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Conhecendo o Autor #02 - Franz Kafka
#1
[Image: 200px-Kafka1906_cropped.jpg]


Citação:Gregor Samsa, ao acordar de sonhos intranquilos, encontra-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.

PUTA QUE O PARIU!


Se você for pesquisar qualquer coisa relacionada ao Kafka e o texto não iniciar com essa citação de A Metamorfose, pode fechar o site e ir para outro, pois o sujeito não sabe absolutamente nada desse cidadão. Essa frase é, inclusive, a primeira do livro. Você abre a obra, e logo na primeira linha se depara com esses dizeres. Depois vou falar mais de A Metamorfose, mas já adianto que no final vou deixar outro começo absurdo de uma outra obra dele. PEDRADA NA FUÇA!
 
Franz Kafka nasceu em 03 de julho de 1883, na cidade de Praga (na época, Império Austro-Húngaro, hoje, República Tcheca [ele só se tornou cidadão tcheco nos últimos cinco anos de sua vida, ou seja, foi a vida inteira um cidadão austríaco e escreveu em alemão, apesar de ser judeu]).

Teve uma infância e adolescência complicada, devido ao seu relacionamento com o pai, muito rígido e autoritário. Isso causou consequências permanentes no comportamento do Kafka, pois ele era extremamente magoado com isso, ressentido, ao passo que se tornou uma pessoa isolada emocionalmente e rebelde. Até na sua relação com mulheres isso teve influência. Ele frequentava bordéis, os famosos puteiros de hoje em dia, mas não conseguiu se firmar com nenhuma mulher seriamente. Ao que parece, também era um apreciador de pornografia. Tudo isso vai de encontro ao relacionamento agressivo de seu pai com ele. Pode ser que ele via no ato de pegar muitas mulheres uma chance de se achar mais homem, sei lá.

Franz cursou direito e foi na faculdade que conheceu seu fiel amigo de vida, Max Brod, que foi seu biógrafo. Aliás, devemos muito ao Brod, pois muita coisa só foi publicada por conta desse cidadão. O Kafka queria que seus escritos fossem destruídos (ele mesmo queimou uma parte imensa de seu acervo), mas Max não deu ouvidos (graças a Deus). Interessante que o  Kafka deixou os direitos de sua obra para seu amigo Brod. No pedido, Franz diz que os escritos deveriam ser queimados sem serem lidos, logo após sua morte.

Uma peguete dele também guardou uma cacetada de livros e cadernos quando ele morreu. Ao que parece, esses papéis foram confiscados pela Gestapo em 1933 (Gestapo era a polícia secreta da Alemanha Nazista).

Depois de se formar em Direito, arrumou um emprego numa corretora de seguros. Ele foi parar em outros trabalhos depois dessa corretora, mas reclamava bastante devido a sua carga horária de trabalho, que o deixava sem muito tempo para produzir suas genialidades.

A expressão “kafkiano” é sempre lembrada por escritores e críticos literários, pois significa algo difícil, surreal, estranhamente estranho (hein?), algo nesse sentido.

Kafka morreu em 3 de junho de 1924, com apenas 40 anos. Sofria de tuberculose.

Imagina se tivesse vivido 60, 70 anos... poderia ter escrito mais uma porrada de livros, foi uma pena.
 
Falando um pouco sobre minha experiência com os livros dele, até o momento li A Metamorfose e Carta ao Pai, ao passo que estou no fim de O Processo.

Carta ao Pai é interessante, pois por mais que não seja um clássico como os outros, é um divisor de águas para entender a escrita do Kafka. Digo, pois em Carta ao Pai ele descreve toda a conturbada relação que tinha com seu pai. Inclusive, ele não entregou essa carta ao pai e foi seu amigo Brod que publicou.

De cara você já consegue identificar essa relação difícil no livro A Metamorfose, onde Samsa causa repulsa em sua família.

Aproveitando o gancho, eu já li livros mais pesados que A Metamorfose. Li Fuga do Campo 14, Max (esse livro é excepcional, o final mais surpreendente que já tive contato), Noite na Taverna (pedofilia, necrofilia, assassinato, morte e por aí vai, é isso que você vai encontrar), enfim, entre outros, mas nenhum me fez ficar tão mal e refletir quanto A Metamorfose.

Fiquei dias e dias remoendo esse livro, entrei em colisão comigo mesmo e devo confessar: não me sinto à vontade quando lembro da história desse livro. Fico inquieto, incomodado, sem lugar. Samsa vai de chefe de família (mesmo ele sendo o filho, bancava as despesas) para um fardo de toneladas nas costas de sua família.

Livro extremamente claustrofóbico, se passa todo praticamente dentro do quarto de Gregor. Que descaso, que desumano, que barbaridade essa história.

Enfim, quem ainda não leu, pode baixar aqui o PDF.

E detalhe: eu li e tenho o livro físico, mas meu primeiro contato com ele foi através de um audiobook. Ele está disponível de graça no aplicativo da Saraiva.
Sobre O Processo, quando terminar eu relato aqui, mas é essa obra que tem outra pedrada logo na primeira linha do livro. 

SEGURA QUE LÁ VEM:


Citação:Alguém certamente havia caluniado Josef K., pois uma manhã ele foi detido sem ter feito mal algum.


Agora que terminei de escrever essa passagem, me veio aqui a palavra que melhor descreve os momentos de leitura kafkiana: AFLIÇÃO!


Bom, eu escrevi um pouco mais sobre minhas experiências e dei uma esplanada mais geral sobre a vida do Kafka. Mas tem um motivo. O professor Rodrigo Gurgel tem um vídeo que é uma obra prima, falando sobre a vida e o legado deixado pelo Kafka. Qualquer tentativa de igualar o vídeo que ele fez deve ser considerado um crime!

São 33 minutos de vídeo que valem e muito a pena serem assistidos. Coloca pra rodar quando tiver no banho, almoçando, cagando, sei lá, só não fique sem assistir, é valioso demais.





Canal do Gurgel tem 91 mil inscritos. Do Felipe Feto, uns 30 milhões.
Essencial Kafka, vídeo acima, não tem 23 mil visualizações. Kéfera ensinando as moçoilas a peidarem no primeiro encontro, tem 10 milhões.

Faz sentido o Brasil estar nessa situação.
"Em tudo, dai graças" - Tessalonicenses 5:18
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#2
Fenomenal. Dele já li A Metamorfose, O Processo, O Castelo, e o conto O Julgamento, e afirmo que O Processo é um dos livros mais importantes do século XX, uma crítica mordaz à incompetência da burocracia. A Metamorfose, assim como Carta ao Pai, é autobiográfico, descrevendo as brigas de Kafka (Gregor Samsa) com sua família, inclusive a virada em sua relação com sua irmã também aconteceu na vida real se bem me lembro.
  • Sem a visão de um objetivo um homem não pode gerir a sua própria vida, e muito menos a vida dos outros.
Leia: Nuvem de Giz
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#3
@hjr_10  seus posts e tópicos sobre literatura já são patrimônio do fórum ...  Fuck


Eu só li Metamorfose do Kafka e na verdade não gostei muito. Não sei dizer exatamente o porque, acho que preciso digerir melhor a ideia central da coisa (li esse livros já faz uns 3-4 meses eu acho). 

Mas sem dúvida ele consegue causar um desconforto enorme no leitor, isso é algo bastante peculiar .
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

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#4
Citação:[...] Carpeaux disse que estava numa festa em Viena e que havia um sujeito estranho, solitário num canto, e que ele foi lá falar com ele. Perguntou o nome dele. E ele respondeu alguma coisa como "Kaua...", porque ele já tinha a laringe totalmente tomada pela tuberculose e não conseguia mais falar com clareza. Aí ele perguntou lá pra uma pessoa na festa quem era o fulano e disseram que ele era um escritorzinho de terceira, que não tinha nenhuma importância, um sujeito estranho e maluco [...]".
 
 Qualquer coisa que eu comente sobre o Kafka ou sobre suas obras será pouco em comparação com as brilhantes análises do professor Monir, inclusive esse trecho citado é do Expedições Pelo Mundo da Cultura em que ele analisa O Processo. 

 



 Eu considero o Kafka um daqueles escritores que ou você ama ou você odeia, não existe meio termo, ou você se identifica com as obras dele e cria uma conexão instantânea com elas e com os personagens entrando de cabeça no universo kafkiano ou então permanece fora mesmo, a conexão é imprescindível nesse processo, sem ela o livro perde todo o seu brilhantismo. 

 É impossível falar de Kafka sem citar o Max Brod e olha como as coisas são engraçadas, é difícil chegar a alguma conclusão sobre esse "crime" de publicações póstumas principalmente porque o Kafka era um tanto quanto pessimista e perfeccionista também não admitindo uma obra inacabada ou malfeita, mas fica a incógnita se o Kafka disse aquilo no intuito dos escritos serem de fato publicados (um desejo ególatra) ou se realmente não conseguia destruí-los por puro apego a eles, mas isso é irrelevante uma vez que o próprio Brod disse em seu julgamento que se o Kafka quisesse de fato obliterar seus textos incompletos, teria pedido isso ainda em vida. 

 Penso que, se Kafka pudesse voltar a vida, talvez estranhasse o fato de que as obras que ele ordenou que fossem queimadas na verdade estão circulando o mundo todo, isso talvez o impactasse e até abalasse seus laços de amizade com Max Brod, mas é pura especulação.  Fica-se o questionamento.

 O Brod já era um escritor conhecido na época, mas nunca deixou de motivar e incentivar a carreira literária de seu amigo, e isso é algo interessante, não se via resquícios de inveja uma vez que o próprio Brod reconhecia o talento absurdo de Kafka para a escrita. Aliás, após a morte de Kafka e depois de ter descumprido o testamento, Brod acabou fugindo para a palestina levando consigo os escritos de Kafka, uma vez que se os nazistas pegassem-no com certeza poriam fim neles. E ele concluiu algumas obras, eu particularmente acho que ele fez isso muito bem, sendo bastante fiel ao estilo kafkiano. 

A amante dele que também guardou alguns textos foi a Dora Diamant, ela queria realmente queimá-los atendendo o pedido de seu amante mas não chegou a fazer, mas ela não os entregou ao Brod que chegou a pedi-los, penso que ela agiu mal pois se tivesse entregado os escritos a ele teríamos muito mais livros do Kafka à disposição, e a obra dele é relativamente curta mas indiscutivelmente genial. 

 É bem difícil eu recomendar livros dos autores que gosto porque penso que os melhores livros que a gente lê acabam aparecendo naturalmente, talvez até de forma aleatória. Deparei-me com o Kafka quando estava em uma biblioteca e vi um livro em que a capa era o rosto de um homem amedrontador, quase como aquelas fotografias de pessoas que já morreram e que parecem estranhas. Abri o livro, com certo receio, chamava-se o Desaparecido ou América e por sorte, ou pelo destino, acabei descobrindo esse gênio da literatura e apreciando-o muito, depois cheguei até a pensar que a primeira impressão que tive da foto refletiu algumas de suas obras, que chegam realmente a incomodar e causar estranheza mas que são, repito, geniais. 

 Valeu @hjr_10, pelo tópico, muito bom.
 

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#5
Se ver uma análise do Hjr_10 sem um palavrão introdutório desconfie da qualidade. Toda vez que ele traz uma excelente análise começa xingando tudo.

Yaoming Yaoming

O fato dele querer queimar os escritos reforça a força da personalidade dos personagens que eram medrosos e inseguros. Ele conseguia aprofundar isso neles porque extravasava o que estava em sua alma. E isso é muito interessante.

A parte dele não ter entregue a carta ao pai também dá maior força a mensagem escrita nela de ter medo do pai.

A primeira vez que ouvi falar dele foi esse ano no canal do Rodrigo silva Arqueologia, aí li o Metamorfose que achei sensacional. Também li na colônia penal e carta ao pai, mas não gostei desses.

Não conhecia esse canal do youtube. Valeu por indicar, parece excelente. Vou assistir com calma nessa semana.
“A honra, a integridade e a verdade precisam ser guardadas, custe o que custar ao próprio eu.” Obreiros Evangélicos, pág. 447
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#6
Hoje li dez páginas de O Processo e tive que parar.
Inclusive, vou terminar de ler os dois que estou lendo agora e depois vou dar uma parada. Vou ler outro tipo de livro até terminar esse ano.
Estou numa pegada hard há tempos, desde o início do ano, só lendo pedrada.

Digo, pois vivencio demais as obras que leio. Gosto de imaginar cada detalhe que os autores descrevem, paisagens, locais, enfim, tudo, até os sentimentos, puta que o pariu.

Esse O Processo é um livro filho da puta por três coisas, até o momento (vou colocar em spoiler, pois li uns 75% do livro, por aí):


Spoiler Revelar
1 - Josef K. é caluniado sem saber o motivo e porra, até agora ninguém diz absolutamente nada, vai tomar no cu, agonia da porra;
2 - Tem um advogado no livro que meu Deus, que vontade esmurrar esse velho filho da puta, desgraçado, FILHO DA PUTA. Ele é velho, tem uma doença que não o deixa levantar da cama. Ele só atrapalha, não ajuda em nada, vai se foder, PARA DE DAR OUVIDO PARA ESSE FDP E VAZA JOSEF DESGRAÇADO;
3 - Tem um pintor que passa pela mesma coisa que Josef K. e esse é, sem dúvida, o personagem mais marcante do livro para mim. O SUJEITO NÃO TEM SOSSEGO UM SEGUNDO SEQUER DE SUA VIDA. Mora num barraco que na verdade é um quarto pequeno, estreito, quente, mofado e abafado. Velho, ninguém deixa o cara em paz, as crianças da vizinhança também o amolam 24 horas por dia, que sensação ruim da porra de claustrofobia, asfixia, agonia, ansiedade, essas porras todas. Sabe o que é o cara não ter um segundo de sossegado na vida?????????????????????????? Caralho.
"Em tudo, dai graças" - Tessalonicenses 5:18
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#7
Podcast de um mês atrás do Olivertalk. Gosto bastante deles e coincidentemente, falaram do livro O Processo, do Kafka.




"Em tudo, dai graças" - Tessalonicenses 5:18
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#8
Terminei há 5 minutos o livro O Processo.
Não consigo descrever o livro ou tecer algum comentário que fuja do que o camarada @Temujin bem disse a respeito da crítica ferrenha de Kafka acerca da burocracia. Não por agora.

O final foi extremamente inusitado. É um baita livro, BAITA LIVRO. EXCELENTE LIVRO, MUITO BOM.
Vou assistir alguns vídeos que falam sobre essa obra.


Tem um filme também que fizeram com base nesse escrito de Kafka.
Lá vai eu perder mais duas horas assistindo.

É um livro excepcional, isso é fato consumado.
"Em tudo, dai graças" - Tessalonicenses 5:18
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