22-06-2019, 12:17 AM
Hoje no meu dia sentei em um banheiro para fazer as necessidades e peguei uma revista Época para ler.
Virando as páginas... socialismo... socialismo... mais socialismo... Bolsonaro é ruim... Moro é mau... Lula é um santo(de maneira camuflada)... socialismo... até que cheguei numa página sobre a, agora velha, notícia do Neymar e quis dar uma lidinha.
A revista é super bacana, ouviu opiniões imparciais de algumas mulheres, olha só algumas:
Thaise Albino
24 anos, moradora da favela do Parque Royal, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio
“ Ainda precisamos garantir que a vítima tenha todo o suporte, mas esse episódio provou que a questão do consentimento ainda é de difícil compreensão. As pessoas não entendem que depois do ‘não’ já é estupro, algo que vem desde a nossa dificuldade de discutir esse assunto nas escolas, de falar sobre educação sexual e de dar espaço para uma melhor abordagem. Também ficou claro que a intimidade da mulher ainda não é respeitada. Os prints postados por Neymar não provam nada e só serviram para expor uma mulher que também tem família, é mãe e deve ser respeitada. É preocupante pensar que uma mulher inventou algo tão sério, sendo que até agora ela foi a única realmente prejudicada ”
Valquiria Menezes
20 anos, estudante de design na Escola de Belas Artes da UFRJ
“Najila só foi entrevistada por homens e as perguntas sempre iam na linha do ‘Você realmente fez?’, sem levar em conta que a mulher está sensibilizada e já bastante exposta. Foi possível enxergar, mais do que nunca, como a cultura do estupro age no dia a dia. Em lugar de ficarmos chocados, fazemos piada. Devemos lembrar que Neymar tem tudo a sua disposição: fama, dinheiro, milhões de seguidores e os melhores advogados, coisa que ela não tem. Ficou claro que o discurso da ‘mulher interesseira’, que ‘fez porque quis’ ou ‘que mereceu’ ainda ganha em nosso país. O grande problema é conseguirmos atingir outras bolhas e dizer que o estupro deve ser combatido”
Marta Suplicy
74 anos, sexóloga, ex-ministra e ex-senadora por São Paulo
“O caso Mike Tyson foi a primeira vez que vimos, com muita clareza, que o direito da mulher de dizer ‘não’ deve ser respeitado. O caso Neymar também evidencia isso. Não importa se ele pagou a passagem ou não, se ela se insinuou ou não. Não é sempre não. Muita gente está dando razão à moça e está muito indignada. Se isso tivesse acontecido antes do #MeToo, ela seria tratada como sem- vergonha oferecida. Mas agora vejo que as pessoas estão realmente pensando. Esse episódio é um teste para saber se estamos progredindo e já conseguimos não acusar sempre a mulher, apesar de a sociedade continuar extremamente machista”
Andreza Delgado
23 anos, feminista negra e antipunitivista, fundadora da PerifaCon, a Comic Con das favelas
“As pessoas têm dificuldade de entender o que é um estupro. Acham que mulheres só são estupradas em becos escuros por desconhecidos. Mas, na verdade, o estuprador pode ser o marido, o companheiro, o amigo, o irmão, o pai. O caso também ilustra a dificuldade de entender quando uma relação que começou consensual se torna abusiva. É notável a falta de apoio a Najila. O caso permite que se discutam temas espinhosos, como a cultura do estupro. Essas discussões são mérito do fortalecimento do feminismo”
Virando as páginas... socialismo... socialismo... mais socialismo... Bolsonaro é ruim... Moro é mau... Lula é um santo(de maneira camuflada)... socialismo... até que cheguei numa página sobre a, agora velha, notícia do Neymar e quis dar uma lidinha.
A revista é super bacana, ouviu opiniões imparciais de algumas mulheres, olha só algumas:
Thaise Albino
24 anos, moradora da favela do Parque Royal, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio
“ Ainda precisamos garantir que a vítima tenha todo o suporte, mas esse episódio provou que a questão do consentimento ainda é de difícil compreensão. As pessoas não entendem que depois do ‘não’ já é estupro, algo que vem desde a nossa dificuldade de discutir esse assunto nas escolas, de falar sobre educação sexual e de dar espaço para uma melhor abordagem. Também ficou claro que a intimidade da mulher ainda não é respeitada. Os prints postados por Neymar não provam nada e só serviram para expor uma mulher que também tem família, é mãe e deve ser respeitada. É preocupante pensar que uma mulher inventou algo tão sério, sendo que até agora ela foi a única realmente prejudicada ”
Valquiria Menezes
20 anos, estudante de design na Escola de Belas Artes da UFRJ
“Najila só foi entrevistada por homens e as perguntas sempre iam na linha do ‘Você realmente fez?’, sem levar em conta que a mulher está sensibilizada e já bastante exposta. Foi possível enxergar, mais do que nunca, como a cultura do estupro age no dia a dia. Em lugar de ficarmos chocados, fazemos piada. Devemos lembrar que Neymar tem tudo a sua disposição: fama, dinheiro, milhões de seguidores e os melhores advogados, coisa que ela não tem. Ficou claro que o discurso da ‘mulher interesseira’, que ‘fez porque quis’ ou ‘que mereceu’ ainda ganha em nosso país. O grande problema é conseguirmos atingir outras bolhas e dizer que o estupro deve ser combatido”
Marta Suplicy
74 anos, sexóloga, ex-ministra e ex-senadora por São Paulo
“O caso Mike Tyson foi a primeira vez que vimos, com muita clareza, que o direito da mulher de dizer ‘não’ deve ser respeitado. O caso Neymar também evidencia isso. Não importa se ele pagou a passagem ou não, se ela se insinuou ou não. Não é sempre não. Muita gente está dando razão à moça e está muito indignada. Se isso tivesse acontecido antes do #MeToo, ela seria tratada como sem- vergonha oferecida. Mas agora vejo que as pessoas estão realmente pensando. Esse episódio é um teste para saber se estamos progredindo e já conseguimos não acusar sempre a mulher, apesar de a sociedade continuar extremamente machista”
Andreza Delgado
23 anos, feminista negra e antipunitivista, fundadora da PerifaCon, a Comic Con das favelas
“As pessoas têm dificuldade de entender o que é um estupro. Acham que mulheres só são estupradas em becos escuros por desconhecidos. Mas, na verdade, o estuprador pode ser o marido, o companheiro, o amigo, o irmão, o pai. O caso também ilustra a dificuldade de entender quando uma relação que começou consensual se torna abusiva. É notável a falta de apoio a Najila. O caso permite que se discutam temas espinhosos, como a cultura do estupro. Essas discussões são mérito do fortalecimento do feminismo”
