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Evidências Bíblicas arqueológicas
#1
Evidências Bíblicas arqueológicas

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Queridos irmãos da real, eu sou um amante da ciência e um amante da bíblia, e por este motivo, criei este tópico com o intento de reunir descobertas científicas e arqueológicas que comprovem fatos narrados na bíblia e a veracidade da mesma.

Aos irmãos que intentem em contribuir, peço, humildemente, que não postem achismos, este tópico é apenas para evidências sérias.
Cuidai, para que isso que agora julgais ser ouro puro, não se vos demonstre ser metal vil.

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#2
Lixo que fala

Se você quisesse saber tudo a respeito de seu novo vizinho, qual seria o melhor meio? Conversar com ele ou... revirar seu lixo? Bem, pode não ser nada educado, mas analisar o lixo de alguém, durante algum tempo, pode ser a melhor opção!

No saco de lixo de cada dia você encontraria restos de comida; envelopes rasgados mostrando o remetente; embalagens de remédios; louças quebradas; roupas e sapatos velhos; pedaços de papel rabiscado; frascos vazios; extratos bancários; cartas; contas; e uma infinidade de outras coisas – até nojentas – mas muito, muito reveladoras!

Com esse lixo, um pouco de inteligência e um bom laboratório, imagine quanta informação você poderia obter! Você poderia saber quantas pessoas moram na casa; o sexo e a idade aproximada de cada uma delas; seus hábitos alimentares; se alguém está doente e de qual doença está sofrendo; sua condição econômica; o time para o qual torcem; suas preferências políticas; e até sua religião.

Foi assim que espiões já obtiveram muitas informações importantes no passado recente. E, de certo modo, é exatamente assim que nós, arqueólogos, obtemos informações sobre os povos que viveram na Antiguidade, há milhares e milhares de anos.

Arqueologia é a ciência que busca conhecer o passado estudando os restos materiais deixados pelas antigas civilizações: ruínas soterradas de cidades, templos, palácios, casas, sepulturas, utensílios, adornos, cacos de cerâmica, fossas, cisternas, sementes, ossos, inscrições, etc.

Por isso, a Arqueologia tem sido muito útil para se estudar os lugares, os povos e as pessoas mencionados na Bíblia. Embora eles tenham existido num passado bastante remoto, ainda hoje podemos encontrar seu “lixo”, isto é, seus remanescentes materiais. A Arqueologia, portanto, nos ajuda a perceber que aquelas pessoas existiram de fato e, ainda mais importante, nos ajuda a entender seu modo de vida, seus costumes e suas crenças. Em suma, a Arqueologia é uma importante ferramenta para que possamos compreender melhor a Bíblia.

Texto escrito por Jorge Fabbro.

Jorge Fabbro é arqueólogo, coordenador do Curso de Pós-Graduação em Arqueologia do Oriente Médio Antigo na Universidade de Santo Amaro (Unisa) e presidente da Associação de Amparo à Criança e ao Adolescente (Educriança)
Cuidai, para que isso que agora julgais ser ouro puro, não se vos demonstre ser metal vil.

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#3
O irmão de Jesus

Algumas pessoas não gostam nem de passar perto de cemitérios. Não é o que acontece com os arqueólogos! Na verdade, eles ficam muito contentes quando encontram uma sepultura antiga. Isso porque pode-se aprender muito com elas.

À semelhança do que acontece hoje, a maioria dos povos da antigüidade acreditava que a vida continuava depois da morte. Por essa razão, os mortos eram sepultados com objetos que, supostamente, poderiam ser úteis na vida futura. Nutria-se, também, grande respeito pelos mortos. Por isso, as sepulturas eram consideradas invioláveis.

Muito cedo na história, surgiram ladrões especializados em saquear sepulturas, porque sabiam que nelas podiam encontrar pequenos e grandes tesouros. Nas escavações arqueológicas, é comum encontrar sepulturas remexidas, vazias, saqueadas. Contudo, ocasionalmente, para alegria dos arqueólogos, encontram-se sepulturas intocadas, com os restos mortais e todos os objetos na exata posição em que foram enterrados, milênios atrás. Nas ruínas de Israel, por exemplo, encontram-se milhares de vasos quebrados mas, dentro das sepulturas, é comum encontrar vasos inteiros, em perfeito estado de conservação.

Às vezes, tesouros de valor incalculável são achados. Em 1922, o arqueólogo inglês Howard Carter encontrou a sepultura do faraó Tutankhamon, do mesmo jeito em que foi fechada há quase 3.500 anos! Ela estava repleta de fantásticos tesouros! Quem visita o Museu do Cairo pode ver de perto o que os olhos fascinados de Carter viram ao entrar no túmulo do rei egípcio: sua múmia, sarcófagos, móveis, tronos, camas, carruagens, cetros, armas, jóias, tudo coberto de ouro.

Em 1974, outro achado surpreendente foi feito por agricultores. Ao cavar um poço, eles encontraram a sepultura do imperador chinês Qin Shi Huang, com suas milhares de estátuas, em tamanho natural, de soldados, cavalos e vários outros animais, enterrados há mais de dois mil anos.

Mais recentemente, uma outra descoberta fantástica veio à luz. Desta vez, muito provavelmente, graças aos ladrões de cemitério! Em 2002, André Lemaire, arqueólogo da Universidade de Sorbonne, visitando uma loja de antiguidades em Israel, encontrou uma urna funerária de origem desconhecida. Para sua enorme surpresa, a urna trazia a inscrição, em hebraico antigo: “Tiago, filho de José, irmão de Jesus”.

O Evangelho de Mateus registra a seguinte referência a Jesus: “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama Sua mãe Maria, e Seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas?” (Mateus 13:55; cf. Marcos 6:3). Além de irmão, Tiago era também um dos apóstolos. Paulo refere-se a ele nos seguintes termos: “Não vi outro dos apóstolos, senão Tiago, o irmão do Senhor” (Gálatas 1:19).

Cientistas ainda estão estudando esse achado, submetendo-o a análises e testes diversos. Mas muitos já estão convencidos de que a urna é genuína e pode mesmo ter sido usada para guardar os restos mortais do apóstolo Tiago, irmão de Jesus. Se isso se confirmar, essa será a mais antiga referência a Jesus fora da Bíblia.

Jorge Fabbro é arqueólogo, coordenador do Curso de Pós-Graduação em Arqueologia do Oriente Médio Antigo na Universidade de Santo Amaro (Unisa) e presidente da Associação de Amparo à Criança e ao Adolescente (Educriança)
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#4
Letras sagradas

Numa madrugada, quando Gideão e suas tropas voltavam de uma batalha no vale do Rio Jordão, ele capturou um menino da cidade inimiga de Sucote e o submeteu a um interrogatório. A Bíblia diz que ele foi pressionado a revelar importantes informações militares. Então, o menino “escreveu para Gideão os nomes dos setenta e sete chefes e líderes de Sucote” (Juízes 8:14).

Isso não seria nada surpreendente se a história tivesse acontecido hoje. Mas isso foi há mais de três mil anos e o garoto sabia escrever! Esse episódio indica que, já naquela época, muitas pessoas liam e escreviam. Os arqueólogos que trabalham no Oriente Médio têm encontrado milhares de inscrições antigas.

Que instrumentos o menino teria usado? Uma caneta esferográfica e um caderno espiral? Nada disso. Em cada região usava-se um material, uma língua e uma escrita diferentes. Na Mesopotâmia, região onde se encontravam as famosas cidades de Nínive, Babilônia e Ur – e onde, provavelmente, a escrita foi inventada – as pessoas escreviam em tabuinhas de argila ainda mole, utilizando um estilete como caneta. Quando a redação terminava, esses tabletes de barro eram queimados no fogo para endurecer. Milhares desses tabletes, que incluíam cartas, listas de mercadorias, contratos, exercícios escolares e bibliotecas inteiras, têm sido encontrados pela Arqueologia.

No Egito, as pessoas preferiam usar o papiro, uma planta que crescia abundantemente às margens do rio Nilo, com a qual se fazia uma espécie de papel. Milhares de folhas e rolos de papiros com esse tipo de escrita foram encontrados dentro de sarcófagos, sepulturas, templos e palácios descobertos no Egito.

Os povos da Palestina, inclusive os judeus, por serem pastores de ovelhas e cabras, usavam o pergaminho, que era feito com o couro desses animais. A própria Bíblia, em grande parte, foi escrita em rolos de pergaminho. Eles são mencionados em vários textos, como o de Salmo 40:7: “Eis aqui estou, no rolo do livro está escrito a meu respeito.”

Portanto, quando a Bíblia foi produzida, a escrita já estava bastante desenvolvida, aperfeiçoada e difundida. Muitas pessoas, em todas as partes, sabiam ler e escrever. Assim, podiam mais facilmente trocar idéias com outras pessoas; podiam aprender muitas coisas sobre outros povos e sobre o mundo; podiam, acima de tudo, ler a Bíblia e, como disse o apóstolo Paulo, “desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação” (II Timóteo 3:15). De fato, se não cultivamos a habilidade de ler, perdemos a oportunidade de experimentar muita coisa boa!

Escrito por Jorge Fabbro
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#5
Os meninos arqueólogos

Você sabia que dois dos maiores achados arqueológicos foram encontrados por crianças? É isso mesmo, meninos com menos de 12 anos de idade e que ainda freqüentavam a escola básica.

O primeiro ocorreu em 1880. Na época, a cidade de Jerusalém ainda não era governada pelos judeus e havia muitos palestinos que moravam dentro de seus muros (bem mais que nos dias de hoje). Como você já deve ter visto pelos jornais, os palestinos e judeus sempre brigam pela posse daquela terra e isso não é nada bom.

Mas, ignorando a estranha guerra dos adultos, havia ali um grupo de crianças que preferia aproveitar a vida brincando e fazendo amizades a odiar ou matar seu semelhante. Eles eram pobres e suas mães costumavam lavar roupas no tanque público de Siloé, que fica na parte sul da cidade. O tanque também é muito antigo. Suas águas vêm de um túnel de mais ou menos 540 metros que dá nas fontes de Gihom.

Os garotos gostavam de brincar de “pega-pega” atravessando o túnel, cuja água dava na cintura. Era muito escuro ali dentro, mas o uso de lamparinas ajudava a enxergar um pouco o local. Um dia, os meninos perceberam uma inscrição cheia de lodo e tiveram a idéia de chamar o professor Conrad Schick, um arqueólogo que estava passando uns dias na cidade. Quando ele pesquisou a inscrição achada pelos meninos, ficou surpreso com o que eles haviam descoberto: era um texto da época do rei Ezequias que contava como o túnel foi construído. A Bíblia também fala desse túnel (II Crônicas 32:2-4) e o achado dos meninos confirmou a história contada na Palavra de Deus.

O outro achado aconteceu 67 anos depois, em 1947. Um garoto chamado Muhammad edh-Dhib era pastor de cabras no deserto de Judá. Um dia ele saiu à procura de algumas cabras que haviam se perdido. Então se deparou com uma gruta e, curioso, jogou pedras para ver se os animais estavam lá dentro. Mas o que ouviu foi o barulho de jarros se quebrando.

Correndo para o acampamento de sua tribo, Muhammad chamou um adulto e o levou até o local do achado, na esperança de que se tratasse de um grande tesouro. Eles entraram no local e se surpreenderam ao encontrar grandes jarros de barro com tampa.

Para sua frustração, o que encontraram nos potes não foram tesouros, mas imensos rolos de manuscritos envoltos em tecido. Ali estavam os famosos manuscritos do Mar Morto, as mais antigas cópias da Bíblia de que se tem notícia. Elas foram escritas dezenas de anos antes mesmo do nascimento de Jesus!


Rodrigo Silva é professor de Novo Testamento e especialista em Arqueologia.
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#6
A Bíblia merece confiança?

De seu primeiro livro (Gênesis) ao último (Apocalipse), a Bíblia é composta de 66 livros escritos por cerca de 40 escritores de formação social, educacional e profissional bem diversificada. A escrita foi feita num período de 16 séculos; mesmo assim, o produto final é um livro harmonioso e coerente. “Considere isto: se você escolhesse dez pessoas vivendo ao mesmo tempo na História, vivendo na mesma área geográfica básica, com os mesmos recursos educacionais básicos, falando a mesma língua, e pedisse que escrevessem independentemente sobre o seu conceito pessoal de Deus, o resultado seria tudo, menos um testemunho unificado. Nada mudaria se lhes pedisse para escrever sobre o homem, a mulher ou o sofrimento humano, pois está na natureza dos seres humanos diferir em questões controversas. Todavia, os escritores bíblicos concordam não só nesses assuntos como em dezenas de outros. Eles têm completa unidade e harmonia. Só há ‘uma’ história nas Escrituras do começo ao fim, embora Deus tivesse usado autores humanos diferentes para registrá-la”, escreveram Josh McDowell e Don Stewart, no livro Razões Para os Céticos Considerarem o Cristianismo.

Além dessa harmonia interna da Bíblia, há muitos achados arqueológicos que confirmam sua veracidade. Um desses casos está no livro do profeta Daniel, capítulo 5, onde menciona que o rei de Babilônia, em 539 a.C., era Belsazar. Mas a História oficial afirmava que esse homem nem sequer existira. No entanto, W. H. F. Talbot publicou em 1861 a tradução de uma oração – escrita em caracteres cuneiformes – oferecida pelo rei Nabonidus, na qual ele pede aos deuses que abençoem seu filho Belsazar! Os críticos, então, aceitaram a existência de Belsazar, mas em sua resistência contra a Palavra de Deus, alguns deles continuaram insistindo que Belsazar jamais fora identificado como rei, fora da Bíblia. Até que, em 1924, foi traduzido e publicado o Poema de Nabonidus (Tablete nº 38.299 do Museu Britânico) por Sidney Smith. Esse documento histórico oficial atesta que Nabonidus deixou Babilônia e se dirigiu a Tema, e no trono deixou quem? Belsazar!

Uma vez mais o relato bíblico estava confirmado. Daniel vivia na corte de Babilônia e estava familiarizado com esse costume de o filho assumir o cargo do pai, quando este saía em excursões militares. Por mais que alguns tentem desmerecer a Bíblia, ela tem resistido às críticas e ajudado muitas pessoas a serem felizes. Você já leu sua Bíblia hoje?

Michelson Borges, jornalista, mestrando em Teologia pelo Unasp e autor dos livros A História da Vida e Por Que Creio

Leia também: "Cuneiform tablet with part of the Nabonidus Chronicle"
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#7
As pragas do Egito

Alguns céticos duvidam da Bíblia simplesmente porque não encontram monumentos que descrevam todos os seus acontecimentos. Eles fazem isso com a história das dez pragas do Egito. Por não acharem ali nada que confirme a história do Êxodo, julgam que ela jamais aconteceu.

Ora, por que os egípcios iriam registrar para o mundo o vexame que passaram com a saída dos hebreus? É claro que eles ficariam calados a respeito disso. Contudo, outros povos, fora da Bíblia, testemunharam a ocorrência das pragas que Deus enviou através do profeta Moisés e mesmo dentre a correspondência particular de alguns egípcios é possível encontrar pistas do que aconteceu ali naquela época.

Vamos ver primeiro o que escreveu Deodoro Siculo, historiador grego do I século a.C., cujo testemunho dura até hoje:

“Nos tempos antigos houve uma grande praga no Egito e muitos a atribuíram ao fato de Deus estar ofendido com eles por causa dos estrangeiros que estavam em seu país... Os egípcios concluíram que, a menos que os estrangeiros fossem mandados embora de seu país, eles jamais se livrariam de suas misérias. Sobre isto, conforme nos informaram alguns escritores, os mais eminentes e estimados daqueles estrangeiros que estavam no Egito foram obrigados a deixar o país ... [portanto] eles se retiraram para a província que agora se chama Judéia. Ela não fica longe do Egito e estava desabitada na ocasião. Aqueles emigrantes foram pois conduzidos por Moisés, que era superior a todos em sabedoria e poder. Ele lhes deu leis e ordenou que não fizessem imagens de deuses, pois só há um Deus no Céu que está sobre tudo e é Senhor de tudo.”

Temos ainda o diário de um egípcio chamado Ipuwer que foi encontrado no Egito em 1820 e levado para o museu da Universidade de Leiden, na Holanda, onde permanece até hoje. Lá, o escritor antigo lamenta o estado do Egito e diz numa carta endereçada a faraó: “Os estrangeiros (hebreus?) vieram para o Egito ... [eles] têm crescido e estão por toda a parte [lit. ‘em todos os lugares, eles se tornaram gente’]... o Nilo se tornou em sangue ... [as casas] e as plantações estão em chamas ... a casa real perdeu todos os seus escravos ... os mortos estão sendo sepultados pelo rio ... os pobres (escravos hebreus?) estão se tornando os donos de tudo ... os filhos dos nobres estão morrendo inesperadamente... o [nosso] ouro está no pescoço [dos escravos?] ... o povo do oásis está indo embora e levando as provisões para o seu festival [religioso?].”

Essas palavras são muito parecidas com as pragas descritas em Êxodo 7:14-24, especialmente a primeira e a última. A referência aos escravos que agora se vão e ainda levam consigo algumas riquezas parece ecoar o testemunho bíblico de que os hebreus foram “e pediram aos egípcios objetos de prata e de ouro ... de modo que estes lhes davam o que pediam. E despojaram os egípcios” (Êxodo 12:35-36).

Mais uma vez a História confirma a Palavra de Deus.

Rodrigo Silva é professor de Novo Testamento no Centro Universitário Adventista e especialista em Arqueologia.
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#8
Arqueologia desvenda mistérios da Bíblia

As descobertas que mais causaram benefícios para os estudantes da Bíblia foram, sem dúvida, as dos rolos do Mar Morto. Esse achado confirmou a crença de que os escritos da Bíblia são exatos, conforme foram copiados através dos séculos, a partir de uma época anterior ao nascimento de Cristo. Outras descobertas nos ensinam a respeito de costumes nos tempos bíblicos. Alguns nomes específicos e doutrinas mencionados na Bíblia, também foram identificados por meio dessas pesquisas.

Os rolos do Mar Morto que estão completos já foram publicados, como os dois com os manuscritos do profeta Isaías e parte de todos os livros do Antigo Testamento, excetuando-se o de Ester. A única porção ainda não publicada é composta de fragmentos de textos, que são difíceis de serem interpretados. Os eruditos estão idosos e muitas pessoas ficam aborrecidas porque o trabalho de interpretação tem sido vagaroso. Porém, esses fragmentos estão sendo transferidos para profissionais mais jovens, e esperamos que nos próximos anos todos eles sejam publicados. Existe a expectativa de que os resultados trarão novidades animadoras.

Os mais antigos manuscritos, os do Antigo Testamento, são do III século a.C. Os do Novo Testamento datam do II século d.C. Não há diferenças teológicas ou históricas entre os antigos textos e a Bíblia atual. Eles se correspondem exatamente.

Descanso do coração

Possivelmente, o início da civilização ocorreu cinco mil anos atrás, quando começou a urbanização, a especialização de certos trabalhos e a invenção da escrita. Nos escritos dos sumérios, povo que viveu há cinco mil anos, a palavra "sábado" se relaciona com o "sábado de descanso". No caso deles, isso se refere a um dia de descanso semanal. Na língua do sumérios, sábado significa "o descanso do coração". A cada sete dias eles tinham um dia do mal, que não chamavam de sábado.

Os eruditos dizem que o sábado foi trazido pelos israelitas do cativeiro na Babilônia, mas há evidências arqueológicas de que os judeus guardavam o sábado na Palestina antes desse cativeiro. Conforme já disse, na Mesopotâmia, em tempos primitivos, a palavra sábado existia e havia certos dias em seqüência de sete, relacionados com o mês e não com semanas. Isso sugere que existiam sábados de uma forma parecida com o sábado hebreu, mas não exatamente iguais.

O número sete era muito popular nos países do Oriente Médio, mas os judeus foram os únicos que o mantiveram como um dia sagrado. Existem também evidências de que os cristãos continuaram observando o sábado até o terceiro e quarto séculos da Era Cristã. Hoje, embora existam diferenças nos calendários referentes aos anos ou meses, não há desentendimento em relação aos dias da semana.

Dilúvio e Babel

Não temos os ossos para submeter a idade dos antediluvianos a qualquer tipo de análise. Acredito que realmente a idade dos patriarcas chegou a ser em torno de mil anos. É evidente que foi uma era de ouro. As pessoas tinham uma vida muito saudável e feliz. Porém, depois do dilúvio, tornou-se mais difícil viver na face da Terra, e a média de duração da vida dos patriarcas caiu para cem anos.

Há exploradores que vão ao Monte Ararate e tiram fotografias de objetos que atiçam a curiosidade. Também existem muitas histórias e rumores sobre a descoberta da Arca de Noé. Acho que nada disso tem procedência séria e não merece credibilidade. Através de métodos de datação, a ciência indica que restos de uma suposta embarcação encontrada no Ararate remontam ao período bizantino, século VI d.C. Uma era nada antiga em relação ao tempo de Noé.

Só existem as bases da fundação da Torre de Babel. Aparentemente, uma parte da torre resistiu até a época de Alexandre Magno. Quando ele chegou ao local, decidiu reconstruir a torre. Os seus homens cavaram e retiraram as ruínas, começando a preparação de um novo edifício. No entanto, Alexandre morreu nesse intervalo. Se agora visitarmos a região de Babilônia, no Iraque, encontraremos o buraco no qual a torre existiu.

Egito e Arca do Concerto

Na minha opinião, o faraó do Êxodo foi Tutmés III, que morreu em 1450 a.C. A data de sua morte confere com a cronologia bíblica. Apesar da existência da múmia de Tutmés III, no Museu do Cairo, comprovou-se que ela não é a múmia desse faraó. Talvez seja de seu pai ou de seu filho. Pode ser uma múmia substituta que colocaram no lugar do seu túmulo, pois o faraó Tutmés morreu no Mar Vermelho. Chega-se a essa conclusão através de exames de raios X nos ossos da múmia.

Os arqueólogos não encontraram as ruínas dos muros de Jericó porque depois da destruição destes por Josué, a cidade ficou ao relento, sujeita às intempéries da natureza por cerca de 500 anos. A camada mais elevada daquela civilização foi totalmente destruída por erosões, por isso não é possível encontrar remanescentes daquela época. Os arqueólogos encontraram apenas ruínas de túmulos.

O único texto antigo tratando sobre a Arca do Concerto se encontra no segundo livro de Macabeus. O primeiro livro de Macabeus é considerado uma boa fonte histórica, mas o segundo é pouco confiável e, infelizmente, é ele que afirma que Jeremias e seus homens enterraram a Arca no Monte Nebo.

Alguns eruditos dizem que eles não tiveram tempo para transpor o Rio Jordão, e acham que a Arca poderia ter sido escondida no monte em que estava o templo de Salomão. Nesse lugar havia várias cavernas. A verdade é que ela desapareceu durante a destruição de Jerusalém e não sabemos onde ficou. Seria um fato maravilhoso se pudéssemos localizá-la.

Lawrence Geraty, doutor em Arqueologia pela Universidade Harvard, é presidente da Universidade Adventista de La Sierra, na Califórnia, Estados Unidos (texto Baseado em entrevista concedida a Paulo Pinheiro, da Casa Publicadora Brasileira).

(Paraná Online)
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#9
Moisés e a escrita alfabética

A História tem calado muitos críticos da Bíblia. A redação do Pentateuco (os primeiros cinco livros da Bíblia) por Moisés é um bom exemplo. Pouco tempo atrás, afirmava-se que a invenção do alfabeto tinha sido feita pelos séculos XII ou XI a.C. Isso era apresentado como um argumento para “provar” que Moisés não podia ter escrito o Pentateuco, visto que em seu tempo não haviam ainda inventado a arte de escrever. No entanto, escavações arqueológicas um Ur, na antiga Caldéia, têm comprovado que Abraão era cidadão de uma metrópole altamente civilizada. Nas escolas de Ur, os meninos aprendiam leitura, escrita, Aritmética e Geografia. Três alfabetos foram descobertos: junto do Sinai, em Biblos e em Ras Shamra, que são bem anteriores ao tempo de Moisés (1500 a.C.).

Estudiosos modernos sustentam que Moisés escolheu a escrita fonética para escrever o Pentateuco. O arqueólogo William F. Albright datou essa escrita como sendo do início do século XV a.C. (tempo de Moisés). Interessante é notar que essa escrita foi encontrada no lugar onde Moisés recebeu a incumbência de escrever seus livros (Êxodo 17:14). Veja o que disse Merryl Unger sobre a escrita do Antigo Testamento: “A coisa importante é que Deus tinha uma língua alfabética simples, pronta para registrar a divina revelação, em vez do difícil e incômodo cuneiforme de Babilônia e Assíria, ou o complexo hieróglifo do Egito.”

Deus sempre sabe mesmo o que faz! Pense bem: se o alfabeto tivesse sido realmente inventado pelos fenícios, cuja existência foi bem posterior à de Moisés, e se as escritas anteriores – hieroglífica e cuneiforme – foram apenas decifradas no século passado, como poderia Moisés ter escrito aqueles livros?

Se o tivesse feito, só poderia fazê-lo em hieróglifos, língua na qual a própria Bíblia diz que Moisés era perito (Atos 7:22) e, nesse caso, o Antigo Testamento teria ficado desconhecido até o século passado, quando o francês Champollion decifrou os hieróglifos egípcios. Acontece que, no princípio do século XX, nos anos 1904 e 1905, escavações na península do Sinai levaram à descoberta de uma escrita muito mais simples que a hieroglífica, e era alfabética! Com essa descoberta, a origem do alfabeto se transportava da época dos fenícios para a dos seus antecessores, séculos antes, os cananitas, que viveram no tempo de Moisés e antes dele.

Portanto, foram estes antepassados dos fenícios que simplificaram a escrita. E passaram a usar o alfabeto em lugar dos hieróglifos, isto é, sinais que representam sons ao invés de sinais que representam idéias. Moisés, vivendo 40 anos numa região (Midiã) onde essa escrita era conhecida, viu nela a escrita do futuro, e passou a usá-la por duas grandes razões: (1) a impressão grandiosa que teve de usar uma língua alfabética para seus escritos e que se compunha de apenas 22 sinais bastante simples comparados com os ideográficos que aprendera nas escolas do Egito; (2) Moisés compreendeu que estava escrevendo para o seu próprio povo, cuja origem era semita como a dos habitantes da terra onde estava vivendo, e que não eram versados em hieróglifos por causa de sua condição de escravos.

Graças a tudo isso, a Bíblia pôde exercer grande e positiva influência na história da humanidade. E pode ter influência sobre você também. Já leu sua Bíblia hoje?

Michelson Borges, jornalista, mestrando em Teologia pelo Unasp e autor dos livros A História da Vida e Por Que Creio.
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#10
Os Manuscritos do Mar Morto

Durante toda a Idade Média, por interesses principalmente políticos e econômicos, a Igreja foi aos poucos agasalhando em seu seio doutrinas e costumes absolutamente contrários ao espírito e ensinos de Jesus e dos apóstolos. Por essa razão, muitas pessoas passaram a temer que a Bíblia também tivesse sofrido alterações significativas. O receio era de que o texto do Antigo Testamento que temos hoje não fosse exatamente aquele no qual Jesus e os apóstolos basearam todos os seus ensinos; que não fosse mais a “Palavra de Deus” como originalmente havia sido escrita. Felizmente, a Arqueologia praticamente acabou com essa dúvida. E tudo graças a um menino!

Em 1947, vasculhando as cavernas do extremamente árido e inóspito lado ocidental do Mar Morto, em busca de uma ovelha perdida, um garoto beduíno encontrou grandes vasos de barro que continham antigos manuscritos escondidos ali. A partir de então, outros beduínos e arqueólogos encontraram, em onze cavernas da região, mais de 800 diferentes manuscritos, incluindo todos os livros do Antigo Testamento, com exceção dos livros de Ester e Neemias. De alguns livros da Bíblia foram encontrados apenas fragmentos; em outros casos, a maior parte do texto foi recuperada. O livro do profeta Isaías foi encontrado praticamente inteiro!

Apenas um dos rolos havia sido escrito em finas folhas de cobre. Todos os demais foram escritos em pergaminho (pele de animal especialmente preparada para essa finalidade). Assim, por terem utilizado material orgânico, esses livros bíblicos puderam ser submetidos ao processo de datação conhecido como Carbono 14. Outro método utilizado para determinar a época em que foram escritos foi a análise paleográfica (análise da forma da escrita, que em cada época tem características típicas). Surpreendentemente, constatou-se que os manuscritos haviam sido produzidos entre o século II a.C. e o século I d.C. – portanto, em dias anteriores e contemporâneos a Jesus! Judeus zelosos dessa época, provavelmente para salvar os livros sagrados de algum perigo iminente, devem tê-los escondido nas remotas e quase inacessíveis cavernas do Mar Morto. E – maior surpresa ainda! – quando comparados, constatou-se que os livros do Antigo Testamento que temos hoje são essencialmente idênticos aos textos que existiam nos dias de Jesus!

Jesus certa vez disse: “Vós examinais as Escrituras porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de Mim” (João 5:39). Como é confortador saber que as Escrituras que temos hoje em nossas mãos são aquelas mesmas que Jesus lia e ensinava!

Jorge Fabbro é arqueólogo e presidente da Associação de Amparo à Criança e ao Adolescente (Educriança)
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#11
O Novo Testamento é historicamente confiável

Recentemente foi questionada no blog http://www.michelsonborges.com a veracidade histórica do Novo Testamento (NT). Há muitos bons livros no mercado sobre isso, mas procurei reproduzir aqui, de forma resumida, as dez razões apresentadas no livro Não tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu (Vida), pelas quais sabemos que os autores do NT disseram a verdade.

1. Os autores do NT incluíram detalhes embaraçosos sobre si mesmos. A tendência da maioria dos autores é deixar de fora qualquer coisa que prejudique sua aparência. É o “princípio do embaraço”. Agora pense: Se você e seus amigos estivessem forjando uma história que você quisesse que fosse vista como verdadeira, vocês se mostrariam como covardes, tolos e apáticos, pessoas que foram advertidas e que duvidaram? É claro que não. Mas é exatamente isso que encontramos no NT. Se você fosse autor do NT, escreveria que um dos seus principais líderes foi chamado de “Satanás” por Jesus, negou o Senhor três vezes, escondeu-se durante a crucifixão e, mais tarde, foi repreendido numa questão teológica?

O que você acha que os autores do NT teriam feito se estivessem inventando uma história? Teriam deixado de lado a sua inaptidão, sua covardia, a repreensão que receberam, as negações e seus problemas teológicos, mostrando-se como cristãos ousados que se colocaram a favor de Jesus diante de tudo e que, de maneira confiante, marcharam até a tumba na manhã de domingo, bem diante dos guardas romanos, para encontrarem o Jesus ressurreto que os esperava para salvá-los por sua grande fé! Os homens que escreveram o NT também diriam que eles é que contaram às mulheres sobre o Jesus ressurreto, que eram as únicas que estavam escondendo-se por medo dos judeus. E, naturalmente, se a história fosse uma invenção, nenhum discípulo, em momento algum, teria sido retratado como alguém que duvida (especialmente depois de Jesus ter ressuscitado).

2. Os autores do NT incluíram detalhes embaraçosos e dizeres difíceis de Jesus. Os autores do NT também são honestos sobre Jesus. Eles não apenas registraram detalhes de uma auto-incriminação sobre si mesmos, mas também registraram detalhes embaraçosos sobre seu líder, Jesus, que parecem colocá-Lo numa situação bastante ruim. Exemplos: Jesus foi considerado “fora de Si” por Sua mãe e Seus irmãos, por quem também foi desacreditado; foi visto como enganador; foi abandonado por Seus seguidores e quase apedrejado certa ocasião; foi chamado de “beberrão” e de “endemoninhado”, além de “louco”. Finalmente, foi crucificado como malfeitor.

Entre as situações teologicamente “embaraçosas”, encontramos as seguintes: Ele amaldiçoa uma figueira (Mat. 21:18); Ele parece incapaz de realizar milagres em Sua cidade natal, exceto curar algumas pessoas doentes (Mar. 6:5); e parece indicar que o Pai é maior que Ele (João 14:28). Se os autores do NT queriam provar a todos que Jesus era Deus, então por que não eliminaram dizeres e situações complicados que parecem argumentar contra a Sua deidade? Os autores do NT foram extremamente precisos ao registrar exatamente aquilo que Jesus disse e fez.

3. Os autores do NT incluíram as exigências de Jesus. Se os autores do NT estavam inventando uma história, certamente não inventaram uma que tenha tornado a vida mais fácil para eles. Esse Jesus tinha alguns padrões bastante exigentes. O Sermão do Monte (Mateus 5), por exemplo, não parece ser uma invenção humana. São mandamentos difíceis de ser cumpridos pelos seres humanos e parecem ir na direção contrária dos interesses dos homens que os registraram. E certamente são contrários aos desejos de muitos hoje que desejam uma religião de espiritualidade sem exigências morais.

4. Os autores do NT fizeram clara distinção entre as palavras de Jesus e as deles. Embora não existam aspas ou travessão para indicar uma citação no grego do século I, os autores do NT distinguiram as palavras de Jesus de maneira bastante clara. Teria sido muito fácil para esses homens resolverem as disputas teológicas do primeiro século colocando palavras na boca de Jesus. E fariam isso também, caso estivessem inventando a “história do cristianismo”. Teria sido muito conveniente para esses autores terminar todo debate ou controvérsia em torno de questões como circuncisão, leis cerimoniais judaicas, falar em línguas, mulheres na igreja e assim por diante, simplesmente inventando citações de Jesus. Mas eles nunca fizeram isso. Mantiveram-se fiéis ao que Jesus disse e não disse.

5. Os autores do NT incluíram fatos relacionados à ressurreição de Jesus que eles não poderiam ter inventado. Eles registraram que Jesus foi sepultado por José de Arimatéia, um membro do Sinédrio – o conselho do governo judaico que sentenciou Jesus à morte por blasfêmia. Esse não é um fato que poderiam ter inventado. Considerando a amargura que certos cristãos guardavam no coração contra as autoridades judaicas, por que eles colocariam um membro do Sinédrio de maneira tão positiva? E por que colocariam Jesus na sepultura de uma autoridade judaica? Se José não sepultou Jesus, essa história teria sido facilmente exposta como fraudulenta pelos inimigos judaicos do cristianismo. Mas os judeus nunca negaram a história e jamais se encontrou uma história alternativa para o sepultamento de Jesus.

Todos os quatro evangelhos dizem que as mulheres foram as primeiras testemunhas do túmulo vazio e as primeiras a saberem da ressurreição. Uma dessas mulheres era Maria Madalena, que Lucas admite ter sido uma mulher possuída por demônios (Luc. 8:2). Isso jamais teria sido inserido numa história inventada. Uma pessoa possessa por demônios já seria uma testemunha questionável, mas as mulheres em geral não eram sequer consideradas testemunhas confiáveis naquela cultura do século I. O fato é que o testemunho de uma mulher não tinha peso num tribunal. Desse modo, se você estivesse inventando uma história da ressurreição de Jesus no século I, evitaria o testemunho de mulheres e faria homens – os corajosos – serem os primeiros a descobrir o túmulo vazio e o Jesus ressurreto. Citar o testemunho de mulheres – especialmente de mulheres possuídas por demônios – seria um golpe fatal à tentativa de fazer uma mentira ser vista como verdade.

“Por que o Jesus ressurreto não apareceu aos fariseus?” é uma pergunta comum feita pelos céticos. A resposta pode ser porque não teria sido necessário. Isso é normalmente desprezado, mas muitos sacerdotes de Jerusalém tornaram-se cristãos. Lucas escreve: “Crescia rapidamente o número de discípulos em Jerusalém; também um grande número de sacerdotes obedecia à fé” (Atos 6:7). Se você está tentando fazer que uma mentira seja vista como verdade, não facilita as coisas para os seus inimigos, permitindo que exponham a sua história. A conversão dos fariseus e a de José de Arimatéia eram dois detalhes desnecessários que, se fossem falsos, teriam acabado com a “farsa” de Lucas.

Em Mateus 28:11-15, é exposta a versão judaica para o fato do túmulo vazio (a mentira do roubo do corpo de Jesus). Note que Mateus deixa bastante claro que seus leitores já sabiam sobre essa explicação dos judeus porque “essa versão se divulgou entre os judeus até o dia de hoje”. Isso significa que os leitores de Mateus (e certamente os próprios judeus) saberiam se ele estava ou não dizendo a verdade. Se Mateus estava inventando a história do túmulo vazio, por que daria a seus leitores uma maneira tão simples de expor suas mentiras? A única explicação plausível é que o túmulo deve ter realmente ficado vazio, e os inimigos judeus do cristianismo devem realmente ter espalhado essa explicação específica para o túmulo vazio (de fato, Justino Mártir e Tertuliano, escrevendo respectivamente nos anos 150 d.C. e 200 d.C., afirmam que as autoridades judaicas continuaram a propagar essa história do roubo durante todo o século II).

6. Os autores do NT incluíram em seus textos, pelo menos, 30 pessoas historicamente confirmadas. Não há maneira de os autores do NT terem seguido adiante escrevendo mentiras descaradas sobre Pilatos, Caifás, Festo, Félix e toda a linhagem de Herodes. Alguém os teria acusado por terem envolvido falsamente essas pessoas em acontecimentos que nunca ocorreram. Os autores do NT sabiam disso e não teriam incluído tantas pessoas reais de destaque numa ficção que tinha o objetivo de enganar.

7. Os autores do NT incluíram detalhes divergentes. Os críticos são rápidos em citar os relatos aparentemente contraditórios dos evangelhos como evidência de que não são dignos de confiança em informação precisa. Mateus diz, por exemplo, que havia um anjo no túmulo de Jesus, enquanto João menciona a presença de dois anjos. Não seria isso uma contradição que derrubaria a credibilidade desses relatos? Não, mas exatamente o oposto é verdadeiro: detalhes divergentes, na verdade, fortalecem a questão de que esses são relatos feitos por testemunhas oculares. Como? Primeiro, é preciso destacar que o relato dos anjos não é contraditório. Mateus não diz que havia apenas um anjo na sepultura. Os críticos precisam acrescentar uma palavra ao relato de Mateus para torná-lo contraditório ao de João. Mas por que Mateus mencionou apenas um anjo, se realmente havia dois ali? Pela mesma razão que dois repórteres de diferentes jornais cobrindo um mesmo fato optam por incluir detalhes diferentes em suas histórias. Duas testemunhas oculares independentes raramente vêem todos os mesmos detalhes e descrevem um fato exatamente com as mesmas palavras. Elas vão registrar o mesmo fato principal (Jesus ressuscitou dos mortos), mas podem diferir nos detalhes (quantos anjos havia no túmulo). De fato, quando um juiz ouve duas testemunhas que dão testemunho idêntico, palavra por palavra, o que corretamente presume? Conluio. As testemunhas se encontraram antecipadamente para que suas versões do fato concordassem.

À luz dos diversos detalhes divergentes do NT, está claro que os autores não se reuniram para harmonizar seus testemunhos. Isso significa que certamente não estavam tentando fazer uma mentira passar por verdade. Se estavam inventando a história do NT, teriam se reunido para certificar-se de que eram coerentes em todos os detalhes.

Ironicamente, não é o NT que é contraditório, mas sim os críticos. Por um lado, os críticos afirmam que os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) são por demais uniformes para serem fontes independentes. Por outro lado, afirmam que eles são muito divergentes para estarem contando a verdade. Desse modo, o que eles são? Muito uniformes ou muito divergentes? Na verdade, são a mistura perfeita de ambos: são tanto suficientemente uniformes e suficientemente divergentes (mas não tanto) exatamente porque são relatos de testemunhas oculares independentes dos mesmos fatos. Seria de esperar ver o mesmo fato importante e detalhes menores diferentes em manchetes de jornais independentes relatando o mesmo acontecimento.

Simon Greenleaf, professor de Direito da Universidade de Harvard que escreveu um estudo-padrão sobre o que constitui evidência legal, creditou sua conversão ao cristianismo ao seu cuidadoso exame das testemunhas do evangelho. Se alguém conhecia as características do depoimento genuíno de testemunhas oculares, essa pessoa era Greenleaf. Ele concluiu que os quatro evangelhos “seriam aceitos como provas em qualquer tribunal de justiça, sem a menor hesitação” (The Testimony of the Evangelists, págs. 9 e 10).

8. Os autores do NT desafiam seus leitores a conferir os fatos verificáveis, até mesmo fatos sobre milagres. Lucas diz isso a Teófilo (Luc. 1:1-4); Pedro diz que os apóstolos não seguiram fábulas engenhosamente inventadas, mas que foram testemunhas oculares da majestade de Cristo (II Ped. 1:16); Paulo faz uma ousada declaração a Festo e ao rei Agripa sobre o Cristo ressurreto (Atos 26) e reafirma um antigo credo que identificou mais de 500 testemunhas oculares do Cristo ressurreto (I Cor. 15). Além disso, Paulo faz uma afirmação aos cristãos de Corinto que nunca teria feito a não ser que estivesse dizendo a verdade. Em sua segunda carta aos corintios, ele declara que anteriormente realizara milagres entre eles (II Cor. 12:12). Por que Paulo diria isso a eles a não ser que realmente tivesse realizado os milagres? Ele teria destruído completamente sua credibilidade ao pedir que se lembrassem de milagres que nunca realizara diante deles.

9. Os autores do NT descrevem milagres da mesma forma que descrevem outros fatos históricos: por meio de um relato simples e sem retoques. Detalhes embelezados e extravagantes são fortes sinais de que um relato histórico tem elementos lendários. Note este trecho da narração da ressurreição no livro apócrifo Evangelho de Pedro: “...três homens que saíam do sepulcro, dois dos quais servindo de apoio a um terceiro, e uma cruz que ia atrás deles. E a cabeça dos dois primeiros chegava até o céu, enquanto a daquele que era conduzido por eles ultrapassava os céus. E ouviram uma voz vinda dos céus que dizia: ‘Pregaste para os que dormem?’ E da cruz fez-se ouvir uma resposta: ‘Sim’.”

Provavelmente seria assim que alguém teria escrito se estivesse inventando ou embelezando a história da ressurreição de Jesus. Mas os relatos da ressurreição de Jesus no NT não contêm nada semelhante a isso. Os evangelhos fornecem descrições triviais quase insípidas da ressurreição. Confira em Marcos 16:4-8, Lucas 24:2-8, João 20:1-12 e Mateus 28:2-7.

10. Os autores do NT abandonaram parte de suas crenças e práticas sagradas de longa data, adotaram novas crenças e práticas e não negaram seu testemunho sob perseguição ou ameaça de morte. E não são apenas os autores do NT que fazem isso. Milhares de judeus, dentre eles sacerdotes fariseus, converteram-se ao cristianismo e juntam-se aos apóstolos ao abandonarem o sistema de sacrifícios de animais prescrito por Moisés, ao aceitar Jesus como integrante da Divindade (o que era inaceitável naquela cultura estritamente monoteísta) e ao abandonar a idéia de um Messias conquistador terrestre.

Além disso, conforme observa Peter Kreeft, “por que os apóstolos mentiriam? ... se eles mentiram, qual foi sua motivação, o que eles obtiveram com isso? O que eles ganharam com tudo isso foi incompreensão, rejeição, perseguição, tortura e martírio. Que bela lista de prêmios!” Embora muitas pessoas venham a morrer por uma mentira que considerem verdade, nenhuma pessoa sã morrerá por aquilo que sabe que é uma mentira.

Conclusão de Norman Geisler e Frank Turek, autores de Não Tenho Fé Suficiente Para Ser Ateu: “Quando Jesus chegou, a maioria dos autores do NT era de judeus religiosos que consideravam o judaísmo a única religião verdadeira e que se consideravam o povo escolhido de Deus. Alguma coisa dramática deve ter acontecido para tirá-los do sono dogmático e levá-los a um novo sistema de crenças que não lhes prometia nada além de problemas na Terra. À luz de tudo isso, não temos fé suficiente para sermos céticos em relação ao Novo Testamento.”
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#12
A cidade de Ramessés

Assuntos envolvendo a arqueologia bíblica e os livros de autoria mosaica tendem a ser constantemente questionados por acadêmicos liberais ao redor do mundo.[1] Apesar de alguns negarem a historicidade do início da nação israelita, há evidências para se crer que a narrativa do Pentateuco possui credibilidade histórica.[2] Entre os que defendem a realidade histórica do relato, há uma divisão quanto à data do Êxodo. O importante estudo cronológico de Edwin Thiele[3] sobre os reis de Israel situa o Êxodo em torno de 1450 a.C., ou seja, na XVIII dinastia (cf. I Rs 6:14; Jz 11:26); o faraó da ocasião seria Thutmose III ou Amenhotep II.[5]

Um segundo grupo defende data mais recente, algo em torno de 1300 a.C., exatamente no período do faraó Ramsés II, que viveu na XIX dinastia e é um dos monarcas mais conhecidos na história egípcia. Número significativo de pesquisadores do Antigo Testamento recorrem a Êxodo 1:11 para defender o Êxodo como tendo ocorrido na XIX dinastia,[7] onde é dito que os israelistas construíram duas cidades celeiros para o faraó: Pitom e Ramessés.

Entre as datas, temos um lapso de aproximadamente 150 anos. Como harmonizar as informações? A mera menção do nome Ramessés, em si, é um indicativo do Êxodo na XIX dinastia?

Neste artigo é feito um estudo de quatro alternativas não conclusivas sobre a identificação da bíblica Ramessés. A data do Êxodo não é abordada neste trabalho, por questões metodológicas. A pesquisa, portanto, ficará aberta para futuros complementos sobre o assunto.

** ALTERNATIVAS DE SOLUÇÃO

Ramessés como a Per-Ramesse egípcia

Per-Ramesse é uma abreviação do nome Per-Ramesse mry ‘Imn ‘aa nehtw, “residência de Ramses, amado de Amon, o grande Vencedor”.[8] O primeiro a sugerir essa possibilidade foi H. Brugsch, em 1875.[9] Outra versão do nome pode aparecer como Pi-Ramesse. Os estudos arqueológicos têm lançado luz considerável sobre o histórico de Per-Ramesse.[10] Inscrições egípcias informam que ela foi fundada por Seti I, o segundo faraó da XIX dinastia, e concluída pelo seu filho Ramsés II.[11] Essa cidade foi a capital dessa dinastia, e tem sido identificada com Tanis e/ou Qantir.[12] Vejamos brevemente essas duas identificações, começando com Tanis.

O primeiro a sugerir que a cidade Per-Ramesse estava localizada em Tanis foi novamente H. Brugsch, em 1872.[13] Segundo Siegfried J. Schwantes, após a expulsão dos Hiksos, a cidade de Ávaris teve seu nome mudado para Tanis e aparece no Antigo Testamento com o nome Zõa (cf. Nm 13:22; Sl 78:12 e 43).[14] A declaração em parte é verdadeira, porém, o momento onde Ávaris é identificada com Tanis é questionável.

Tanis é a atual San el-Hagar e teve seus primeiros trabalhos feitos por Auguste Marriette (1860-1880), posteriormente por Flinders Petrie (1883-1886) e de forma significativa por Pierre Montet (1921-51). Ali foram encontrados vários templos dedicados às divindades Amum, Ptah, Re, etc., mas o palácio real de Ramsés II não foi encontrado. A identificação de Tanis com a Per Ramesse egípcia torna-se mais difícil ainda se levarmos em consideração as pesquisas posteriores ao trabalho de Montet. Os objetos encontrados lá, ou seja, em Sane l-Hagar, foram colocados ali posteriormente para construções, não no período do faraó Ramsés II. William Shea afirma que não há nenhuma confirmação arqueológica de habitação em Tanis antes da XXI dinastia, c. 1100 a.C.[15]

Sobre Qantir a situação é mais harmoniosa. Qantir fica 17 km ao sul de San el Hagar. Mahmud Hamza foi o primemiro a escavar Qantir em 1928. As descrições de Per Ramesse que temos disponíveis no papiro Anastasis III, a saber, a fertilidade do campo, a existência de uma rota por terra e outra pelo mar para a Ásia e a presença de um palácio de Ramsés II, correspondem ao campo geográfico de Qantir.

Seu nome atual é Tell el-Dab’a e foi escavada por Manfred Bietak, diretor do Austrian Archaeological Institute, em meados da década de 1950. Os restos de ocupação dessa cidade por volta das dinastias XII e XIII revelam um fim por meio de uma grande e violenta destruição. Após a destruição, três estratos dos hyksos, sendo que o terceiro e último revela outra destruição violenta. Esta última pode ser relacionada com o início da XVIII dinastia, quando o faraó Ahmose expulsou os governantes semitas do Delta. Evidências apontam para o fato de que os faraós desta dinastia (XVIII) não tenham usado essa cidade, mas na dinastia seguinte (a XIX) ela foi reconstruída.[16]

De acordo com Hershel Shanks, editor da Biblical Archaeology Review, a identificação da Ramessés bíblica com a Per-Ramesse egípcia é impossível foneticamente. Fontes egípcias nunca se referiram a essa cidade com o nome real de Ramessés, sozinho, antes, sempre é mencionada com a palavra egípcia pr (casa), ou seja, Per-Ramesse.[17] A mesma opinião é defendida por E. Uphill e D. Cameron Alexander Moore.[18]

Montet contra-argumenta a ausência do prefixo Per ou Pi no nome Ramesses. Para ele, esse é um fenômeno comum no texto veterotestamentário. Temos como exemplo o nome Baal-Meon, em Números 32:38, e Bet-Baal-Meon, em Josué 13:17, ou seja, a ausência do prefixo Bet (casa). Para ele, nomes puramente semíticos ou hebraicos podem, sim, ter tal ausência.[19]

Porém, é importante lembrar que boa parte das cidades egípcias começadas com o prefixo Pi ou Per, mencionadas nas páginas do Antigo Testamento (cf. Nm 33:8[20]; Ez 30:17) não o perderam. Se a Per Ramesse egípcia é a Ramessés bíblica, por que seu prefixo não aparece no texto? Per-Ramesse, portanto, não parece ser uma alternativa satisfatória para nossa pesquisa.

Ramessés como Khatana

À semelhança de Ramose, esta é uma alternativa da qual não se dispõe de muitas informações. Ao leste do braço pelusiano do Nilo, existem as ruínas de duas cidades: Qantir e Khatana. As escavações ali têm demonstrado um grande assentamento cananita e seus restos mostram uma grande afinidade com restos siro-palestinenses de c. 1700 a.C. a 1500 a.C., que foram encontrados em Tell el-Rataba, a bíblica Pithom.

A transliteração do hieróglifo usado para se referir a essa cidade é R3-mtny, que, segundo Shanks, pode ser projetado numa língua semítica como Ramezen.[21]

Durante as escavações dirigidas pelo austríaco Manfred Bietak, uma inscrição fragmentada com o nome Horemhab foi encontrada. Isso é significativo, já que este é o último faraó da XVIII dinastia. Podemos supor que houve alguma habitação em Khatana no período da XVIII dinastia, esperando é claro por novas descobertas que corroborem a historicidade do relato bíblico.

Ramessés como um anacronismo

Essa é uma das opiniões mais comuns entre os acadêmicos mais conservadores. A idéia básica desta opinião é a de que um copista posterior substituiu um nome antigo por um mais recente.[22]

É importante lembrar que o nome Ramessés não é usado no Pentateuco no sentido cronológico. Em Gênesis 47:11, por exemplo, está escrito que Jacó e seus filhos foram colocados na terra de Ramessés. Isso implica que a família de José desceu para o Egito no período do faraó com esse nome? De maneira nenhuma, antes, o nome deve ser entendido como uma atualização do texto.

A menção do nome Ramessés não é um indício forte o bastante para a localização do Êxodo na XIX dinastia. Se o Êxodo ocorreu em 1300 a.C., quando Móisés estava com 80 anos, e se o trabalho na cidade Ramessés ocorreu antes do nascimento de Moisés, temos que admitir que o nome Ramessés era comum antes dos chamados faraós ramessidas, e que a cidade não está necessariamente ligada a nenhum deles.[23]

Em Genesis 14:14 temos um exemplo semelhante. Ali é mencionada uma cidade cujo nome era Dan. O curioso é que na época de Abraão ela não se chamava Dan, mas sim Laish (cf. Jz 18:29) ou Leshem (cf. Js 19:47). O nome Dan foi usado muito tempo depois, na época dos juízes. Ramessés pode ser entendido da mesma forma.

Apesar de ser uma alternativa aparentemente muito válida para esta pesquisa, ela não está isenta de pontos fracos. O Antigo Testamento está repleto de exemplos de anacronismos, mas sempre quando o nome da cidade na época do copista é mencionado, o nome anterior a ele também é introduzido no texto (cf. Gn 28:19; Js 15:15; Jz 1:23).

Um exemplo de anacronismo na História é a referência à Palestina nos dias de Jesus, sendo que na época de Cristo não havia Palestina, já que o termo foi criado pelo Imperador Adriano, a partir do ano 135 d.C.

Ramessés e o vizir Ramose

Ramose foi um vizir, ou seja, um cargo semelhante ao de primeiro-ministro, hoje. Ele viveu durante os reinados de Amenhotep III e Akhnaten. A principal fonte de conhecimento a respeito dele é a sua própria tumba, a TT55 (Tumba de Tebas nº 55). Apesar de Ramose ter vivido cem anos depois da data bíblica do Êxodo, seu nome era comum desde a época dos hycsos.[24[

Gleason Archer Jr. liga o nome Ramose à cidade Ramesses de Êxodo 1:11. A semelhança na escrita para ele é significativa, já que o nome Ramose em egípcio antigo (r m s) tem uma grafia muito próxima do hebraico rm‘s.[25] Porém, lemos no próprio texto que a cidade foi construída para Faraó, não para um nobre ou vizir. Além disso, carecemos de exemplos de vizires no Egito antigo que se auto-homenageavam por meio de “cidades”. Ramose não parece ser uma alternativa satisfatória em nossa pesquisa.

** CONCLUSÃO

A mera menção do nome Ramessés não é em si evidência do Êxodo na XIX dinastia. Após termos apresentado quatro alternativas não conclusivas sobre o assunto, preferimos aquela que liga Ramessés à antiga cidade Khatana do braço Pelusiano do Delta, e a outra que coloca o nome Ramessés como um anacronismo, já que ambas se encaixam perfeitamente com uma visão equilibrada do relato bíblico.

(Por Luiz Gustavo S. Assis)

Referências

1. Ver por exemplo FINKELSTEIN, Israel; SILBERMAN, Neil Asher. E a Bíblia não tinha razão. São Paulo: A Girafa, 2003.

2. PRICE, Randall. Pedras que clamam. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p. 114-115. O grande número de nomes egípcios entre o povo de Israel é um ótimo argumento para a estadia dos israelitas no país dos faraós. Temos, por exemplo, o nome Finéas, que aparece em conexão com um sacerdote. PRITCHARD, James B. Ancient Near Eastern Texts: Relating to the Old Testament. Third edition with supplement. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1969. p. 216, n. (6). Algumas palavras que compõem o vocabulário hebraico do pentateuco são puramente egípcias. A palavra selo (cf. Gn 41:42), por exemplo, em hebraico é hotam e em egípcio htm. Linho fino em egípcio antigo é shash, já em hebraico, shesh (cf. Gn 38:18 e 25). SCHWANTES, Siegfried J. Arqueologia. São Paulo: IAE, 1988. p. 28-29. Por muito tempo, a hipótese documentária, que teve como principal defensor o alemão J. Welhausen, trabalhou com a idéia de que o pentateuco era na verdade uma compilação de textos feita por volta do VI século a.C. O apogeu da língua egípcia foi em torno do segundo milênio a.C., não na metade do primeiro milênio, ou seja, tais semelhanças no vocabulário só fazem sentido quando datamos a obra por volta do XV século a.C. Como introdução ao tema da hipótese documentária, ver: CASSUTO, Umberto. The documentary hypothesis and the composition of the Pentateuch. Jerusalem: Magnes Press, The Hebrew University, 1983.

3. Thiele.

4. KITCHEN, Keneth. How we know when Solomon ruled? Biblical Archaeology Society Online Archive ou o número da BAR com esse artigo. Através de calendários mesopotâmicos e egípcios, Kitchen apresenta razões sólidas para situarmos o reinado de Salomão entre 970 a.C a 930 a.C.

5. HOWARD JR., David M.; GRISANTI, Michael. Giving the Sense: Understanding and Using Old Testament Historical Texts. Grand Rapids, MI: Kregel, 2003. p. 245-247. Neste caso, Thutmoses III seria o faraó da opressão e Amenhotep II, seu filho, seria o faraó do Êxodo. Nos primeiros capítulos de Êxodo, vemos uma agitação no campo da construção civil, o que para alguns é totalmente improvável ter ocorrido na XVIII dinastia, como por exemplo CURVILLE, Donovan. The Exodus problem and its ramifications, vol. 1. Challenge Books: CA, 1971. p. 34. É importante mencionarmos que na tumba do vizir Rekhmire, que viveu na época de Thutmoses III, foram encontradas pinturas de escravos semitas fazendo e transportando tijolos. A informação é significativa já que demonstra um envolvimento indireto de Thutmoses III com construções na época do seu reinado. Para outras informações sobre Rekhmire, ver: PRITCHARD, James B. op. cit., p. 212-213. Ver também: ARCHER JR., Gleason. A Survey of Old Testament Introduction. Moody Press: Chicago, 1968. p. 215.

7. LASOR, William S.; HUBBARD, David A.; BUSH, Frederic W. Old Testament Survey: The message, form and background of the Old Testament. 1. ed. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1992. p. 126. LIVINGSTON, G. Hebert. The Pentateuch in its cultural environment. Grand Rapids, MI: Baker, 1987, p. 47-48. ZUCK, Roy. gen. ed. Vital Apologetic Issues: Examinig Reason and Revelation in Bible Perspective. Grand Rapids, MI: Kregel, 1995, p. 250. FINEGAN, Jack. Handbook of biblical chronology: Principles of time reckoning in the ancient world and problems of chronology in the Bible. Princeton, NJ: Princeton University Press, 1964. p. 300.

8. MONTET, Pierre. Egypt and the Bible. Philadelphia: Fortress Press, 1968. p. 54.

9. BIMSON, John J., Redating the exodus and conquest. Sheffield, England: The Almond Press, 1981. p. 33-34

10. PRITCHARD, James B., op. cit. p. 470-471.

11. HILL, Andrew E.; HALTON, John H. A survey of Old Testament. Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1991. p. 109).

12. YAMAUCHI, Edwin M. The stones and the Scriptures. Philadelphia: A Holman Book, 1973. p. 48.

13. BIMSON, John J., op. cit., p. 34.

14. SCHWANTES, Siegfried J., op. cit., p. 25.

15. SHEA, William. H., "Exodus, Date of the", in G. W. Bromiley et al. (eds.), The International Standard Bible Encyclopedia. Paternoster Press: Exeter, vol. 2, 1982. p. 231.

16. Ibid.

17. SHANKS, Hershel. The Exodus and the Crossing of the Red Sea, According to Hans Goedicke. Biblical Archaeology Society on line Archive. Disponível aqui. Acessado em 14-05-06.

18. MOORE, D. Cameron Alexander. The Date of the Exodus: Introduction to the Competing Theories. Disponível aqui. Acessado em 22-05-06.

19. MONTET, Pierre. Op. cit. p. 54-55.

20. SARNA, Nahum. Israel in Egypt: The Egyptian Sojourn and the Exodus. Biblical Archaeology Society Online Archive. Disponível aqui. Acessado em 25-05-06. Outra alternativa para a historicidade do Êxodo ser corroborada é quando analisamos as listas geográficas do Pentateuco. Neste artigo, Sarna apresenta evidências para a realidade histórica do evento.

21. SHANKS, Hershel. op. cit.

22. YAMAUCHI, Edwin M. The stones and the Scriptures. Philadelphia: A Holman Book, 1973. p. 48-50.

23. DYER, Charles H. The Date of the Exodus Reexamined. Disponível aqui. Acessado em 19-05-06.

24. GEISLER, Norman. Ed. Inerrância da Bíblia. São Paulo: Ed. Vida, 2001. p. 85.

25. Ibid.
Cuidai, para que isso que agora julgais ser ouro puro, não se vos demonstre ser metal vil.

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#13
Cidades muradas

Em julho de 2006, na mesma manhã em que desenterrei uma “escama” de bronze da couraça de um guerreiro do décimo século a.C., numa camada arqueológica marcada por evidências de violento combate e destruição em Megido, no norte de Israel, moderníssimos caças israelenses passaram em vôos rasantes sobre nossa cabeça, voltando de mais um bombardeio no Líbano. Evidentemente, a tecnologia de guerra evoluiu enormemente, mas não a natureza humana. Como há milênios, os homens de hoje continuam se odiando e se matando pelos motivos de sempre... e ansiando pela paz.

A Bíblia está repleta de relatos de guerra, bem como de lições de paz. As escavações arqueológicas, por sua vez, têm revelado que a guerra e o medo da guerra dominavam a vida das pessoas dos tempos bíblicos, e nos ajudam a compreender as histórias e os ensinos bíblicos.

Para se protegerem dos ataques inimigos, todas as cidades eram circundadas por imensos muros de pedra. Os muros de Tel Dan, por exemplo, cidade na fronteira norte de Israel, tinham aproximadamente 5 a 7 metros de altura por quase 4 metros de largura. Falar de uma cidade sem muros era falar de absoluta fraqueza e vulnerabilidade: “Como cidade derrubada, que não tem muros, assim é o homem que não pode controlar seu espírito” (Provérbios 25:28).

O acesso às cidades se fazia através de imensos portais. Os de Gezer, Megido e Hazor, reconstruídos por Salomão (I Reis 9:15), descobertos pela Arqueologia, são quase idênticos, devendo ter seguido a mesma planta básica. Eles eram rapidamente fechados em tempo de guerra. Guardar os portais da cidade era tão vital que se tornou símbolo de sabedoria e grande prudência: “Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios” (Salmo 141:3).

Em Megido, os arqueólogos encontraram um enorme silo para armazenagem de alimentos. Em Jerusalém, Arad, Hazor, Megido, Dan e outros sítios arqueológicos, complexos sistemas de abastecimento de água foram descobertos. Essas providências eram necessárias para o tempo de guerra, quando os exércitos inimigos cercavam as cidades, não permitindo que ninguém entrasse nem saísse, esperando que seus habitantes se rendessem por causa da sede e da fome. Nessa hora de indizível sofrimento, felizes eram os que podiam encontrar consolo na fé em Deus: “Ainda que um exército me cerque, o meu coração não temerá; ainda que a guerra se levante contra mim, nEle confiarei” (Salmo 27:3).

O sofrimento e a angústia constantes geravam, no coração de todos, profundo anseio por paz e segurança. Alguns as buscavam construindo muros cada vez maiores; outros, fazendo aliança com nações poderosas; outros ainda, formando exércitos, com numerosos carros e cavalos. O rei Davi, porém, chama atenção para a verdadeira fonte de segurança: “Uns confiam em carros e outros em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor nosso Deus” (Salmo 20:7).

Jorge Fabbro é arqueólogo e presidente da Associação de Amparo à Criança e ao Adolescente (Educriança)
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#14
A tumba vazia

Lançar livros e produzir filmes sobre teorias que apresentam um Jesus Cristo diferente do relato bíblico já virou moda. A última tentativa foi um documentário produzido pelo aclamado diretor do Titanic, James Cameron, exibido no Brasil no último dia 18 de março, num canal de TV a cabo. A obra sugere, semelhantemente às polêmicas anteriores, que Jesus teria se casado com Maria Madalena e tido um filho com ela, por nome Judas. O documentário conta com a direção também do cineasta Simcha Jacobovici, que no ano passado veiculou um programa sobre as possíveis provas do Êxodo bíblico. O site do canal que exibiu o documentário diz que o programa se baseia em pesquisas arqueológicas, ciência forense, análise de DNA e estatísticas. Entrevistamos o professor de Arqueologia Bíblica da Faculdade Adventista da Bahia, que recentemente concluiu o seu Ph.D. em Arqueologia Clássica pela Universidade do Texas, em Austin (EUA). O professor Milton justifica por que vê esse documentário como mais uma produção sensacionalista sobre a biografia de Cristo, explica o bê-a-bá da Arqueologia Bíblica, e como essa ciência tem esclarecido a compreensão do relato bíblico.


No último fim de semana, foi veiculado um documentário sobre o suposto túmulo perdido da família de Jesus. Segundo os produtores do vídeo, a descoberta apontaria para um relacionamento amoroso entre Jesus e Maria Madalena, do qual teria nascido um filho. Por que estudiosos da área têm tachado essa teoria como sem fundamento?


Dr. Milton Torres - Há algumas razões muito fortes para se duvidar de que o assim chamado túmulo de Talpiot ou “Tumba da Família de Jesus” tenha, de fato, pertencido a Jesus e Sua família. Em primeiro lugar, a alegação dos responsáveis pelo documentário é de que uma análise estatística prova que a combinação de tantos nomes associados com o relato evangélico só seria possível caso a tumba pertencesse à família de Jesus ou a algum rico patrono que pudesse pagar pelo túmulo. Foram encontrados, no túmulo, os seguintes nomes: (1) “Jesus, filho de José”; (2) Mateus; (3) um apelido para o nome José; (4) Maria, em aramaico; (5) Mariane, em grego; e (6) “Judas, filho de Jesus”. A estatística é um procedimento válido e costumeiramente usado na arqueologia, mas fazer toda uma interpretação depender principalmente de suas quantificações é um processo arriscado.

O problema é que o nome de Jesus era tão comum em sua época que ele ocorre em 98 outras tumbas e 21 outros ossuários. Além disso, não há evidência alguma de que a Mariane identificada na tumba seja Maria Madalena, nem tampouco de que os seguidores de Jesus jamais o houvessem chamado de “Jesus, filho de José”. Seria muito improvável que os discípulos ou familiares de Jesus pusessem essa inscrição na tumba, desrespeitando, assim, sua memória, quando o próprio Jesus, diversas vezes, já havia se identificado como o “Filho de Deus”.

É, além disso, bastante estranho que o escavador original da tumba, o Dr. Amos Kloner, professor da Universidade Bar-Ilam, em Jerusalém, não tenha chegado a conclusões semelhantes quando escavou a tumba pela primeira vez em 1980. O documentário sobre o suposto túmulo da família de Jesus parece mais um episódio do que se chama “arqueologia fantástica”, ou seja, atividade arqueológica empreendida por quem tem mais imaginação do que objetividade científica. Não admira que o documentário tenha sido produzido por James Cameron, diretor hollywoodiano acostumado à ficção de filmes como "Titanic", "Exterminador do Futuro", "Alien, o Oitavo Passageiro" e "Piranha", todos dirigidos por ele.

A teoria por trás do documentário emana, de fato, de um livro gnóstico do século IV A.D., intitulado Atos de Filipe que apresenta os feitos apostólicos de Maria Madalena e seu relacionamento com Jesus. De acordo com Chris Rosebrough, há demasiadas especulações necessárias para que a proposta de Cameron seja verdadeira. O túmulo de Talpiot será a tumba da família de Jesus se e somente se: (1) Jesus for irmão de José; (2) Mariane for mesmo Maria Madalena; (3) Judas for filho de Jesus com Maria Madalena; e (4) Mateus for parente de Maria, mãe de Jesus, mas não seu filho. Além disso, para explicar a ausência dos restos mortais dos outros irmãos de Jesus, os produtores do documentário ressuscitam a já descartada hipótese de que o ossuário de Tiago seja, de fato, o ossuário pertencente ao irmão de Jesus conhecido por esse nome, mas que teria sido furtado da tumba quando esta foi escavada em 1980. O problema é que existe uma foto daquele ossuário, tirada em 1970, antes das escavações do túmulo de Talpiot.

Além disso, acreditar na acuracidade de um documento gnóstico do século IV, que identifica Maria Madalena com Mariane, em detrimento do relato bíblico contemporâneo ao sepultamento de Jesus não parece muito razoável, especialmente quando esse documento gnóstico descreve que Mariane gostava de pregar o evangelho para os animais, tendo sido responsável pela conversão de um bode falante e pela morte de um dragão. Finalmente, os peritos ainda levantam dúvidas quanto à presença do nome de Jesus na tumba. As letras não são claras e, por isso, há uma proposta alternativa de que o nome seja Hanum e não Jesus.

Quando se trata da validade histórica da Bíblia, costuma-se recorrer às descobertas arqueológicas. Quais são as grandes contribuições que essa ciência tem dado para a confirmação do relato bíblico?

Dr. Torres - A arqueologia tem iluminado o texto bíblico de diversas formas, algumas delas até surpreendentes. A descoberta do evangelho de Judas e dos textos da Biblioteca de Nadi Hammadi, por exemplo, foi importantíssima, pois os escritores do Novo Testamento demonstravam certa preocupação quanto à influência dos gnósticos sobre a comunidade cristã, mas nada tínhamos conservado dos escritos gnósticos. Encontrar textos escritos por pessoas daquela persuasão nos ajudou a ter uma idéia bem clara das razões por que os escritores do Novo Testamento estavam tão apreensivos em relação aos ensinamentos gnósticos. Outra descoberta fantástica ocorreu em 1845. O arqueólogo Henry Layard encontrou, na antiga cidade de Nínive, o assim chamado “Obelisco Negro de Salmaneser III”, um dos mais antigos artefatos arqueológicos a se referir a um personagem bíblico: o rei hebreu Jeú, que viveu cerca de nove séculos antes de Cristo. Este artefato encontra-se preservado, agora, no Museu Britânico, em Londres. Um artefato semelhante é o assim chamado “Prisma de Taylor”, um prisma hexagonal de argila queimada que faz referência à batalha travada entre Senaqueribe e o rei hebreu Ezequias, no início do século VII antes de Cristo, uma batalha tão importante que foi narrada em três lugares diferentes da Bíblia: 2 Reis 19, 2 Crônicas 32 e Isaías 37:38. Este artefato também se encontra depositado no Museu Britânico.

O arqueólogo Walter Kaiser enumera as seguintes descobertas como sendo as dez mais importantes da arqueologia bíblica:

1. Os amuletos de Ketef Hinnon, contendo o mais antigo texto do Antigo Testamento (séc. VII a.C.).

2. O Papiro John Rylands, contendo o mais antigo texto do Novo Testamento (125 A.D.).

3. Os Manuscritos do Mar Morto.

4. A pintura de Beni Hasan, revelando como era a cultura patriarcal 19 séculos antes de Cristo.

5. A estela de basalto de Dã, descoberta em 1993, que provou, sem sombra de dúvidas, a existência do rei Davi.

6. O tablete 11 do épico de Gilgamés, descoberto em 1872, por George Smith, que provou a antigüidade do relato do dilúvio.

7. O tanque de Gibeão (mencionado em II Samuel 2:13 e Jeremias 41:12), descoberto em 1833, por Edward Robinson.

8. O selo de Baruque, descoberto em 1975, provando a existência do secretário e confidente do profeta Jeremias.

9. O palácio de Sargão II, rei da Assíria mencionado em Isaías 20:1, descoberto em 1843, por Paul Emile Botta, de cuja existência os historiadores seculares duvidavam até essa descoberta.

10. O obelisco negro de Salmaneser.

Os arqueólogos pesquisam mais por motivação cientifica ou religiosa? O fato de um pesquisador ser religioso ou não, compromete o resultado do próprio estudo?

Dr. Torres - Independentemente de escavar ou não, nenhum arqueólogo pesquisa de forma totalmente objetiva. Quando ele sai para seu campo de trabalho, já tem uma boa idéia sobre o que quer achar. E isso é fator determinante para sua pesquisa. Por isso, arqueólogos capitalistas vão encontrar “provas” de economias bem ajustadas mesmo em épocas antigas. O fato de existir certa tendência para achar um tipo específico de “prova” não invalida, contudo, as contribuições da arqueologia, uma vez que tais descobertas precisam ser trazidas diante da comunidade acadêmica. Só quando há certo grau de consenso sobre o que uma descoberta significa é que isso é aceito pela comunidade como verdade. Há poucos anos, por exemplo, a descoberta de um suposto ossuário pertencente a Tiago, irmão de Jesus, causou entusiasmo em todo o mundo, mas logo se percebeu que se tratava de uma fraude. Ou seja, a comunidade arqueológica é suficientemente madura para detectar o que há por trás das intenções de arqueólogos que se deixam levar por sua ideologia.

Vamos voltar um pouco. O que é Arqueologia?

Dr. Torres - A arqueologia é uma aventura. A arqueologia é curiosidade intelectual e uma forma de satisfazer essa curiosidade. A imaginação arqueológica foi refinada nos últimos duzentos anos de tal forma que hoje temos uma disciplina acadêmica com esse nome. A arqueologia é, de fato, a ciência que escava, cataloga, mede, descreve e analisa artefatos e objetos do passado. Segundo o arqueólogo Clive Gamble, descobrir uma tumba intocada é emocionante, porém mais importante do que isso é explorar nossa capacidade de pensar além das circunstâncias do quotidiano e absorver em nossa vida o conhecimento sobre os objetos e as atividades do homem em tempos passados.

Quando ela surgiu e se consolidou como área do conhecimento humano?

Dr. Torres - A arqueologia surgiu, a princípio, como um conjunto de crônicas escritas por homens excêntricos acerca de suas descobertas sobre o passado. Mas logo esses homens descobriram que era possível analisar o estilo dos artefatos e propor esquemas classificatórios para eles. Descobriram também que a estratigrafia, isto é, a disposição dos artefatos nas trincheiras cavadas para descobri-los, podia ser correlacionada com a idade relativa de cada artefato. Ou seja, um artefato descoberto no fundo da trincheira podia ser imaginado como sendo mais antigo do que um artefato descoberto pouco abaixo da superfície. Com isso, surgiram os primeiros métodos arqueológicos. Em 1819, Christian Thomsen propôs um sistema para classificar artefatos pré-históricos que ele distribuiu em três idades: idade da pedra, do bronze e do ferro. Assim, nasceu a arqueologia como ciência.

A Arqueologia Bíblica é uma especialidade dessa área. O que ela estuda?

Dr. Torres - A disciplina acadêmica da Arqueologia se subdivide em áreas que permitem ao especialista se concentrar em campos específicos de seu interesse. Assim, existem ramos da arqueologia como, por exemplo, a arqueologia antropológica, a arqueologia clássica (que se interessa pela Antigüidade greco-romana) e a arqueologia bíblica ou cristã. Essa distinção entre arqueologia bíblica e cristã é importante, pois os pesquisadores que se dizem arqueólogos bíblicos estão geralmente interessados em ver como essa ciência pode confirmar o relato bíblico, enquanto que o interesse da arqueologia cristã é desvendar a história do Cristianismo, independentemente de suas descobertas confirmarem ou não o relato bíblico.

Por que o Brasil não tem tradição no estudo da Arqueologia Bíblica? Quais são os grandes centros de pesquisa dessa ciência?

Dr. Torres - Acredito que o Brasil não seja um centro de estudos da arqueologia bíblica pela razão óbvia de não ser um país onde existam sítios arqueológicos relacionados com a Bíblia e porque, além disso, o Brasil não investe suficientemente na área acadêmica. Isto é, não temos tradição na área da arqueologia bíblica nem tampouco em outras áreas. É admirável ver um programa ativo de arqueologia em universidades como a USP, por exemplo, quando tão pouco incentivo há para isso no País. Por outro lado, os melhores programas de arqueologia bíblica são aqueles desenvolvidos por países do primeiro mundo, como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha e França, e por países pertencentes às terras bíblicas, como Israel, Egito, Grécia e Itália, por exemplo.

O único museu de Arqueologia Bíblica da América Latina está localizado no Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), na região de Campinas, SP. Qual é a importância dele para a popularização dessa área no Brasil?

Dr. Torres - Uma visita a um museu arqueológico é sempre uma experiência impactante. Já tive a oportunidade de visitar vários museus no mundo, sendo que quatro deles me encantaram: o Museu do Vaticano, o Museu Capitolino de Roma, o Museu Arqueológico de Atenas e o Museu Arqueológico da Universidade de Andrews nos Estados Unidos. É claro que existem museus maiores e mais sofisticados do que esses, mas o que me impressionou em tais museus foi a importância dos artefatos por eles conservados em relação à história da Igreja Cristã e do texto bíblico. No entanto, apesar de os museus serem tão úteis e necessários para a divulgação da história da arqueologia e da história da humanidade, deve-se conservar em mente que o melhor para a arqueologia é conservar os artefatos o mais próximo que for possível dos locais onde foram encontrados. Um artefato depositado em um museu nos dá um vislumbre do passado, mas um museu estabelecido perto de um sítio arqueológico nos revela dimensões extraordinárias do passado arqueológico. Infelizmente, porém, nem todos nós podemos viajar o mundo para conhecer esses artefatos. Daí a necessidade de termos também no Brasil um museu de arqueologia bíblica que supra essa deficiência.

Como se dá o trabalho do arqueólogo no campo de escavação, quais são as ferramentas usadas, os passos dados, e os cuidados tomados?

Dr. Torres - Nem todo arqueólogo escava. Se todo arqueólogo escavasse, o mudo seria, provavelmente, um buraco. Há arqueólogos que são especialistas em decifrar textos antigos, outros são especialistas em datar os artefatos. Há até arqueólogos cuja especialidade é o pólen (os assim chamados palinólogos), uma das mais úteis substâncias para a datação de sítios arqueológicos. Hoje, a principal preocupação dos arqueólogos é fazer descobertas sem a utilização de métodos invasivos de escavação. Um sítio arqueológico é um recurso não renovável. Isto é, uma vez escavado, perde muito de sua utilidade. Por isso, há certo interesse, hoje, em descobrir os artefatos no subsolo antes de escavar. Há aparelhos como o magnetrômetro, por exemplo, que nos possibilitam enxergar o subsolo e, assim, direcionar precisamente a escavação a fim de fazer o menor dano possível ao sítio arqueológico. No caso da escavação, primeiramente se obtém permissão das autoridades competentes, depois se faz um levantamento topográfico do sítio, então se marca a trincheira e, finalmente, se escava. No passado recente, as trincheiras eram marcadas sob a forma de grade, mas atualmente a preferência é marcar simplesmente um quadrado ou retângulo. A escavação é um processo delicado, pois ninguém quer danificar o artefato no processo de escavá-lo.

O que o levou a fazer doutorado nessa área?

Dr. Torres - O meu doutorado não é bem na área de arqueologia bíblica, mas arqueologia clássica; embora tenha tentado fazer um estudo interdisciplinar voltado tanto para a arqueologia de Roma e Grécia quanto para a arqueologia cristã. A motivação principal foi minha paixão pela língua em que foi escrito o Novo Testamento e meu desejo de ter um conhecimento de primeira mão da história da Igreja Cristã primitiva. Roma era a metrópole do mundo naquela época e exerceu profunda influência sobre o desenvolvimento do Cristianismo. Eu quis voltar no tempo, até o Império Romano, a fim de verificar em que sentidos esse poder secular exerceu impacto sobre a fé dos primeiros cristãos. Minha tese de doutorado diz respeito às razões por que a basílica, um edifício secular comumente usado pelos gregos e romanos muito antes da fundação do Cristianismo, foi adotada como principal edifício de culto dos cristãos. Minha hipótese é que esse edifício, ocasionalmente usado para os velórios dos romanos (inclusive o velório de Augusto, primeiro e mais famoso dos imperadores), foi, por isso, a escolha lógica da comunidade cristã, que aderira a uma religião considerada ilícita pelas autoridades romanas e que usava os sepultamentos de seus membros como uma desculpa para a realização de cultos religiosos. Além disso, havia muitas semelhanças entre a cerimônia fúnebre realizada pelo adepto das religiões tradicionais de Roma no âmbito do túmulo-casa romano e os velórios realizados pelos cristãos na basílica cemiterial, inclusive a propensão tanto de pagãos quanto de cristãos para a realização de banquetes fúnebres nesse contexto. A Igreja Cristã nasceu, em Roma, no contexto dos cemitérios, inclusive as catacumbas, nada mais apropriado do que escolher um edifício que lhe facilitasse as reuniões nesse ambiente.

Teria alguma escavação em especial que o marcou?

Dr. Torres - Participei de três escavações até hoje, todas como requisitos para a obtenção do Ph.D. em arqueologia clássica. A que mais me chamou a atenção foi a escavação de uma sinagoga, talvez pertencente ao primeiro século A.D., localizada em Ostia Antica, o antigo porto da cidade de Roma. De fato, não escavamos toda a sinagoga, que já havia sido escavada na década de 1960, mas fizemos sondagens em pontos estratégicos do solo da sinagoga a fim de confirmar algumas hipóteses levantadas pelo Dr. Michael White, professor de Arqueologia Cristã na Universidade do Texas em Austin e diretor do Institute for the Study of Antiquity and Christianity (ISAC). Como se tratava de um edifício de tamanho considerável, o grupo de arqueólogos foi dividido em equipes e coube a minha turma medir e desenhar o prédio à medida que o limpávamos e perfurávamos. Foi uma experiência fantástica.

(Wendel Lima, para o Paraná Online)

Para saber mais: conheça o site sobre o túmulo de Jesus no Instituto Arqueológico da América.
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#15
Seres humanos inflacionados

Se você estivesse fazendo uma pesquisa na biblioteca de sua universidade e encontrasse ali um jornal da época do presidente Juscelino Kubitschek, dizendo que a moeda brasileira corrente era o real, qual seria a sua reação? Evidentemente, seria de descrédito total, já que todos sabemos que a moeda naquela época era o cruzeiro.

São muitos os críticos da Bíblia em nossos dias. As razões usadas por eles para negar o relato bíblico vão desde a incapacidade de existirem eventos sobrenaturais até as supostas contradições cronológicas. Um dos argumentos mais comuns é a afirmação de que o ambiente histórico da narrativa bíblica é diferente do ambiente reconstruído pela Arqueologia. Será isso verdade?

Vejamos, por exemplo, o valor dos escravos na região do Antigo Oriente Próximo. Durante o período do Império Acádio (c. 2370-2190 a.C.), o preço de um servo ficava entre 10 a 15 siclos. Já no segundo milênio a.C., no período da antiga Babilônia (c. 1800-1700 a.C.), o valor era de 20 siclos, de acordo com o Código do rei Hamurabi e as leis da antiga cidade de Mari. As inscrições encontradas nas escavações nas cidades de Nuzi e Ugarit revelaram que por volta do XIV e XIII século a.C., a escravidão sofreu uma “inflação”, seu custo subiu para 30 ciclos. Quinhentos anos depois, no período assírio, era em torno 50 a 60 ciclos e, por fim, no período persa (IV e V séc. a.C.), algo em torno de 90 a 120 ciclos.

Quando comparamos esses valores com as informações bíblicas disponíveis, vemos um sincronismo surpreendente. Quando José foi vendido pelos irmãos, eles receberam 20 ciclos de prata (cf. Gên. 37:28), o mesmo preço do Antigo Oriente Próximo no XVIII século a.C. Na porção que descreve a aliança de Deus com Israel, uma das leis envolve o valor de um escravo, que era de 30 ciclos de prata (cf. Êxo. 21:32), refletindo assim a tradição do XIV e XIII século a.C. Finalmente, quando Menahem, rei de Israel, pagou tributo ao rei assírio Tiglate Pileser (o Pul bíblico), considerou cada israelita no valor de 50 ciclos de prata (cf. II Reis 15:20), o valor da época.

Se os personagens do Antigo Testamento foram inventados na época em que os judeus estavam em Babilônia ou no período persa, porque então o preço de José não era 90 ciclos? E por que o preço no êxodo não era o da época persa? Ao invés de tentar explicar, é mais fácil aceitar que a tradição bíblica reflete de forma precisa o ambiente histórico da época que ela narra.

Fontes:
Kenneth Kitchen. The Patriarcal Age: Myth or history? (BAR, Março-Abril. 1995, pág. 52.)
Roland De Vaux. Instituições de Israel no Antigo Testamento, págs. 109 e 110.

Luiz Gustavo Assis
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#16
As obras da lei

Entre 1947 e 1956, centenas de manuscritos antigos – incluindo cópias de quase todos os livros do Antigo Testamento – foram descobertos, dentro de grandes vasos de barro, escondidos em 11 cavernas, nas montanhas do lado oeste do Mar Morto. Ao analisar sua escrita e submetê-los a testes radiométricos, os arqueólogos ficaram pasmos ao constatar que esses documentos tinham cerca de 2 mil anos de idade! Alguns haviam sido escritos nos dias de Jesus e outros até dois séculos antes!

Quem teria escrito os famosos Manuscritos do Mar Morto? Por que teriam sido escondidos nas cavernas do remoto e inóspito Deserto da Judéia? Que segredos eles escondem? Essas perguntas continuam sendo debatidas até hoje por arqueólogos, historiadores, filólogos e teólogos. Mas algumas respostas surpreendentes já foram encontradas.

Uma dessas surpresas ocorre num manuscrito conhecido como MMT (abreviatura da expressão hebraica Miqsat Ma-ase ha-Torah = importantes obras da lei). Esse é o único escrito, fora da Bíblia, que usa a expressão “obras da lei”. Antes de sua descoberta, essa expressão só aparecia nos escritos do Apóstolo Paulo, onde severas críticas são feitas às “obras da lei”. Paulo ensina, por exemplo, que “o homem não é salvo pelas obras da lei” (Gálatas 2:16) e que “todos aqueles que são das obras da lei estão debaixo da maldição” (Gálatas 3:10).

O que Paulo queria dizer por “obras da lei”? Alguns acharam que ele estava se referindo à obediência à Lei de Deus e concluíram, muito apressadamente, que os cristãos não precisavam mais obedecer aos Dez Mandamentos. O MMT, contudo, aponta para um significado totalmente diferente.

Seis cópias fragmentárias do MMT foram descobertas nas cavernas do Mar Morto, indicando que, provavelmente, muitas outras cópias foram feitas e distribuídas. O MMT é uma carta, com mais de 130 linhas, que tenta convencer seus leitores a praticar as “importantes obras da lei” e, para nossa grata surpresa, ele faz uma lista de cerca de 20 dessas práticas religiosas, consideradas extremamente importantes pelo autor do MMT. Entre elas está: (1) não usar tecidos em que se mistura lã e linho; (2) não colocar debaixo do mesmo jugo animais de espécies diferentes; (3) não semear grãos de espécies diferentes no mesmo campo; (4) não lavar utensílios em água corrente – pois poderiam se contaminar com o que tivesse sido lavado corrente acima; etc. O MMT, evidentemente, interpreta e amplifica, de maneira extremada e distorcida, os ensinamentos do Antigo Testamento. Sua preocupação é com a preservação da pureza, em não misturar o puro com o impuro, em não incorrer no erro do “jugo desigual”. O MMT considera tais práticas como essenciais para a religião.

O apóstolo Paulo se posiciona firmemente contra esse ensinamento que, como nos mostra o MMT, parece ter sido bastante difundido naquela época. O MMT comete o erro de achar que impureza é uma questão externa, ritualística, e não moral, do íntimo do coração. Para Paulo, uma religião meramente exterior e ritualística não têm qualquer virtude, porque todos somos “justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei, porque pelas obras da lei ninguém será justificado” (Gálatas 2:16). A Lei de Deus, porém, continua sendo “santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Romanos 7:12).

Jorge Fabbro
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#17
Cidades fascinantes e perigosas

Na bela história bíblica de Sansão, é curioso notar que os verbos “descer” e “subir” são usados várias vezes, de modo proeminente. Por exemplo: Sansão atacou os filisteus “furiosamente, matando muitos deles. Então desceu e habitou na fenda do penhasco de Etã; e os filisteus subiram e acamparam-se contra Judá... Perguntaram-lhes os homens de Judá: Por que subistes contra nós? Responderam eles: Subimos para amarrar a Sansão, para lhe fazer a ele como ele nos fez a nós. Então três mil homens de Judá desceram... e disseram a Sansão... Descemos para te amarrar e para te entregar nas mãos dos filisteus” (Juízes 15:8-11).

Essa terminologia reflete a geografia do local. Os israelitas, inclusive a família de Sansão, moravam nas áridas montanhas de Canaã, enquanto os filisteus moravam nas verdejantes planícies da costa do Mar Mediterrâneo. Mas, para Sansão e muitos outros jovens de sua época, “descer” era não apenas mais fácil, como também muito mais atrativo. Escavações arqueológicas realizadas até agora, tanto nas montanhas quanto nas planícies, revelam que os filisteus possuíam arte e tecnologia muito mais avançadas, e viviam numa sociedade muito mais sofisticada do que os israelitas. Atrativos não faltavam para quem, como Sansão, morava numa pequena vila rural, simples e rústica. As cidades dos filisteus fremiam de excitação!

As cinco principais – Asdode, Gaza, Ascalom, Ecrom, e a maior delas, Gate (1 Samuel 6:17) – têm sido extensivamente escavadas por arqueólogos em anos recentes. Ficavam à beira-mar ou bem próximas da costa. Seus portos as mantinham abastecidas com as melhores mercadorias do mundo. Jóias de ouro e pedras preciosas, finos vasos decorados, utensílios e produtos de beleza, têm sido encontrados nas escavações. Em Ascalom, foi desenterrada a rua principal da cidade, dotada de uma grande praça, cercada por lojas e depósitos. Muito provavelmente, foi a esse lugar que Davi se referiu ao lamentar a decadência de Israel: “Não o noticieis em Gate, nem o publiqueis nos bazares de Ascalom, para que não se alegrem as filhas dos filisteus, para que não saltem de contentamento as filhas dos incircuncisos" (2 Samuel 1:20).

Nesse local, foi também encontrado um grande prédio, que incluía três salas equipadas com prensas para a produção de vinho – produto responsável por grande parte da fama e glamour da cidade e que animava suas festas (Juízes 16:25). Num prédio próximo, foram encontradas balanças de bronze com pesos de pedra. Ao lado, foi encontrado um caco de cerâmica em que se escreveu o recibo de uma carga de grãos, paga com prata.

Contudo, a riqueza e a sofisticação dos filisteus escondiam muitos perigos. Sansão deixou-se levar por eles. Entregou-se às mulheres dissolutas e às farras. E isso o arrastou para a desgraça e para a morte. Traído pela filistéia Dalila, Sansão foi preso e teve os olhos arrancados. Em seus últimos minutos de vida, quando os filisteus o fizeram de palhaço para sua diversão dentro do templo do deus Dagom, Sansão derrubou as duas colunas centrais do prédio e soterrou a todos.

Dois templos foram encontrados pelos arqueólogos em Ecrom. Ambos tinham o teto sustentado por dois pilares centrais!

Jorge Fabbro
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#18
Sir William Ramsay: o ex-cético

Lucas existiu e escreveu o livro de Atos com precisão histórica e geográfica. A primeira sentença pode ser verdadeira, mas a segunda está longe de ser realidade. Isso se deve ao fato de que esse livro foi escrito no II século d.C., ou seja, bem distante dos eventos do cristianismo do século anterior que ele pretendia narrar.

O principal nome desta visão foi Ferdinand Christian Baur, teólogo da Universidade de Tübingen no século 18. Baseado na filosofia de Hegel (tese, antítese e síntese), ele desenvolveu toda uma estrutura dos primórdios do cristianismo. Para Baur, Pedro representava a ala judaica do cristianismo (tese), Paulo, a gentílica (antítese), Atos, a igreja unida (síntese), algo que só foi possível no II século. Toda essa estrutura do seu pensamento estava fundamentada na Redaktiongeschichte (a história da redação), um movimento de pensamento alemão que afirmava que o livro de Atos e também os evangelhos foram escritos mais de uma perspectiva teológica do que histórica.

Foi nesse contexto que surgiu a figura de Sir William Ramsay, um adepto de tais idéias que viajou para a Ásia Menor, as terras das viagens missionárias de Paulo, com a intenção de provar os pressupostos de Baur e da Redaktiongeschichte. Porém, todas as suas pesquisas arqueológicas mostraram o contrário. A obra de Lucas é extremamente precisa quando se refere aos costumes, lugares e personagens do I século d.C. Ramsay, ao longo de seus trabalhos, considerou o livro de Atos como autoridade em assuntos como topografia, antiguidades e sociedade da Ásia Menor e como sendo um aliado útil em escavações obscuras e difíceis.[1]

Uma de suas contribuições para a historicidade do livro foram seus estudos sobre a grande fome nos dias do imperador Cláudio (At 11:27-30). O pano de fundo do texto bíblico segundo alguns não é histórico, é improvável e nem corroborado por outras evidências.[2] Ramsay encontrou diversas fontes sugestivas em conformidade com a passagem de Atos. Diversos historiadores mencionam algo sobre a escassez de alimentos nesse período de Roma. Suetônio, historiador romano do II século, menciona uma assiduae sterelitates (fome intensa) durante o império de Cláudio (41-54 d.C.). Tácito menciona duas fomes na capital do Império e Eusébio de Cesárea fala de uma fome na Grécia e provavelmente na Ásia Menor.[3] Todas essas informações nos levam a crer que o reinado de Cláudio foi marcado por más colheitas que ocasionaram ausência de alimento em diversas partes do Império. Curiosamente, Atos 12, o capítulo seguinte, contém fatos que acontecerem em 44 d.C. (a perseguição e morte de Herodes Agripa I), ou seja, durante o período referido acima.

Hoje temos um fato bastante irônico. Eruditos do Novo Testamento negam a historicidade de Atos 4 e historiadores da antiguidade consideram as narrativas desse livro como historicamente exatas. B. H. Warmington, professor de História Antiga na Universidade de Bristol, afirmou que “quando se refere a aspectos da lei e o governo romano, os historiadores têm considerado como fontes confiáveis”. Para A. N. Sherwin-White, um dos maiores eruditos em historia romana, “a confirmação da historicidade de Atos é abundante e qualquer tentativa de nega-la é absurda”.[5]

O escritor com maior número de livros no Novo Testamento é sem dúvida alguma Paulo. Lucas, ao contrario, escreveu apenas dois livros, o evangelho que leva o seu nome e os Acta Apostolorum (Atos dos Apóstolos), mas somente estes dois ocupam mais de 30% do segundo cânon. Na realidade, algumas evidências nos levam a crer que o Evangelho e Atos são na realidade uma única obra, dividida em dois volumes.

O que motivou Lucas a escrever sua obra? Logo no prólogo do seu evangelho, ele a justifica (1:1-4). Ele diz que sua “acurada investigação” (v. 3) era destinada para Teófilo. O autor o chama de “excelentíssimo” (kratiste em grego) e ele devia ser alguém muito importante, já que esse termo é usado outras duas vezes, para Félix (23:26) e Festo, e ambos possuíam cargos extremamente importantes na política da época. Não só isso, mas o texto da obra se assemelha muito a dossiês jurídicos do I século. Provavelmente Teófilo tenha sido um advogado que estaria defendendo o apóstolo Paulo perante o júri romano.

Em favor dessa opinião, temos três detalhes importantes: 1) Em Lucas 1:3 ele usa a palavra grega akribos, minucioso em detalhes, tinha de ser algo preciso; 2) a partir de Atos 13 o foco é quase totalmente voltado para Paulo; e 3) o segundo volume da obra termina com Paulo na prisão.

Se Lucas tinha interesse em ser preciso em todos os detalhes históricos e geográficos de sua obra, por que ele não seria também com os assuntos religiosos? Se sua mensagem histórica é digna de crédito, é de se esperar o mesmo sobre as boas-novas da salvação em Cristo Jesus. Quando os "Williams Ramsays" dos tempos modernos, os céticos descrentes da Bíblia, olharem para Ela sem pressupostos negativos, quem sabe chegarão à mesma conclusão que aquele chegou.

Luiz Gustavo Assis

Referências:

1. Ramsay, William M. St. Paul: the Traveller and the Roman Citizen. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1962. p. 8.
2. Ramsay, p. 48. Ele está citando um autor chamado Schürer, que não acreditava no relato bíblico.
3. Thompson, J. A. The Bible and Archaeology. Grand Rapids, MI: Wm. B. Eerdmans Publishing Co., 1972. p. 382
4. Bornkamm, Günter. Paulo: Vida e Obra. Petrópolis, RJ: Vozes, 1992. p. 16.
5. Yamauchi, Edwin. Las Excavaciones y las Escrituras. Casa Bautista de Publicaciones. 1977. p. 104, 105.
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#19
O silêncio dos opressores

Milagre! Essa foi e ainda é a palavra usada pelos comentaristas esportivos ao se referirem à incrível defesa de Gordon Banks, goleiro da seleção inglesa, na cabeçada de Pelé na copa de 70, no México. Costumamos usar essa palavra para descrever grandes coisas que acontecem no nosso dia-a-dia. E o que dizer dos milagres bíblicos?

Bom, esse já é um assunto contraditório. Ninguém seria tão tolo em acreditar na ocorrência de milagres em pleno século XXI! Essa opinião fundamenta-se no seguinte pressuposto: Deus não interage com a humanidade. A Bíblia, por outro lado, apresenta algo diferente. Conhecemos bem os milagres feitos por Jesus que estão registrados nos quatro evangelhos, mas nos surpreendemos quando lemos o registro de vários feitos miraculosos registrados nos Antigo Testamento.

Uma das histórias mais impressionantes que lemos nas páginas da Bíblia é a do cerco de Senaqueribe, rei do Império Assírio, em Jerusalém, que naquela ocasião era regida por Ezequias (2Rs 18:13–19:37; 2Cr 32:1-23; Is 36:1-37, 38). Os dois personagens tiveram educação bem semelhante. O pai de Senaqueribe era ninguém menos que Sargão II, o Dur Sharrukin dos textos assírios, aquele que destruiu Samaria, capital do reino do norte em 722 a.C. Já o pai de Ezequias era o ímpio rei Acaz. O nome Acaz é a forma abreviada do nome Acazias. A diferença é que o primeiro não tem o elemento teofórico comum nos nomes hebraicos (ex.: Daniel = Deus é meu juiz). Provavelmente, o pecado reinava tanto na vida desse rei que ele retirou o elemento divino do próprio nome!

Os assírios, nessa ocasião (701 a.C., cf. Is 36:1), eram os garotos mais rebeldes do bairro “Antigo Oriente Médio”. Senaqueribe já tinha conquistado 46 cidades de Judá, inclusive a conhecida cidade de Laquis. Os relevos ilustrando a destruição dessa cidade eram uma das decorações do palácio do monarca assírio. Um dos seus oficiais, Rabsaque (do acadiano Rab sikkati = dignitário), que não é um nome mas sim uma função, dirigiu palavras duras contra os porta-vozes de Ezequias. Deus mesmo entregou a capital de Judá nas mãos dos assírios (Is 36:10); nenhum deus das outras nações conquistadas as livrou das mãos dos seus inimigos e a mesma coisa aconteceria com o reino judeu (Is 36:18-20). Em outras palavras, não havia esperança.

Porém, o rei de Judá recorreu o profeta Isaías e este lhe deu a seguinte mensagem da parte do Senhor: “Não entrará nesta cidade, nem lançará nela flecha alguma [...], pelo caminho que ele [Senaqueribe] vier, por esse voltará, mas nesta cidade não entrará, diz o Senhor” (Is 37:33 e 34).

Em 1830, nas ruínas da antiga capital assíria chamada Nínive, Taylor encontrou um prisma sexagesimal de quase 40 cm, escrito em cuneiforme acadiano, que, diga-se de passagem, era uma língua extremamente complexa, com aproximadamente 5 mil sinais! Nesse documento arqueológico, que é o mais bem preservado dos documentos assírios, temos a seguinte inscrição: “Quanto a Ezequias do país de Judá, que não se tinha submetido ao meu jugo, sitiei e conquistei 46 cidades que lhe pertenciam. [...] Quanto a ele, encerrei-o em Jerusalém, sua cidade real, como um pássaro na gaiola...” Essa peça está hoje no Museu Britânico, em Londres.

Dois pontos são importantes na sentença. Primeiro, o nome de Ezequias é mencionado. Segundo, o texto fala que Senaqueribe cercou Jerusalém, mas que ele não a conquistou como fez com as outras cidades referidas nos seus anais. Algo aconteceu e houve silêncio por parte dos opressores assírios. O documento arqueológico não menciona nada mais, apenas que Jerusalém não foi adicionada na sala de troféus do Império Assírio.

No livro do profeta Isaias, lemos que o anjo do Senhor feriu 185 mil soldados do exército assírio numa madrugada, e na manhã seguinte tudo o que restava daquela poderosa milícia eram apenas cadáveres (37:36, 37). Senaqueribe voltou para Nínive, sua capital, e Jerusalém foi libertada milagrosamente.

A arqueologia não provou e nunca provará o milagre sobrenatural, mas de uma coisa temos certeza: quando lemos “entre as rachaduras” dos achados arqueológicos, podemos, sim, ver a mão poderosa de um Deus que agiu de forma poderosa no passado, que age no presente e agirá no futuro daqueles que o desejarem.

Luiz Gustavo Assis
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#20
Pentateuco: historicamente confiável?

Recentemente, a revista Aventuras na História publicou matéria sobre a Arca da Aliança com título “O último mistério”. Tiago Cordeiro, autor do artigo, em determinado momento afirma que “a Torah (Pentateuco) foi elaborada provavelmente entre os séculos VII e V a.C., muito tempo depois dos eventos narrados”. O assunto não pára por aí. Num curso de egiptologia numa renomada faculdade do Brasil, o professor disse que comparava o Antigo Testamento (AT) a uma brincadeira de telefone sem fio! Por outro lado, quando lemos esta porção bíblica, o Pentateuco, encontramos algumas informações históricas dignas confirmadas pela arqueologia e que ajudam a datá-la em determinado momento da história.

Vamos por partes. A língua em que foi escrito o pentateuco foi o hebraico. Algumas palavras usadas pelo seu autor são claramente egípcias. O termo "selo", por exemplo, que aparece em Gênesis 41:42 em hebraico é hotam, já em egípcio é hetem. A palavra hebraica, na passagem referida acima, para linho fino na língua do AT é shesh e em egípcio é shash. Não são apenas esses casos, existem outros mais. É importante mencionarmos que esse intercâmbio entre essas duas línguas não aparece nos outros livros do AT.

A evidência não para por aí. Diversos nomes mencionados na narrativa hebraica são claramente egípcios. O próprio nome Moisés é derivado do verbo egípcio mase (nascer). O nome Merari (Nm 3:17) vem da palavra egípcia mer, que significa amado. Hofni e Finéias também são nomes egípcios, sendo este último relacionado com um sacerdote no país dos faraós.

Somos levados a duas conclusões até agora: (1) o autor do pentateuco conhecia bem a língua egípcia e, segundo a tradição judaico-cristã, esse autor foi Moisés (cf. At 7:22; (2) os nomes egípcios entre o povo de Israel sugerem que eles, os israelitas, estiveram ali em algum período do passado. Se não fosse assim, como esses nomes surgiriam naquela nação? Curiosamente, o apogeu da língua egípcia se deu na metade do II milênio a.C., entre os séculos XVI e XIV a.C., não em torno dos séculos VII – V a.C. Se os cinco primeiro livros da Bíblia foram escritos nessa época, por que existe neles similaridade de nomes e palavras egípcias?

Diversos outros nomes importantes para o início da nação israelita são bem documentados em fontes arqueológicas. O nome Jacó, por exemplo, aparece em conexão com o nome de um chefe hykso (Ya‘qub-el), num texto do século XIII a.C. encontrado em Chagar-Bazar, na Alta Mesopotâmia. Já o nome Abraão, o pai dos patriarcas, surge entre os mais de 15 mil tabletes encontrados nas ruínas da antiga cidade de Ebla, na Síria. A grafia Aba-am-ra-am é muito próxima do hebraico ‘avraham. Os tabletes encontrados ali por Paolo Mathiae e G. Petinatto são datados seguramente entre 2500 e 2000 a.C.

O nome Terah, o mesmo nome do pai de Abraão, aparece em textos assírios do fim do III milênio a.C., com a grafia Til Turakhi. O nome de alguns dos filhos de Jacó, como por exemplo Benjamin, possui correspondente acadiano (binu-yamin, povos do sul) e é também atestado no início do II milêncio a.C. Já Aser e Issacar são encontrados numa lista egípcia do XVIII século a.C. De forma significativa, esses nomes diminuem sua freqüência ou desaparecem por volta dos séculos VII – V a.C. Isso é no mínimo intrigante!

Diante dessas evidências, somos levados a considerar alguns pontos: (1) Os nomes dos patriarcas bíblicos mencionados no livro de Gênesis são atestados em diversos documentos antigos, mas isso não prova que o Abraão e o Jacó bíblicos existiram; (2) esses nomes eram comuns na época em que o AT menciona a existência dessas pessoas, não nos séculos VII - V a.C. Se o AT é comparado ao telefone sem fio, pelo menos nesse ponto a brincadeira não funcionou e não teve graça, já que seu conteúdo chegou idêntico para nós!

Esse é o limite da arqueologia bíblica. Ela consegue recriar um pano de fundo histórico coerente com aquele que a Bíblia narra. Por outro lado, ela não prova a ocorrência de fatos que demandam fé. Uma pergunta porém não quer calar: Se o ambiente histórico do AT é digno de confiança, por que os eventos que relacionam o homem com seu Criador não seriam? Algo a ser pensar.

Luiz Gustavo Assis
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