18-12-2025, 07:45 PM
Não conhecia esse termo pós-verdade, citado pelo @Crispim Soares. Achei interessante esse neologismo para descrever verdades aparentes, opiniões e crenças admitidos como verdade. O mundo está cheio dessas pós-verdades.
O problema da verdade nasce na linguagem, pois é nesta que o ser humano cria seus conceitos e expressa a realidade que o rodeia, na linguagem crista:"No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus e era Deus." O ser humano criou as palavras assim como criou seus deuses. E o que é a palavra? Uma representação sonora de uma excitação nervosa nos fonemas. A excitação é converte-se em imagem, primeira metáfora, a imagem em som, segunda metáfora. E de saltos em saltos formam-se metáforas mais sofisticadas.
Ademais, toda palavra torna-se um conceito encerrado em si mesmo, uma "verdade". Porém a criação de conceitos exige certas metonimias para representar a coisa, precisa-se ignorar certos atributos e características. Por exemplo, o conceito de "folha" exigiu que se criasse uma "essência" de folha para representar todas as folhas, independente milhares de folhas diferentes que existem.
Em resumo, o intelecto humano tem necessidade de enganar-se e criar "mentiras". O homem é o único animal capaz de inventar, de criar, e isso nos diferencia dos outros animais, e isso nos fez ir tão longe. O que é a verdade? Antropomorfismos, metáforas e metonimias que o homem esqueceu das origens falsas, que por um processo retórico e poético foram embelezadas, tornando-se mais persuasivas - nesse ponto os sofistas e os artistas seriam os mais próximos da "verdade". O homem como medida de todas as coisas, o homem que manifesta sua vontade de poder definindo, criando, nomeando, inventando. E de onde provém a vontade de verdade do homem? De uma necessidade de ter um baluarte, um porto seguro, algo de estável para se firmar e dar sentido à sua existência, para justifica-la, e até redimi-la - como os cristãos o fazem por meio de sua verdade, seu Deus sofredor que lhes confere esperança e redenção. A verdade como necessidade, deu-nos harmonia e coesão na sociedade, e ordem ao caos universal, foi levada a sério pelos seus efeitos, ignorando-se suas origens.
Se quiser aprofundar-se nessas questões epistemológicas recomendo o ensaio "Sobre a verdade e a mentira no sentido extra moral".
O problema da verdade nasce na linguagem, pois é nesta que o ser humano cria seus conceitos e expressa a realidade que o rodeia, na linguagem crista:"No princípio era o verbo, e o verbo estava com Deus e era Deus." O ser humano criou as palavras assim como criou seus deuses. E o que é a palavra? Uma representação sonora de uma excitação nervosa nos fonemas. A excitação é converte-se em imagem, primeira metáfora, a imagem em som, segunda metáfora. E de saltos em saltos formam-se metáforas mais sofisticadas.
Ademais, toda palavra torna-se um conceito encerrado em si mesmo, uma "verdade". Porém a criação de conceitos exige certas metonimias para representar a coisa, precisa-se ignorar certos atributos e características. Por exemplo, o conceito de "folha" exigiu que se criasse uma "essência" de folha para representar todas as folhas, independente milhares de folhas diferentes que existem.
Em resumo, o intelecto humano tem necessidade de enganar-se e criar "mentiras". O homem é o único animal capaz de inventar, de criar, e isso nos diferencia dos outros animais, e isso nos fez ir tão longe. O que é a verdade? Antropomorfismos, metáforas e metonimias que o homem esqueceu das origens falsas, que por um processo retórico e poético foram embelezadas, tornando-se mais persuasivas - nesse ponto os sofistas e os artistas seriam os mais próximos da "verdade". O homem como medida de todas as coisas, o homem que manifesta sua vontade de poder definindo, criando, nomeando, inventando. E de onde provém a vontade de verdade do homem? De uma necessidade de ter um baluarte, um porto seguro, algo de estável para se firmar e dar sentido à sua existência, para justifica-la, e até redimi-la - como os cristãos o fazem por meio de sua verdade, seu Deus sofredor que lhes confere esperança e redenção. A verdade como necessidade, deu-nos harmonia e coesão na sociedade, e ordem ao caos universal, foi levada a sério pelos seus efeitos, ignorando-se suas origens.
Se quiser aprofundar-se nessas questões epistemológicas recomendo o ensaio "Sobre a verdade e a mentira no sentido extra moral".
A sorte favorece os audazes

