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[RELATO] Alcançando a vitória!
#1
Alcançando a vitória!
Tópico postado por TheShowOff no Fórum do Búfalo em 2014

[Image: download.jpg]

Olá nobres guerreiros, honrada confraria.

Hoje estou aqui, aproveitando a temática do desenvolvimento pessoal, para lhes escrever um relato motivador e prestar alguns agradecimentos.

Bom, depois que descobri a Real (e depois de ter largado mão de ser PUA) passei a compreender e aceitar que o foco de um homem deve ser sempre a busca por algo que o engrandeça como pessoa ou como espírito (caso isso lhe seja caro).

Sou de família pobre, mas não tão pobre, cresci no bairro mais barra pesada do meu município. Na escola em que estudei meu ensino fundamental era normal que professores fumassem dentro da sala e que crianças falassem sobre drogas e quanto faturaram as vendendo na noite anterior, declarando admiração por bandidões sanguinários etc. Meu pai sempre foi muito rígido comigo, e se não fosse por ele, estaria nessa vida juntamente com meus irmãos. Mesmo com as piores adversidades possíveis, meu pai criou cidadãos decentes. Depois, nos mudamos pra um bairro melhor.

Pouco tempo depois que terminei o Ensino Médio, a pressão de tomar logo um rumo na vida recaiu sobre mim, é óbvio, afinal nenhum pai quer sustentar um vagabundo desempregado dentro de casa. Minhas notas no ENEM não foram suficientes para conseguir uma vaga na faculdade e eu já não sabia o que fazer. Além disso não conseguia encontrar um emprego, todos exigiam experiência, cursos técnicos etc.

Eu fazia um curso na época, foi então que a coordenadora desse curso me indicou pra um emprego. Numa fabrica de produtos naturais, achei uma merda aquela porra, ficar das 07:00 ás 22:00 enroscando tampinha de garrafa NA MÃO, ainda mais sem carteira assinada, não era pra mim, larguei o trampo 2 dias depois.

Em casa, anunciei a todos o ocorrido e que iria usar o tempo a partir dali para estudar pra entrar na faculdade, concurso público, alguma coisa. Disse que não queria ficar em sub-emprego, que merecia mais do que aquilo... reconheço que foi leite com perice extrema, mas só expressei o que sentia sobre a situação, toquei o foda-se.

A reação dos meus familiares, obviamente, foi a pior possível. Me chamaram de vagabundo, falaram pra todo mundo que eu não gostava de trabalhar, que nunca mais ia arrumar outro emprego, tudo pela costas.

Passados alguns dias, meu pai veio conversar comigo, pediu para que eu voltasse na firma pra pedir o emprego de volta. Que eu tinha que começar por baixo, que precisava ajudar em casa... mesmo assim resisti. Então ele permitiu que eu seguisse meu caminho, iria me ajudar, mas se eu ficasse de vagabundagem ia me colocar pra trabalhar na roça arando café (quem me conhece sabe que DETESTO o campo). Aceitei.

Pouco depois, descobri que um concurso para o Banco do Brasil estava aberto e como finanças sempre foi minha vocação decidi fazê-lo. Banca FCC (teoricamente fácil), 60 questões, cadastro reserva... Fui com tudo. Recebi meus dias de trabalho da firma e consegui comprar um cursinho online, baratinho, uns R$150,00. Foi aí que abri aquele tópico aqui no fórum, deu aquele brigueiro todo com os libertários, um deles foi até banido.

Alguns dos libertários me zoaram porque escrevia mal e errado, que isso mostrava o nível dos "funças", mal sabem eles que os estudos pra concurso melhoraram, e muito, minha capacidade de escrita, interpretação e vocabulário.


Parte 2


Sigamos em frente. Conforme alguns confrades que acompanharam minha saga de 2 meses estudando sem parar observaram... não deu, reprovei. A nota de corte foi 48, consegui 47. Mesmo estudando de segunda a segunda, acordando às 07:00 e parando às 19:00, não deu. O curso de má qualidade que comprei e o pouco tempo que tive (uns 2 meses) haviam me prejudicado, principalmente em matemática, errei 5 de 10 questões.

A partir daí esperei o resultado, já previsto, estava desmotivado, sem querer continuar. Minhas irmãs (ambas estagnadas em sub empregos) falavam pra eu desistir, que concursos são comprados. Outros parentes filhos da puta simplesmente me humilharam, disseram que não ia conseguir porque era difícil de mais, outros colocaram na cabeça de minha mãe que eu fazia isso para enganá-los e que não estudava porra nenhuma, que se não arrumasse um emprego logo ia ficar velho de mais e sem experiência etc. Encontrei com um funcionário de banco que me disse pra desistir, que trabalhar em banco não era bom (posteriormente descobri que esse filho da puta recebeu ano passado $11.500,00 só em participação dos lucros)... estava muito deprê com isso tudo, me sentindo incapaz.

Foi aí que meu pai disse que eu precisava continuar, que ele mesmo já tinha passado fome pra me dar comida e que não tinha desistido de nada. Isso me motivou e me fez recobrar a consciência, olhei pra trás, analisei o que não tinha dado certo, descartei as coisas ruins, fiquei com as boas e bola pra frente.

A partir dali foquei totalmente meu objetivo de entrar em empresa pública. Pois minha família não tinha condições para pagar uma faculdade pra mim e tendo conhecimento que certas empresas públicas investem em seus funcionários, pagando a mensalidade de universidades, compreendi que era imprescindível para meu desenvolvimento profissional a longo prazo.

Logo após, encontrei um video na internet de um cara vendendo um cursinho preparatório para o concurso de uma delas, ele estava vendendo o curso do edital anterior, e quando saísse a banca organizadora iria começar um novo. Este concurso estava previsto para o início de 2014, estava em junho de 2013. Ou seja, todo o tempo necessário, coisa que não tive para o BB. Comprei esse curso e comecei a estudar em ritmo pesado, 5 horas por dia. Quando estava nas vésperas do edital eu radicalizei. Fechei facebook, não saí mais pra lugar nenhum pra me divertir... minha vida era assistir aulas, ler apostilas e o site da instituição, só.


Parte 3


Após algum tempo saiu a banca organizadora, todos ficaram com medinho e eu continuei firme e forte, focado, sem medo. Quando saiu o edital, aumentei o ritmo, estudava ainda mais.

Mesmo assim sentia muita insegurança, tinha medo de não passar, não sabia o que aconteceria. Minha cabeça estava quase explodindo, as vezes chorava antes de dormir, sonhava com o que aconteceria caso não passasse. Foi um periodo que levei minha mente ao limite da sanidade, sério, estava ficando meio doido, rs. Mas segui com os estudos sem pestanejar.

Aproximando da data da prova, fiz simulados, redações... as vezes os resultados eram animadores, as vezes não.

Por incrível que pareça, na hora da prova, enquanto todos estavam nervosos, eu estava tranquilo. Fiz a maior parte da prova rindo, poucas vezes fiquei com dúvidas em alguma questão, achei fácil.

Chegando em casa, todos estavam me esperando. Me perguntaram como foi e tal. Disse que fui bem. No outro dia saíram os gabaritos e constatei que fiz uma ótima pontuação, mas mesmo assim achei que tinha ficado reprovado por causa de uma merda que escrevi na redação. Fiquei meio desesperado, sofrendo por antecipação, saí até pra procurar emprego, tamanha era a minha insegurança.

Nos meses em que esperava o resultado ouvi de tudo, os filhos da puta diziam "GargalhadaGargalhada não disse? É impossivel, tem que ser muito inteligente." ou então "se você tivesse continuado no emprego já teria algum dinheiro e não estaria tão frustado", o mesmo parente filho da puta disse a minha mãe "dúvido que esse moleque passou", os únicos que acreditaram em mim desde o início foram meu pai e meu irmão mais velho.

Durante meus estudos, notava inclusive que muitos torciam para que eu falhasse e continuasse na merda, igual a eles. Quando falava que ia começar a trabalhar eles olhavam pra mim com desdém, comunicando que eu jamais conseguiria.

É... Só que não foi bem assim. Quando baixei a lista dos aprovados lá estava meu nome EM PRIMEIRO LUGAR, SON OF A BITCH!

Isso mesmo, dei um chute na cara de todos os filhos da puta que me zombaram e humilharam, meu sucesso os fez pagar por cada noite que chorei pensando em suas filhasdaputagens contra mim, esfreguei meu nome estampado no jornal de domingo na cara de cada um deles.

O trato dos meus familiares comigo mudou, e muito. Agora todos estão um doce, com risadinhas e tapinhas nas costas. Acham que me enganam.

Meu pai ficou visivelmente orgulhoso e feliz por mim, meu irmão também. Minha mãe chorou no dia, rs.

Agora entrarei na faculdade e serei o primeiro da família a ter curso universitário.

E assim trilho meu próprio caminho.

Agradeço principalmente à Real por tudo isso. Se não fosse as porradas na cara que levei do Doutrina, Silvio e tantos outros não estaria aqui hoje.

Particularmente agradeço aos confrades Sorine e Free Bird que responderam minhas MP's nos momentos em que eu estava mais inseguro.

Ao confrade Burt Reynolds que me deu muitas dicas, mensagens de motivação e apoio.

NUNCA DESISTAM! MUITOS VÃO TORCER PRA QUE VOCÊS CAIAM, MUITOS VÃO QUERER QUE VOCÊS FALHEM. GUERREIRO DA REAL NÃO ENTRA EM CAMPO PRA PERDER.

FAÇA POR VOCÊ.

DESENVOLVA-SE POR VOCÊ.


VOCÊ, é a peça fundamental de seu crescimento, nunca negligencie isso e o sucesso será seu. Essa é a Real. Tenha disciplina, resiliência, humildade para aprender e acima de tudo FORÇA PRA AGUENTAR AS PORRADAS DOS FILHOS DA PUTA ANTES DE CHEGAR A SUA VEZ DE BATER!

Força e honra.

Comentário do guardião:

A situação é quase sempre a mesma em qualquer lugar que você esteja, poucos te apoiando enquanto a maioria estará te tacando pedras. Por isso, não desanime quando isso acontecer contigo porque você não é o único. Não foi o primeiro a passar por isso e não será o último. Arregace as mangas e se apegue no que importa e continue em frente.

Um detalhe importante que ele comentou depois:

Citação:Muitos soltam aquele clichê "o impossivel está na sua cabeça, mimimi"... eu discordo, o impossivel está na cabeça DOS FILHOS DA PUTA FRACASSADOS que projetam suas inseguranças, medos e frustações em quem eles acham que tem potencial para ultrapassa-los. Contudo, saiba que somente o homem pode impor limites a si mesmo, no fim das contas quem toma a decisão é você.

Eu era chamado de mongol, fraco, feio e burro nos tempos de escola e consegui!

E se quer saber, em poucos meses estarei melhor na vida que TODOS os meus colegas de escola. TODOS ELES. Mas só porque fiz isso tudo pensando em mim somente.

Se você quiser ser grato a alguém seja a seus pais, pois foram eles que te limparam e abriram mão de conforto material para cria-lo.

Jamais desista. Estamos juntos nessa.

E é muito importante se lembrar quem era contra você antes do sucesso, pois eles fingirão ser seus amigos quando o sucesso vier, vão dizer que sempre acreditaram em você, mas quando tiverem oporunitades de apunhalarão pelas costas sem piedade. Saiba usar esse momento para filtrar quem realmente merece sua estima e quem só é um aproveitador barato.

Fica esse relato realista como exemplo de dedicação, esforço e confiança em si mesmo quando tudo parece que vai dar errado. E mesmo quando ele estava no auge do desespero, não abaixou a cabeça, continuou estudando mesmo desesperado. Outra lição importante que podemos tirar: "Se tiver passando pelo inferno, não pare!"

Isso tudo é só o começo da jornada dele pois um realista nunca para de se desenvolver e evoluir.

Este texto faz parte do projeto Segunda das Relíquias perdidas.
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#2
Meu nobre, que relato!

Em primeiro lugar, parabéns para o seu pai. Criar um filhos em um ambiente abarrotado de influências negativas? Isso sim que eu chamo de ser um homem de valor! Em segundo, seu irmão, por ter lhe apoiado durante todo o tempo.

Em seguida, parabéns para você pela sua perseverança. Tenho certeza que você se fortaleceu muito diante de todas às dificuldades e sua vitória seria questão de tempo.

E mais importante, serve de exemplo para todos os outros membros da Real, inclusive eu. Pois vinha estudando para o concurso do BB, mas acabei desanimando um pouco e comecei a procrastinar. Parabéns e ao mesmo tempo, muito obrigado! Você é um exemplo!
"Só o conhecimento liberta o homem, só através do conhecimento o homem é livre e em sendo livre: ele pode aspirar uma condição melhor de vida para ele e todos os seus semelhantes." - Dr. Enéas Carneiro





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