Avaliação do Tópico:
  • 2 Voto(s) - 5 em Média
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Ansiedade Antecipatória
#1
Os trechos abaixo foram retirados do livro "Em busca de um Sentido" de Viktor Frankl. Venho compartilhar essa ideia porque acho que tem tudo haver com a Real, principalmente na dificuldade em aplica-lá, e na ânsia que alguns demostram em relação ao desenvolvimento pessoal, que acaba gerando algumas atitudes que são forçadas, e isso, obviamente, é totalmente prejudicial para o homem, causando muitas vezes a tão falada "polarização", e também a total falta de humildade e estagnação. 

Já não é de hoje, que podemos notar que muitos Juvenas (e veteranos também) fazem alguns tópicos querendo pagar de malandrão e fodão, metedor da real, GdR ativo. Mas um olhar mais cuidadoso percebe que essa atitude perante a vida não passa de ansiedade e emulação de um comportamento incompatível com o individuo. Isso gera uma enorme gama de erros e confusões que acaba denegrindo a ideia do que seria a Real. Esse tópico foi criado para jogar novas perspectivas em relação ao desenvolvimento pessoal, e tentar concretizar a ideia de que humildade e paciência, principalmente para homens, tem um importância primordial. 


[Image: luiz02.jpg]


Citar: Escreveu:Viktor Emil Frankl (Viena, 26 de março de 1905 — Viena, 2 de setembro de 1997) foi um médico psiquiatra austríaco, fundador da escola da logoterapia, que explora o sentido existencial do indivíduo e a dimensão espiritual da existência. A obra de Frankl é relativamente pouco conhecida nos países de língua portuguesa e é comumente ignorada pelas principais correntes da psicanálise (como Sigmund Freud, Alfred Adler e Jacques Lacan).

De uma forma prática e simples assim diferenciava a Psicanálise da Logoterapia: Na psicanálise, o paciente tem de deitar-se num divã e contar coisas que, às vezes, são muito desagradáveis de serem contadas. Pois na logoterapia o paciente pode ficar sentado normalmente, mas tem de ouvir coisas que, às vezes, são muito desagradáveis de serem ouvidas.(in Sede Sentido, São Paulo: Quadrante, 1999).
(Wikipédia)


Citar: Escreveu:"Característico deste temor (ansiedade antecipatória) é que ele produz exatamente aquilo que o paciente teme. Assim, por exemplo, um indivíduo que está com medo de enrubescer ao entrar num salão e enfrentar muitas pessoas, de fato está mais propenso a enrubescer sob tais circunstâncias. Neste contexto poder-se-ia transpor o ditado "o desejo é o pai do pensamento" para "a angústia é a mãe do evento".



[Image: vergonha-wwwclubedafalacombr.jpg]



Por esse temor, com certeza todos já passaram, e passamos ainda em determinadas situações. Não é difícil de notar, que é uma coisa que atrapalha em qualquer ramo da vida. Como efeito colateral dessa ansiedade, acabamos paralisados, e perdemos a principal virtude masculina que é a coragem. Seja a coragem para pedir uma aumento merecido para aquela seu chefe pau no cu, seja coragem para terminar um relacionamento com um terrorista emocional, seja coragem para meter a real em algum amigo vagabundo, seja para chegar naquela baladeira submediana que vc está secando a noite inteira, seja a coragem para virar um cristão convicto, enfim, viramos uns covardes. E covardes não podem ser chamados de homem. 

Se os senhores repararem, esta é uma situação que NÓS MESMOS CRIAMOS. Ou seja, devido as expectativas antecipadas, e a covardia impregnada por anos de emasculação convicções erradas, criamos uma série de conjecturas pessimistas, temores, antes mesmo de estes se concretizarem. Tu nem fez o que pretende, mas já idealizou mil coisas que acha que vai acontecer. Isso é não viver o presente momento. Isso é ser um maldito COVARDÃO BUNDA MOLE!Isso me lembrou uma passagem do filme "Depois da Terra" do Will Smith, onde o personagem que ele interpreta, Cypher Raige é o cara mais fodão do universo. E ele só é tão fodão assim, pq vive o presente e não tem medos. Veja a fala dele sobre o medo: 

Citar: Escreveu:“O medo não é real. É um produto de ideias que você cria. Entenda bem... Perigo, é real. Mas o medo, é uma escolha.”



[Image: after-earth.jpg]

Apesar de o filme não ser lá essas coisas, essa frase me marcou e é a mais pura verdade.

Quando você fica com medo que alguma coisa POSSA VIR A ACONTECER, vc deixa de viver a presente, a realidade, e passa a viver em um mundo imaginário onde tudo já deu errado. Você acaba se concentrando tento em SI MESMO, que não consegue agir satisfatoriamente para ou perante as outras pessoas. 

Eu por exemplo, todas as vezes que me concentrei em demasia em querer parecer o fodão, sempre fui onde fracassei mais miseravelmente. Já nas vezes que me concentrei em fazer o trabalho bem feito, com cuidado e empenho, mas sem almejar nada em troca, foi onde tive os melhores resultados. Acredito que isso seja uma fato que todos aqui passam e já passaram. 

Não me entendam mal, uma certa de ansiedade, e frio na barriga é normal, sempre sentiremos em experiências novas e grandiosas que tivermos. O que eu falo aqui é do medo que te atrapalha de tentar coisas que fariam de vc um cara melhor. Muita gente, por exemplo, tem dificuldade de falar em público, eu também tinha, e mudei isso enfrentando o medo, e dando a cara a tapa. Bem, esse é um caminho conhecido por todos. Mas o que poucos falam é que a primeira coisa que vc deve fazer para melhorar em alguma coisa é admitir que vc é um fracassado naquilo hoje,e a partir disso, rir de si mesmo. Sim. Mas isso em hipótese alguma vai ser um motivo para vc não melhorar. Muito pelo contrário. 

CONTINUA
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

Responda-o
#2
Partindo da própria logoterapia de Viktor Frankl, o que ele fazia para tratar dos pacientes que tinham essa ansiedade antecipatória era algo que: 

Citar: Escreveu:"consiste numa inversão da atitude do paciente, uma vez que seu temor é substituído por um desejo paradoxal. Através deste tratamento tira-se o vento das velas da ansiedade. Semelhante procedimento, entretanto, precisa fazer uso da capacidade especificamente humana do auto-distanciamento, inerente a um certo senso de humor. Esta capacidade básica da pessoa distanciar-se de si mesma entra em ação sempre que se aplica a técnica logoterápica chamada"intenção paradoxal". Ao mesmo tempo, o paciente é capacitado a se colocar numa posição distanciada de sua própria neurose."

Colocando em miúdos, a recomendação é, por exemplo, se vc transpira muito na hora que fala em público, tu se concentra muito (hiperintenção) em não transpirar, e acaba fracassando. Porque o medo de alguma coisa gera justamente aquilo que temos medo. Em vez de se concentrar em não transpirar, vc deveria se concentrar em tentar transpirar ainda mais, e tirar um sarro de si mesmo perante o seu público (intenção paradoxal). Isso pode ser aplicado em qualquer área de ação. 

Eu mesmo tentei isso para dormir melhor e tive um bom resultado. Toda a noite eu tinha aquela preocupação em dormir rápido, por causa de recuperação da academia. Nisso acabava em horas e mais horas me revirando na cama. Fiz o proposto. Tentei ficar acordado em vez de tentar dormir. Bem, aí eu dormi muito mais rápido. No livro tem vários exemplos de como isso pode ser aplicado, vou citar um caso que achei interessante: 


Citar: Escreveu:"Caso semelhante, relacionado entretanto com a fala, não com a escrita, foi-me contado por um colega do setor de laringologia do Hospital Policlínico de Viena. Fora o mais grave caso de gagueira que ele vira em muitos anos de profissão. De acordo com a sua memória, nunca em sua vida o gago estivera livre de seu problema de fala, nem sequer por um momento, com uma única exceção. Esta ocorreu quando ele tinha doze anos, ao andar de bonde sem pagar passagem. Ao ser pego pelo cobrador, pensou que a única maneira de se safar seria a de conquistar a simpatia dele, e tratou de demonstrar que era um pobre menino gago. Mas no momento em que tentou gaguejar, foi incapaz de fazê-lo. Sem querer, ele pusera em prática a intenção paradoxal, embora não para fins terapêuticos."

A ansiedade antecipatória é causada principalmente pela nossa vontade de preservar o nosso ego e nossa imagem perante os outros. Temos medo do que os outros vão pensar sobre nós, e forçamos algumas atitudes para tentar passar aquilo que achamos que devemos ser. No momento em que vc simplesmente admite que é ruim em algumas coisas, que é meio nerdão, que tem vergonha, que transpira de mais, etc, e consegue rir de si mesmo, ai esse seu problema pode ser superado, pois vc se desfaz das amarras mentais que impedem que vc veja seu problema objetivamente, e assim, evolui. Claro que o estudo, prática e empenho são indispensáveis, mas isso é assunto para outro tópico. 


Citar: Escreveu:Ironicamente, da mesma forma como o medo faz acontecer aquilo de que se tem medo, uma intenção forçada torna impossível aquilo que se deseja muito. Esta intenção excessiva, ou "hiperintenção", como eu a chamaria, pode ser observada particularmente em casos de neurose sexual. Quanto mais um homem procura demonstrar sua potência sexual, ou quanto mais a mulher tenta mostrar a sua capacidade de experimentar o orgasmo, menos chances de sucesso terão. O prazer é e deve permanecer efeito colateral ou produto secundário; ele será anulado e comprometido na medida em que dele se fizer um objetivo em si mesmo."

[Image: 22602.36820-Vitinho-Sou-Foda.jpg]
Sou o pica das galaxias da real.


Esse é um fato que passa muitas vezes despercebido por nós. Sempre que temos a hiperintenção que sermos o melhor em alguma coisa, seja no sexo, em intelectualidade, desenvoltura, como participante aqui do Fórum, etc., é justamente quando passamos os maiores vexames. Maioria das brochadas tem como causa justamente esse comportamento. Você acaba se concentrando tento em ser o búfalo reprodutor, que acaba falhando. Ou seja, vc acaba se concentrando tanto em si mesmo, que esquece de viver a realidade. Outro exemplo é o caso de um ex colega aqui do fórum, que sempre quis pagar de mais malandrão e fodedor, mas não passava de um dos maiores manginas que já se teve notícia. 

Você não vai ser o fodão do dia para a noite. Isso leva tempo. Não adianta vc querer forçar isso. E mesmo se vc for o pica, mas querer passar a todo custo essa imagem, vc vai ser visto como um pau no cu. Ninguém gosta de gente assim, que vive para si mesmo, se endeusando. 

Ninguém quer saber (a não ser quando é diretamente perguntado) quantos livros vc já leu, em que emprego de status foda vc trabalha, com quantos kg vc agacha, qual carro vc dirige, quais países vc já visitou. As pessoas querem saber e te estimam pelas coisas boas que vc transmite. O quão pró-ativo vc é. O que vc tem de bom para oferecer, para melhorar a vida dos outros. Isso que importa. E as experiências que vc teve, como essas que eu listei acima, servem para vc ter mais discernimento na hr de passar uma mensagem construtiva para todos, e não pra vc ficar se gavando se achando o máximo, feito uma putinha louca por atenção e inflação de ego. Entendam isso. Somos homens caralho!

Citar: Escreveu:"assim que o paciente para de combater suas obsessões, procurando ridicularizá-las, tratando-as com atitude irônica, aplicando a intenção paradoxal, interrompe-se o circulo vicioso, o sintoma diminui e acaba atrofiando. Nos felizes casos em que não houver um vazio existencial propiciando o sintoma e convidando-o a se instalar, o paciente não só conseguirá ridicularizar o seu medo neurótico, mas, por fim, conseguirá ignorá-lo completamente.

Estamos vendo que a ansiedade antecipatória precisa ser combatida através da intenção paradoxal; à hiperintenção bem como à hiper-reflexão é preciso opor a desreflexão; desreflexão, em última análise, não é possível a não ser através de uma orientação do paciente para a sua vocação e missão específica na vida. 

(Esta convicção tem o apoio de ALLPORT, que escreveu: "Na medida em que o empenho é transferido do conflito para alvos fora da própria pessoa (selfless), a vida como um todo se torna mais sadia, mesmo que a neurose possivelmente jamais desapareça por completo." (Op. cit., p. 95))

Não é a preocupação do neurótico consigo mesmo, seja ela de comiseração ou de desprezo, que vai romper o círculo vicioso; a chave para a cura é a autotranscendência!

Viktor Frankl foi um CIENTISTA que tirou toda a sua teoria da vida real, na prática, em um campo de concentração. E ele chegou na conclusão que a cura para nossos problemas de neurose, vem daquilo que já é ensinado a mais de dois mil anos pelo cristianismo. Reparem que tudo que é sublime sempre é uma atitude voltada para fora de nós mesmos. Tudo que é sublime sempre converge para o que Jesus nos ensinou. 

Citar: Escreveu:E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. Porque, qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida, a salvará. (Lucas 9:23,24)
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

Responda-o
#3
Boa tarde confrade. Excelente tópico. Vou ler este livro pois o assunto é interessante e trata de um sentimento que vivemos frequentemente: ansiedade. Esse "sofrer por antecedência" consome um significativa parcela de nossa energia e nem sempre conseguimos lidar com isso da melhor forma.
Responda-o
#4
Chapolin, o livro não trata de ansiedade... ele apenas contou o caso de um paciente e (salvo engano) em 2 folhas resolveu um grande problema da humanidade.

O livro vai muito, muito, além disso ele trata do Sentido da Vida... e o melhor que ele acha, você não fica a ver navios, quero dizer ele achou o sentido dele, cada um por si.

É leitura obrigatória, ele coloca Freud no bolso e todos os pela saco junto.
"Há um amplo fosso de aleatoriedade e incerteza entre a criação de um grande romance – ou joia, ou cookies com pedaços de chocolate – e a presença de grandes pilhas desse romance – ou joia, ou sacos de biscoitos – nas vitrines de milhares de lojas. É por isso que as pessoas bem-sucedidas em todas as áreas quase sempre fazem parte de um certo conjunto – o conjunto das pessoas que não desistem." O andar do bêbado.
Responda-o
#5
(24-10-2016, 01:33 PM)Bean Escreveu: Chapolin, o livro não trata de ansiedade... ele apenas contou o caso de um paciente e (salvo engano) em 2 folhas resolveu um grande problema da humanidade.

O livro vai muito, muito, além disso ele trata do Sentido da Vida... e o melhor que ele acha, você não fica a ver navios, quero dizer ele achou o sentido dele, cada um por si.

É leitura obrigatória, ele coloca Freud no bolso e todos os pela saco junto.

Isso mesmo. 

O que eu usei aqui foi apenas UM RECORTE do universo que o livro abrange. Tem muito mais coisa que pode e deve ser retirada da leitura desse livro. Mudou minha forma de perceber e encarar a vida.
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

Responda-o
#6
(24-10-2016, 01:44 PM)Hércules Escreveu:
(24-10-2016, 01:33 PM)Bean Escreveu: Chapolin, o livro não trata de ansiedade... ele apenas contou o caso de um paciente e (salvo engano) em 2 folhas resolveu um grande problema da humanidade.

O livro vai muito, muito, além disso ele trata do Sentido da Vida... e o melhor que ele acha, você não fica a ver navios, quero dizer ele achou o sentido dele, cada um por si.

É leitura obrigatória, ele coloca Freud no bolso e todos os pela saco junto.

Isso mesmo. 

O que eu usei aqui foi apenas UM RECORTE do universo que o livro abrange. Tem muito mais coisa que pode e deve ser retirada da leitura desse livro. Mudou minha forma de perceber e encarar a vida.
Humm, interessante. Vou deixar de procrastinar e ler logo.
Responda-o
#7
caramba muito bom, excelente tópico. 

"A ansiedade antecipatória é causada principalmente pela nossa vontade de preservar o nosso ego e nossa imagem perante os outros. Temos medo do que os outros vão pensar sobre nós, e forçamos algumas atitudes para tentar passar aquilo que achamos que devemos ser. No momento em que vc simplesmente admite que é ruim em algumas coisas, que é meio nerdão, que tem vergonha, que transpira de mais, etc, e consegue rir de si mesmo, ai esse seu problema pode ser superado, pois vc se desfaz das amarras mentais que impedem que vc veja seu problema objetivamente, e assim, evolui.

Tenho que ler esse livro lembro que o Mandrake também havia o recomendando.
- A verdadeira liberdade está no domínio absoluto de si mesmo (Montaigne).





Responda-o
#8
Ótimo tópico confrade, muita coisa do que é falado aí tem várias teorias relacionadas a respeito, um dos caras que também diziam isso sobre aceitar a ansiedade e não se focar tanto dentro de você mesmo e viver no agora etc. é o Alan Watts(meu perfil) e achei interessante você ter dissertado sobre o assunto. 
 Uma única coisa que eu ainda não entendo é como que eu faço para combater o medo/ansiedade ridicularizando-os, e como você disse "aplicar a intenção paradoxal", eu ainda não entendo como posso conseguir fazer isso


Citação:"assim que o paciente para de combater suas obsessões, procurando ridicularizá-las, tratando-as com atitude irônica, aplicando a intenção paradoxal, interrompe-se o circulo vicioso, o sintoma diminui e acaba atrofiando. Nos felizes casos em que não houver um vazio existencial propiciando o sintoma e convidando-o a se instalar, o paciente não só conseguirá ridicularizar o seu medo neurótico, mas, por fim, conseguirá ignorá-lo completamente.
Responda-o
#9
Ansiedade antecipatória se curam com dois métodos (sim, eu já tive isso)

1. Convivência e relacionamento com pessoas e ver que elas tem defeitos piores que os seus.
2. Prática de exercícios físicos, trabalhos mentais e resolução de problemas. Satisfações corporais.

Isso é um finish him na ansiedade.

Quem sofre gravidade disso deve cortar a masturbação também, ela agrava a porcaria do distúrbio e ainda tira as suas energias.
The absence of virtue is claimed by despair






Responda-o
#10
(10-06-2018, 09:42 PM)Alan Watts Escreveu: Uma única coisa que eu ainda não entendo é como que eu faço para combater o medo/ansiedade ridicularizando-os, e como você disse "aplicar a intenção paradoxal", eu ainda não entendo como posso conseguir fazer isso

Por ex: Tenho uma apresentação pra fazer, mas estou me cagando de medo.

O que eu devo pensar? algo como: que tipo de homem eu sou que tem medo de falar por 15 minutos na frente de umas pessoas que eu vejo todos os dias e provavelmente são mais estúpidos que eu mesmo? que coisa mais ridicula.

exemplo 2: tem uma gata que eu quero muito, mas tenho medo de chegar;

o que eu devo pensar? algo como: não é atoa que não pego ninguém, estou com MEDO de CONVERSAR com uma mulher praticamente aleatória. Que droga de homem que eu sou?


Eu pelo menos fiz assim e deu certo, principalmente nessa questão de apresentação e tal, fiz exatamente isso.
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

Responda-o
#11
A propósito, leiam Viktor Frankl, esse livro é bom demais. Tem vendendo baratinho na estante virtual.

O que eu comecei a fazer sobre isso, foi sair da teoria e partir para a prática, comecei a me desafiar a conversar com pessoas aleatórias na ruas, puxava assunto com mendigos, bicheiros mal encarados, trocadoras de ônibus, caixas de supermercado, saí para praticar o que tinha aprendido com a teorização.

Depois que li o livro entendi a lógica da intenção paradoxal e posso dizer que isso tem fundamentação prática na vida.
Responda-o
#12
Lightbulb 
Ótimo tópico.
Responda-o
#13
Tópico muito bom!

Quero compartilhar um pequeno texto que me parece ter relação:

A questão da disciplina

A palavra “disciplina” já teve conotação positiva; relacionava-se com valor e era considerada uma aquisição indispensável para o desenvolvimento emocional das pessoas. Ultimamente, passou a ser associada a autoritarismo, a disciplina militar. Pais disciplinadores passaram a ser vistos como pessoas antiquadas, como quem não ama de verdade os filhos. Damos a certas palavras conotações de ordem moral e é comum não sabemos sequer o que elas realmente significam, como nesse caso.

“Disciplina” pode ser definida como a vitória da razão sobre as emoções. Não que devamos reprimir sempre as nossas emoções em nome da razão. As emoções são inerentes a nós. O ideal é que possamos cada vez mais aprender a lidar com elas, encontrando um equilíbrio adequado entre razões e emoções. Trata-se de uma conquista difícil, diretamente relacionada com a maturidade da pessoa. Muitas são as circunstâncias em que existe um antagonismo entre emoção e razão. Na criança vence a emoção, mas, com o crescimento, a razão deveria transformar-se em poder central das decisões. É uma pena que isso só ocorra a certo número de pessoas – fortes o suficiente para suportar a frustração relacionada com a renúncia.

Vamos a um exemplo esclarecedor que já foi usado por muitos autores. Quando, numa manhã fria e escura de inverno, o despertador toca, nos informando que é hora de levantar, passamos a viver um dos conflitos mais duros entre a razão – que nos lembra de nossos deveres – e a preguiça – emoção natural em nós e que se recusa à obediência. Das pessoas que se deixam vencer pela preguiça, pouco se pode esperar em termos de sucesso nas atividades relacionadas com o trabalho. Sabemos que este se distingue do lazer pelo caráter obrigatório, pelos compromissos que temos com outras pessoas e pelo rigor com que seremos julgados se não obtivermos resultados aceitáveis.

Se o compromisso estiver relacionado com o lazer, desde que não tenhamos combinado nada com ninguém, não levantar ofenderá “apenas” a nós mesmos, que nos avaliaremos como fracos. Não aprovaremos nossa conduta se tivermos faltado a um compromisso esportivo ou se tivermos perdido a hora para uma viagem de lazer. Isso nos fará mal, mas procuraremos nos enganar, dizendo que na próxima vez isso não vai acontecer. Se tivermos nos comprometido a acordar cedo para fazer algum tipo de ginástica e a preguiça nos vencer, não será nada bom para nossa autoestima, pois nos sentiremos “para baixo”. Poderemos fingir para os outros que estamos bem e que a cama estava uma delícia, mas não poderemos jamais enganar a nós mesmos; sabemos que fraquejamos e lamentaremos por isso.

Por outro lado, se o compromisso for com terceiros e envolver atividades profissionais importantes, os resultados objetivos serão catastróficos – além do prejuízo maior à autoestima. Caso um vendedor falte ao compromisso com seu cliente, talvez não seja perdoado e não tenha outra chance. O mesmo vale para o funcionário de uma empresa que sempre chega atrasado: acabará demitido, evidentemente. O médico que não comparecer aos compromissos com seus clientes será dispensado, e assim por diante. Além da ofensa à autoestima, esses profissionais sofrerão todo tipo de sanção objetiva, de modo que não terão dinheiro nem o respeito dos outros.

Inversamente, aqueles que se reconhecem capazes de ter uma razão vencedora, que domine as emoções em geral, se tornam cada vez mais fortes, à medida que acumulam sucessos nas disputas que travam com eles mesmos. E acabam por desenvolver um novo tipo de prazer, dos mais importantes para a nossa psicologia: o prazer de ser forte o suficiente para renunciar a um prazer imediato em favor de uma recompensa maior que virá em algum momento do futuro. Assim, a renúncia aos prazeres imediatos se transforma em um novo e maior tipo de prazer, o prazer da renúncia. Quem quiser dar certo no jogo da vida terá de se desenvolver até chegar a esse ponto de maturidade interior. Essas pessoas são capazes de dirigir a própria vida, pois deixam de ser escravas das emoções.

É preciso cautela, pois, à medida que a renúncia se transforma em fonte de prazer, ela pode passar a ser buscada de modo ativo e prejudicial. Orgulhar-se de ser capaz de fazer renúncias necessárias é coisa boa e ponderada. Entretanto, renúncias indevidas, buscadas apenas com o intuito de provocar a sensação de superioridade e de força extraordinária, são um excesso, algo que nos afasta do bom senso e já contém os sinais característicos dos vícios.

Flávio Gikovate “Os sentidos da vida”, p. 81-84

Link: http://flaviogikovate.com.br/a-questao-da-disciplina/
"Tudo o que te resta é o desenvolvimento pessoal." Mr. Rover 
Responda-o
#14
Interessante. Não conhecia esse termo " prazer da renúncia" mas eu acho que de uns tempos pra cá venho tendo esse comportamento. Nunca estive tão focado no treinamento (treinando 2x no dia, todos os dias), absolutamente não erro na dieta, e nos trabalhos é praticamente impossível eu faltar. É uma fonte de prazer grande poder dizer no final de cada semana, "eu não sai nenhuma momento do plano". Essa disciplina, pelo menos para mim, veio com um entendimento filosófico um pouco mais sofisticado e um pouco do legado dos meus antepassados. Recentemente me perguntaram "cara, como vc consegue?" eu simplesmente disse que eu lembro das histórias que meus tios, mãe contam do passado. A vida deles era muito mais miserável e sofrida que a minha, é uma desonra absoluta não conseguir pelo menos acordar as 5hr ir treinar. Basicamente isso e um entendimento estoico um pouco mais profundo que o normal, tendo total entendimento que a única coisa que temos controle absoluto nas nossas vidas é a nossa própria vontade.

Aliás eu acho que ensinar esse conhecimento filosófico estoico para as crianças (Epicteto, Marco Aurélio) desde a tenra idade, mudaria completamente o futuro da nação. Ensinar os jovens que os únicos responsáveis pela felicidade ou falta dela somos nós mesmos, que só podemos dominar a nossa vontade, nada mais, faria uma mudança nessa mentalidade esquerdista vitimista ao qual estamos imersos. Pretendo ensinar isso para meus filhos desde cedo, acredito que todos deveriam fazer isso também. Esse entendimento junto com o respeito ao sangue, legado e a tradição familiar pode criar seres humanos novos, de uma categoria muito superior, que vão ser exemplos disso aí, de disciplina, deixando de lado as emoções inúteis.
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

Responda-o
#15
(10-08-2018, 07:59 AM)Héracles Escreveu: Nunca estive tão focado no treinamento (treinando 2x no dia, todos os dias), absolutamente não erro na dieta, e nos trabalhos é praticamente impossível eu faltar. É uma fonte de prazer grande poder dizer no final de cada semana, "eu não sai nenhuma momento do plano". Essa disciplina, pelo menos para mim, veio com um entendimento filosófico um pouco mais sofisticado e um pouco do legado dos meus antepassados. Recentemente me perguntaram "cara, como vc consegue?" eu simplesmente disse que eu lembro das histórias que meus tios, mãe contam do passado. A vida deles era muito mais miserável e sofrida que a minha, é uma desonra absoluta não conseguir pelo menos acordar as 5hr ir treinar. Basicamente isso e um entendimento estoico um pouco mais profundo que o normal, tendo total entendimento que a única coisa que temos controle absoluto nas nossas vidas é a nossa própria vontade.

Estupendo.

Estamos numa era muito fácil, a sobrevivência está muito fácil. Temos alimentos e água facilmente à disposição, temos locais e abrigos livres de predadores e ameaças da natureza, temos todos os meios tecnológicos possíveis para nos desenvolvermos em todas as áreas, E MESMO ASSIM, NOS PERMITIMOS SER UNS CRETINOS IMPRESTÁVEIS SEM DISCIPLINA PARA FAZER COISAS SIMPLES QUE SÓ DEPENDEM DA PRÓPRIA FORÇA DE VONTADE, DISPOSIÇÃO E DA CAPACIDADE DE SUPORTAR DESCONFORTOS MÍNIMOS.

Em tempos remotos a preocupação seria pela sobrevivência. Num ambiente hostil e selvagem, com alimento conseguido a duras penas, a prioridade seria outra. E como aqui nessa esquizofrenia social tudo está muito fácil e livre dos problemas citados, aparentemente seria só aproveitar esse cenário e transferir o esforço brutal que seria destinado à sobrevivência num ambiente natural, para evoluir em outras áreas que melhoram o código genético e tudo ao redor.

Mas não, cagamos com tudo, nos acomodamos, e a maioria nem ao menos sabe dar valor ao fato de poder manter o insignificante rabo vivo por mais um tempo sem grandes esforços. No fim das contas esse é o próprio problema, a falta da brutalidade instintiva natural castra a raça humana.

Ainda vejo que tem muita coisa extra que eu poderia estar fazendo para evoluir, mas não estou, por falta de determinação. E a maioria do gado não estaria disposta nem ao menos a fazer 1/5 do que eu ja faço, o que seria um patamar deteriorante, a ponto de cavar a própria cova sem ver.

Começar a fazer algo não basta, é preciso manter uma constância por longos períodos e ativar o modo rolo compressor, pra esmagar qualquer merda superficial que nos segure na mediocridade.
"IT'S ALL ABOUT WORKING BODY, MIND AND SOUL" 

"Todo mundo tem um plano....Até tomar o primeiro soco"  M. Tyson
Responda-o
#16
Excelente topico, colocarei esse livro na minha prioridade de leitura.

Eu sempre fico rindo quando acontece essas coisas comigo, mas por não ter noção que isso funciona acaba que sempre acontece de novo. E se a situação for importante demais eu só deixo acontecer e tento não piorar. 

Aconteceu uma vez de brochar, a mulher riu e eu mandei:"enquanto eu tiver língua e dedo mulher nenhuma me mete medo". Depois de um tempo trabalhando, o gigante acordou mais uma vez.
Não ficou 100%, mas....
Spoiler Revelar
Memento Mori 

Responda-o
#17
Citação: "Sigmund Freud afirmou em certa ocasião: "Imaginemos que alguém coloca
determinado grupo de pessoas, bastante diversificado, numa mesma e uniforme
situação de fome. Com o aumento da necessidade imperativa da fome, todas as
diferenças individuais ficarão apagadas, e em seu lugar aparecerá a expressão
uniforme da mesma necessidade não satisfeita." Graças a Deus, Sigmund Freud
não precisou conhecer os campos de concentração do lado de dentro. Seus objetos
de estudo deitavam sobre divãs de pelúcia desenhados no estilo da cultura vitoriana,
e não na imundície de Auschwitz. Lá, as "diferenças individuais" não se "apagaram",
mas, ao contrário, as pessoas ficaram mais diferentes; os indivíduos retiraram suas
máscaras, tanto os porcos como os santos.'"

Cara, que postagem foda, já acompanho o teu blog, mas essa contribuição sobre a logoterapia foi de grande valia pra mim.
Terminei o livro agora e sempre tive meu pé atrás com a psicanálise, acho que em alguns casos o paciente sai mais complexado do que quando entra, pelo menos essa é a minha visão pessoal, pois boa parte dos psicanalistas são freudianos, poucos seguem Lacan e outras releituras psicanalíticas..
Só que a logoterapia parece algo mais realista, tem mais sentido e o objetivo é bem básico, sem muita complexidade como se da na psicanálise.
Responda-o
#18
Muito bom tópico, inclusive, por meio dele vi vários erros que cometi no passado e os larguei por razões outras *e alguns que continuo mantendo, como a procrastinação em algumas áreas da minha vida), mas esse tópico serviu para fortalecer minha vontade. Comprarei esse livro o quanto antes.
Responda-o
#19
Spoiler Revelar
Começar a fazer algo não basta, é preciso manter uma constância por longos períodos e ativar o modo rolo compressor, pra esmagar qualquer merda superficial que nos segure na mediocridade.
[/quote]

Eu sempre estou dizendo isso. A constância/regularidade é o que faz a diferença em tudo, seja nas finanças, na saúde, na academia/shape, etc.

As pessoas querem fazer um esforço muito grande (as vezes nem tão grande assim) em um curto período de tempo, geralmente não chegam ao objetivo almejado e acham que o problema foi o modus operandi.

Vejo isso diariamente.

Em Esparta os meninos (efebos) passavam por um processo de mortificação, os mais velhos, geralmente campeões olímpicos e que já haviam demonstrado bravura na guerra, faziam humilhações públicas (no agoge) aos efebos para que eles aprendessem a controlar suas emoções e sair dessas situações constrangedoras de forma digna e inteligente; diziam eles que a melhor forma de fazer isso era através do bom humor e da comicidade.

A verdade é que as pessoas há décadas veem sendo criadas para serem cretinos, covardes e autoindulgentes, sendo privadas conscientemente desde tenra idade de lidarem com suas frustrações. Creio eu que a dificuldade das pessoas em suplantar dificuldades - em parte - está na falta de prática de superar/lidar com as próprias frustrações e sentimentos derivados dela.
Spoiler Revelar
"Facts don't care about your fellings!"

Responda-o
#20
O livro "portões de fogo" está dando resultados eim @Trglodita Gargalhada Yaoming

É isso mesmo, a ansiedade é uma condição ENDÊMICA na sociedade atual. Todo mundo aqui conhece alguém ou até mesmo sofre com algum grau de ansiedade (não sei se deveria mesmo ser chamada de doença).

Ansiedade nada mais é do que muitas expectativas, muitos planos, muitos sonhos... mas pouca ação no mundo REAL. Isso cai naquilo que já é bem batido, da pessoa viver vendo a vida maravilhosa dos outros na tela de um celular estúpido, de ser criado desde a criança achando que é especial simplesmente por existir, achar que merece um trono de algodão doce com unicórnios dourados simplesmente pq fez o seu trabalho (normalmente muito mal feito) e por aí vai... resumindo, como dizem por aqui no meu trabalho: "tem muito cacique pra pouco índio hj em dia" é exatamente esse o problema.
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

Responda-o


Pular fórum:


Usuários visualizando este tópico: 1 Visitante(s)