26-06-2020, 09:32 PM
(Esta publicação foi modificada pela última vez: 28-06-2020, 01:18 AM por Libertador.)
(20-06-2020, 08:40 PM)Daredevil Escreveu: Primeiramente, peço desculpas por não ter conseguido falar acerca do livro antes (tendo em vista que falei bastante do livro nas últimas votações). Estava trabalhando muito, e nos últimos dias, tive febre, vindo a descobrir que estou com a covid-19 (não só eu, mas esposa e filho). Nem se quisesse, eu conseguiria pegar um livro para ler nos últimos dias. Como hoje posso, comecemos.
Melhoras para você e sua família. Espero que se recuperem bem.
(20-06-2020, 08:40 PM)Daredevil Escreveu: Trata-se de uma das poucas pessoas que atingiu os ideais platônicos, sendo bem-sucedido como filósofo e como chefe de Estado, algo em que nem o próprio Platão lograria êxito na tentativa.
Cássio Dião, um historiador da época, relatou o seguinte acerca do imperador: “Marco não encontrou a boa sorte que merecia, pois ele não era dotado de um físico vigoroso e se viu envolvido em um turbilhão de problemas durante praticamente todo o seu reinado. Mas, na parte que me toca, eu o admiro ainda mais por essa razão, já que, em meio a dificuldades incomuns e extraordinárias ele conseguiu sobreviver e preservar o império.”
Pelo que entendi ele não era um filosofo no termo que eu conheço da palavra. Eu sempre imaginei como alguém teórico. Mas, ele era alguém que vivia na prática essa filosofia estoica, um praticante acima de tudo, então suas reflexões acabam sendo um relato prático de alguém que passava por essas situações e se desenvolvia com elas em vez de criar situações mentais na cabeça e procurar respostas e depois escrever um texto em um fórum de internet querendo ensinar os outros sobre algo que não vivenciou a fundo.
Outro ponto é que ele estava mais preocupado em ensinar para si mesmo, diferente de muitos juvenas que chegam aqui sem uma vida prática, sem buscar praticar primeiro em si mesmos o que leram e ainda querendo dar lição de moral nos outros de coisas que eles sequer viveram.
(20-06-2020, 08:40 PM)Daredevil Escreveu: O relato do historiador é importante em nossa análise, nos lembra que a vida não é uma estrada sem curvas e bem pavimentada, mas esburacada e sinuosa. A vida que temos em mente e a vida que temos que encarar na realidade são coisas distintas, esteja preparado para quando as coisas não saírem como o planejado.
Pois é, os próprios intempéries que o tornaram mais forte e admirável. Duvido muito que ele teria tais reflexões elevadas consigo mesmo se em vez de imperador do maior império da terra naquela época, tivesse um oficio mais simples e afastado de grandes responsabilidades.
(20-06-2020, 08:40 PM)Daredevil Escreveu: Da mãe, aprendeu a abstinência dos maus atos, e não só isso, como dos maus pensamentos. Mais importante: a simplicidade no modo de vida, bem distante dos hábitos dos ricos. Mesmo sendo o líder do maior Império que já existira, Marco Aurélio buscava uma vida de simplicidade, livre de vaidades e ostentações. A mim não me agrada pensar em passar a maior parte do tempo tentando obter riquezas, mas ser uma pessoa justa e simples com as demais.
Me impressiona também o fato de alguém que cresceu cercado por todo o luxo, devassidão, vícios e imoralidade da cúpula do poder não ter sido seduzido por todo esse brilho. Não queria ostentar e se aparecer aos outros, buscava a simplicidade como estilo de vida.
Essa ideia de ter uma vida simples e abnegada, longe de vícios me parece ser bem mais saudável tanto fisicamente, mentalmente quanto espiritualmente.
(20-06-2020, 08:40 PM)Daredevil Escreveu: Quando se fala sobre não se intitular um homem que domina suas próprias paixões, acredito que Marco Aurélio queria dizer que mesmo ele, um estoico com amplo domínio das emoções, estaria sujeito a se perder nos prazeres mundanos. Por isso, não se gaba disso, o que por si só seria um erro em sua perspectiva. Quantos aqui no fórum, veteranos, com anos de casa, já não repetiram os erros mais comuns que os homens cometem em um relacionamento?
Nem me fale, é uma decepção toda vez que vejo alguém com anos de real fazer uma atitude vergonhosa como se fosse um juvena. Acredito que o próprio fato de achar que conhecer a real o torna superior e mais imune do que os matrixianos acaba baixando a guarda deles e abrindo brecha para cometerem erros graves.
Lendo o livro de estudo anterior, A Lei, um ponto interessante que o autor aborda é o fato dos governantes se acharem acima da massa, como uma espécie de iluminados, quase como divinos, merecedores de todo o luxo, direitos e benefícios, que não precisam se submeter as mesmas regras e leis que os simples mortais que eles governam e com inteligência para decidir como todos devem viver por os considerarem incapazes de decidirem sozinhos. Uma espécie de semi-deuses acima do povo comum.
Que contraste com o pensamento de Marco Aurelio, que como disse o Hércules, se via como alguém beneficiado pela providência (destino) e não melhor que os outros, mas alguém colocado em uma posição em que poderia ajudar a nação, se considerando como o maior servo do império romano, e administrá-lo era pra ele um dever e uma missão. Se via como você disse "sujeito a se perder nos prazeres mundanos", ou seja, não se via como alguém iluminado e especial que não estava sujeito aos mesmos erros que todos os outros.
E olha que ele era o imperador do maior império da terra, tinha tudo para se achar o cara, enquanto um simples ministro do STF de um dos vários países da terra se acha uma espécie de divindade aqui que não pode sequer ser criticado.
“A maior necessidade do mundo é a de homens — homens que se não comprem nem se vendam; homens que, no íntimo de seu coração, sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” Educação, Pág 57.
