18-02-2016, 09:26 AM
(17-02-2016, 07:52 PM)Über Escreveu: É algo que venho pensando com certa constância. É inegável que o que chamamos de "amor" é despertado por interesses recíprocos: o homem vê algo de interessante na mulher e vice-versa. Geralmente a mulher olha no homem seu estado patrimonial e o homem olha na mulher sua beleza.
A pergunta que fica no ar é o seguinte: será que ao longo de anos de envolvimento o profano não acaba sendo expurgado à relação, dando espaço ao sagrado? Em outras palavras, amor genuíno, onde o que está em jogo é realmente o bem querer desembaraçado de qualquer interesse sectarista.
Acho que não seria capaz de abandonar uma mulher só porque ela engordou uns quilinhos. Academia e dietas estão aí para resolver o problema. Na verdade, o problema são essas mulheres que quando casam se acham no direito de se empanturrar de comida, engordar e sequer se dar o trabalho de corrigir esse defeito. Mesma coisa que o cara perder o emprego e ficar em casa coçando o saco, bebendo cerveja, comendo salgadinho e assistindo Sessão da Tarde.
Nem em casos extremos, como mutilações, seria capaz de abandonar uma mulher. Se acontecer, isso é um azar do caralho, mas acho que nesses casos a honra vale mais do que trocar por uma "mercadoria de melhor qualidade", embora eu ache que se a situação fosse comigo, o mesmo não ocorreria. Mas isso é achismo. Não tenho notícias de nenhum casal que tenha se separado por algo do tipo, até porque esse tipo de coisa é tabu na nossa sociedade.
O máximo que sei é do Stephen Hawking e parece que a primeira esposa dele largou dele porque não aguentou a barra, pelo que pude perceber do filme "A Teoria de Tudo", que inclusive teve dedo da própria.
Não dá para especular. Não é porque a maioria é corrupta que sucumbiremos à corrupção. O homem de verdade põe a honra acima de especulações emocionais.
Boa resposta, me permito comentar especialmente o negritado. Talvez, muito possivelmente na verdade, seja otimismo pensar que após anos de envolvimento o profano seja expurgado da relação. O que mais vejo são mulheres casadas há anos e que procuram homem fora de casa; as velhas desculpas: tédio, o marido não dá atenção, não come a mulher direito, etc. O que acontece é que as pessoas simplesmente se acostumam com o companheiro e se acomodam; o homem, para o bem ou para o mal, tem uma mulher, tem ali um sexozinho e a mulher tem seu provedor. Relaxam, se acomodam; tá tudo muito bem, então vamos levando assim. Afinal, é melhor do que morrer sozinho.
Adicione a isso o fato de que a maioria dos homens acha que o pau vai cair amanhã ou que vai mesmo falecer sem ninguém; aí se atira na primeira que aparece e o resultado nós já conhecemos bem.
A sua última colocação é interessante. O problema é que emoções não são racionais. Nós precisamos aprender a lidar com elas, mesmo que seja um processo difícil. Acredite, luto diariamente nesse sentido e posso garantir que a Real ajuda muito.
Quanto ao filme, nem assisti ainda mas pretendo. Acabei adotando a visão segundo a qual somos o que o outro precisa; de fato, o interesse move o mundo e esperar que se seja reconhecido e amado pelo que se é é um caminho rápido para chegar à depressão. Se a mulher do Hawking o chutou pela dificuldade dele, é até compreensível; ninguém precisa de um "problema"; mas o ser humano seria muito melhor se enxergasse o semelhante além do que os olhos podem ver.
Todos têm dificuldades, sejam físicas ou internas; a saída é buscar a melhora dos defeitos e não esperar que os outros nos compreendam ou auxiliem. Estou no caminho da evolução, espero crescer nesse particular. A revolta é semelhante a tomar ácido de bateria, não recomendo a ninguém.
"Primeiro vêm os sorrisos, depois as mentiras; por último, o tiroteio" - Roland de Gilead
