15-05-2024, 10:24 AM
(Esta publicação foi modificada pela última vez: 15-05-2024, 02:42 PM por Héracles.)
(14-05-2024, 08:54 PM)Concurseiro Escreveu: Vcs SAO aquilo q Nietzsche chamaria de odiadores da vida. Odiadores da vida não, pq vcs nao vivem oq pregam, vcs SAO sabotadores da vida alheia.
Esse é um ponto válido e importante. Definitivamente eu também tendo a discordar desse instinto gregário que prega abstenção compulsiva de todos os instintos humanos mais básicos. Qual a fórmula para não ser dominado por seus impulsos, para não sofrer com os seus desejos constantemente insatisfeitos? Abstenha-se completamente deles! Corte-os fora! – Eis a fórmula dos sacerdotes da real.
Nada me parece mais idiota do que correr dos seus apetites como se estivesse correndo do própria diabo encarnado, tendo em mente uma aspiração de superioridade moral ascética que segundo creem, santifica o sujeito, dando-lhe a premissa de falar com propriedade sobre todos os aspectos humanos, muitos dos quais ele mesmo nunca teve a oportunidade ou coragem de enfrentar. Isso me parece muito mais uma CASTRAÇÃO do que um aprimoramento! Essas vontades suprimidas vão se acumulando no inconsciente, se transformando em um monstro que acaba sendo catalisado em perversidades de todos os tipos e num desejo de vingança perene.
Porém e entretanto vale observar o seguinte: que tipo de sujeito você é? Como sabemos muitos, ou melhor, a grande maioria é completamente carregada pela correnteza dos desejos, sem nenhum ponto de apoio ou defesa, indo fulminantemente em direção à própria desgraça e destruição. Sem uma vontade forte, um instinto organizador que converge numa única direção e que segura às rédeas desses instintos, a ruína do sujeito é certa. Como você deve muito bem saber, o próprio Nietzsche argumenta esses aspectos fundamentais que cada tipo de pessoa deve observar: você possui uma vontade forte o suficiente de conseguir domar esse cavalo selvagem do desejo em prol dos seus objetivos de aprimoramento, ou é o sujeito fraco em vontade que é humilhantemente pisoteado e carregado sempre que ele volta a emergir das profundezas do seu ser?
Ainda citando o filósofo, métodos ascéticos podem ser benéficos para os tipos que não conseguem ou não aprenderam a controlar esse cavalo selvagem, pois bem ou mal criam uma segunda natureza que no futuro, podem vir a ser uma natureza que aprenda a usufruir dessa primeira natureza selvagem... além do mais, uma vida limitada talvez seja melhor que uma vida arruinada... e isso é, penso eu, justamente o ponto central que o autor do tópico quis trazer – não exatamente se abster completamente da centelha da vida em prol de uma racionalidade neutra, mas sim direcionar maior parte dessa libido (psiquicamente falando) a outros setores dessa vida que se inicia e que garantam, mais seguramente, a construção de uma segunda natureza forte. Assim quem sabe um dia o fulano irá “vir a ser”, poderá surfar livremente nas ondas dos desejos sem correr o risco de se perder. Esse tópico é uma espécie de prelúdio do processo do homem – pois sem saber se o fulano que lê é do tipo de moral soberana ou moral escrava, vamos pelo seguro e recomendemos o seguinte: mitigue suas vontades para não ser destruído por elas, afinal de contas você é jovem e não possui um GOSTO ainda! Ao ser levado pelas paixões no final vocês acabam se distanciando insuperavelmente de si mesmos, caindo num ideal alheio e autodestrutivo que apenas alimenta essa paixão completamente irracional, por isso persiste. Vide todo tipo de esquerdista: o ideal destes alimenta a sua paixão, a paixão pela vingança, alimenta o instinto de escravo intrínseco ao seu ser, que quer se vingar pois se percebe fraco.
Como você observou, o instinto sexual do homem pode ser um combustível, uma catapulta que o impulsiona sempre à frente, desde que este tenha um GOSTO, uma linha reta ... desde que este tenha aprendido a dizer o seu sim e o seu não! E sim, ele só aprende isso vivendo. Porém: acautelai-vos, jovens! Essa é a mensagem. A parte da experiência com o sexo oposto deve sim ser buscada, desde sempre, porém deve ser abordada de um ponto de vista que sugere isso como algo complementar de uma obra maior e não o ponto central em si como tu aparentemente alvitrou. Até porque, como todos aqui que tem alguma experiência devem saber, uma individualidade mais aprofundada que observa em retrospectiva a própria jornada entende que essas aventuras sexuais da juventude não significaram muita coisa na ordem geral do caráter, muitas vezes até são vistos com arrependimentos... e além disso, pegar mulheres não tem nada de tão misterioso ou mágico como pode aparentemente parecer para os mais jovens.
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram." (Xeones para o rei Xerxes)
