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[REFLEXÃO] Eros e Pisquê: A Mentalidade Codependente
#1
Eros e Pisquê: A Mentalidade Codependente
Ricardo C. Thomé

Cabeças problemáticas atraem pessoas problemáticas
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No mito grego, Eros contraria sua mãe, a deusa Afrodite, e salva a bela Psiquê do destino da morte, se apaixonando por ela no processo; mas logo a mortal se demonstra infiel, traindo sua confiança. Apesar disso— mesmo que ele tentasse abandoná-la — não conseguiu vê-la infeliz sendo atormentada em solidão pela deusa e então suplicou a Zeus para que, após sua morte, a reviva, salvando-a para que dessa forma nunca mais se separassem na imortalidade. Este mito geralmente é entendido como uma incurável história de amor verdadeiro, mas esconde uma interpretação alternativa: A dependência de Eros pelo amor de Psiquê, inclinação que o fez contrariar sua natureza divina, hierarquia familiar e insistindo num romance iniciado pela quebra de confiança. E isso pode ser interpretado sobre o que trataremos aqui.

Sempre que falamos de pessoas com distúrbios de personalidade como borderline, narcisistas e bipolares, é preciso entender que estes traços só encontram solo fértil com um tipo de transtorno emocional pouco falado, que são os codependentes.

Como o próprio nome sugere, codependentes não são vítimas na relação, mas se alimentam emocionalmente dessas pessoas com distúrbios, pois foram criadas para se atraírem por indivíduos com estes problemas. Parecendo até mesmo que se relacionam com a mesma pessoa, mudando apenas o corpo.


Vício em relações (ou solidão patológica)

A pessoa não suporta a própria companhia, não sabendo administrar sua solidão, estando sempre a um passo de viciar-se em suas companheiras, isso o faz insistir em laços destrutivos ao invés de terminar, preferindo tentar tornar aquela relação ruim em algo saudável do que viver só.

Frases comuns são: “Releva um pouco, ela tem traumas”, “ela estava nervosa”, “mas até que eu também tive bons momento com ela”, “ela me traiu por estar confusa”, “sou o homem e devo ser mais resiliente que ela.” e etc. Expressões comuns de um viciado que se recusa a largar uma substância, relativizando o mal que ela te faz.

Outros traços da personalidade codependente: 

Personalidade servil (ou agradador): sua autoestima se adequa a vida do outro. Os desejos do outro são sempre prioridade, sentindo-se mal ao contraria-lo. Gostos, práticas, tudo é espelhado na aprovação ou reprovação emocional daquele que te governa. Alguém que não sabe dizer não.

Complexo de Messias (ou resolvedor): entende os problemas do outro como os seus, praticamente adotando a outra pessoa para si mesmo, sem juízo de valor quanto ao sacrifício que fará para resgatar a pessoa donde se encontra, mesmo que tais problemas sejam apenas dramas ou superficiais.


Carência profunda: aquele que dá afeto incomensuravelmente maior ao que recebe, quando encontra alguém se lança sobre ele de tal forma extrema que evidencia um vicio em demonstrar carinho, reproduzir rituais românticos e fetiches do gênero. Aqueles com este distúrbios geralmente se atraem por pessoas de distúrbio narcisista por estas serem ególatras de criação e adorarem este assédio constante dos carentes como alimento.

Como dito, a codependência também é um transtorno, geralmente possuindo lastro numa infância emocionalmente abusiva ou superprotetora, onde a pessoa foi poupada da experiência da frustração, ou recebeu atenção e sim’s demais ao longo dela. E tanto quanto o narcisismo, a bipolaridade, histrionismo, boderline ou demais distúrbios, também precisa de tratamento ou atenção psicológica. Pois se por algum motivo suas experiências afetivas são sempre destrutivas, significa que você busca alimento justamente em pessoas com estes transtorno, não sendo a vítima, mas uma dependente de pessoas problemáticas, que em algum grau satisfazem o seu desequilíbrio.

texto de Ricardo C. Thomé
https://medium.com/oconselho/eros-e-pisqu%C3%AA-a-mentalidade-codependente-d51b98391e1c
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