20-06-2018, 03:38 PM
Sobre esta situação, concordo com a analise do Filipe G. Martins, reproduzo-o abaixo:
Minha geração chegou à adolescência no momento em que as redes sociais estavam se popularizando e, por isso, acabou se acostumando a tratar a exposição como algo comum e banal, quando não como algo desejável e necessário.
Informações pessoais, opiniões e comentários sobre quase tudo, fotos de tudo quanto é coisa e vídeos de momentos íntimos são jogados, aos terabytes, em espaços virtuais acessíveis a estranhos de todos os tipos — decentes e indecentes, sãos e insanos, bem-intencionados e mal-intencionados — e ninguém parece se preocupar muito com isso.
O problema é que como qualquer outra escolha, a de escancarar nossas vidas a estranhos na internet também tem consequências.
Vejam o caso dos moleques brasileiros que se filmaram fazendo umas gracinhas com meninas russas. Se tivessem feito o que fizeram apenas para se divertir, por mais escrotos que fossem, provavelmente teriam conseguido uma história para contar para os amigos e não teriam causado nenhum dano à imagem das meninas e principalmente a deles próprios, evitando qualquer tipo de dor de cabeça. Se fossem capazes de se divertir sem buscar os aplausos (e os likes) de pessoas que eles sequer conhecem, não estariam enfrentando consequências que podem afetar suas carreiras e lhes tirar a paz por um bom tempo.
Notem que não aprovo o que eles fizeram. Foi uma brincadeira tosca, infantil e sem graça e não há apologia do politicamente incorreto que mude isso. Ainda assim, o que eles fizeram foi apenas isto, uma brincadeira, e é bizarro que alguém se valha dela para ostentar virtudes numa rede social. Eu já fiz coisas bem piores quando era mais novo e dou graças a Deus por nunca ter sido burro o suficiente para registrar essas coisas em vídeo, mas eles foram, e é aí que mora o problema. Ao escolher buscar a aprovação de uma platéia virtual, eles acabaram por se submeter também à possibilidade de desaprovação e do merecido esculacho.
É claro que é desproporcional querer destruir a vida dos moleques por uma piada sem graça e desrespeitosa, como querem os justiceiros sociais, mas foram eles próprios que buscaram isso e nós temos que parar com a mania de usar o discurso do politicamente incorreto para isentar as pessoas de suas responsabilidades. Ao que consta, a decência, a hombridade, o auto-controle e a discrição não são politicamente corretas.
Portanto, se minha geração não quer aprender a se divertir, a comer, a festejar e a fazer o que quer que seja sem criar um rastro de selfies, posts e stories, terá ao menos que aprender a lidar com essa nova realidade, a arcar com as consequências de suas escolhas e a exercitar sua liberdade com responsabilidade. "Boys will be boys", é bem verdade, mas homens só serão homens com um mínimo de responsabilidade, comedimento e decência.
P.S.: Se não ficou claro, "moleque" é utilizado aqui na acepção mais pejorativa possível para um homem adulto.
Minha geração chegou à adolescência no momento em que as redes sociais estavam se popularizando e, por isso, acabou se acostumando a tratar a exposição como algo comum e banal, quando não como algo desejável e necessário.
Informações pessoais, opiniões e comentários sobre quase tudo, fotos de tudo quanto é coisa e vídeos de momentos íntimos são jogados, aos terabytes, em espaços virtuais acessíveis a estranhos de todos os tipos — decentes e indecentes, sãos e insanos, bem-intencionados e mal-intencionados — e ninguém parece se preocupar muito com isso.
O problema é que como qualquer outra escolha, a de escancarar nossas vidas a estranhos na internet também tem consequências.
Vejam o caso dos moleques brasileiros que se filmaram fazendo umas gracinhas com meninas russas. Se tivessem feito o que fizeram apenas para se divertir, por mais escrotos que fossem, provavelmente teriam conseguido uma história para contar para os amigos e não teriam causado nenhum dano à imagem das meninas e principalmente a deles próprios, evitando qualquer tipo de dor de cabeça. Se fossem capazes de se divertir sem buscar os aplausos (e os likes) de pessoas que eles sequer conhecem, não estariam enfrentando consequências que podem afetar suas carreiras e lhes tirar a paz por um bom tempo.
Notem que não aprovo o que eles fizeram. Foi uma brincadeira tosca, infantil e sem graça e não há apologia do politicamente incorreto que mude isso. Ainda assim, o que eles fizeram foi apenas isto, uma brincadeira, e é bizarro que alguém se valha dela para ostentar virtudes numa rede social. Eu já fiz coisas bem piores quando era mais novo e dou graças a Deus por nunca ter sido burro o suficiente para registrar essas coisas em vídeo, mas eles foram, e é aí que mora o problema. Ao escolher buscar a aprovação de uma platéia virtual, eles acabaram por se submeter também à possibilidade de desaprovação e do merecido esculacho.
É claro que é desproporcional querer destruir a vida dos moleques por uma piada sem graça e desrespeitosa, como querem os justiceiros sociais, mas foram eles próprios que buscaram isso e nós temos que parar com a mania de usar o discurso do politicamente incorreto para isentar as pessoas de suas responsabilidades. Ao que consta, a decência, a hombridade, o auto-controle e a discrição não são politicamente corretas.
Portanto, se minha geração não quer aprender a se divertir, a comer, a festejar e a fazer o que quer que seja sem criar um rastro de selfies, posts e stories, terá ao menos que aprender a lidar com essa nova realidade, a arcar com as consequências de suas escolhas e a exercitar sua liberdade com responsabilidade. "Boys will be boys", é bem verdade, mas homens só serão homens com um mínimo de responsabilidade, comedimento e decência.
P.S.: Se não ficou claro, "moleque" é utilizado aqui na acepção mais pejorativa possível para um homem adulto.
