15-04-2023, 07:17 PM
(Esta publicação foi modificada pela última vez: 15-04-2023, 11:14 PM por Libertador.)
(15-04-2023, 04:25 PM)Wesley de Mileto Escreveu: Estou viciado em ler os contos do Machado, cada conto possui um tema diferente que me põe a refletir sobre o espirito humano. O tema de hoje é a solidão e a solitude.
Eu baixei para o meu Kindle o livro 50 contos de Machado de Assis ano passado e li vários deles, de vez em quando eu pego para ler algum novo, alguns são muito bons (outros medianos). O estilo de escrita dele tem ironia, sarcasmo e um humor inteligente, o que eu gosto bastante. O lado ruim é que ele utiliza uma linguagem sofisticada e complexa, com frases longas e elaboradas, que exigem atenção (quando li o livro dele "O Alienista" tinha que ficar consultando o dicionário online toda hora). Mas, isso também é bom porque estimula o nosso cérebro e o raciocínio durante a leitura.
Apesar de alguns contos serem curtos logo que termino algum que explora de forma aprofundada alguma complexidade da psicologia humana eu acabo tendo que parar um tempo para digerir o que li. Muitas reflexões em seus contos são profundas e abrangem muitos temas diferentes, como a sociedade brasileira, as relações humanas, a moralidade, a ética, a hipocrisia, a vaidade, a religião, e por aí vai. Não sei como ele tinha tanta criatividade. E para mim ficar lendo um seguido do outro sem digerir o que li acaba estragando a experiência porque o interessante é ler uma reflexão e fazer analogias com situações reais que vi acontecendo ou que vivi pessoalmente. E quem só lê um atrás do outro acaba não assimilando direito as lições, é como quem fica passando um monte de stories do Instagram e depois de ver uns 200 em sequencia e sair do celular não conseguir lembrar nem de 5 deles.
Uma outra coisa legal é que ele costuma criar situações inusitadas e surpreendentes, que quebra a expectativa que eu imaginava para a história. Você imagina que vai terminar de um jeito e termina de outro bem diferente. Isso torna a leitura bem mais interessante.
“A maior necessidade do mundo é a de homens — homens que se não comprem nem se vendam; homens que, no íntimo de seu coração, sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” Educação, Pág 57.
