Alguns problemas do Estoicismo
Quando se fala de filosofias de vida e ideologias que são tóxicas e destrutivas, a gente logo se lembra de comunismo, progressismo, feminismo, nihilismo, ideologia de gênero, materialismo etc.
São ideologias que a gente já sabe que são nocivas pra sociedade e pra quem acredita nelas.
Qualquer ideologia que promove ideias não só contra a religião, mas contra os instintos de sobrevivência mais básico (aborto, eutanásia, auto-churrascamento etc) nós já sabemos que é lixo.
Tem coisa que é tão ruim e destrutiva que a gente já percebe logo.
Mas existem ideologias e filosofias de vida que tem coisas boas, então a gente demora a perceber alguns problemas que existem nela.
Uma dessas filosofias é o Estoicismo.
O Estoicismo diz que é bom ter uma vida mais frugal, e tentar fortalecer a mente pra nunca se abalar com nada etc.
E as pessoas que leêm livros do Estoicismo geralmente são mais conservadoras.
Até aí, muito bacana. Realmente, fortalecimento e frugalidade são coisas boas, e é mais saudável seguir filosofias de vida associadas ao conservadorismo e tradicionalismo do que as que são associadas ao progressismo, putaria etc.
Só que tem um problema:
Fazer essas coisas SEM fundamento religioso pode gerar infelicidade. O cara pode levar uma vida mais seca e amargurada, e ficar meio ressentido.
No começo, se o cara vive na putaria ou é viciado em drogas, e lê um Marco Aurélio, Epíteto etc. de repente até pode ser positivo. Mas é mais temporário.
Às vezes o cara lê um "Meditações" do Marco Aurélio e o "Manual de Vida" do Epiteto. Depois lê o "Provérbios" de Salomão e a biografia de alguns santos, e depois pensa:
"Livros bacanas que ensinam sabedoria e conduta de vida pra sociedade, etc"...
Marco Aurélio era um excelente imperador, muito sábio, tinha muito apreço pela vida espiritual etc. e Epiteto também era um sujeito bastante sábio etc.
Mas Salomão era um profeta, e dominava um monte de conhecimentos (arquitetura, estratégia militar, finanças etc) e ciências tradicionais (astrologia, curas etc) e tinha muito poder espiritual. Tinha inclusive autoridade sobre os demônios.
Provavelmente não precisava dormir e passava a noite rezando.
Não era apenas um "ótimo administrador", e nem apenas um cara muito sábio.
A função de profeta é diferente da função de imperador, de sábio etc.
Além disso, Marco Aurélio era um imperador e Epíteto era um escravo...
É bom ser honesto e pensar:
"No fundo, a biografia do Marco Aurélio é mais interessante do que a do Epíteto... E se TODOS os filósofos estoicos fossem escravos, eu provavelmente teria preconceito contra essa filosofia"...
Outro detalhe é a comparação desse pessoal com a vida de alguns santos.
Alguns leêm na biografia de St. Antão que ele foi um cara que renunciou ao mundo, e abandonou a sociedade etc.
E geralmente, param por aí.
Acontece que St. Antão do Deserto comia só pão e água e viveu por uns 105 anos com vigor. Ele não viveu com essa dieta porque ele leu livros estoicos e se inspirou neles, mas sim por ter recebido dom sobrenatural da Fortaleza.
Além disso, fazia um monte de milagres também, e fez milagres depois da morte. Ele era um santo com status parecido com o dos profetas, pelo alto nível espiritual dele e pelo papel que ele desempenhou na história da igreja, inspirando a vida monástica depois.
No meio estoico, nem se fala em milagres...
Há inclusive um trecho do "Meditações" de Marco Aurélio em que ele diz algo do tipo: "Não rezar pelas coisas que eu desejo, mas sim rezar para os Deuses tirarem o meu desejo pelas coisas que eu queria"...
Deus não atende todos os pedidos das pessoas, mas nem por isso é errado pedir coisas e acontecimentos...
Por esses motivos, o estoicismo tem alguns problemas, apesar de não parecer.