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Opinião alheia
#1
Opinião alheia
(Por Ice)

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Pergunta: Como parar de se importar com a opinião alheia? Como controlar o ego? 

Resposta: Parar de se importar com a opinião alheia é mais fácil, basta você prestar atenção na sua própria vida. O que tais pessoas acrescem à sua vida, quando você está com dificuldades, essas pessoas o ajudam? Pagam suas contas? Querem saber se você está bem ou mal para ajudar ou apenas para fofocar? Independente do que você faça ou deixe de fazer ou da opinião de outras pessoas, no final do mês quem paga suas contas?

Acho que pensar, refletir e meditar longamente sobre essas questões é o primeiro passo para parar de se importar.
Eu mesmo fiz isso, no momento em que eu comecei a prestar atenção ao fato de que as pessoas perguntam como você está, mas sequer esperam para ouvir a resposta e também para o fato de que no final do mês ninguém batia na minha porta perguntando se eu precisava de ajuda, me fez enxergar que a maioria das pessoas que nos cercam são irrelevantes em nossas vidas.

Então preocupe-se com quem é importante e foda-se o resto. Percebi que no final das contas, importa minha esposa, minha mãe, meu pai, meu sogro e minha sogra. Mesmo minhas irmãs tem seus próprios problemas e mesmo que se interessem pelos meus, são incapazes de ajudar.

Uma experiência pessoal:
Muita gente achou que a mudança que fiz foi um retrocesso. Alguns até se surpreenderam quando eu comuniquei meu estágio de vida atual. O problema é que tais pessoas não enxergam a longo prazo, não sabem o que almejo para minha vida e o motivo real que me levou a fazer as escolhas que fiz no atual momento. Mas o principal é: Por que se importar com quem não faz diferença para sua vida?

Sobre a 2ª pergunta:
Booooooa pergunta! Se descobrir a resposta, me comunique por favor, porque é algo que venho buscando incessantemente e até agora ainda me vejo refém do ego e vítima de suas trapaças.


Esse tópico faz parte do projeto Segunda das Relíquias perdidas.
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#2
Capítulo IV
O que um homem representa

[...]
Por conseguinte, uma justa comparação do valor daquilo que se é em e por si mesmo com o que se é aos olhos dos demais contribuirá muito à nossa felicidade. O primeiro termo da comparação compreende tudo que ocupa o tempo de nossa própria existência, o conteúdo íntimo desta e, portanto, todos os bens que temos examinado nos capítulos intitulados Aquilo que um homem é e Aquilo que um homem tem. Porque o lugar de onde se situa a esfera de atividade de tudo isso é a própria consciência do homem. Pelo contrário, o lugar de tudo o que somos para os demais é a consciência de outrem; é a figura pela qual nos aparecemos a ela, assim como as noções que a ela se referem. [1] Pois bem, essas são coisas que sem dúvida não existem diretamente para nós, mas apenas indiretamente, isto é, enquanto determinam a conduta dos demais para conosco. E isso mesmo não é levado em consideração senão enquanto influi sobre o que poderia modificar o que somos em e por nós mesmos. A parte isso, o que passa em uma consciência alheia nos é perfeitamente indiferente; e, por sua vez, nos faremos indiferentes na medida em que conhecermos bastante bem a superficialidade e a futilidade dos pensamentos, os limites estreitos das visões, a mesquinhez dos sentimentos, o absurdo das opiniões e o número de erros que se combina em quase todos os cérebros. Nos tornaremos indiferentes às opiniões dos outros quando, por nossa própria experiência, aprendermos com que desrespeito se fala em certas ocasiões de cada um de nós, assim que não houver motivo para receio, ou quando se crê que não o saberemos; mas, sobretudo, quando ouvirmos com que desdém meia dúzia de imbecis fala do homem mais distinto. Então compreenderemos que atribuir grande valor à opinião dos homens é honrá-los demasiado.[...]

[...]
Com efeito, o valor que concedemos à opinião alheia e nossa constante preocupação a esse respeito vão mais além do racional, de tal maneira que essa preocupação pode ser considerada como uma espécie de mania universalmente disseminada, ou melhor, inata. Em tudo que fazemos ou deixamos de fazer, consideramos a opinião dos demais quase como superior a tudo, e dessa preocupação vemos nascer, depois de um profundo exame, quase a metade dos tormentos e das angústias que temos sentido. Pois essa preocupação está na raiz de todo o nosso amor próprio — tantas vezes ferido devido à sua mórbida sensibilidade —, de todas as nossas vaidades e pretensões, como também no fundo de nossa suntuosidade e nossa ostentação. Sem essa preocupação, sem esse furor, o luxo não seria a décima parte do que é. Toda forma de orgulho, point d’honneur e puntiglio, de qualquer espécie que seja e a qualquer esfera que pertença, deve-se à opinião dos demais, e quanto sacrifício exige às vezes! Revela-se já na criança, logo em cada idade da vida, mas alcança toda a sua força na idade madura, pois nesta época, como a capacidade para os prazeres sensuais se esgotou, a vaidade e o orgulho não têm que compartilhar seu reino mais que com a avareza. Esse furor se observa mais nitidamente nos franceses, entre os quais reina endemicamente, manifestando-se às vezes pela ambição mais estúpida, pela vaidade nacional mais ridícula e pela fanfarronice mais desavergonhada.
[...]
[...]
O único meio de nos livrarmos dessa loucura universal seria reconhecê-la como tal e, assim, nos darmos conta muito claramente até que ponto a maioria das opiniões, no cérebro dos homens, são no mais das vezes falsas, errôneas e absurdas, sendo, pois, indignas de nossa consideração. Ademais, a opinião dos demais exerce pouca influência real sobre nós na maioria dos casos e das coisas. Ainda, tais opiniões são geralmente tão desfavoráveis que quase todos seriam tomados pela cólera se ouvissem tudo que dizem a seu respeito ou em que tom falam. Por fim, mesmo a honra não tem, propriamente, mais que um valor indireto, nunca direto. Se pudéssemos obter a cura dessa loucura universal, ganharíamos infinitamente em tranquilidade de ânimo e em contentamento, e adquiriríamos, ao mesmo tempo, um porte mais firme e seguro, muito mais solto e natural. A influência benéfica de uma vida reservada sobre nossa tranquilidade de alma e sobre nossa satisfação, em grande parte, deve-se ao fato de que nos retira a obrigação de viver constantemente diante do olhar dos demais e, por conseguinte, nos livra da incessante preocupação quanto à opinião que possam vir a ter; consequentemente, seu efeito faz o homem voltar a ser si mesmo. Similarmente, evitaremos muitas desgraças reais, às quais somos levados por aspirações puramente ideais ou, mais corretamente, por essa loucura deplorável. Também nos proporcionará a faculdade de prestar mais atenção aos bens reais, e desfrutá-los sem distrações. Mas, como dizem, χαλεπὰ τὰ καλά [aquilo que é nobre é difícil].
[...]

http://ateus.net/artigos/filosofia/afori...a-de-vida/
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