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Na cidadezinha - Parte 2 - anexo - Pirenópolis e a crise católica.
#1
Esse tópico é tangente ao tópico de cidadezinhas. A ideia surgiu lá a pedido do candango. Pagando dívida, eis o relato:

Existe algumas cidades no Brasil que são tão velhas quanto a própria república ou o falecido império. No Goiás, Pirenópolis é uma delas.

É uma cidade que surgiu como um povoado onde houve mineração e trabalho escravo. Esse ponto será decisivo mais adiante.

Historicamente,  foi uma cidade que viveu a busca pelo ouro. Depois com a decadência da busca do ouro se tornou uma cidade onde a atividade primordial é a pecuária. Mas a carga histórica sempre foi ativa.

Muitos dos senhores e militares que atuaram na política e exército desse país passaram por ali. É uma cidade com muita semelhança a Goiás Velho. Para vocês entenderem sobre o que estou falando sobre senhores atuantes na política, pense que o governado atual do Goiás é de uma dessas família nesse padrão, uma família aristocrática de uma cidade irmã de Pirenópolis(Goias Velho). As famílias de Pirenópolis não são necessariamente tão fontes, mas tem nomes proeminentes na história desse país. Sobrenomes que estão em vários documentos oficiais e na lista de políticos da região.

Esse cenário deu origem a uma certa aristocracia rural.

Terminando essa contextualização sigo para a descrição de meu relato ali naquelas terras.

Quando fui para ali, achei que ira apenas pegar uma cidade pequena com bairros históricos. Como já disse no tópico de cidadezinhas, é uma cidade repleta de pousadas, e um centro histórico. Ali tive a ideia de ir na biblioteca que havia na UEG, uma polo que fica na entrada da cidade.

Se você for lá hoje, vai encontrar alguns livros sobre a cidade. E ali eu achei algumas achados históricos

A questão ocorre, porque na cidade, houve alguns intelectual com aptidão para história,artes e letras e isso deu origem a alguns livros velhos e empoeirados com informações sobre quase tudo ali.

Eis que me deparo com um trabalho sobre a genealogia das famílias da cidade. Um tratado muito interessante falando de todas as famílias que ocuparam a cidade até por volta de 1970 e com descrições interessantes. O livro em si merecia um prêmio historiográfico pela audácia do autor em se dispor a estudar todas as famílias da família. Até aí, só uma curiosidade. 

Pois mais adiante, indo no tal centro histórico, vejo que muitas casas possuem certos nomes na entrada e que certos sobrenomes estão na política e em frente de escritórios de advocacia. A maioria eu tinha lido naqueles livro na tal biblioteca.

O centro histórico em si é uma loucura sem fim. Um monte de casas tombadas que tentam manter a arquitetura colonial em ordem. Tudo porque estamos falando de uma cidade tombada. Há turistas para tudo que é lado, restaurantes e um belo rio. Tudo muito bonito. Até você começar a prestar a atenção em certas coisas.

Pois bem, conversando com pessoas e pesquisando a vida de moradores descubro que ali ainda vive de certo modo, o coronelismo de outros tempos. Embora exista a Pirenópolis de turista, que consiste em casas bonitas, trilhas, restaurantes caros, existe por baixo desse pano a cidade dos moradores, onde há um briga constante por verbas e recursos.

Vou parar por aqui e logo coloco a segunda parte, a parte que o relato começa a parecer um conto de terror, mas que é verdadeiro e vivi ali com todas as sutilezas. Essa é parte referente à crise católica.
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#2
(14-08-2025, 03:59 PM)eremita_urbano Escreveu: Esse tópico é tangente ao tópico de cidadezinhas. A ideia surgiu lá a pedido do candango. Pagando dívida, eis o relato:

Existe algumas cidades no Brasil que são tão velhas quanto a própria república ou o falecido império. No Goiás, Pirenópolis é uma delas.

É uma cidade que surgiu como um povoado onde houve mineração e trabalho escravo. Esse ponto será decisivo mais adiante.

Historicamente,  foi uma cidade que viveu a busca pelo ouro. Depois com a decadência da busca do ouro se tornou uma cidade onde a atividade primordial é a pecuária. Mas a carga histórica sempre foi ativa.

Muitos dos senhores e militares que atuaram na política e exército desse país passaram por ali. É uma cidade com muita semelhança a Goiás Velho. Para vocês entenderem sobre o que estou falando sobre senhores atuantes na política, pense que o governado atual do Goiás é de uma dessas família nesse padrão, uma família aristocrática de uma cidade irmã de Pirenópolis(Goias Velho). As famílias de Pirenópolis não são necessariamente tão fontes, mas tem nomes proeminentes na história desse país. Sobrenomes que estão em vários documentos oficiais e na lista de políticos da região.

Esse cenário deu origem a uma certa aristocracia rural.

Terminando essa contextualização sigo para a descrição de meu relato ali naquelas terras.

Quando fui para ali, achei que ira apenas pegar uma cidade pequena com bairros históricos. Como já disse no tópico de cidadezinhas, é uma cidade repleta de pousadas, e um centro histórico. Ali tive a ideia de ir na biblioteca que havia na UEG, uma polo que fica na entrada da cidade.

Se você for lá hoje, vai encontrar alguns livros sobre a cidade. E ali eu achei algumas achados históricos

A questão ocorre, porque na cidade, houve alguns intelectual com aptidão para história,artes e letras e isso deu origem a alguns livros velhos e empoeirados com informações sobre quase tudo ali.

Eis que me deparo com um trabalho sobre a genealogia das famílias da cidade. Um tratado muito interessante falando de todas as famílias que ocuparam a cidade até por volta de 1970 e com descrições interessantes. O livro em si merecia um prêmio historiográfico pela audácia do autor em se dispor a estudar todas as famílias da família. Até aí, só uma curiosidade. 

Pois mais adiante, indo no tal centro histórico, vejo que muitas casas possuem certos nomes na entrada e que certos sobrenomes estão na política e em frente de escritórios de advocacia. A maioria eu tinha lido naqueles livro na tal biblioteca.

O centro histórico em si é uma loucura sem fim. Um monte de casas tombadas que tentam manter a arquitetura colonial em ordem. Tudo porque estamos falando de uma cidade tombada. Há turistas para tudo que é lado, restaurantes e um belo rio. Tudo muito bonito. Até você começar a prestar a atenção em certas coisas.

Pois bem, conversando com pessoas e pesquisando a vida de moradores descubro que ali ainda vive de certo modo, o coronelismo de outros tempos. Embora exista a Pirenópolis de turista, que consiste em casas bonitas, trilhas, restaurantes caros, existe por baixo desse pano a cidade dos moradores, onde há um briga constante por verbas e recursos.

Vou parar por aqui e logo coloco a segunda parte, a parte que o relato começa a parecer um conto de terror, mas que é verdadeiro e vivi ali com todas as sutilezas. Essa é parte referente à crise católica.


Basicamente se for analisar bem, a maioria dessa parte MT/GO/DF, principalmente interior destes estados têm muito desse tipo de questão de ter algumas famílias predominantes em alguns ambientes, e os que estão de fora sempre vão ser distanciados de alguma maneira... principalmente no centro-oeste.
you ain't alone in the streetz, cousin
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#3
O Brasil sempre foi um país com uma forte tendência ao coronelismo no geral, ao domínio de uma elite na esfera política, judiciária e religiosa. O problema é que essa elite geralmente é uma merda, são homens instruídos mas sem contribuição no desenvolvimento de fato, e aqueles que tentam algo são levados ao ostracismo. Os coronéis do Nordeste, a República do Café com Leite, tudo isso é a história do Bostil e sua elite que faz esse país estagnar na merda desde sempre.
"A vida é difícil. E é mais difícil quando você é estupido" (John Wayne)
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#4
Pow, parou na melhor parte Gargalhada

Parecia introdução de filme de terror.

Aguardando a continuação.

*dá uma revisada antes de postar louco, cheio de errinho de português trollface
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#5
A cidade vive uma bolha imobiliária considerável. Ao andar por um bairro mais afastado e conversando com uns locais, descubro um lote custando em torno de R$ 150.000. Os locais dizem que a cidade tinha lotes e casas com preços normais, mas depois de 2000 para cá, houve interesse em transformar a cidade em local turístico. Muitos estavam vendendo suas terras e se mudando. A cidade estava ficando demais movimentada.

Conversei com uma professora municipal e  ela me disse que comprou uma chácara e se mudou da cidade. Conversei também  com outra funcionária municipal e ela me disse que mora também fora da cidade em sítio e só vai na cidade quando para trabalhar e fazer compras, quando é o jeito mesmo. 

Minha visita ocorreu no período festivo. A cidade tem várias festas durante o ano. Tudo bancado por dinheiro federal e estadual. A prefeitura não tem muita verba, mas lida com todos aqueles montantes que transformara uma cidade pacata em um negócio bem lucrativo.. 

Com um bom rascunho de bibliografia sobre aquela cidade, eu vou para a próxima fase da pesquisa: presencialmente verificar as construções históricas.

Durante a semana, a cidade é mais tranquila. A loucura ocorre mais no final de semana quando os visitantes vêm principalmente de Brasília e Goiânia. A sensação era de que eu estava em alguma cidade cinematográfica:  pedras e casinhas com fachadas muito bonitas. 

As casas mantêm o padrão colonial. A estrada é formada por pedras pontiagudas que fazem o  percurso a pé ser mais rápido que o percurso por carro. Não são pedras como as que ainda existem em cidades antigas, são mais rudimentares que isso, da época em  que carros nem existiam, apenas cavalos. Mas percebo que, por dentro, as casas tentam se modernizar. Há uma luta política para tentar desenfrear isso, mas os donos daquelas casas, para atenderem interesses  econômicos, tiveram que mudar toda a estrutura interna das mesmas com o passar do tempo. 

Eis o primeiro segredo desvendado. O estilo arquitetônico era uma maquinação  por fora, para parecer uma cidade colonial, tal qual uma cidade falsa, cinematográfica. Ninguém ali queria viver em uma casa padrão colonial, pois nos dias atuais não é mais algo prático. Entretanto, a cidade tinha que parecer colonial, afinal, ganha-se muito dinheiro como uma suposta cidade histórica. Então mantem-se  a fachada, mas por dentro aplica-se a arquitetura moderna, que por mais feia que fosse, é funcional. 

Estava me sentindo bem até aquele momento da viagem, como se estivesse morando em alguma cidade mágica da europa ou uma daquelas cidades turísticas de colonização europeia  do sul. 

Foi um dos pontos bons da viagem, andar durante a noite em algumas daquelas ruas, que pareciam ter algum tipo de encantamento. 

Achei que talvez eu pudesse arrumar um emprego no lugar, talvez de garçom e ficar por ali.  Apesar da loucura no final de semana, ainda parecia uma boa cidade. Talvez eu não precisasse ir para outro país. Ali havia história, arquitetura, cultura, tradição. Talvez o lugar ideal não estivesse tão longe de onde eu morava.

Cheguei até a achar que o fruto de todos aqueles anos  em subempregos, lutando no tempo livre para adquirir cultura, acharia ali naquele lugar um terreno para florescer. 

Eu era um tolo e descobriria logo a estapafúrdia daquela ideia.

Sobre a arquitetura ainda vou citar  o que diz B, morador da cidade e dono de uma dessas casas tombadas. B diz que o tombamento é,  acima de tudo, gerador de polêmicas. Um fiscal  foi na sua casa atestar se a mesma estava  no padrão de preservação. Sua casa é reprovada e o fiscal diz que há irregularidades na forma como a fachada foi preservada. No ano seguinte, outro fiscal vai fazer o mesmo trabalho e diz que a fachada da casa está no padrão. Só que ele não mudou nada na casa no período entre as visitas.

Depois de visitar as casas tombadas, vou visitar as igrejas católicas da cidade. Ali, há uma das igrejas mais antigas do país. Fica no centro. Foi onde comecei a me sentir estranho.

Eis a igreja matriz, um dos patrimônios culturais do Brasil, tão velha quanto o próprio império:
[Image: MATRIZ3(520w351).webp]

[Image: matriz6(520w273).webp]


[Image: agitapirenopolis_igrejas_pirenopolis_.jpg]
A minha visita ocorre no domingo, um pouco depois da feira.  A cidade está quente, bastante abafada. Do nada,  começo a sentir um incômodo. Começou devagar, quase imperceptível.

A mulher que fica na igreja fazendo trabalho voluntário recolhe 2 reais de cada visitante.  No dia, ela estava com uma nota de 100 e deu de bobeira como troco para outra visitante. A visitante não tinha voltado para devolver e ela estava comentando com outras pessoas quando eu entrei na igreja. 

A igreja por dentro é  assim:
[Image: matriz11.jpg]

Achei o altar bonito, mas tinha alguma coisa estranha no ar. Eu não sabia nem dizer ao certo o que. Não havia muitas pessoas na igreja e decidi subir uma escada. Talvez eu nem tivesse permissão para subir, mas a igreja estava vazia. Ao chegar no andar de cima me encontro num lugar que mais parece um cemitério de bonecos bizarros. Eram as esculturas do período colonial que ficavam guardadas ali.

O barroco italiano é bonito,  conforme a referência abaixo:
[Image: bernini2.jpg]



Mas o que eu vi ali estava mais para.

[Image: images?q=tbn:ANd9GcRQOsNWZrS0aAyZHN13lAZ...qCRP-xDg&s]


Desci da escada me sentindo mal, estranho, ainda não consciente de que aquela sensação seria uma constante ali naquele lugar .
A igreja tinha algo estranho no ar. Parecia que eu estava em algum lugar ruim, com uma energia pesada. Parecia até que estava em um grande caixão, e que havia coisas ali naquela construção além concreto, madeira, ferro e pessoas.

Saí com um pouco de vertigem da igreja e olhei à volta. Foi aí que percebi algo que tinha me escapado antes de entrar na igreja: além dos turistas, havia muitos moradores de rua e pedintes ali. Parecia tudo estranho, uma cidade abandonada no tempo, não um lugar turístico. Parecia um lugar onde o sofrimento humano fosse expressado em um sentimento ruim generalizado.

Podia ser o calor também, então decidi voltar para onde estava, tomar uma cerveja gelada e ir dormir.


Essa parte já ficou bem grande. Depois continuo.
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#6
Esperando ansiosamente pelas partes posteriores, relato ficou bom...
you ain't alone in the streetz, cousin
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#7
No Bostil vc precisa ter em mente que a Igreja Católica é infiltrada pela maçonaria há uns 250 anos, muito da arte sacra dessas igejas foi pervertido por ideais maçonicos. Essas que vc postou claramente tem objetivos nefastos.

Eu até entendo como a iconoclastia protestante tem espaço no br com essas indecências por aí. Muito mais difícil é vingar em países onde a arte tradicional se manteve intacta, como no leste europeu.
"Mas o homem é a tal ponto afeiçoado ao seu sistema e à dedução abstrata que está pronto a deturpar intencionalmente a verdade, a descrer de seus próprios olhos e ouvidos apenas para justificar sua lógica."


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#8
Igreja sem sino é um pecado e uma vulnerabilidade....


Vc precisa aprender a fazer outros tipos de leitura em locais antigos e templos, precisa aprender sobre geometria sagrada e astronomica, fundação das cidades, mapas iniciais e monumentos , correspondencia geoconstelacional com os marcos religiosos e estatais....


Compre um detector de EMF  K2


[Image: D_NQ_NP_876301-MLB76820206881_062024-O.webp]
Monte monoculo ou oculos com pelicula polarizada de celular, adquira uma lanterna ultravioleta potente, e um comunicador spirit box. 

[Image: D_NQ_NP_645381-MLB72833473581_112023-O-s...ravar.webp]

Volte no local a noite e comece a investigacao paranormal e ligue uma camera do tipo gopro.....
Só Jesus salva, vá e não peques mais...
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#9
Curioso pela conclusão.
Se o machado está cego e sua lâmina não foi afiada, é preciso golpear com mais força. Agir com sabedoria assegura o sucesso. - Salomão em Eclesiastes 10.10.
Muito cara legal foi parar debaixo de uma ponte por causa de uma mulher. - Bukowski.
As maiores redpills ouvimos da boca de mulheres.
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