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[REFLEXÃO] Vítimas da vontade de vencer
#21
(09-08-2019, 08:22 PM)Monarca Escreveu:
Spoiler Revelar
O pior preço do desenvolvimento é quando você chega lá e percebe que por mais que aquilo possa melhorar a sua vida, não dá um sentido para ela. Você pode distrair a sua mente trabalhando por um objetivo todos os dias, mas ainda que você o conquiste, ainda será confrontado consigo mesmo. E isso será um grande problema se você continuar se afastando de si mesmo e entrando em uma "espiral de ações pelo futuro", fugindo das sua condição pessoal no agora. O foco não é na mensagem de que o futuro não deve ser planejado, de que você não deve se dedicar hoje para ter uma vida melhor no futuro... mas sim nessa covardia que é a fuga do agora mascarada pela busca do desenvolvimento pessoal

Vou dar um exemplo pessoal. Eu sempre fui muito tímido, e nunca tive muitos amigos por ser um dos mais inteligentes da turma na escola - o famoso "CDF". Isso me atrapalhou muito nas minhas interações sociais, porque sempre que eu saia em festas eu acabava andando sozinho até que parei de ir. Além disso, eu sou evangélico e confesso que a religião também atrapalhou muito os meus relacionamentos; e não falo isso com tom de ódio pela igreja, mas apenas reconhecendo que há uma discrepância enorme na maneira como trataram o tema frente à realidade - e acredito que isso não seja uma exclusividade do meio evangélico (embora nele seja mais acentuado), com todo respeito aos católicos do fórum. "Não ter sexo antes do casamento", "ficar não é o correto, tem que ter relacionamento sério"... Expanda ideias como essas para outras áreas da vida além da área amorosa... acho que nem preciso acrescentar os por menores do quanto isso destoa totalmente da realidade atual. Por causa disso, muitas coisas simples para os outros foram mais difíceis para mim; e outras foram mais fáceis - como estudar. 

Estudar foi fácil para mim porque serviu de fuga da realidade por um bom tempo; mas quando você conquista o seu objetivo, o esforço contínuo e diário que te "entorpeceu" por um bom tempo vai embora e tira as vendas dos seus olhos, te confrontando com a realidade, com os seus defeitos e insatisfações internas. Essa é a minha "Mátrix do desenvolvimento pessoal"; algo que te traz as virtudes da persistência e da disciplina, que te traz aquilo pelo qual você lutou, mas que ao mesmo tempo camufla alguns de seus defeitos internos que talvez te incomodem muito mais do que o fato de ter um péssimo salário, por exemplo. Por isso que digo que é necessário que vivamos no agora, que confrontemos aquilo que somos e que procuremos vencer os nossos medos e corrigir os nossos defeitos; bem distante do "carpe diem" ou do que outras ideologias devassas atribuem de significado para o "viver no agora", mas próximo de uma evolução pelo simples desejo de se tornar alguém melhor, e não pelo sentimento de culpa ou de "medo de ir para o inferno", que também é algo que sempre nos afasta daquilo que realmente somos - seres imperfeitos ( alguns em busca da perfeição); se não errarmos, não temos o que corrigirmos. 

A autocobrança é uma das coisas que mais entristecem a vida. Nós não temos a obrigação de sermos os melhores, de irmos sempre treinar, de sempre estudar mais que os outros, de casar e formar uma família... Precisamos aceitar que falhar faz parte de nossa natureza imperfeita e que a vida seria extremamente entediante se conseguíssemos fazer tudo aquilo que nos propuséssemos a fazer; se tornar alguém melhor está muito mais próximo do estado de estar satisfeito com a própria vida do que do estado de aperfeiçoamento constante. E isso pode soar estranho, como se acomodar-se fosse sinônimo de ser melhor, mas não deve ser interpretado dessa maneira. A ideia é de que a paz e a satisfação com a própria vida decorre da ideia de que, infelizmente ou felizmente, não seremos bons em tudo, mas que pelo menos desenvolvemos aquilo que consideramos essencial para a nossa paz e saciedade; e a parte de bens materiais é insignificante perto do que temos que nos tornar para isso - muitas vezes essa parte é até desnecessária. 

Você pode morar no condomínio dos bens-sucedidos financeiramente, mas se você continuar fugindo ou tentando mascarar as suas insatisfações internas, vai continuar pobre. Cedo ou tarde, você será confrontado com elas. Eu me convenço de que a satisfação e a paz de viver a vida está nas pequenas coisas e na simplicidade do ser; porque um espírito rico não tem a menor necessidade de mascarar as suas imperfeições sob a sombra dos melhores bens materiais, como muitos fazem. (Não estou falando mal de quem quer ter bons bens, mas sim de quem usa isso com a finalidade que citei).

Para resumir, os erros fazem parte da vida e não podemos fazer com que a autocobrança tire a nossa tesão de viver, como tirou a minha quando eu me via como um merda pela opinião dos outros "colegas de classe" ou do "não poder fazer nada porque é pecado"*. Precisamos reconhecer que errar faz parte e que nenhum desenvolvimento pessoal vai manter as nossas insatisfações internas encobertas eternamente - elas costumam vir à superfície junto com aquilo pelo qual você tanto batalhou; precisamos aceitar os nossos defeitos e procurar corrigir aquilo que nos tira a paz e a satisfação com a vida, e não é nos culpando que faremos isso (se você fizer isso, você não aceitou que é imperfeito). 

*Comentário sobre essa frase em spoiler.
Eu vou ser bem breve aqui porque está na hora da janta, qualquer dia falo mais sobre isso. Essas regras podem serem corretas para você, ou não, não quero entrar nesse mérito, mas me trouxeram muita tristeza na vida viver sendo chicoteado pela consciência para me manter nesses costumes. O importante mesmo é acreditar em Cristo, nos seus ensinamentos, aproximar-se dele; e não ficar preso nessas regras. Não estou relativizando, só dizendo que Cristo é muito maior do que essas regras... Como falei, esse é um comentário bem breve, e não vou me estender nesse assunto, mesmo sabendo que provavelmente ele vai ser o mais questionado em toda a minha postagem. É algo mais pessoal e não espero que entendam.

Monarca, vi muita sabedoria e maturidade nesse seu comentário. Me atingiu em cheio e me fez refletir por dias. Obrigado.

[Image: giphy.gif]

Sugiro levar o texto para o seu diário de desenvolvimento pessoal para ele não se perder com o tempo entre as postagens do fórum. E se for mandar pra lá aproveite o momento para revisar com calma (sem ser na hora da janta novamente kkkkk) e aprofundar alguns pontos que acabou escrevendo na pressa.
A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.
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#22
Todo o sistema capitalista é montado em cima da NECESSIDADE de crescer (vencer) : a taxa de crescimento do PIB de uma economia divulgada pelo banco central, a projeção de crescimento de uma empresa no ano. Caso essas expectativas sejam frustradas, existe consequência via taxa de juros ou nos preços das ações.

Isso recai diretamente no ombro do indivíduo. Somos cobrados para crescer, vencer, enriquecer a cada dia mais. 

O sistema depende disso. Os relacionamentos também. As mulheres são as maiores fiscais do crescimento masculino. Venceu? Tem sexo (não disse amor), não venceu? Vira um excluído, um incell.

Ester Villar, no seu livro O Homem Domado explica muito bem essa necessidade do homem vencer para ter aprovação feminina. 

O problema é que esse mecanismo de crescimento econômico ilimitado é incompatível com um mundo de recursos (natureza) escassa e limitada.

Muitos homens encontraram no MGTOW uma forma de sair desse jogo. Outros tacaram o Foda-se.

O fato é que o sol nasce pra todos. Mas a sombra é pra poucos. 

Num país subdesenvolvido como o Brasil isso é ainda mais crítico, pois as pessoas não nascem em condições iguais de competir.
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