de novo. Muito irônico.

Eu acho essa história de usar falta de tempo um pouco de desculpa, dependendo da situação, não é só isso, a tecnologia mudou sim a forma de socialização das pessoas, mesmo sem tempo você acaba socializando pra caralho antes, porque simplesmente tinha que fazer isso, não é nem questão de tempo, mas questão de alteração de comportamento, as pessoas perdem uma, talvez duas ou três horas na internet, e nem percebem, a tecnologia alterou a cultura.

Estou tendo dificuldade de formatar os textos...  Yaoming

(28-05-2020, 12:04 PM)Héracles Escreveu:
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O nosso jovem amigo ainda está na infância psicológica. Acha que o mundo ou alguém lhe deve algo só pelo fato de existir.

Infelizmente amigo, realmente ninguém se importa, e antes de reclamar que ninguém da a mínima para você reflita, quantos amigos doentes você já foi visitar? você já deu suporte para alguém necessitado? Alguma vez você já se mostrou realmente interessado pelos problemas dos outros? Ou só se facha no seu mundinho paralelo e espera que um anjo caia do céu e te tire da insignificância existencial?

Geralmente quem se acha excluído é pq não mostra interesse genuíno por ninguém além de si mesmo.

E corroborando o que já falaram, é só sair da porra do quarto e falar com as pessoas caralho!

Reflita sobre isso, mas de forma adulta por favor.

Concordo, mas não deixa de ser algo triste, isso foi só um desabafo misturado com reflexão, de qualquer forma, eu falei no texto que ouvia as pessoas, então de certa forma eu me importava sim, ta certo que você não deve esperar nada em troca por isso, mas não deixa de ser uma merda.
Responda-o
#19
(28-05-2020, 01:46 PM)Karl Rossmann Escreveu: * Texto imenso, se não quiser ler, foda-se, só ignore e siga sua vida.
 
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"Você só sabe quem você é de verdade quando você está sozinho [...] a sua existência só se apresenta a você verdadeiramente quando você está sozinho, não pode ter nem ao menos a companhia um cachorro ao seu lado [...] a regra é: você só sabe quem verdadeiramente é, quando está completamente sozinho, porque aí você se defronta com sua verdadeira existência [...] a experiência de autopercepção completa é quando você está em alto mar num barquinho sem remos, não tendo terra em nenhum dos quatro lados, de noite e numa noite escura...". 

 Essas sábias palavras foram ditas pelo professor Monir Nasser, que infelizmente não está mais aqui conosco, e também não recebeu o mínimo de reconhecimento pelas contribuições que deixou, mas felizmente tem o carinho daqueles que o conheceram, é isso que ele falou sobre o desejo intenso de reconhecimento que permeia essa sociedade hodierna. 

 Você citou algo sobre a neurociência, a respeito da morte dos neurônios, certo? Hoje como essa ciência bem sabe, o corvo (aquele animal sombrio que é ilustrado sempre nos cemitérios) conseguem pensar, contar e até resolver cálculos aritméticos simples assim como uma criança no primário, mas eles não possuem a linguagem, a linguagem é o que nos diferencia dos animais, e tão somente isso que nos permitiu atingir o estágio atual de desenvolvimento...  

 Há um embate aqui na tentativa de descobrir se isso é predestinação ou não, na filosofia judaico-cristã, a linguagem é senão uma dádiva divina que nos coloca à frente no reino animal, assim como Adão, criado por Deus, sendo-lhe ofertado a maior benção que ele poderia receber em vida, e por isso seria o supremo rei dentre os animais. 

 Por outro lado, em se tratando de ciência pura, a neurociência assente que temos até a idade de 30 anos (alguns cientistas defendem que ela pode se estender alguns anos mais, outros menos), para desenvolver o máximo de conexões neurais possível, é o momento que temos para adestrar o cérebro, alimentá-lo com as melhores fontes (ganho de cultura, aquisição de novos idiomas, pensamento abstrato, cálculo, escrita, artes, música e etc.), quanto mais conexões você desenvolver, melhor preservado será o seu cérebro do ponto de vista do aprendizado. É por isso que dizem que não dá pra ensinar truque novo pra cachorro velho.

 Pode parecer bobagem, mas penso que isso é muito importante, muito mais do que podemos imaginar. Só em você notar que tem algo de errado na sociedade, e de fato tem, já merecia dar maior importância a esse fato. O desenvolvimento do homem só começa quando ele nota que tem algo de errado e não apenas isso, quando ele transforma essa percepção, ou melhor, quando ele entende sua autopercepção diante do meio externo, a compreende e transmuta sua vontade e energia para modificar isto, é que seu desenvolvimento de fato começa. É um caminho longo e sua maior aliada se chama paciência.

 Eu não consigo dizer se é o seu caso, mas na medida em que vamos saindo dessa "caverna", e de fato a conhecemos como "Caverna de Platão", perceberemos que o mundo já parece muito distante de nós, e essa autopercepção ficará cada vez mais solitária, uma vez que aquilo que você se tornou e principalmente viu, os outros "prisioneiros" não obtiveram semelhante sucesso, eles ainda estão lá, parados, acorrentados e olhando a própria sombra em uma caverna enegrecida e vazia. Você se distanciará cada vez mais desse mundo que conhece, essa será sua nova realidade, é o inferno e o purgatório de Dante. 

 Mas reiterando a fala da morte dos neurônios, a partir da idade fatídica de 30 anos, para a neurociência, você só aprenderá algo novo quando "matar" uma conexão que já existia, ou seja, será cada vez mais difícil tomar posse de alguns conceitos mais abstratos pois sua fase de desenvolvimento já passou, e entende-se aqui o crescimento que vai desde a primeira infância até o completo desenvolvimento do neo-córtex (a parte frontal do cérebro, e a maior). Quando falamos de isolamento, você deveria estar em uma ilha assim como Hayy ibn Yaqzân, no livro O Filósofo Autodidata, mas mesmo nessa situação em completo isolamento, seus neurônios iriam se desenvolver do mesmo modo, claro, de forma bem lenta, mas aos poucos o seu cérebro te levaria a desenvolver a mesma capacidade da qual dispomos hoje (que por sinal é a mesma dos hominídios nossos progenitores mais antigos), mas se houvesse a viabilidade de você conhecer uma mulher na mesma situação, e os dois se reproduzirem, a evolução da espécie aconteceria de modo igualitário.

 Esse isolamento moderno nem de longe é o verdadeiro isolamento, e mesmo que você não perceba, as conexões neuronais estão se formando do mesmo modo, resta saber de que forma elas estão se consolidando, se você já percebeu que o mundo não é aquilo que seus olhos estão acostumados a ver, não deve perder nem um só minuto a arriscar suas conexões neurais com baboseiras e inutilidades. Deve plantar para colher, assim como manda a Lei da Semeadura, e dessa forma continuará aprendendo cada vez mais.

 Retornando ao exemplo do corvo, o simples fato de você pensar e se sentir solitário, é apenas uma manifestação da própria consciência humana, nossas emoções são evidentemente idênticas, somos instáveis e dependentes dos neurotransmissores que nos comandam, mas apenas sentir essa melancolia não te levará a lugar algum, na verdade isso é uma manifestação bem primitiva de consciência, todas as mentes, inclusive as mais brilhantes que por aqui já passaram (com exceção claro das divinas), já sentiram algo semelhante ou pelo menos no rumo, mas a diferença é que só os que se lançam na tentativa de entender, ou de desenvolver essa autopercepção, e de utilizá-la para impulsionar o desenvolvimento individual, que de fato o conseguiram.

 Você precisa superar essa fase animal e partir para o próximo estágio, o do desenvolvimento claro. Saia do estágio primitivo das emoções e comece a utilizar mais a linguagem, é a única forma de evoluir. E eu vou contar algo que percebi nessa quarentena, muitas pessoas estão com comportamentos completamente primitivos, quase irracionais, do ponto de vista emocional, eu mesmo presenciei coisas inacreditáveis nesse ínterim, o que seria isso? Nem de longe essas pessoas estão isoladas, estão apenas mais inertes, inseridas em um mundo fictício. Observe o fenômeno bizarro que as redes sociais proporcionaram esses últimos meses, até mesmo shows musicais estão sendo transmitidos por uma tela artificial, e as pessoas se portam como se estivessem verdadeiramente em uma apresentação real (se arrumam, compram bebidas, se perfumam pra ficar à frente de uma tela acompanhando um cantor e acompanhada de mais pessoas enquanto desfrutam de um churrasco) Yaoming

 As pessoas não estão isoladas e esse "isolamento" é o menor dos males ao teu cérebro, você deveria estar preocupado com coisas maiores, com o tipo de informação que chega ao seu sistema límbico, ou ao tipo de informação que você está consumindo ou sendo colocado, como uma espécie de furação que te leva para todos os lugares mas ao mesmo tempo você está sendo levado por ele enquanto gira feito um tresloucado, debatendo-se com todo tipo de catrevagem que existe e destroços daquilo que destruiu-se.

 A socialização, em uma urbe com cada vez mais habitantes, hoje estamos a lidar com milhões de pessoas em um mesmo perímetro geográfico, devemos tomar o dobro de cuidado para não nos associarmos com qualquer pessoa, essa carência é de todo modo destrutiva. Existe algo chamado de o Número de Dunbar, que à grosso modo nos diz que só podemos nos associar com um número limitado de 150 pessoas, esse é o limite de amigos que deveríamos ter. O problema é que estamos cada vez mais inseridos em um mundo tecnocrático, se é que eu posso assim chamar, onde estamos inseridos em uma verdadeira ficção científica em que o mundo das lives se confunde com o mundo real. 

 É de se esperar que essas conexões aconteçam também com esse intercâmbio entre vida real e virtual, então quem são essas 150 pessoas que te influenciam nesse momento? Pode ser aqui do fórum, da tua família, de conhecidos e etc., como também podem ser "falsos amigos virtuais" das redes sociais e também personagens importantes da literatura, música, esporte, filmes e também personalidades históricas. Você pode sim ser influenciado por esses meios, é talvez por isso que as empresas sempre contratam famosos e pessoas do mainstream para divulgarem seus produtos idiotas, em grande maioria. 

 O mercado da propaganda e da publicidade é demoníaco (eu chamo de demonioso), e você nem imagina as artimanhas que esses crápulas utilizam para manter as pessoas escravas e dependentes de produtos e do meio artificial, nesse caso, virtual. 

 Pare de romantizar o mundo e comece a se instruir, por que vai desperdiçar mais de 2000 anos de evolução (muito mais), e retroceder ao nível de um hominídio provecto? Se a cultura greco-romana influenciou as bases da civilização ocidental, porque vai desprezá-la em detrimento de um mundo cada vez mais artificializado em que as pessoas dependem de estímulos e da influência dantesca dos neurotransmissores (viciados pela alimentação, estímulos diversos, pornografia etc.).

 Quanto mais desorganizado forem as tuas conexões neurais, melhor será para a composição da massa de acéfalos (com respeito), que teremos no futuro com uma população inteiramente imbecilizada (muito mais do que os parâmetros recomendam), e reduzidas ao nível do animal mais bruto que existe na natureza, bem longe da autopercepção e do exercício da linguagem, que é aquilo que tu faz, a ação da interpretação que você tem do mundo. 

  A quarentena não se trata de isolamento mas da tortura que é quando você se depara com o seu verdadeiro eu, que ficará cada vez mais sedento por estímulos (virtuais e físicos) para se sentir novamente inebriado por uma realidade ilusória. Não é o isolamento em si o responsável por esse comportamento doentio que estamos a ver, mas sim a intensidade dos estímulos que está sofrendo variações, é uma das muitas manifestações de um vício nessa falsa realidade. A consciência clara e pura é silenciosa, somente no silêncio o indivíduo (sua individualidade) pode se desenvolver, não existem amigos nesse caso, você precisa substituir essa carência e ter contato com as mentes mais brilhantes que por aqui já passaram, e só a literatura tem esse poder, a literatura e o exemplo. 

OBS - É uma tortura quando alguém se depara com a tenra situação de conviver consigo próprio, talvez essa quarentena tenha mostrado isso, esse ensandecimento em massa.

  

 Encerro aqui.

Como o @gRILO falou logo abaixo, eu não acho que os livros possam cobrir essa lacuna por muito tempo, até porque o conhecimento do livro é teórico e frio, com pouco contato, distante da realidade, eu poderia ler 10 livros sobre vendedores que se eu não saísse vender ainda seria o mesmo cara tímido de antes de ler os 10 livros, caso não tivesse dado a cara a tapa, mas concordo, os personagens servem sim como uma companhia e um ideal a ser seguido TEMPORARIAMENTE. Porque sem a realidade como suporte, você se perde em qualquer livro, até Nessahan é perda de tempo se você ainda nem se relacionou com uma mulher, você simplesmente não vai entender a essência do que está sendo dito ali.

Isso me faz lembrar de um que, talvez seja um dos meus livros favoritos de todos, do Dostoiévski, chamado "Memórias do Subsolo" onde o protagonista se afundou em uma vida de solidão e e livros, e a o destino dele não foi nem um pouco bom.

Literatura deve ser um suporte para a realidade, e não o contrário, ainda assim ler é valido, com certeza, principalmente clássicos.

(28-05-2020, 04:43 PM)Reddington Escreveu: O que você tem a oferecer aos outros em uma conversa?
Já fez uma avaliação de si?
Como você demonstra sua personalidade?

Se você fala o tempo inteiro de si, interrompe as pessoas durante a conversação, a tendência será isolado naturalmente.


Sempre fui o oposto disso, e já perdi muito tempo da minha vida com pessoas que eram justamente assim, o isolamento tem suas vantagens.
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#20
Alguns pontos aleatórios:

A Real não está aqui para pautar comportamentos e seu modo de agir, mude posturas primeiro e as suas condutas se adaptarão automaticamente;

O problema é que nossa existência não é um passeio no parque ou aquelas capas das revistas das Testemunhas de Jeová, a vida não vai fazer cafuné na gente e algumas condições humanas não ligam para o critério da meritocracia, pois o que mais nós vemos são homens com bom senso de justiça e de bom proceder passando dificuldades na vida, a diferença é de atitude e propósito;

No mais, a Real é na rua, se for o caso saia um pouco de casa, converse com gente simples na rua, sem medinho, ande de cabeça erguida não fique de bichisses, seja contencioso no falar e acima de tudo tenha uma atitude de enfrentar suas dificuldades sem transferência de responsabilidades;

Uma existência permeada de derrotismo e auto vitimização uma hora cobra seu preço, já vi casos na minha família de gente presa a vaidades do passado e aí as pessoas elegem as fugas da realidade para esquecer seus problemas, muitos caem no fumo desenfreado, no álcool e este comportamento de fugir dos problemas, aliada a uma postura derrotista e de auto-vitimização, em uma hora vai cobrar seu preço, seja na saúde com a somatização de angústias que vão causar doenças ou tumores aleatórios pelo corpo ou pela postura covarde Dde encarar a vida, ficando o homem ou a espera de uma solução milagrosa ou 'deixando a vida me levar', sendo marionete e nunca senhor de seus atos;

Outra coisa é que o homem troca a contemplação individual da leitura, da oração, da meditação, ou mesmo de um exercício ao ar livre, ou de uma caminhada no campo para perder seu tempo em redes sociais, vendo vídeos de tiktok, dando flood no cérebro de uma caralhada de informações de forma difusa de baixíssima qualidade, que nada agrega valor;

Isto se confirma nestes tempos diabólicos de 'fique em casa' ou 'quarentene-se' que é a perda da importância das relações interpessoais, por mais que ficar em casa possa ser bom para unir laços familiares, o que eu vejo é o contrário, famílias de saco cheio dessa porra de conviver diariamente com as mesmas caras, recebendo notícias de morte, de pico da doença, de curva, de desemprego, só jogando para mente energias ruins mesmo ... até porque jamais o ser humano vai exercer sua vida na plenitude, preso em casa;
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