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Que livros estão lendo?
Bom, vamos lá.
Depois da minha última postagem nesse tópico, li três livros. Por agora, vou comentar apenas um, pois os outros dois me cobrarão mais tempo.

OS PRINCÍPIOS QUE REGEM A INTERAÇÃO SOCIAL

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 [Image: OS_PRINCIPIOS_QUE_REGEM_A_INTERACAO_SOCI...51582B.jpg]

Até onde sei, foi lançado em 2003, há 18 anos.
Todavia, sem essa informação você com toda a certeza do mundo acha que foi escrito há poucos dias ou semanas, pois tudo o que está no livro, acontece nos dias de hoje (até em maior grau, eu diria).
A obra expõe as falácias e degradações que o feminismo gera em nossa sociedade, tolindo valores morais familiares e conservadores, citando também o ativismo judicial em favor de uma minoria que não briga por igualdade, mas sim por privilégios, poder e tirania.

Engraçado que, mesmo em 2003, ele cita que essa nova cultura faz com que o homem ocidental fique cada dia mais constrangido pelo simples fato de ser homem. Todo lugar tem sempre uma gorda e uma feministo (isso sou eu que estou dizendo).

De lá para cá, justamente o ativismo judicial, em conjunto com o ativismo político de dentro das câmaras municipais, assembleias legislativas e congresso nacional, aumentaram drasticamente. Doses super cavalares, sendo redundante.

Essa geração totalmente emasculada, sem valores conservadores e sem exemplos tornarão os dias cada vez mais difíceis.
Vocês já se desculparam por serem homens hoje? Se sim, façam o mesmo amanhã.

As únicas duas coisas formadas pelo feminismo são: homens sem bolas e mocreias peludas.
Enfim, gostei do livro, creio que todo realista vai gostar da obra (mesmo esse espaço já tendo debatido várias vezes tais temas).
#somostodosvelhos
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Comecei a ler o Macho Racional ou Rational Men do Rollo Tomassi.
Ele aborda temas em voga como hipergamia, mercado sexual, feminismo.
É uma "revisão" dos conceitos realistas, muito legal.
Para quem quiser:
https://foconoprogresso.com/wp-content/u...omassi.pdf
"Escola? E o aprendizado com os próprios erros? A experiência te faz professor de si próprio".
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Seguindo nos comentários acerca do que achei das últimas leituras, vou fazer em postagens separadas para não ficar muito extenso.

Livro: AS 12 REGRAS PARA A VIDA
Autor: Jordan Peterson

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 [Image: D_NQ_NP_711530-MLB40792447143_022020-O.jpg] 

Interessante minha experiência com essa obra. Eu a li juntamente com Em Busca de Sentido, de Viktor Frankl. Os dois possuem várias e várias temáticas em comum e eu afirmo com certeza: Peterson não só leu o livro do Viktor, como também o utilizou para escrever as 12 regras, pois ele utiliza conceitos do psicólogo judeu, bem como citações idênticas de Schopenhauer e Dostoiévski.

Outro fato interessante foi que até a metade dos livros, eu estava achando o Em Busca de Sentido muito melhor do que o do Jordan. Depois que li uns 55% de ambos, a coisa mudou de figura. Peterson usa muitas citações e exemplos bíblicos para explicar várias de suas regras e isso torna a leitura fluída e instigante.

Agora, preciso dizer algo urgentemente: Jordan Peterson é excelente e todos nós sabemos. O livro também é muito bom. Mas não há nenhuma regra disposta ali que já não tenha sido disciplinada aqui no fórum. Manter a postura; selecionar as amizades; falar menos e escutar mais; buscar o que significativo, e não o que é conveniente. Ora, temos vários tópicos excelentes sobre tudo isso aqui.
É por isso que eu fico com um pé atrás com quem tenta desqualificar um debatedor dizendo que esse é apenas mais um fórum de fakes. Porra nenhuma, vale ouro o material que temos aqui.

A regra 1 me chamou a atenção, pois Peterson dá informações que eu não conhecia e achei bem interessante e pertinente. A regra 1 se chama "costas eretas, ombros para trás" e ele cita as lagostas como exemplo.

Quando as lagostas lutam por território, a lagosta vitoriosa recebe cargas altas de serotonina, a substância da vitória. Isso faz com que essa lagosta tenha uma postura cada vez mais confiante e imponente, inibindo um possível ataque de uma outra lagosta. Do contrário, a lagosta derrotada dificilmente ganhará algum outro embate futuro, pois é como se seu cérebro de lutadora fosse removido e um de subordinada fosse colocado no lugar.

Achei espetacular essa história e podemos tirar muito proveito dela.

Não vou falar de todas as regras, até por que seus respectivos títulos são auto dedutivos, mas as histórias, referências e conceitos que o Peterson usa são excelentes, então recomendo demais a leitura.
Até teria mais algumas outras coisas a comentar, mas quero deixar para quando for falar do livro do Frankl.

Por fim, em uma das passagens da obra, Jordan fala um pouco sobre o ego e eu me identifiquei bastante, pois é o momento que atravesso hoje. Ele, depois de uma história, diz: "você quer ter razão ou sossego?"

E aviso: se você é feministO, não vai gostar do livro, é muita testosterona. Melhor continuar fazendo francesinha nas unhas.

Obs: li pelo kindle.
#somostodosvelhos
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Livro: EM BUSCA DE SENTIDO
Autor: Viktor Frankl

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 [Image: 510EGZtX6nL._SX324_BO1,204,203,200_.jpg] 

E mais um livro desgraceira para a conta. Eu havia dado uma parada, principalmente por ter iniciado a leitura da Bíblia. Mas eles me perseguem Gargalhada
Livro excelente e faz jus aos comentários positivos que recebe.

Não vou focar na parte técnica do livro, onde o psicólogo judeu Viktor Frankl fala de seu método, a logoterapia, que basicamente se fundamenta no sentido da vida humana. Em suas sessões, Frankl costumava perguntar aos seus pacientes o porquê deles estarem vivos, o porquê de não terem escolhido o suicídio, por exemplo. Não sou da área, quem quiser saber mais é só ler o livro (parte 2 e 3 do livro, mais precisamente), excepcional.

Na primeira parte do livro, Frankl conta sua estadia nos campos de concentração nazista (ele já era psicólogo nessa época).
Os fatos por ele narrados não me surpreenderam, até pelo fato de eu já ter lido Fuga do Campo 14, por exemplo (o autor desse livro só conseguiu fugir dos campos de concentração norte coreanos em 2005, praticamente ontem).
Mas me chocaram e vão continuar chocando, mesmo que eu leia um milhão de vezes. O nível de crueldade e tortura é inenarrável.

O que chama a atenção é que depois de um tempo, os prisioneiros passam a encarar a morte, por exemplo, como algo normal. A todo momento eles se deparam com companheiros morrendo. Olham para trás e "pum", cai um companheiro morto. Viram-se e "pum", mais um corpo estirado.

Outro fato curioso é que Frankl relata que alguns prisioneiros eram selecionados para atuarem como uma espécie de inferiores hierárquicos dos militares nazistas. Ele conta que esses prisioneiros (CAPO), outrora companheiros, muitas vezes eram tão cruéis quanto os alemães.

Foi através de todos os lamentáveis acontecimentos que presenciou que Viktor desenvolveu a logoterapia. O que fazia um prisioneiro do regime nazista ainda ter esperança de voltar a casa e rever família, esposa, amigos? Aliás, aproveitando o ensejo, o psicólogo perdeu irmão, amigos e esposa nos campos.


Eu disse no comentário do livro AS 12 REGRAS PARA A VIDA que Peterson leu e utilizou Em Busca de Sentido para escrever sua obra pois ele utiliza o mesmo conceito de Frankl.


Os dois dizem (primeiro Viktor) que nós não devemos buscar o sentido abstrato da vida, pois cada um tem sua própria vocação ou missão específica na vida. Cada um tem sua história, seus fardos, barreiras e dificuldades.
Não se meça com a regra dos outros. Todos nós temos nossas guerras diárias.

E é impressionante como, mesmo há décadas, um dos dizeres de Viktor acontece a todo vapor hoje: ele diz que a falta de tradições e valores nos tiram o sentido da vida, nos colocando preguiçosos, assim como as facilidades.

Hoje os cristãos são os mais perseguidos do mundo. Quase 400 milhões foram perseguidos em 2020. A cada dia que passa, os valores conservadores, éticos e familiares perdem mais espaço na sociedade moderna e isso explica a falta de caráter e propósito das novas gerações. Gerações birrentas que querem tudo, mas sem nenhum esforço.


Choca também o fato dele relatar que, em meio à barbárie, o que ele mais odiava era o escárnio que lhes eram impostos. O desprezo de apanhar por apanhar. O descaso de receberem bofetadas por simplesmente receberem bofetadas. Sem motivos. Sem justificativas. Eram surrados por gosto. Por desprezo. Certa feita estavam andando em filas, com as mãos e pés atrofiando, tamanho frio no inverno. Ele vira para trás. Isso foi o suficiente para receber socos na cabeça de um soldado alemão. 

Em um dos fatos mais marcantes da passagem de Viktor pelos campos, um companheiro, já morrendo, tentou orar e conversar com Deus. Não conseguiu. Estava queimando de febre e acabou morrendo sem falar com o Pai.

Aproveitando o ensejo e termino meu comentário dizendo que o que mais me deixou desconfortável foi o fato de Viktor Frankl não citar Deus em seu relato. Não faço julgamentos, mas é algo que me chamou a atenção.
Afinal, não seria Deus o sentido da vida? Ora, Ele é o caminho, a verdade e a vida (João 14:6).
Sou um péssimo cristão, estou anos luz de João Batista por exemplo, que teve a cabeça degolada por simplesmente pregar a palavra de Deus no Deserto. Mas é o que eu acredito.

Excelente livro.
#somostodosvelhos
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(08-06-2021, 09:20 PM)hjr_10 Escreveu: Seguindo nos comentários acerca do que achei das últimas leituras, vou fazer em postagens separadas para não ficar muito extenso.

Livro: AS 12 REGRAS PARA A VIDA
Autor: Jordan Peterson

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 [Image: D_NQ_NP_711530-MLB40792447143_022020-O.jpg] 

Interessante minha experiência com essa obra. Eu a li juntamente com Em Busca de Sentido, de Viktor Frankl. Os dois possuem várias e várias temáticas em comum e eu afirmo com certeza: Peterson não só leu o livro do Viktor, como também o utilizou para escrever as 12 regras, pois ele utiliza conceitos do psicólogo judeu, bem como citações idênticas de Schopenhauer e Dostoiévski.

Outro fato interessante foi que até a metade dos livros, eu estava achando o Em Busca de Sentido muito melhor do que o do Jordan. Depois que li uns 55% de ambos, a coisa mudou de figura. Peterson usa muitas citações e exemplos bíblicos para explicar várias de suas regras e isso torna a leitura fluída e instigante.

Agora, preciso dizer algo urgentemente: Jordan Peterson é excelente e todos nós sabemos. O livro também é muito bom. Mas não há nenhuma regra disposta ali que já não tenha sido disciplinada aqui no fórum. Manter a postura; selecionar as amizades; falar menos e escutar mais; buscar o que significativo, e não o que é conveniente. Ora, temos vários tópicos excelentes sobre tudo isso aqui.
É por isso que eu fico com um pé atrás com quem tenta desqualificar um debatedor dizendo que esse é apenas mais um fórum de fakes. Porra nenhuma, vale ouro o material que temos aqui.

A regra 1 me chamou a atenção, pois Peterson dá informações que eu não conhecia e achei bem interessante e pertinente. A regra 1 se chama "costas eretas, ombros para trás" e ele cita as lagostas como exemplo.

Quando as lagostas lutam por território, a lagosta vitoriosa recebe cargas altas de serotonina, a substância da vitória. Isso faz com que essa lagosta tenha uma postura cada vez mais confiante e imponente, inibindo um possível ataque de uma outra lagosta. Do contrário, a lagosta derrotada dificilmente ganhará algum outro embate futuro, pois é como se seu cérebro de lutadora fosse removido e um de subordinada fosse colocado no lugar.

Achei espetacular essa história e podemos tirar muito proveito dela.

Não vou falar de todas as regras, até por que seus respectivos títulos são auto dedutivos, mas as histórias, referências e conceitos que o Peterson usa são excelentes, então recomendo demais a leitura.
Até teria mais algumas outras coisas a comentar, mas quero deixar para quando for falar do livro do Frankl.

Por fim, em uma das passagens da obra, Jordan fala um pouco sobre o ego e eu me identifiquei bastante, pois é o momento que atravesso hoje. Ele, depois de uma história, diz: "você quer ter razão ou sossego?"

E aviso: se você é feministO, não vai gostar do livro, é muita testosterona. Melhor continuar fazendo francesinha nas unhas.

Obs: li pelo kindle.

Que coincidência, comprei o livro novo do jordan Peterson que lançou, mas ainda não comecei a ler, até porque o livro ainda não chegou. Quando eu começar a ler venho dar um feedback.

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Por mínimo que seja o que um homem possua, sempre descobre que pode contentar-se ainda com menos."
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Alguém já leu esse livro?
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Depois de mais um tempo ausente do fórum, estamos aí...

Buscando algo alternativo além da leitura técnica, adquiri "Não há dia fácil", escrito por Kevin Maurer e Mark Owen (...nada mais nada menos do que um ex-membro do Grupo para o Desenvolvimento de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos).

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[Image: Capa.jpg]

"Não há dia fácil é um retrato da vida nas equipes do Seal e o único relato interno sobre a Operação Lança de Netuno, realizada em 1o. de maio de 2011, que resultou na morte do terrorista Osama bin Laden. Desde a pane no helicóptero Black Hawk - que quase fez com que a missão fosse abortada - até o comunicado pelo rádio via satélite confirmando que o alvo estava morto, a operação dos vinte e quatro homens na propriedade secreta de Bin Laden é recontada em mínimos detalhes. Das ruas de Badgá ao resgate do capitão Richard Phillips no oceano Índico; das montanhas ao leste de Cabul ao terceiro andar do esconderijo de Osama bin Laden em Abbottabad, no Paquistão. Não há dia fácil coloca o leitor dentro de uma das mais surpreendentes tropas de elite do mundo. Mark Owen, ex-membro do Grupo para o Desenvolvimento de Operações Especiais da Marinha dos Estados Unidos, mais conhecido como Equipe Seis do Seal, foi líder de uma das mais memoráveis operações especiais da história recente, assim como de inúmeras outras missões que nunca chegaram às manchetes. Não há dia fácil põe o leitor além das linhas inimigas. Não perca. O nome verdadeiro do autor, assim como o de todos os Seal mencionados no livro, foi trocado por motivos de segurança".


Nota pessoal: Conteúdo interessante para aqueles que se interessam por temas militares.
"Fiat justitia, et pereat mundus..."
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Continuei a minha leitura da bíblia na sequência dos livros com a meta de terminar em menos de um ano. Comecei o projeto no dia 17/11/20. Eu queria terminar entre 6 a 9 meses de leitura, mas agora no dia 17/08 já vou extrapolar a meta de 9 meses. Então dessa vez talvez dê para terminar em uns 10 meses se tudo der certo. Meu recorde de tempo da última vez foi ler ela toda na sequência em 11 meses e 3 semanas.

De junho para cá terminei os seguintes livros bíblicos:
  • Ezequiel
  • Daniel
  • Oseias
  • Joel
  • Amós
  • Obadias
  • Jonas
  • Miqueias
  • Naum
  • Habacuque
  • Sofonias
  • Ageu
  • Zacarias
  • Malaquias
  • Mateus
  • Marcos
  • Lucas
Sendo esses três últimos livros do novo testamento. Agora que comecei o novo testamento eu acredito que a leitura vai dar uma acelerada por serem melhores de ler. E devo terminar tudo até 17/09 (10 meses).
“A maior necessidade do mundo é a de homens — homens que se não comprem nem se vendam; homens que, no íntimo de seu coração, sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” Ellen White, Educação, Pág 57.
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Eu ando lendo muita coisa ultimamente, muita mesmo ...  parece-me (com certo grau de certeza) que a aflição e o sofrimento da monotonia do cotidiano são pouco aplacados na leitura, nos dando um horizonte aonde vislumbramos, ao menos no pensamento e imaginação, uma vida de liberdade vivida com profundidade em todos os sentidos, dessa forma oferecendo a sensação de que a vida seja de certa forma suportável. Aliás, esse é o objetivo final da arte ... mas enfim, essas considerações são discussão para outro momento. Terminei recentemente este:

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[Image: 20190317211502_1103998897_DZ.png]

Resolvi recomendar esse livro, porque eu acho que ele é bastante pertinente para a maioria do público que acessa com regularidade o fórum.  

Provavelmente correndo o risco de ser redundante, primeiramente devo comentar o quanto os personagens de Dostoiévski são familiares a nós mesmos. É impressionante como em todas as profundas reflexões postas no enredo, sempre temos a inquietante sensação de familiaridade com aquele ou esse comportamento sórdido. O personagem principal é um funcionário mediano do estado, que vive praticamente como um recluso no subsolo, ou seja, em sua residência. O livro é, em suma, um diário que ele escreve para si mesmo, que provavelmente será lido por alguém após o seu desaparecimento, mas não seria o seu objetivo que realmente fosse lido. Ele começa explicando que voluntariamente se recusa a ter qualquer tipo de afetividade ou ligação com as pessoas do seu convívio pessoal, e o motivo principal é que ele se considera com elevada certeza e soberba, uma alma muito mais elevada, esclarecida, de demasiada profundidade e nobreza, e com intelecto muito superior ao da grande maioria da aristocracia russa. Na sua visão, praticamente todos são uns imbecis estúpidos desprovidos de moral e ética ou capacidade de autorreflexão, movidos apenas por satisfação sensorial. Justamente por essas características eu resolvi recomendar esse livro.

Surpreendentemente, este é o mesmo comportamento da grande maioria do fórum, que tem uma megalomania totalmente desprovida de nexo sobre o próprio valor moral ou intelectual. Na verdade, essa é uma característica muito comum do ser humano introvertido e que tem ou teve uma forte inclinação cristã, conduta esta que foi sacada já a tantos anos por Dostoiévski. Aqui é importante observar que, logicamente, eu me enxerguei em diversos momentos e aspectos com o que acontecia ali. 

Mas o curioso é que ao longo das intermináveis auto-argumentações do funcionário, ele mesmo admite que na realidade é um covarde, um covarde vil e sem caráter talvez até mais ignominioso que todos os outros a sua volta aos quais ele critica e considera grosseiro e de alma rasa. Faz algumas observações sobre o quanto tem inveja do homem de ação, entrando naquele velho ponto cansativamente debatido aqui sobre como o "conhecimento traz sofrimento"  e em como esse "sofrimento" vira um júbilo vicioso para o ser "pensante" que sofre, indo também a observações sobre como "vivemos rodeados por uma maioria de idiotas". É bastante interessante e ao mesmo tempo perturbador, as declarações de que o homem covarde (como ele) sente um prazer sórdido em sentir sofrimento, prazer em se sentir desprezado. De como esse sentimento "contraditório" é o guia para a sua atitude frente a vida. Ele busca objetivamente ser desprezado pelas suas apreciações  reclusas, justamente para poder se sentir superior no seu mundo imaginário. Acredito com confiança que isso diz muita coisa para muitas pessoas por aqui. 

Minha interpretação pessoal é que o autor se utilizou de uma perspicaz ironia ao criar esse personagem, descrevendo-o, de uma forma indireta, como uma síntese fiel a tendencia da época sobre a descaracterização do homem numa espécie de boneco social desprovido de individualidade genuína, extremamente polarizado na racionalização e tendo uma visão altamente elevada de si próprio. A irritante constância dos verborrágicos devaneios do funcionário acerca do motivo que ele suspeita que os outros tenham tomado em relação a si próprio, cria um ambiente altamente desconfortável, fazendo com que nós próprios reflitamos sobre o quanto criamos juízos de valor alicerçados na nossa covardia, baixeza de caráter e sadomasoquismo psicológico. Impossível não fazer o link com a nossa sociedade contemporânea, e imaginar sobre o que será que o Dostoiévski escreveria sobre o século XXI?

Enxergo o fórum, de muitas maneiras como esse subsolo. Muitas pessoas menosprezadas na vida real vem aqui pagar de intelectualmente e moralmente te superiores, simplesmente porque o resto do mundo não é como eles acreditam que deveria ser, ou porque nem todas as pessoas dão importância as mesmas crenças que as suas. Veem o seu juízo de valor, ou seja, as suas projeções postas nos comportamentos alheios, o que faz que o próprio ego se proteja e se coloque numa espécia de púlpito onde todo o resto é visto de cima. A frustração pessoal vira virtude. E eu escrevo isso porque me vi muitos anos fazendo exatamente isso (talvez ainda faça em certo sentido), inclusive muitos textos meus mais antigos refletem esse fato. Admitir a falha é, na maioria das vezes doloroso, e um ato de coragem e amadurecimento psíquico que poucos estão dispostos a fazer. Aliás essa é mais uma das argumentação do enredo

Definitivamente, esse é tipo de livro que vale a lida por todo tipo de gente... se você se identificou, mesmo que seja minimante com alguma coisa escrita aqui, não perca tempo.
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

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Eu praticamente não li nada (de livros) nos últimos 6 meses, mas essa semana comecei a Arte de Viver de Sêneca.

Achei bem interessante a resenha do Memórias do Subsolo, também me identifiquei com o personagem. Pensar demais e fazer de menos é um problema que eu sempre tive apesar de ter melhorado e evoluído nos últimos anos ainda resta trabalho a se fazer.
  • Sem a visão de um objetivo um homem não pode gerir a sua própria vida, e muito menos a vida dos outros.
Leia: Nuvem de Giz
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Há um lançamento em 12/2021 do Memórias do Subsolo com tradução direta do russo feita por Rubens Figueiredo, fiz a leitura de Crime e Castigo com tradução feita por ele e realmente é notada  uma estrutura menos "abrasileirada" e se aproximando mais de do "jeito russo de ser". Os "críticos literários" afirmam que isso não torna essa tradução mais valiosa e que depende mais do leitor e sua competência de extrair os ensinamentos da obra, em fim, Link dessa nova edição https://www.amazon.com.br/dp/8582852479/..._lig_dp_it

[Image: 410SFYEYXsL._SX323_BO1,204,203,200_.jpg]
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Interessante saber disso @Ghost06, todas as traduções que li, foram do paulo bezerra, direto do russo também, mas já li alguams criticas falando que ele realmente abrasileirava demais a tradução, bem, fiquei curioso para saber como seria o "jeito russo" de falar traduzido para o português.
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Li, recentemente, a HQ Watchmen, em espanhol, pois estou tentando me aprimorar no idioma. A HQ tem desenhos muito bonitos e, ao contrário do que eu pensava, muitos textos, motivo pelo qual levei quase 20 dias para terminar (a demora também se deu ao fato de que utilizei o livro como forma de aprender espanhol, então cada palavra que eu não conhecia, anotava num caderno e pesquisava no dicionário enquanto lia). 

A HQ é muito rica em conteúdo, algo definitivamente feito para adultos. Diferentemente do que vemos em franquia de filmes da Marvel, em Watchmen, o herói não é alguém limpinho que só faz a coisa certa. Em Watchmen, cada vigilante tem seu próprio ponto de vista sobre a realidade, brigam entre si, e são uma ameaça uns para os outros. Além disso, a HQ trata tanto de assuntos como prostituição, abusos, estupros, drogas quanto de política internacional com bastante profundidade e maestria na narração dos eventos. Em alguns momentos da leitura, me senti como um personagem da HQ, devido a semelhança do cenário e dos temas com as coisas que já vivenciei. 

Cada personagem da HQ é extremamente complexo e diferente um do outro. No fim, estão todos querendo salvar o mundo, alguns optando por serem mais humanos; outros tentando salvar a humanidade ao propor o extermínio de parte da população, e nisso, desavenças. Poderia escrever sobre uma série de assuntos cuja HQ propõe a reflexão, pois a HQ é muita densa em conteúdo, mas paro por aqui. Para os que já leram a HQ, deixo aqui a opinião de que, o personagem visto como um dos mais desumanos, é, ao fim da HQ, o mais humano dos personagens. Para os que não leram, não percam tempo e leiam. 

Watchmen, história em quadrinhos para adultos. Definitivamente!
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(04-05-2021, 02:12 PM)Villefort Escreveu: Eu estou lendo a Bíblia, estou lendo Josué.
Essa viagem começou em Salmos lendo em voz alta e dando o REC no gravadorzinho do celular.
Depois li Provérbios e Eclesiastes e em seguida voltei para Gênesis e fui até a metade de Josué até então.

Lidos: Josué, Juízes, Rute, 1 Samuel e 2 Samuel, agora estou em 1 Reis.
"O mais forte espadachim não necessariamente é o que vence. É a velocidade! Velocidade da mão, a velocidade da mente." (Abade Faria).
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Meu projeto de ler a bíblia em menos de um ano foi por água abaixo. Fiquei 3 meses inteiros  (mês de agosto, setembro e outubro) sem conseguir ler nada por estar trabalhando exaustivamente umas 90 horas por semana em média (nem sabia que isso era possível). Agora em novembro voltei a ler.

Agora que voltei a ler eu li os seguintes livros bíblicos:
  • João
  • Atos
  • Romanos
  • 1 Coríntios
E também li o livro Eventos Finais. Que é um livro que faz um compilado das profecias da Ellen White sobre como seria os últimos anos da terra. Foi escrito em 1880 aproximadamente e muita coisa que parecia surreal naquela época está acontecendo igual foi profetizado, inclusive relata coisas que ainda vão vir que antes da pandemia pareciam impossíveis de acontecer e agora já não parecem mais e eu acredito que vão se cumprir realmente como ela profetizou.

Li o livro A abolição do Homem de C.S.Lewis, livro difícil de compreender, foi necessário uma leitura atenta. Lendo a parte 3 tive certeza que o Aldous Huxley leu esse trecho para fazer o livro Admirável Mundo Novo, porque o exemplo de uma sociedade tecnológica sem valores morais que o C.S.Lewis cita para exemplificar sua linha de raciocínio é a descrição absolutamente exata do livro Admirável Mundo Novo que foi escrito vários anos depois.

Li o livro Em Busca de Sentido de Viktor Frankl. Livro muito bom também. Com reflexões relevantes apesar de ser meio técnico. Gostei bastante da análise que ele faz do comportamento humano de dentro de um campo de concentração. De como no pior momento das nossas vidas as pessoas não se tornam animais que reagem puramente por instintos como sugeria Freud em seu divã confortável (bem longe da realidade), mas a natureza humana revela o íntimo da pessoa, alguns se revelavam santos e outros maus e dispostos a qualquer coisa para sobreviver. As circunstâncias não mudam o nosso caráter mas o revelam.
“A maior necessidade do mundo é a de homens — homens que se não comprem nem se vendam; homens que, no íntimo de seu coração, sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.” Ellen White, Educação, Pág 57.
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