01-02-2026, 09:04 PM
(Esta publicação foi modificada pela última vez: 01-02-2026, 09:10 PM por Texugo Real.)
Eu vou fazer uma análise do livro "Anos de Aprendizagem de Wihelm Meister", do Goethe.
A história resumida é o seguinte:
O livro se passa na Alemanha do século 18~19, e sobre um cara de família burguesa decide que quer ser dono de uma companhia de teatro que sai de cidade em cidade (tipo saltimbancos), e conhece várias pessoas, faz várias amizades, conhece gente esquisita etc. e já vou logo contar spoiler:
A história parece bem bobinha, e os personagens parecem caricatos, mas é proposital, pois é montado em formato de teatro.
Outro detalhe importante do livro:
É o primeiro Bildungsroman, que é o gênero literário estilo: "personagem se desenvolvendo e amadurecendo, se tornando mais isso e aquilo etc".
Esse livro também é mais ou menos responsável pelo surgimento da imagem típica do "self-made man", ou seja, o cara que se desenvolve, busca sucesso, vai conseguindo destaque na sociedade etc. Também mostra mais ou menos como é uma sociedade iniciática, como as pessoas lá alcançam sucesso na vida etc.
O livro parece que teve um certo impacto na mente do Napoleão, e o Goethe e Napoleão (dois maçons) chegaram a se ver numa festa de elite, e o Napoleão ainda fez salamaleque pra ele, falando "aê, cara, eu sou seu fã". Aliás, o próprio Napoleão é um dos poucos imperadores que vieram mais de baixo da sociedade, já que ele era de família aristocrática decadente, e ele encarna a imagem do "cara que veio de baixo e foi lá e pá", e até mesmo serviu de inspiração pra outros dois romances:
"Vermelho e Negro" do Stendhal, que narra a história de um seminarista metido que quer virar um novo Napoleão.
"Crime e Castigo" do Dostoiévski, que narra a história de um estudante de direito metido (e assassino) que também quer virar um novo Napoleão.
Esse livro vale a pena. A história é boa, e o contexto histórico dela também chama a atenção. O Olavo analisou melhor no "Jardim das Aflições" (livro).
Isso se chama pedantismo.
O cara lê pra parecer mais gostosão intelectual, e não porque quer formar personalidade, ou saber informações que interessam ele de verdade.
No começo desse estilo de vida até que vai e pode deixar passar, mas uma hora é melhor largar o pedantismo e focar nas coisas que interessam mais.
O Olavo falava das ideias dos náufragos, e costumava citar o Jose Ortega y Gasset, que falava que as únicas ideias que interessam são as que a pessoa pensa se ela estiver se afogando no mar. Eu nunca fui muito leitor de romances, mas um que meio que me fez pensar um bom tempo é uma novela bem curta, o "Morte de Ivan Ilitch".
De vez em quando parece bom pensar assim:
Quais assuntos realmente me interessam e eu me preocuparia mesmo se estivesse numa situação mais emergente (doença grave, entocado numa ilha, na cadeia, fugindo pra outro país etc), ou sei lá, até coisa menos extrema, tipo, ficar mais pobre, terminar com namorada, relacionamento ruim com as pessoas, mudar pra outro Estado e só poder levar uma mala pequena de livros etc.
A história resumida é o seguinte:
O livro se passa na Alemanha do século 18~19, e sobre um cara de família burguesa decide que quer ser dono de uma companhia de teatro que sai de cidade em cidade (tipo saltimbancos), e conhece várias pessoas, faz várias amizades, conhece gente esquisita etc. e já vou logo contar spoiler:
Spoiler Revelar
A história parece bem bobinha, e os personagens parecem caricatos, mas é proposital, pois é montado em formato de teatro.
Outro detalhe importante do livro:
É o primeiro Bildungsroman, que é o gênero literário estilo: "personagem se desenvolvendo e amadurecendo, se tornando mais isso e aquilo etc".
Esse livro também é mais ou menos responsável pelo surgimento da imagem típica do "self-made man", ou seja, o cara que se desenvolve, busca sucesso, vai conseguindo destaque na sociedade etc. Também mostra mais ou menos como é uma sociedade iniciática, como as pessoas lá alcançam sucesso na vida etc.
O livro parece que teve um certo impacto na mente do Napoleão, e o Goethe e Napoleão (dois maçons) chegaram a se ver numa festa de elite, e o Napoleão ainda fez salamaleque pra ele, falando "aê, cara, eu sou seu fã". Aliás, o próprio Napoleão é um dos poucos imperadores que vieram mais de baixo da sociedade, já que ele era de família aristocrática decadente, e ele encarna a imagem do "cara que veio de baixo e foi lá e pá", e até mesmo serviu de inspiração pra outros dois romances:
"Vermelho e Negro" do Stendhal, que narra a história de um seminarista metido que quer virar um novo Napoleão.
"Crime e Castigo" do Dostoiévski, que narra a história de um estudante de direito metido (e assassino) que também quer virar um novo Napoleão.
Esse livro vale a pena. A história é boa, e o contexto histórico dela também chama a atenção. O Olavo analisou melhor no "Jardim das Aflições" (livro).
(26-01-2026, 08:31 PM)Wesley de Mileto Escreveu: (...)
O que vemos hoje em dia são pessoas que consomem literatura clássica para parecerem eruditos, pegam algumas frases bonitas e citam sem sequer compreenderem o significado, são "filisteus da cultura", título criado por Nietzsche em uma de suas intempestivas, que designa uma pessoa que aparenta ser culta e sente-se culta por participar de um suposto grupo "culto". Percebo que isso acontece não só com as obras de Dostoievski, mas principalmente tambem com o Nietzsche, Franz Kafka, Satre, Camus, e outros escritores muito citados e lidos na contemporaneidade.
(...)
Isso se chama pedantismo.
O cara lê pra parecer mais gostosão intelectual, e não porque quer formar personalidade, ou saber informações que interessam ele de verdade.
No começo desse estilo de vida até que vai e pode deixar passar, mas uma hora é melhor largar o pedantismo e focar nas coisas que interessam mais.
O Olavo falava das ideias dos náufragos, e costumava citar o Jose Ortega y Gasset, que falava que as únicas ideias que interessam são as que a pessoa pensa se ela estiver se afogando no mar. Eu nunca fui muito leitor de romances, mas um que meio que me fez pensar um bom tempo é uma novela bem curta, o "Morte de Ivan Ilitch".
De vez em quando parece bom pensar assim:
Quais assuntos realmente me interessam e eu me preocuparia mesmo se estivesse numa situação mais emergente (doença grave, entocado numa ilha, na cadeia, fugindo pra outro país etc), ou sei lá, até coisa menos extrema, tipo, ficar mais pobre, terminar com namorada, relacionamento ruim com as pessoas, mudar pra outro Estado e só poder levar uma mala pequena de livros etc.
