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Entendi. Mas hoje em dia o pessoal do forum deu uma diminuída, e a galera também está meio sem saco para ficar narrando suas leituras. Eu mesmo li alguns esse ano e so coloquei aqui nos essenciais.
Cara, a red ja está quase furando a bolha, muita gente esta tendo contato com essas ideias, a minoria conheceu por aqui. Existem vários outros que conheceram a red pelo YouTube e estão ai convivendo entre nós. Só que naturalmente essas pessoas sao mais discretas para evitarem retaliações desnecessárias, é a famosa mask pill.
O cara tem que saber se esconder na multidão, fingir concordar com eles, porque é inútil tentar mostrar-lhes a verdade. Ontem um colega meu de faculdade estava me mostrando a namorada dele, uma mina de nutrição muito bonita. Ele disse que confia muito nela, que ela nunca vai traí-lo, mas o mais engraçado é que ele ia deixar ela ir numa festa sem ele. Bom, às vezes a gente tem que se segurar bastante...
Para nao desvirtuar do sentido do tópico, vou colocar aqui algumas leituras:
- Macário, do Álvares de Azevedo: essa obra conta a história de um jovem que conhece o diabo numa taverna e faz um pacto com ele - um fausto brasileiro. O autor queria fazer uma mistura de Goethe com Shakespeare, porém a história ficou meio caótica, mas é muito bem escrita, entao a leitura torna-se fluída. É um livro romântico, e eu acho engraçado nesses livros a idealização da mulher perfeita, virgem e imaculada, e que no fim o protagonista tem consciência de que nunca irá consegui-la, e acaba por se entregar a vida boêmia e desregrada. Bem, acho que nao mudamos muito, nao há nada de novo de baixo do sol mesmo.
-Pais e filhos, Ivan Turkgniev: esse livro conta a história de dois amigos estudantes que vao para a casa dos pais passar as férias. Um deles, o Bazarov, é um nilista, nao crê em nada nem em nenhuma autoridade - essa obra é a primeira a retratar o nilismo na literatura mundial. O livro é centrado nas diferenças geracionais, uma elite conservadora e aristocratica versus uma juventude revoltada e nilista. É possível notar uma sutil crítica ao nilismo nesse livro, pois os protagonistas ditos nilistas apaixonam-se, mostrando que na prática o nilismo é insustentável. Nesse ponto ele parece muito com o crime e castigo, com a diferença que naquele, a culpa é a refutação do nilismo.
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é Basilar leituras densas por um tempo, já é normal entre nós e os veteranos e os que saíram. Não há espanto nem em ficar falando aqui nem em ler, É SÓ LER.
⁹ O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.
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Apesar dos livros serem obras-primas do conhecimento humano, eu jamais leria uma biografia de 1100 páginas de Napoleão.
Acho que o tempo de vida de um homem é muito curto para mergulhar nesse assuntos por vaidade, só vale a pena se o cara for profissional nesse assunto (Oficial de Carreira).
É mais útil ler um livro básico sobre como funciona uma espingarda do que se perder lendo 1100 páginas sobre os detalhes da vida de Hitler ou Napoleão.
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Terminei de ler as 45 páginas do tópico.
Um tópico muito complexo, talvez um dos mais densos do Fórum da Real.
A maioria dos livros são indicações de ficção e livros religiosos, que eu não dou muita importância.
Agora temos na internet, o site Annas Archive, que é uma verdadeira revolução do conhecimento para betas.
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Porque ao inves de ler esse topico você nao lê, tipo, LIVROS?
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29-03-2026, 02:59 PM
(Esta publicação foi modificada pela última vez: 29-03-2026, 03:00 PM por Luiz.)
Eu ainda não conhecia o Annas , obrigado @ Vincent
(29-03-2026, 02:14 PM)Wesley de Mileto Escreveu:
Porque ao inves de ler esse topico você nao lê, tipo, LIVROS? 
Negócio dele é ruivas faveladas degeneradas do trabalho , aí ele é um monstro
Agora para ler uma biografia de nomes relevantes da história ele fica cego
⁹ O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.
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(24-03-2026, 09:42 PM)Vincent Escreveu: Apesar dos livros serem obras-primas do conhecimento humano, eu jamais leria uma biografia de 1100 páginas de Napoleão.
Acho que o tempo de vida de um homem é muito curto para mergulhar nesse assuntos por vaidade, só vale a pena se o cara for profissional nesse assunto (Oficial de Carreira).
É mais útil ler um livro básico sobre como funciona uma espingarda do que se perder lendo 1100 páginas sobre os detalhes da vida de Hitler ou Napoleão.
Dá pra entender...
Tem livro de 100~200 páginas que vale mais do que uma biografia de 1000 páginas hiper-detalhada do Napoleão, mesmo o Napoleão sendo um sujeito relevante pra história.
Aliás, tem até biografias mais curtas também de outras pessoas que influenciaram a história.
O Suetônio e Plutarco escreveram biografias sobre Júlio César e vários outros personagens históricos, e são textos mais curtos, sem tantos detalhes.
Tem até biografias curtas de santos e místicos também, como a de São Bento (escrita por São Gregório Magno) ou de Santo Antão do Deserto (escrita por Santo Atanásio de Alexandria), e relata vários milagres e acontecimentos sobrenaturais dessas pessoas. A autobiografia do Nikola Tesla ("Minhas Invenções") é um livro bem curto também, e mostra o processo de aprendizagem dele.
E tem livros de história que são grandes, mas são mais gerais. Exemplo: O "Penguin History of the World" do J.M Roberts (eu acho que traduzido aqui tem o "Livro de Ouro da História do Mundo", do J.M Roberts também, e não sei se é o mesmo).
Mesmo quando o cara é de humanas, dá pra ser mais seletivo.
Além disso, nos últimos tempos a gente tá numa época que é bom selecionar os livros mais interessantes de ler e reler, e coisas mais importantes pra aprender.
Quem tá aprendendo construção civil e coisas parecidas, eu acho que tá num bom caminho. Tem outras coisas também, mas dei só um exemplo agora.
Na época do COVID, eu cheguei a comprar um manual de sobrevivência do SAS, caso tudo entrasse em ruínas e internet fosse embora... eu sei que o mais importante é o cara APRENDER NA PRÁTICA como sobreviver, mas ter um manual é melhor do que não ter porra nenhuma.
Pelo menos pra mim, eu selecionei materiais que eu quero reler de tempos em tempos. Vocês pensem aí no que importa mais.
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(29-03-2026, 02:14 PM)Wesley de Mileto Escreveu:
Porque ao inves de ler esse topico você nao lê, tipo, LIVROS? 
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Acabo de finalizar o livro O Animal Social, um excelente livro de psicologia social, ja mencionei aqui e agora que terminei ta ai minha recomendação.
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04-04-2026, 08:59 PM
(Esta publicação foi modificada pela última vez: 04-04-2026, 09:07 PM por The Return.)
Estou quase terminando A Genealogia da Moral, de Friedrich Nietzsche*.
A leitura desse livro e de Assim Falava Zaratustra foi um gatilho para que eu voltasse a me tornar ateu.
Essa escolha vem da percepção de que uma hiperinteligência não nos assiste nem criou o universo.
Deus é uma narrativa criada pela nossa consciência coletiva a fim de nos proteger e garantir a sobrevivência.
Pelo menos é assim que eu vejo neste momento. Já frequentei a igreja e participei de grupos de estudos bíblicos,
e agora vejo que isso não faz mais sentido para mim, mas respeito quem vá. Ainda respeito muito a figura de Jesus Cristo,
mas não mais o enxergo como sendo Deus.
Também vou me distanciar de uma visão materialista do mundo, na qual seríamos apenas feitos de átomos, ou de que o
ser humano não possui uma parte espiritual e transcendental. Eu ainda acredito em anjos da guarda e coisas do tipo.
Atualmente, acredito em reencarnação; afinal, nós não poderíamos desperdiçar o conhecimento que obtemos nesta vida.
Sobre o livro, concordo com Nietzsche em sua crítica às ideias ascéticas, mas com ressalvas quanto ao jejum, que, parece-me,
destrava instintos animais e traz benefícios reais ao praticante. Sobre a ligação entre as palavras “bondade” e “nobreza” e a posterior
assimilação de que o “ruim” é visto como ações de plebeus, faz todo sentido. Os vassalos passam a ser vistos como ruins, e os senhores como bons.
A respeito da parte em que Nietzsche analisa como surge o sentimento de culpa, meu gatilho ateu começou a se ativar.
A ausência de um Deus para nos julgar, ou julgar toda a nossa história, torna a vida menos dramática e mais banal.
----------------------------------
Edit: Não pretendo trazer a tona a discussão sobre ateismo, apenas trazendo minha experiência pra vocês.
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(04-04-2026, 08:59 PM)The Return Escreveu: Estou quase terminando A Genealogia da Moral, de Friedrich Nietzsche*.
A leitura desse livro e de Assim Falava Zaratustra foi um gatilho para que eu voltasse a me tornar ateu.
Essa escolha vem da percepção de que uma hiperinteligência não nos assiste nem criou o universo.
Deus é uma narrativa criada pela nossa consciência coletiva a fim de nos proteger e garantir a sobrevivência.
Pelo menos é assim que eu vejo neste momento. Já frequentei a igreja e participei de grupos de estudos bíblicos,
e agora vejo que isso não faz mais sentido para mim, mas respeito quem vá. Ainda respeito muito a figura de Jesus Cristo,
mas não mais o enxergo como sendo Deus.
Também vou me distanciar de uma visão materialista do mundo, na qual seríamos apenas feitos de átomos, ou de que o
ser humano não possui uma parte espiritual e transcendental. Eu ainda acredito em anjos da guarda e coisas do tipo.
Atualmente, acredito em reencarnação; afinal, nós não poderíamos desperdiçar o conhecimento que obtemos nesta vida.
Sobre o livro, concordo com Nietzsche em sua crítica às ideias ascéticas, mas com ressalvas quanto ao jejum, que, parece-me,
destrava instintos animais e traz benefícios reais ao praticante. Sobre a ligação entre as palavras “bondade” e “nobreza” e a posterior
assimilação de que o “ruim” é visto como ações de plebeus, faz todo sentido. Os vassalos passam a ser vistos como ruins, e os senhores como bons.
A respeito da parte em que Nietzsche analisa como surge o sentimento de culpa, meu gatilho ateu começou a se ativar.
A ausência de um Deus para nos julgar, ou julgar toda a nossa história, torna a vida menos dramática e mais banal.
----------------------------------
Edit: Não pretendo trazer a tona a discussão sobre ateismo, apenas trazendo minha experiência pra vocês.
Cara, primeiramente voce não é ateu, voce está mais para espiritualista, ja que acredita em alma e em reencarnação, mas da para entender que voce quis dizer que quase virou ateu por ter lido Nietzsche.
Genealogia da moral é uma das obras mais importantes do Nietzsche, é uma das suas poucas obras que tratam de um só tema - fora o nascimento da tragédia e David strauss, confessor. É também uma das obras mais fáceis do Nietzsche, e mais elucidativas, é recomendável lê-la primeiro antes de se aventurar nas outras obras do Nietzsche, bem como também ler "sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral" - recomendo que voce leia esse ensaio para entender melhor a epistemologia na filosofia do Nietzsche, assim fica mais facil de compreender seus outros livros.
A primeira seção trata da origem dos termos bem e mal, bom e ruim. Vale ressaltar que Nietzsche era filólogo formado, então estamos tratando de um especialista no assunto. Para ele, o conceito de bom e ruim primeiramente foi criado pelos nobres, fortes, o bom seria aquilo que aumenta a saúde, a força e o poder, o ruim o que diminui esses atributos - essa seria a moral de nobres. Os escravos, que eram subjugados pelos nobres, criaram a moral do ressentimento contra os fortes, e nessa moral o que é fraco, doente e submisso é tido por bom, e a força, o vigor, a saúde, o poder são maus - essa é a moral dos escravos. O maior expoente da moral dos escravos seria a judaico-cristã, ja que o povo de Israel sempre foi escravo de outros povos. Nietzsche ainda faz uma genealogia da moral cristã, que em sua primeira fase o povo alegrava-se de seu deus, que representava a forca e o poder do povo, depois o povo tornou-se cativo, e assim o ressentimento adentrou no judaísmo, surgindo o conceito de culpa, dívida, bem como o ódio aos fortes, e poderosos, e a moral da compaixão. No cristianismo esses conceitos são mais explorados e aprofundados, e Nietzsche argumenta que a maior expressão de ressentimento é o juízo final, no qual os cristãos "vingam-se" dos "maus".
A segunda seção trata sobre o conceito de culpa e divida. Tais valores surgem do cristianismo, inclusive no pai nosso em latim, em uma parte diz: perdoai nossas dívidas - culpa e divida significam a mesma coisa. Ja no antigo testamento temos o gérmen da culpa, apos Adão e Eva, o homem foi condenado a uma dívida hereditária com YWHW, e naquela época era paga com carnes e partes das colheitas - ironicamente os sacerdotes pegavam as melhores partes. Era preciso que o homem fosse culpado, uma dívida impagável, infinita e hereditária, a culpa era tão grande que o homem sacrificou o próprio deus para sentir-se perdoado - e culpado também. A culpa surge do instinto de infligir violência, o homem antes cobrava as dívidas com violência, castigo, o credor tinha o direito de castigar o devedor - o próprio deus castiga os devedores com fogo eterno. Quando o homem não inflige violencia aos outros, ele direciona essa violência contra si mesmo, em outras palavras: sente-se culpado, precisa destruir-se, esganar-se, rasgar-se.
A última seção trata dos ideias acéticos. Estes estão ligados a culpa, é uma forma de violência contra si mesmo, uma crime contra a vida e os instintos vitais. Nietzsche usa o exemplo dos chandalas para ilustrar como as religiões com seu asceticismo sao nocivos à vida, os chandalas eram a casta baixa das leis de manu, que tinham que fazer jejuns e beber água de poças somente. Ele os compara aos cristãos, que tem práticas parecidas, com jejuns, mortificacoes, vigílias, com o objetivo de enfraquecer o corpo para "fortalecer o espírito". O jejum cristão nao trás beneficios, pois o objetivo é literalmente debilitar o corpo, nao trazer saúde, esse é o ponto que Nietzsche critica. O cristianismo definitivamente busca enfraquecer, debilitar, prega um ódio ao corpo e a saúde, pois "a carne é pegadora", logo deve ser enfraquecida. Nesse ponto Nietzsche considera as religiões como crenças nilistas - nilismo para Nietzsche é aquilo que nega a vida - e as considera necessidades psicológicas, pois precisa crer, nao pode prescindir de crer, " o homem prefere querer o nada, a nada querer" nas palavras do próprio.
A ausência de Deus é um problema do ponto de vista existencial, afinal, quando "deus morre", junto dele morrem todas as bases dos valores que ate entao o homem acreditava. "Deus esta morto e nos o matamos", declara Nietzsche em gaia ciência, e completa depois:"... entao precisamos nos elevar a deus para sermos dignos dele". Sem deus o homem cai no nada, no vazio, no nilismo, a vida torna-se mais trágica, nao ha mais porquês, por isso faz-se necessário que o homem crie seus valores, para nao cair no vazio absoluto. A vida nao torna-se banal sem deus, ela exige uma postura ativa do indivíduo, que deve tomar as rédeas de sua existência e deixar de delegar para que o rebanho decida como voce deve viver, a partir daí é preciso um certo heroísmo, valentia, coragem, força, poder, para seguir em frente apesar dos sofrimentos e desafios inerentes a vida, pois agora não há um entendimento metafisico para justificar nossos tormentos, "'o problema do sofrimento nao é o sofrimento em si, mas sua falta da sentido".
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Finalizei hoje 1/3 do livro Comporte-se, livro com 800 paginas, bem maior que O Animal Social.
É um livro interessante, feito por Robert Sapolsky, um neurobiólogo e primatologo onde vai analisar o comportamento humano, levando em conta as questões culturais, biológicas e evolucionais. Assim como O Animal Social, o foco aqui é compreender o ser humano. Mas ate agora enquanto o O Animal Social foca mais em psicologia social, Comporte-se vai em outras questões a níveis biológicos e culturais, então pra quem curte coisas relacionadas a neurociência, vai gostar.
"Este é um ponto central deste livro: não odiamos a violência. Odiamos e tememos o tipo errado de violência, aquela que ocorre no contexto errado."
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Depois de finalizar, penso em dar um pulo em economia, faz um tempinho que nao leio livro a respeito, provavelmente lerei Ação Humana do economista Ludwig Von Mises, obra que fala sobre praxeologia, onde o homo economics esta presente.
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(05-04-2026, 02:37 PM)Wesley de Mileto Escreveu: (04-04-2026, 08:59 PM)The Return Escreveu: Estou quase terminando A Genealogia da Moral, de Friedrich Nietzsche*.
A leitura desse livro e de Assim Falava Zaratustra foi um gatilho para que eu voltasse a me tornar ateu.
Essa escolha vem da percepção de que uma hiperinteligência não nos assiste nem criou o universo.
Deus é uma narrativa criada pela nossa consciência coletiva a fim de nos proteger e garantir a sobrevivência.
Pelo menos é assim que eu vejo neste momento. Já frequentei a igreja e participei de grupos de estudos bíblicos,
e agora vejo que isso não faz mais sentido para mim, mas respeito quem vá. Ainda respeito muito a figura de Jesus Cristo,
mas não mais o enxergo como sendo Deus.
Também vou me distanciar de uma visão materialista do mundo, na qual seríamos apenas feitos de átomos, ou de que o
ser humano não possui uma parte espiritual e transcendental. Eu ainda acredito em anjos da guarda e coisas do tipo.
Atualmente, acredito em reencarnação; afinal, nós não poderíamos desperdiçar o conhecimento que obtemos nesta vida.
Sobre o livro, concordo com Nietzsche em sua crítica às ideias ascéticas, mas com ressalvas quanto ao jejum, que, parece-me,
destrava instintos animais e traz benefícios reais ao praticante. Sobre a ligação entre as palavras “bondade” e “nobreza” e a posterior
assimilação de que o “ruim” é visto como ações de plebeus, faz todo sentido. Os vassalos passam a ser vistos como ruins, e os senhores como bons.
A respeito da parte em que Nietzsche analisa como surge o sentimento de culpa, meu gatilho ateu começou a se ativar.
A ausência de um Deus para nos julgar, ou julgar toda a nossa história, torna a vida menos dramática e mais banal.
----------------------------------
Edit: Não pretendo trazer a tona a discussão sobre ateismo, apenas trazendo minha experiência pra vocês.
Cara, primeiramente voce não é ateu, voce está mais para espiritualista, ja que acredita em alma e em reencarnação, mas da para entender que voce quis dizer que quase virou ateu por ter lido Nietzsche.
Genealogia da moral é uma das obras mais importantes do Nietzsche, é uma das suas poucas obras que tratam de um só tema - fora o nascimento da tragédia e David strauss, confessor. É também uma das obras mais fáceis do Nietzsche, e mais elucidativas, é recomendável lê-la primeiro antes de se aventurar nas outras obras do Nietzsche, bem como também ler "sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral" - recomendo que voce leia esse ensaio para entender melhor a epistemologia na filosofia do Nietzsche, assim fica mais facil de compreender seus outros livros.
A primeira seção trata da origem dos termos bem e mal, bom e ruim. Vale ressaltar que Nietzsche era filólogo formado, então estamos tratando de um especialista no assunto. Para ele, o conceito de bom e ruim primeiramente foi criado pelos nobres, fortes, o bom seria aquilo que aumenta a saúde, a força e o poder, o ruim o que diminui esses atributos - essa seria a moral de nobres. Os escravos, que eram subjugados pelos nobres, criaram a moral do ressentimento contra os fortes, e nessa moral o que é fraco, doente e submisso é tido por bom, e a força, o vigor, a saúde, o poder são maus - essa é a moral dos escravos. O maior expoente da moral dos escravos seria a judaico-cristã, ja que o povo de Israel sempre foi escravo de outros povos. Nietzsche ainda faz uma genealogia da moral cristã, que em sua primeira fase o povo alegrava-se de seu deus, que representava a forca e o poder do povo, depois o povo tornou-se cativo, e assim o ressentimento adentrou no judaísmo, surgindo o conceito de culpa, dívida, bem como o ódio aos fortes, e poderosos, e a moral da compaixão. No cristianismo esses conceitos são mais explorados e aprofundados, e Nietzsche argumenta que a maior expressão de ressentimento é o juízo final, no qual os cristãos "vingam-se" dos "maus".
A segunda seção trata sobre o conceito de culpa e divida. Tais valores surgem do cristianismo, inclusive no pai nosso em latim, em uma parte diz: perdoai nossas dívidas - culpa e divida significam a mesma coisa. Ja no antigo testamento temos o gérmen da culpa, apos Adão e Eva, o homem foi condenado a uma dívida hereditária com YWHW, e naquela época era paga com carnes e partes das colheitas - ironicamente os sacerdotes pegavam as melhores partes. Era preciso que o homem fosse culpado, uma dívida impagável, infinita e hereditária, a culpa era tão grande que o homem sacrificou o próprio deus para sentir-se perdoado - e culpado também. A culpa surge do instinto de infligir violência, o homem antes cobrava as dívidas com violência, castigo, o credor tinha o direito de castigar o devedor - o próprio deus castiga os devedores com fogo eterno. Quando o homem não inflige violencia aos outros, ele direciona essa violência contra si mesmo, em outras palavras: sente-se culpado, precisa destruir-se, esganar-se, rasgar-se.
A última seção trata dos ideias acéticos. Estes estão ligados a culpa, é uma forma de violência contra si mesmo, uma crime contra a vida e os instintos vitais. Nietzsche usa o exemplo dos chandalas para ilustrar como as religiões com seu asceticismo sao nocivos à vida, os chandalas eram a casta baixa das leis de manu, que tinham que fazer jejuns e beber água de poças somente. Ele os compara aos cristãos, que tem práticas parecidas, com jejuns, mortificacoes, vigílias, com o objetivo de enfraquecer o corpo para "fortalecer o espírito". O jejum cristão nao trás beneficios, pois o objetivo é literalmente debilitar o corpo, nao trazer saúde, esse é o ponto que Nietzsche critica. O cristianismo definitivamente busca enfraquecer, debilitar, prega um ódio ao corpo e a saúde, pois "a carne é pegadora", logo deve ser enfraquecida. Nesse ponto Nietzsche considera as religiões como crenças nilistas - nilismo para Nietzsche é aquilo que nega a vida - e as considera necessidades psicológicas, pois precisa crer, nao pode prescindir de crer, " o homem prefere querer o nada, a nada querer" nas palavras do próprio.
A ausência de Deus é um problema do ponto de vista existencial, afinal, quando "deus morre", junto dele morrem todas as bases dos valores que ate entao o homem acreditava. "Deus esta morto e nos o matamos", declara Nietzsche em gaia ciência, e completa depois:"... entao precisamos nos elevar a deus para sermos dignos dele". Sem deus o homem cai no nada, no vazio, no nilismo, a vida torna-se mais trágica, nao ha mais porquês, por isso faz-se necessário que o homem crie seus valores, para nao cair no vazio absoluto. A vida nao torna-se banal sem deus, ela exige uma postura ativa do indivíduo, que deve tomar as rédeas de sua existência e deixar de delegar para que o rebanho decida como voce deve viver, a partir daí é preciso um certo heroísmo, valentia, coragem, força, poder, para seguir em frente apesar dos sofrimentos e desafios inerentes a vida, pois agora não há um entendimento metafisico para justificar nossos tormentos, "'o problema do sofrimento nao é o sofrimento em si, mas sua falta da sentido".
Te falar a Real...
Relato de milagres, ou então relatos de manipulação de energia pra cura, ganho de disposição, poder, previsão de futuro etc. isso tudo tem mais peso em argumentos na existência de Deus e forças invisíveis...
Adolf Hitler mesmo teve influência do Nietzesche, mas além disso mexia com magia negra...
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(06-04-2026, 10:41 PM)Texugo Real Escreveu:
(05-04-2026, 02:37 PM)Wesley de Mileto Escreveu: Cara, primeiramente voce não é ateu, voce está mais para espiritualista, ja que acredita em alma e em reencarnação, mas da para entender que voce quis dizer que quase virou ateu por ter lido Nietzsche.
Genealogia da moral é uma das obras mais importantes do Nietzsche, é uma das suas poucas obras que tratam de um só tema - fora o nascimento da tragédia e David strauss, confessor. É também uma das obras mais fáceis do Nietzsche, e mais elucidativas, é recomendável lê-la primeiro antes de se aventurar nas outras obras do Nietzsche, bem como também ler "sobre a verdade e a mentira no sentido extra-moral" - recomendo que voce leia esse ensaio para entender melhor a epistemologia na filosofia do Nietzsche, assim fica mais facil de compreender seus outros livros.
A primeira seção trata da origem dos termos bem e mal, bom e ruim. Vale ressaltar que Nietzsche era filólogo formado, então estamos tratando de um especialista no assunto. Para ele, o conceito de bom e ruim primeiramente foi criado pelos nobres, fortes, o bom seria aquilo que aumenta a saúde, a força e o poder, o ruim o que diminui esses atributos - essa seria a moral de nobres. Os escravos, que eram subjugados pelos nobres, criaram a moral do ressentimento contra os fortes, e nessa moral o que é fraco, doente e submisso é tido por bom, e a força, o vigor, a saúde, o poder são maus - essa é a moral dos escravos. O maior expoente da moral dos escravos seria a judaico-cristã, ja que o povo de Israel sempre foi escravo de outros povos. Nietzsche ainda faz uma genealogia da moral cristã, que em sua primeira fase o povo alegrava-se de seu deus, que representava a forca e o poder do povo, depois o povo tornou-se cativo, e assim o ressentimento adentrou no judaísmo, surgindo o conceito de culpa, dívida, bem como o ódio aos fortes, e poderosos, e a moral da compaixão. No cristianismo esses conceitos são mais explorados e aprofundados, e Nietzsche argumenta que a maior expressão de ressentimento é o juízo final, no qual os cristãos "vingam-se" dos "maus".
A segunda seção trata sobre o conceito de culpa e divida. Tais valores surgem do cristianismo, inclusive no pai nosso em latim, em uma parte diz: perdoai nossas dívidas - culpa e divida significam a mesma coisa. Ja no antigo testamento temos o gérmen da culpa, apos Adão e Eva, o homem foi condenado a uma dívida hereditária com YWHW, e naquela época era paga com carnes e partes das colheitas - ironicamente os sacerdotes pegavam as melhores partes. Era preciso que o homem fosse culpado, uma dívida impagável, infinita e hereditária, a culpa era tão grande que o homem sacrificou o próprio deus para sentir-se perdoado - e culpado também. A culpa surge do instinto de infligir violência, o homem antes cobrava as dívidas com violência, castigo, o credor tinha o direito de castigar o devedor - o próprio deus castiga os devedores com fogo eterno. Quando o homem não inflige violencia aos outros, ele direciona essa violência contra si mesmo, em outras palavras: sente-se culpado, precisa destruir-se, esganar-se, rasgar-se.
A última seção trata dos ideias acéticos. Estes estão ligados a culpa, é uma forma de violência contra si mesmo, uma crime contra a vida e os instintos vitais. Nietzsche usa o exemplo dos chandalas para ilustrar como as religiões com seu asceticismo sao nocivos à vida, os chandalas eram a casta baixa das leis de manu, que tinham que fazer jejuns e beber água de poças somente. Ele os compara aos cristãos, que tem práticas parecidas, com jejuns, mortificacoes, vigílias, com o objetivo de enfraquecer o corpo para "fortalecer o espírito". O jejum cristão nao trás beneficios, pois o objetivo é literalmente debilitar o corpo, nao trazer saúde, esse é o ponto que Nietzsche critica. O cristianismo definitivamente busca enfraquecer, debilitar, prega um ódio ao corpo e a saúde, pois "a carne é pegadora", logo deve ser enfraquecida. Nesse ponto Nietzsche considera as religiões como crenças nilistas - nilismo para Nietzsche é aquilo que nega a vida - e as considera necessidades psicológicas, pois precisa crer, nao pode prescindir de crer, " o homem prefere querer o nada, a nada querer" nas palavras do próprio.
A ausência de Deus é um problema do ponto de vista existencial, afinal, quando "deus morre", junto dele morrem todas as bases dos valores que ate entao o homem acreditava. "Deus esta morto e nos o matamos", declara Nietzsche em gaia ciência, e completa depois:"... entao precisamos nos elevar a deus para sermos dignos dele". Sem deus o homem cai no nada, no vazio, no nilismo, a vida torna-se mais trágica, nao ha mais porquês, por isso faz-se necessário que o homem crie seus valores, para nao cair no vazio absoluto. A vida nao torna-se banal sem deus, ela exige uma postura ativa do indivíduo, que deve tomar as rédeas de sua existência e deixar de delegar para que o rebanho decida como voce deve viver, a partir daí é preciso um certo heroísmo, valentia, coragem, força, poder, para seguir em frente apesar dos sofrimentos e desafios inerentes a vida, pois agora não há um entendimento metafisico para justificar nossos tormentos, "'o problema do sofrimento nao é o sofrimento em si, mas sua falta da sentido".
Te falar a Real...
Relato de milagres, ou então relatos de manipulação de energia pra cura, ganho de disposição, poder, previsão de futuro etc. isso tudo tem mais peso em argumentos na existência de Deus e forças invisíveis...
Adolf Hitler mesmo teve influência do Nietzesche, mas além disso mexia com magia negra...
Hitler foi influenciado por uma versão distorcida das ideias de Nietzsche, editadas por sua irmã, que tomou conta do arcabouço teórico de Nietzsche durante sua doença. A afirmação de que Hitler praticava magia negra parece mais uma lenda; ele certamente tinha interesse por esoterismo e apreciava uma estética ritualística, mas não há evidências de que realizasse rituais satânicos.
Se quiser saber mais, segue o link: https://chatgpt.com/share/69d6bdc0-7e8c-...e735349d88
Ou seja, pode ler Nietzsche tranquilamente isso não vai te tornar um nazista.
Quanto aos relatos de milagres e manipulação de energia, eles podem estar relacionados a um viés espiritual que algumas pessoas atribuem ao universo. Assim como áreas da ciência moderna, como a física quântica, buscam compreender aspectos profundos da realidade, há quem acredite que o universo possua camadas complexas e pouco compreendidas. Isso não significa que a ciência moderna valide a pseudociência dos estudos espirituais, mas que ambas podem, sob certas perspectivas, contribuir para a compreensão do mundo como um todo.
A existência de uma força suprema, capaz de estar em todos os lugares ao mesmo tempo: onipotente, onipresente e onisciente - só pode ser aceita pela fé do indivíduo, pois não há evidências que comprovem tal existência.
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Atualmente estou lendo o Livro: Técnicas de Construção Ilustradas - Editora Bookman - Francis Ching
Um excelente livro sobre Arquitetura.
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Eu tinha preconceito com Nietzsche devido a minha formação cristã , esse ano li "assim fala zaratustra" e foi um do melhores livro que li na vida e o melhor do ano por enquanto . Ler que DEUS está morto não me tornou ateu nem muito menos satanista, e sim me fez confirmar a visão que eu tenho do divino e melhor fez com que eu reafirmasse meu propósito de vida.
Recomendo !
⁹ O que foi tornará a ser, o que foi feito se fará novamente; não há nada novo debaixo do sol.
Eclesiastes 1:9
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(08-04-2026, 08:37 PM)Luiz Escreveu: Ler que DEUS está morto não me tornou ateu nem muito menos satanista, e sim me fez confirmar a visão que eu tenho do divino e melhor fez com que eu reafirmasse meu propósito de vida.
Recomendo !
o povo ficará surpreso quando descobrirem que nietzsche é uma coisa e que nilismo é outra completamente diferente, e que o filosofo na vdd era contra o nilismo
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12-04-2026, 01:38 PM
(Esta publicação foi modificada pela última vez: 12-04-2026, 01:39 PM por ghos_tlooks.)
Finalizado o ebook Marketing Ideologico do Davi Ribas.
Livro interessante e curto, fala a respeito do que o Davi Ribas fala muito em suas consultorias e conteudos, que é o fator "Movimento", algo que as empresas fazem para que seus compradores passem a defender a marca e seus produtos/serviços, como é o caso da Apple, tambem podemos pegar Xbox e Playstation e a tal "guerra dos consoles".
Esse video resume um pouco:
(12-04-2026, 01:38 PM)ghos_tlooks Escreveu: Finalizado o ebook Marketing Ideologico do Davi Ribas.
Livro interessante e curto, fala a respeito do que o Davi Ribas fala muito em suas consultorias e conteudos, que é o fator "Movimento", algo que as empresas fazem para que seus compradores passem a defender a marca e seus produtos/serviços, como é o caso da Apple, tambem podemos pegar Xbox e Playstation e a tal "guerra dos consoles". O link nao deu, mas é esse:
https://www.youtube.com/live/5StqFVD-GMM...YWn6lWRtmF
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Estou lendo o Livro: Guia das Constelações por Martins Rees.
Um livro muito importante, em que o autor ensina a diferencia as 88 constelações estrelas visíveis no Céu Noturno:
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