06-11-2016, 10:22 PM
(Esta publicação foi modificada pela última vez: 08-12-2016, 10:51 AM por Libertador.)
(06-11-2016, 03:53 AM)OldMan Escreveu: Relato muito bom, mas ficaram algumas dúvidas:
- Não seria interessante ter tentado com a família do cara algum emprego ou coisa do tipo pra vc trabalhar? Lá nos EUA ou até aqui no Brasil. Vc poderia ter conversado sobre isso com o pai do seu amigo, o tal ex militar ou com o avô que vc fez amizade. Sabe, ele não tem sucessor, mas talvez precise de um administrador, vc parece ter o perfil.
Oldman, eu procurei resumir o relato porque estava ficando muito grande. Mas vou esclarecer pra você esses pontos pertinentes. Vai ficar um pouco grande.
Esse ex-militar é casado com a mãe do Felipe, e ela é filha do velho. Eu não entendo porque eles não se envolvem em nada nos negócios, talvez porque a filha e os netos tem um cartão ilimitado para gastar. Que motivação teriam para investir e ajudar a administrar? E o marido dela é Promotor de Justiça, não se envolve porque tem a vida própria dele, mas usufrui do dinheiro farto disponivel.
Mas curiosamente o Felipe e a mãe, vivem entrando em negócios fajutos de marketing multinível (pirâmides), como Herbalife e um novo chamado jeunesse que o Felipe me mandou um convite nesses dias. Mas gerenciar negócios sólidos e lidar com funcionários, eles não querem. O Felipe falava sempre lá nos EUA de que ia provar para o avô dele de que também era capaz de fazer um negócio dar certo, mas não conseguiu.
Administradores, o avô do Felipe tem, e alguns são muito bons, mas quando ele morrer, a família não vai conseguir manter porque não estão a par dos negócios. Não acompanham o dia a dia, a família nem sabe direito como as coisas funcionam. Eles só ficam dando palpites de fora. Se o Felipe ou o avô dele me chamassem para administrar algum negócio sólido da família e ficar com uma parte, mesmo que pequena dos lucros, eu aceitaria, com certeza.
A impressão que eu tenho é que os filhos e os netos dele tem a ilusão de achar que o império vai ser eterno, que o dinheiro nunca vai acabar. Por isso não se preocupam com nada.
Eu pensei seriamente em tentar o negócio com o Felipe aqui no Brasil, quando fui para lá, o avô dele disponibilizou uma loja pra gente dentro do shopping sem precisarmos pagar o aluguel até ela dar lucro, e faria a compra do estoque inicial de cerca de 5 mil dólares direto dos fornecedores dos judeus, só ia ajudar com isso, o resto era com a gente. Pensei em aceitar e começar o negócio com o Felipe lá no centro dessa cidade do interior de São Paulo. E arrumar algum emprego para conseguir pagar um aluguel e minha alimentação enquanto a empresa estivesse começando.
Mas sinceramente eu acho que iria acontecer o seguinte:
O negócio iria começar e obviamente o Felipe iria desanimar e desistir nos primeiros meses, pois o lucro não vem de imediato, é necessário tempo, dedicação e persistência para o negócio começar a gerar dividendos o avô dele repetia isso o tempo todo para ele. Mas ele é muito imediatista, não aguenta esperar, além de desanimar rapidamente, ele larga tudo como se não valesse nada, e já quer começar outro projeto, pois prejuízo de alguns milhares de reais não faz diferença para ele, mas para mim faz, e faz muita diferença. Depois que ele saísse, iriam querer que eu pagasse a metade dos custos dos produtos e da construção da loja, e eu iria ficar com a loja toda sozinho, o que seria bom, mas eu não teria dinheiro para isso, e ficaria com essa dívida pendente, o avô dele iria começar a me cobrar aluguel quando o Felipe desistisse do negócio, afinal, não tinha mais porque eu ficar em um shopping movimentado como aquele sem pagar o aluguel. Eles não me devem favor nenhum. Eu não conseguiria pagar o aluguel em um lugar caro como aquele e teria que mudar de ponto e reconquistar os clientes.
E o Felipe já tinha feito isso comigo duas vezes em dois negócios promissores nos EUA, como relatei durante as postagens anteriores. Além disso tudo, ainda tem a espertinha da namorada que faz a cabeça dele com uma facilidade imensa, e ela não foi muito com a minha cara, então eu teria que tomar cuidado para ela não fazer a cabeça dele contra mim por algum motivo. Então tinha muitas variáveis contra mim e eu não estava disposto a ficar a mercê da fraqueza dos outros.
E uma coisa que eu conversei com o avô dele, mexeu muito comigo e me influenciou a não começar o negócio. Eu sempre acreditei que fazer concursos públicos era abrir mão de ter muito dinheiro um dia. Ou eu escolhia ser rico, ou eu escolhia ser concursado. Ou um, ou outro. Eu pensava também que para enriquecer eu precisava de ter uma boa sacada e muito dinheiro para investir nela. Mas o avô dele me contou como começou a vida e como ele construiu o império sozinho e isso mudou muitas crenças minhas.
Vou relatar aqui:
A História do Avô!
![[Image: an-old-man-655108-m.jpg]](http://www.sxc.hu/assets/16/151181/an-old-man-655108-m.jpg)
Vou contar da forma que ele me contou, obviamente, não vou lembrar de tudo:
Ele era caipira, morava em uma fazenda bem no interior com a família e os irmãos, eles eram bem pobres. Um dia, quando ele tinha 14 anos, ele chegou a conclusão de que ele e a família precisavam ter um futuro melhor, e nunca conseguiriam isso se ficassem lá na roça. Conversou com os pais que deveriam para a cidade grande para tentar um futuro melhor para ele e para toda a família. O pai dele achou um absurdo, que ele estava sendo ingrato e desrespeitoso, ficou irado e disse que se ele saísse de casa, nunca mais deveria voltar, não seria mais considerado filho dele. Mesmo assim ele foi para a cidade grande. Demorou muitos anos para fazer as pazes com o pai.
Ao chegar lá, ele conseguiu um trabalho em uma oficina de carros, trabalhava o dia todo limpando as coisas, só para ter o direito a comer e a dormir. Ficou anos fazendo isso. Até que o dono decidiu pagar um salário para ele, era pouco, mas ele usou esse dinheiro para voltar a estudar e se empenhou bastante nisso, pois sabia que era ali que encontraria o seu futuro melhor. Depois de alguns anos, ele concluiu o ensino médio, e estudou para concursos, passou para o concurso do Banco do Brasil.
Com o dinheiro que ganhava, começou a trazer um por um dos irmãos e a mandar dinheiro para ajudar a família que ainda estava morando na roça. Foi juntando dinheiro e investindo. Um dia descobriu um fornecedor de livros e começou a vender livros de porta em porta para ganhar um dinheiro extra. Depois de alguns anos, ele começou a ganhar muito mais com livros do que com o concurso público. Mas mesmo assim continuou com os dois trabalhos.
Ele me relatou que após mais alguns anos, ele ganhava um valor tão mais alto com a venda de livros, que era algo como 15 vezes mais do que o salário dele de concursado, ele refletiu bastante e finalmente saiu do concurso e se dedicou pra valer na venda de livros.
Juntou um bom dinheiro e montou uma livraria, mas ele ficou meses sem nenhum cliente lá, enquanto a livraria que ficava mais a frente era sempre cheia. Ele decidiu "caçar" os clientes, começou a ir nas escolas, conversar com os professores, fechava o acordo com eles de que conseguiria o livro que eles precisassem. E alguns livros mais difíceis de encontrar, ele ia para a capital, São Paulo, de madrugada e voltava no mesmo dia, para nunca faltar nenhum livro estudantil que alguém procurasse. Ele relatou de um caso em que um professor queria muito usar um livro com os alunos, mas não existia no Brasil. Ele conseguiu um fornecedor em São Paulo, e pagou adiantado as unidades, e trouxe os livros importados, e assim, alguns livros só podiam ser achados na livraria dele, em todo o estado, ele distribuía panfletos em escolas nas épocas de inicio das aulas, com muito esforço e persistência, a livraria acabou se tornando a maior de toda a cidade.
Com o lucro que vinha, ele me contou que comprou fazendas, comprou lotes e construia casas para vender, e assim o dinheiro começou a fazer mais dinheiro. Ele foi trazendo mais irmãos e parentes da roça para ajudar ele. Foi apunhalado por alguns irmãos que roubaram ele escondido e afundaram alguns negócios. Inclusive o pai do Felipe insistia muito em ter essa livraria, depois de muito tempo o avô deu de presente para ele e transferiu tudo pro nome dele, e deixou ele administrar como achava melhor, e em menos de um ano a livraria afundou e faliu, não teve como salvar o negócio.
Durante esse período ele me contou que fez faculdade de Economia, Direito, Administração e outra que eu não lembro. Ele tinha quatro faculdades! Aprendeu a investir o dinheiro, aplicava de diversas maneiras, me contou que só investia em um negócio depois de avaliar bem e ver que o lucro seria maior do que deixar o dinheiro aplicado, e muitas vezes não compensava abrir alguns negócios. Sempre começava um negócio novo com pouco dinheiro e ia expandindo conforme ia tendo lucro com aquilo. Com a construtora, construiu diversos bairros na cidade e vendia as casas a prazo, ganhando um juros bom. Inclusive todos os filhos e netos tem uma rua com o nome completo deles na cidade. Construiu um shopping center e tentou de tudo para algum supermercado ir para lá e gerar movimento no shopping, mas ninguém quis ir. Juntou com um sócio e construiram o próprio supermercado, que eles vendiam as coisas muito barato para assim movimentar o shopping, o que fez muito sucesso na cidade e nas cidades vizinhas e o lugar era extremamente movimentado, mas ele e o sócio tiveram uma briga feia, que ele não quis me relatar o motivo e fecharam o supermercado.
Entre erros e acertos, o império só foi crescendo. Há cerca de 4 anos atrás, ele pesquisou bastante e comprou um shopping gigantesco no centro da cidade por 500 milhões de reais, e é o maior negócio que ele tem atualmente, ele relatou que o aluguel do shopping era a metade do lucro, pois tinha outras maneiras de se lucrar com o shopping, pelo que eu entendi era algo relacionado a marketing e coisas do tipo. Esse ano ele começou a produção industrial de uma linha própria de cachaça. Hoje, ele continua administrando praticamente tudo sozinho.
Depois de tudo que ele passou, ele relatou que não gosta de dar dinheiro para começarem negócios novos, ou entregar negócios bons na mão dos outros, ele dá o mínimo possível, pois ele acredita que quem sabe enriquecer consegue fazer o negócio dar certo com pouco dinheiro igual ele fez diversas vezes. E essa é a prova de fogo que ele espera de algum neto, quando o neto conseguir criar e administrar algum negócio com pouco dinheiro e faze-lo crescer, ele sabe que vai estar pronto para colocar o neto para administrar coisas maiores do império sem risco de colocar tudo a perder.
A Real é que se tirassem tudo do Avô do Felipe, eu acredito que, em pouco tempo, ele estaria enriquecendo e reconstruindo o império de novo, nunca vi alguém tão sagaz para negócios como ele. Não é por acaso que ele tem esse império.
A conclusão que eu tirei é que vale a pena eu estudar pesado para concurso, quando passar, juntar um dinheiro e começar a investir, fazer a reserva de emergência e aprender a investir de verdade, aprender a construir as minhas coisas por mim mesmo, como ele fez. Pois é claramente possível construir um império imenso em uma única geração. É possível ser concursado, ter um império, ter várias faculdades, as coisas não são totalmente excludentes como eu sempre pensei. Aprendi muito conversando com ele.
“A maior necessidade do mundo é a de homens — homens que se não comprem nem se vendam; homens que, no íntimo de seu coração, sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” Educação, Pág 57.
