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Somos carnívoros ou vegetarianos?
#1
Caros senhores, acho que alguns de você já conhecem meu blog e tal, mas alguns textos importantes podem ter passados desapercebidos. O texto abaixo é o segundo e mais importante de uma série de 3 artigos de Michael Eades, autor do livro Protein Power. Explica porque a carne é fundamental para a nutrição humana, e pode vir a calhar para esfregar na cara de alguns vegetarianos chatos que às vezes aparecem. A tradução foi originalmente publicada aqui.


por Michael Eades. O original está aqui.

[Image: Monkey-skeleton-blog.jpg]Comer carne nos fez humanos. A evidência antropológica fortemente sustenta a ideia de que a adição de quantidades cada vez maiores de carne nas dietas de nossos predecessores foi essencial na evolução do grande cérebro humano. Nossos grandes cérebros surgiram em detrimento de nossas tripas, que encolheram enquanto nossos cérebros cresciam.
Em Abril de 1995 um artigo apareceu no jornal Current Anthropology (Antropologia Atual) que foi um tour de force intelectual e , em minha visão, um exemplo de um artigo teórico perfeito.  “A Hipótese do Tecido Caro” (HTC) de Leslie Aiello e Peter Wheeler demonstrou através de um experimento mental brilhante que nossa espécie não evoluiu para comer carne mas que evoluiu porque ela comeu carne.
A HTC é um exemplo do tipo de trabalho de detetive científico que eu amo. De fato, este artigo é um dos meus preferidos de todos os tempos.  (Uma curiosidade incrível sobre este artigo é que ele quase não foi publicado. Eu tive a oportunidade de conversar com Leslie Aiello em um encontro há alguns meses, e ela me contou que o jornal estava relutante em publicá-lo porque os editores pensaram que ele era muito técnico para seus leitores. Eu suspeito que eles também o acharam muito controverso. Agora eu tenho certeza que eles estão satisfeitos em tê-lo publicado porque imagino que ele seja o artigo mais citado de todos já publicados no Current Anthropology.) Os autores metodicamente expõem os fundamentos científicos de seu experimento, e então, como Sherlock Holmes, progridem passo a passo, acumulando pequenos pedaços de informação até chegar à inevitável conclusão que comer carne nos fez humanos. Eu gostaria de nos guiar através de seus pensamentos conforme expostos em seu brilhante artigo.
Vamos começar pelo problema.
Por anos antropólogos especularam porque humanos desenvolveram cérebros tão grandes tão rapidamente – do tamanho de uma bola de softball para o que temos agora em pouco menos de 2 milhões de anos. Abaixo temos um gráfico mostrando o crescimento do cérebro humano/ de hominídeos ao longo do tempo.
[img=600x0]https://i0.wp.com/www.proteinpower.com/drmike/wp-content/uploads/2009/09/ETH-brain-growth.jpg[/img]
Uma certa quantidade de hipóteses surgiram para responder a essa questão. Alguns dizem que humanos desenvolveram cérebros grandes porque eles precisavam resolver problemas envolvendo o tamanho de grupos, outros dizem que os cérebros grandes vieram como consequência do desenvolvimento de estratégias complexas de procura de comida, outros ainda dizem que o desenvolvimento de uma inteligência social ou maquiavélica foi o fator primordial. E outros ainda dizem que as complexidades de se aprender a caçar expandiram o tamanho do cérebro.
Qualquer uma ou todas essas hipóteses podem ser válidas, mas o problema não é realmente um caso de porque tanto quanto é de como. Outros primatas lidam com grupos ou tem estratégias de procura de comida complexas; e muitos lidam com problemas sociais em seus grupos, e alguns também caçam. Mas ainda assim eles tem cérebros pequenos. (Certamente, seus cérebros são maiores em relação ao tamanho do que o de outros mamíferos, mas primatas tem cérebros pequenos quando comparados a humanos .)  Como o cérebro humano cresceu?
Esta pergunta não é fácil por causa da termogenia envolvida. Cérebros consumem muito combustível e , consequentemente, geram uma enorme quantidade de calor relativamente ao seu tamanho. O gasto metabólico do tecido cerebral é nove vezes maior que a média do gasto do resto do corpo.
E daí? você pode dizer. Então temos um cérebro grande, quente e queimador de energia. Que diferença isso faz? Isto é refletido em nosso gasto metabólico geral, certo? Bem, mais ou menos e aí está a parte crucial do problema. Como veremos abaixo, nosso gasto metabólico total – mesmo com nossos cérebros gigantescos – é o mesmo de qualquer outro animal de nosso tamanho. Ou dizendo de outro modo, animais de nosso tamanho com cérebros muito menores tem o mesmo gastro metabólico que nó temos com nossos cérebros enormes. Este fato foi o ponto de partida para os autores da HTC. Então vamos começar por lá também.
[Image: Fire-of-life6.jpg]Mantendo uma grande tradição científica, Aiello and Wheeler foram capazes de ver o que ele viram porque eles estavam sobre os ombros de gigantes que vieram antes deles. No caso deles o gigante era Max Kleiber, um fisiologista de animais trabalhando na University of California em Davis, que publicou um artigo inovador em 1947 e um texto erudito intitulado The Fire of Life (O Fogo da Vida) em 1961.  O trabalho de Kleiber envolveu a medição meticulosa dos níveis metabólicos de diversos animais, incluindo humanos. Conforme ele plotava os diversos gastos metabólicos, ele descobriu uma correlação extremamente forte entre a massa do animal e seu gasto metabólico. Kleiber descobriu que essa relação se mantinha constante entre diversas espécies. Seu artigo de Outubro de 1947 em  Physiological Reviews (Resenhas Fisiológicas) intitulado simplesmente de “Body Size and Metabolic Rate” (Tamanho Corporal e Gasto Metabólico) foi um clássico. Ao usar as equações que Kleiber descobriu, o gasto metabólico de qualquer animal poderia ser determinado simplesmente se conhecendo o tamanho corporal do animal. Ou, como Kleiber escreveu no artigo:
Citação:Um cavalo produz mais calor por dia do que um rato ou alguns ratos produzem mais calor do que alguns cavalos? Quase todo mundo que entende o que significa  “produção de calor por dia” não hesitará em dar a resposta correta e ainda estará convencido que a produção diária de calor de homens ou ovelhas seja maior que a de ratos, mas menos que a de cavalos. Deste modo a maior parte das pessoas  (entre aquelas que entendem a questão) estão convencidas que de modo geral os maiores homeotérmicos produzem mais calor que os menores, que, em outras palavras, o gasto metabólico de homeotérmicos é positivamente correlacionado ao tamanho corporal.
A resposta à próxima pergunta: “um cavalo produz mais calor por dia por quilograma de peso corporal do que um rato?” requer algum conhecimento em biologia. A maior parte dos biólogos, porém, não hesitará em responder que o índice de produção de calor por unidade de peso do animal maior é menor do que o índice do animal menor.
A correlação positiva entre o gasto metabólico e o tamanho corporal, e a correlação negativa entre o gasto metabólico por unidade de peso e tamanho corporal, estabelecem dois limites entre os quais podemos esperar achar o índice de produção de calor [Gasto metabólico basal] de um cavalo se soubermos o índice de produção de calor de um rato. Nós esperaremos que o gasto metabólico do cavalo esteja entre aquele do rato, e aquele do rato vezes a razão entre o peso do cavalo e o peso do rato, desde que é claro nós não consideremos estas duas correlações como simplesmente acidentais.
Se nós estivermos firmemente convencidos que o gasto metabólico dos cavalos, e de outros homeotérmicos de tamanho similar, nunca está fora desses dois limites, então admitiremos reconhecer uma lei natural entre o tamanho corporal e o gasto metabólico.
Esta lei natural, cuidadosamente calculada por Kleiber, é hoje conhecida como a Lei de Kleiber. Abaixo está a Lei de Kleiber como colocada em gráfico por ele em seu artigo seminal. O gráfico está reproduzido exatamente como apareceu originalmente, mas com a adição de cores para melhor legibilidade. Já que não existiam Excel ou softwares gráficos na época de Kleiber, o gráfico apareceu assim nas páginas do Physiological Reviews. O quanto os tempos mudaram.
[img=600x0]https://i1.wp.com/www.proteinpower.com/drmike/wp-content/uploads/2009/09/Kleiber-line-blog.jpg[/img]
Conforme você olha na linha do canto inferior esquerdo ao superior direito, você acha vários animais como ratos, cavalos e outros mamíferos, incluindo humanos. Ao longo do anos, mamíferos que Kleiber não teve a oportunidade de trabalhar com foram medidos, e todos se encaixam bem na linha dele, seguindo a lei de Kleiber. Por conta dessa correlação justa, as equações de Kleiber podem ser usadas para precisamente estimar o gasto metabólico de qualquer animal somente conhecendo seu tamanho.
Aiello e Wheeler usaram a lei de Kleiber como o ponto de partida para o seu grande experimento mental.
Uma vez que todos os animais medidos se conformaram à lei de Kleiber, Aiello e Wheeler postularam que animais hoje extintos – incluindo nossos predecessores humanos e não humanos – se ajustariam à mesma linha. Usando restos de esqueleto, paleontologistas conseguiram calcular os tamanhos corporais de animais extintos, assim como das espécies pré Homo e das primeiras espécies desse gênero. Então usando a lei de Kleiber, é possível calcular com uma boa aproximação os gastos metabólicos de tais criaturas. E aqui é onde as coisas ficam interessantes.
De acordo com a lei de Kleiber, um australopiteco pesando 36 quilos teria o mesmo gasto metabólico que um humano com o mesmo peso, apesar da disparidade no tamanho do cérebro dos dois. O cérebro muito maior do humano teria de 4 a 5 vezes o gasto metabólico do cérebro do australopiteco, e mesmo assim ambos teriam o mesmo gasto metabólico total. Isso sai de onde?
E é exatamente isso que os autores “da Hipótese do Tecido Caro” se perguntaram.
Citação:Porque o cérebro humano gasta muito mais em termos de energia que o cérebro mamífero equivalente, é de se esperar que o metabolismo basal fosse correspondentemente elevado. Porém, não há correlação significativa entre o metabolismo basal e o tamanho relativo do cérebro em humanos e outros animais com encéfalos.
De onde vem a energia necessária para abastecer o cérebro?
Os autores postularam uma solução.
Citação:Uma resposta possível para a questão do custo é que as maiores demandas energéticas de um cérebro grande foram compensadas por uma redução no gasto metabólico de outros tecidos.
Em outras palavras, se um órgão – o cérebro, por exemplo – está gastando muita energia e contribuindo com uma quantidade desproporcional para o metabolismo basal do animal como um todo, então talvez outro grupo de órgãos esteja consumindo menos energia para compensar. O coração, os rins, o fígado, os músculos esqueletais, o trato gastrointestinal – todos consumem energia e contribuem para o gasto metabólico. Talvez um deste órgãos tenha se tornado menor enquanto o cérebro se tornava maior ao longo do tempo.
Nós podemos refinar nossas análises um pouco mais se começarmos a olhar a equação de equilíbrio de energia, mas um tipo diferente de equação de equilíbrio de energia. Eu escrevi algumas vezes nesse blog sobre a equação que se aplica à perda de peso: mudança de peso é igual à energia que entra menos a energia que sai. Esta não é a equação da qual estamos falando aqui. A outra equação de equilíbrio de energia diz que o gasto metabólico total é a soma dos gastos metabólicos de todos os órgãos e tecidos do corpo. Se você adicionar os gastos metabólicos dos rins, coração, cérebro, músculos, sistema digestivo e assim por diante, você terá o gasto metabólico total do corpo, o que faz sentido, pois o corpo é a soma de suas partes.
Total Metabolismo basal = MB cérebro + MB coração +MB rins + MB trato gastrointestinal + MB fígado + MB do resto dos tecidos do corpo.
Os autores da HTC começaram a procurar os gastos metabólicos de diversos órgãos. Após um procura diligente da literatura, eles descobriram que junto com o cérebro, que o coração, os rins, o fígado e o trato gastrointestinal eram responsáveis pela grande maioria do metabolismo basal. Eles chamaram esses órgãos de ‘tecidos caros’ porque eles consumiam muita energia quando comparados aos seus tamanhos. (Surpreendentemente, massa muscular não contribui tanto para o gasto metabólico total (pele e ossos ainda menos), o que mostra a mentira daquela velha noção —da qual eu próprio fui vítima— que trocar gordura por massa muscular aumentar o metabolismo significativamente.)
Aiello e Wheeler raciocinaram que se o gasto metabólico permanecesse o mesmo após o cérebro gastador de energia ter crescido ao longo do tempo outros tecidos caros teriam de ter ficado menores. Não poderia haver outra solução.
Mas qual dos tecidos caros ficou menor?
Aiello e Wheeler examinaram os dados dos gastos metabólicos e tamanhos de vários tecidos caros e descobriram que para um primata de 65 kg, o coração, rins e fígado eram aproximadamente do mesmo tamanho que os de um humano do 65 kg. O maior gasto metabólico do cérebro humano foi compensado por um trato gastrointestinal significativamente menor em tamanho. Na verdade o trato gastrointestinal humano tem apenas um pouco mais que a metade do tamanho do trato gastrointestinal de um primata do mesmo tamanho.
Citação:A massa combinada de tecidos metabolicamente caros para um adulto de referência é notavelmente próxima para o primate médio de 65 kg, mas as contribuições dos órgãos individuais para este total são muito diferentes das esperadas. Embora o coração e os rins humanos estejam ambos próximos do tamanho esperado para um primata de 65 kg, a massa dos órgãos abdominais é aproximadamente 900 gramas abaixo do esperado. Quase toda essa diferença é devida a uma redução no trato gastrointestinal, cuja massa total é apenas 60% daquela esperada para um primata do mesmo tamanho. Logo, o aumento da massa do cérebro humano parece ser contrabalançada por uma redução quase idêntica no trato gastrointestinal .
Abaixo está um gráfico da HTC mostrando os tamanhos de diferentes órgãos conforme baseados em previsões a partir de um primata de 65 kg e o seu tamanho observado em humanos (NT.: Observado à esquerda, esperado à direita. De cima para baixo: Cérebro, tripas, fígado, rins e coração)
[img=600x0]https://i0.wp.com/www.proteinpower.com/drmike/wp-content/uploads/2009/09/ETH-body-comp-compare.jpg[/img]
Então sabemos que enquanto os humanos evoluíram cérebros maiores eles simultaneamente evoluíram tripas menores para manter um metabolismo basal determinado. E aqui a história fica interessante. Por quê? Porque
Citação:a conclusão lógica é que não importa o que estiver selecionando para um cérebro maior, é de se esperar uma correspondente seleção para a redução no tamanho das tripas.
Alguns pesquisadores acreditam que atividades cada vez mais complexas levaram o cérebro a crescer. Mas os autores da HTC resumiram:
Citação:A relação entre o tamanho relativo do cérebro e dieta é às vezes mencionada na literatura da encefalização de primatas e é geralmente explicada em termos de diferentes graus de inteligência requeridos para a exploração de diversos recursos alimentares. Por exemplo, [algumas pessoas] argumentaram que um cérebro relativamente grande e que o tamanho neocortical são correlacionados à alimentação onívora em primatas, que requer estratégias relativamente complicadas para a extração de comidas de alta qualidade. Alternativamente, [outros] sugeriram que frugívoros têm cérebros relativamente grandes porque eles precisam de extensões territoriais relativamente maiores que folívoros, precisando de um mapa mental mais sofisticado para localizar e explorar estes recursos alimentares.
Mas não importa que nosso cérebros tenham ficado maiores porque nossos predecessores se socializaram, desenvolveram estratégias complexas de procura de comida, viveram em e tiveram de lidar com ou eram grupos de caçadores habilidosos, para obedecer à lei de Kleiber, algo tinha de forçar nossas tripas a diminuir de tamanho ao mesmo tempo. O isto que poderia ser?
De acordo com Aiello e Wheeler, foi a qualidade crescente da dieta que permitiu que as tripas ficassem menores enquanto absorviam os nutrientes necessários para abastecer o metabolismo. Como eles descreveram
Citação:Os resultados apresentados aqui [na HTC] sugerem que a relação entre o tamanho relativo do cérebro e a dieta é primariamente uma relação entre o tamanho relativo do cérebro e o tamanho relativo das tripas, sendo este último determinado pela qualidade da dieta. isto implicaria que uma dieta de alta qualidade é necessária para essa encefalização, não importa o que estivesse selecionando para essa encefalização. Uma dieta de alta qualidade relaxa essas restrições à encefalização ao permitir tripas relativamente menores, logo reduzindo consideravelmente o custo metabólico deste tecido.
O que os autores estão dizendo é que não importa o quanto de poder cerebral é requerido, o cérebro não poderia crescer sem algo mais dar lugar a ele. O que obviamente deu lugar foi o trato gastrointestinal, e o único jeito que um trato gastrointestinal menor poderia dar combustível ao corpo era com uma dieta de mais alta qualidade. Como nossos parentes mais antigos, isto é, os hominídeos mais antigos aumentaram a qualidade de suas dietas?
Citação:Um problema considerável para os primeiros hominídeos seria prover a si mesmos, uma espécie grande, quantidades suficientes de comida de alta qualidade para permitir a redução das tripas. A solução óbvia seria incluir quantidades cada vez maiores de comida derivada de animais na dieta.
Aumentar a quantidade de comidas animais de fácil digestão nos permitiu encolher as tripas enquanto expandíamos nosso cérebros. Se nós tivéssemos permanecido com uma dieta com muitos vegetais, sem dúvida não seríamos capazes de expandir nossos cérebros independentemente da quantidade adicional de pensamentos que precisássemos ter. Simplesmente não seria possível sem violar a lei de Kleiber.
pegue o gorila, por exemplo, vegetarianos quase puros que gastam seu dia de ‘trabalho’ procurando comida e comendo, o que eles tem de fazer para conseguir calorias suficientes para manter enorme massa. Eles tem tripas grandes e pagam por elas tendo cérebros pequenos. Ainda menores que os dos nossos ancestrais mais primitivos, o australopiteco.
Citação:O gorila tem um dos menores níveis de encefalização de qualquer primata haplorrino, e o nível de encefalização muito maior dos australopitecos sugere uma dieta de qualidade significativamente maior que a deste gênero.
O que faz sentido quando você considera que a análise com carbono-13 demonstrou que o o Australopithecus africanus (a espécie que veio logo depois de Lucy) consumia carne. Enquanto você passa pela linha dos Australopithecus e através dos Homo,  você descobre que cada vez mais e mais carne era consumida conforme você sobre pela árvore.
è fácil ver que, comparados a humanos, chimpanzés e gorilas têm barrigas grandes e protuberantes, o que apoia o fato de que eles têm grandes tratos gastrointestinais, mas o que dizer sobre nossos ancestrais. Tudo o que temos são os restos dos esqueletos, que mostram bem que suas cabeças (e cérebros) eram muito menores que os nossos, mas e as tripas deles? Como realmente nós sabemos que suas tripas eram maiores? De acordo com Kleiber, elas deveriam ser, mas como temos certeza?
Citação:As tripas grande de pongídeos vivos dão aos seus corpos uma aparência barriguda, sem uma cintura discernível. Isto é por que a parte redonda do abdômen é contínua à porção inferior da caixa torácica, que tem a forma de um funil invertido, e também porque a região lombar é relativamente pequena (de três a quatro vértebras lombares).
A figura abaixo da HTC mostra a forma de funil invertido da caixa torácica do chimpanzé à esquerda. Você pode desenhar mentalmente as linhas para baixo das costelas e imaginar a aparência barriguda destes primatas. Olhando a imagem da direitas, você pode ver que o Australopithecus afarensis (a espécie de Lucy) tinha a caixa torácica com a mesma forma, indicando uma barriga grande e uma dieta de baixa qualidade.
O desenho do meio é de um humano moderno. Se você extrapolar as linhas abaixo da caixa torácica, você verá que elas levam a uma cintura mais fina. Faz você pensar em mais em um lobo magro, ou outro carnívoro de cintura fina, enquanto os outros dois não.
[img=600x0]https://i1.wp.com/www.proteinpower.com/drmike/wp-content/uploads/2009/09/ETH-rib-cage.jpg[/img]
Os autores concluem:
Citação:Se um animal encefalizado não tem um metabolismo basal correspondentemente elevado [o que de acordo com Kleiber, é impossível], seu orçamento energético deve ser balanceado de outra maneira. A hipótese de tecidos caros sugere  que este equilíbrio pode ser conseguido com a redução de tamanho de outros tecidos caros do corpo (fígado, rins, coração ou tripas).  Nós argumentamos que a melhor maneira de fazer isso é adotando uma dieta de alta qualidade, que permite tripas relativamente pequenas e libera uma quantidade significativa do metabolismo basal para o cérebro encefalizado. Não importa o que estivesse selecionando para essa encefalização, um cérebro relativamente grande não poderia ser conseguido sem um aumento correspondente na qualidade da dieta a menos que o gasto metabólico aumentasse correspondentemente.
De maneira mais geral, este exercício demonstrou outros pontos importantes. Primeiro, a dieta pode ser inferida a partir de aspectos da anatomia além dos dentes e mandíbulas. Por exemplo. uma indicação do tamanho relativo do trato gastrointestinal e consequentemente da digestibilidade de comidas sendo consumidas é dada pela morfologia do tórax e da pélvis. Segundo, qualquer inferência dietária dos hominídeos deve ser consistente com todas as linhas de evidência. Terceiro, a evolução de qualquer órgão do corpo não pode ser bem estudada em isolamento. Outros maneiras de entender os custos da encefalização falharam porque elas tendiam a analisar o cérebro em isolamento relativo a outros tecidos. A hipótese do tecido caro enfatiza com sucesso a relação essencial entre o cérebro, o metabolismo basal e outros órgãos metabolicamente caros.
Eu espero que você agora esteja de posse de conhecimento suficiente para conseguir ver através desses artigos ou tabelas tão comuns que mostram que o trato gastrointestinal de humanos é mais próximo do de um gorila do que daquele de um gato ou outro carnívoro qualquer. Parece-me que Aiello e Wheeler demoliram totalmente a noção que humanos são na verdade moldados pelas forças da seleção natural a serem vegetarianos. Baseado nos dados e no argumento que eles apresentaram, o oposto é a verdade: nós evoluímos para sermos comedores de carne.
Foi nossa mudança gradual para uma dieta de muito maior qualidade disponibilizada por comidas de origem animal que nos permitiu desenvolver os cérebros grande que temos. Foi a caça e o ato de comer carne que reduziram nossos tratos gastrointestinais e liberaram nossos cérebros para crescer. Como eu escrevi no começo deste post, toda a evidência indica que não evoluímos para comer carne – nós evoluímos porque comemos carne.
Lierre Keith escreveu corretamente no livro The Vegetarian Myth:
Citação:As manadas selvagens de auroques e cavalos nos inventaram com seus corpos, seus tecidos nutricionalmente densos gestando o cérebro humano.
Se nós evoluímos porque comemos carne, por que iríamos querer parar agora?
Nota: Eu descobri o texto completo deste artigo disponível no Scribd (em inglês).
Pintura no topo: Macaco ante esqueleto por Gabriel Cornelius von Max

Edit: Não consegui colar algumas figuras.
  • Sem a visão de um objetivo um homem não pode gerir a sua própria vida, e muito menos a vida dos outros.
Leia: Nuvem de Giz
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#2
Curti muito o texto Temujin.
A Real salva vidas!
“Train yourself to let go of everything you fear to lose.” (Yoda)
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#3
Spoiler Revelar
Os autores da HTC começaram a procurar os gastos metabólicos de diversos órgãos. Após um procura diligente da literatura, eles descobriram que junto com o cérebro, que o coração, os rins, o fígado e o trato gastrointestinal eram responsáveis pela grande maioria do metabolismo basal. Eles chamaram esses órgãos de ‘tecidos caros’ porque eles consumiam muita energia quando comparados aos seus tamanhos. (Surpreendentemente, massa muscular não contribui tanto para o gasto metabólico total (pele e ossos ainda menos), o que mostra a mentira daquela velha noção —da qual eu próprio fui vítima— que trocar gordura por massa muscular aumentar o metabolismo significativamente.)

Aiello e Wheeler raciocinaram que se o gasto metabólico permanecesse o mesmo após o cérebro gastador de energia ter crescido ao longo do tempo outros tecidos caros teriam de ter ficado menores. Não poderia haver outra solução.
Mas qual dos tecidos caros ficou menor?

Aiello e Wheeler examinaram os dados dos gastos metabólicos e tamanhos de vários tecidos caros e descobriram que para um primata de 65 kg, o coração, rins e fígado eram aproximadamente do mesmo tamanho que os de um humano do 65 kg. O maior gasto metabólico do cérebro humano foi compensado por um trato gastrointestinal significativamente menor em tamanho. Na verdade o trato gastrointestinal humano tem apenas um pouco mais que a metade do tamanho do trato gastrointestinal de um primata do mesmo tamanho.

O pessoal da era moderna não consegue perceber o quanto a DIETA é importante no pleno desenvolvimento humano. Há uma ideia de que se preocupar com alimentação é algo exclusivamente voltado para quam pratica esportes, apenas. Todo o desenvolvimento humano começou a partir do momento que a sua alimentação foi modificada, e as nossas faculdades funcionam melhor se soubermos o que comer. Essas passagem é fantástica. 

Texto foda de mais, muito esclarecedor, sem palavras. Já tinha lido mas foi um prazer ler novamente. Obrigado @Temujin 

[Image: tenor.gif]

PS: Só dar uma editada mais caprichada fica perfeito. 
"Compreendi o tormento cruciante do sobrevivente da guerra, a sensação de traição e covardia experimentada por aqueles que ainda se agarram à vida quando seus camaradas já dela se soltaram."  (Xeones para o rei Xerxes)

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#4
Se comer carne fizesse mal, lobos, leões, ursos, tigres e demais predadores estariam extintos. Acho um porre essa moda vegana e vegetariana. Conheci uma vegana há uns 5 anos. Tinha 19 anos, mas descobriu que tinha um tumor na cabeça. Não chegou aos 20 anos. Esse negócio de querer prolongar a vida só comendo mato não resolve nada. O importante é vc ter uma dieta equilibrada, praticar esportes e diminuir o stress.
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#5
muito boa a explicação sobre como as tripas diminuiram e o coração aumentou com o consumo da carne.
eu já tinha visto essa explicação no History Channel.
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#6
Não tinha visto esse tópico antes, excelente artigo.

De fato a alimentação altera muitos processos no nosso organismo ao longo dos anos. A qualidade genética vem caindo nas ultimas décadas, e essa nova safra de molóides contemporâneos é o resultado disso.


Off topic







[Image: 1ex1mg.jpg]

Yaoming
"IT'S ALL ABOUT WORKING BODY, MIND AND SOUL" 

"Todo mundo tem um plano....Até tomar o primeiro soco"  M. Tyson
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#7
(05-07-2017, 12:28 AM)Aragons Escreveu: muito boa a explicação sobre como as tripas diminuiram e o coração aumentou com o consumo da carne.
eu já tinha visto essa explicação no History Channel.

Embora muitos homens usem o coração como cérebro, não acho que é o seu caso, Aragons.

(28-07-2017, 12:02 AM)Bill Kazmaier Escreveu: Não tinha visto esse tópico antes, excelente artigo.

De fato a alimentação altera muitos processos no nosso organismo ao longo dos anos. A qualidade genética vem caindo nas ultimas décadas, e essa nova safra de molóides contemporâneos é o resultado disso.


Off topic







[Image: 1ex1mg.jpg]

Yaoming

Vídeo hilário, recomendo também.
  • Sem a visão de um objetivo um homem não pode gerir a sua própria vida, e muito menos a vida dos outros.
Leia: Nuvem de Giz
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#8
*cérebro
eu pensei em uma coisa e escrevi outra kkkkkk

Em tempo, o documentário que vi eu essa explicação se chama A Grande História, episódio A Ascensão dos Carnívoros.
https://seuhistory.com/programas/ascensa...carnivoros
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#9
É por isso que eu tenho o maior prazer em dizer que sou carnívoro fuckyou . 

Quando passei a me alimentar apenas com 80% carne e 20% outros alimentos, senti um aumento muito grande em tudo o que eu faço. Minha auto-estima começou a subir furiosamente, meus rendimentos melhoraram, até para estudar tenho mais facilidade. 

Em tempo, vou salvar esse texto para ler com mais calma e depois tiro minhas dúvida, mas por ora, ótimo texto, valeu por trazê-lo para cá  Joinha .
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#10
E a paciência pra ler esse textão?
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#11
Parte 3

por Michael Eades. Em meu blog.

Há pouco mais de dois anos eu escrevi um par de posts argumentando que nós cortávamos nossos dentes ancestrais em carne, e que ao contrário de todas as bobagens vegetarianas sobre tamanho do cólon, estrutura dentária etc., as evidências antropológicas e arqueológicas convincentemente demonstram que somos descendentes de comedores de carne e não de vegetarianos.  (Clique aqui e aqui para ver os originais. As traduções estão aqui e aqui) Um par de desenvolvimentos recentes me inspiraram a escrever um terceiro.

Primeiro, eu tenho notado tanto ao conversar com pessoas no Ancestral Health Symposium (Simpósio de Saúde Ancestral) no último Agosto e ao participar de várias palestras que muitos seguidores de suas próprias versões da dieta ancestral estão assustadoramente incluindo mais e mais carboidratos. E recomendando isso aos seus seguidores.

Quando MD (NT.: MD é a esposa do autor) e eu escrevemos Protein Power em meados dos anos 1990, nós usamos a dieta paleolítica como um argumento para a eficácia da dieta low-carb. Se o homem pré-agricultural evoluiu em um meio desprovido de comidas com muito carboidrato, nós pensamos, então a seleção natural deveria ter eliminado aqueles que não se davam bem com aquilo que estava disponível, deixando nós, os descendentes, energizados através de processos metabólicos que funcionavam melhor com substratos de proteínas e gorduras. Se a obesidade e diabetes excessivas (nós pensávamos que eram excessivas naquela época) forem consequência de uma dieta para a qual não fomos feitos, então mudar para uma mais adequada a nós metabolicamente deverá produzir mudanças boas substanciais. O que a mudança sem dúvidas faz.

Eu não posso fazer nada além de lembrar a grande citação do Dr. Blake Donaldson,que mudou a cara de sua prática medicinal em Nova York após conviver um tempo com Vilhjalmur Stefansson.  O Dr. Donaldson escreveu em Strong Medicine (Remédio Forte), seu livro sobre uma dieta quase toda de carne:

Durante os milhões de anos que nossos ancestrais viveram caçando, cada fracote que não conseguia manter uma saúde perfeita consumindo carne fresca e água foi deixando de se reproduzir.

Agora, parece, muitos que começaram com a dieta paleolítica começaram a mudar de um paradigma a-dieta-paleolítica-é-basicamente-low-carb para um paradigma dieta-paleolítica-é-basicamente-tudo-que-não-é-neolítica. E embora o homem neolítico tenha cultivado todos os tipos de plantas, a maioria daqueles que seguem a dieta paleolítica consideram somente grãos como comidas realmente neolíticas. Alguns deles dão um passo além e argumentam que uma vez que o homem pré-agricultural não poderia ter domesticado animais (exceto alguns tipos de cães), então ele não poderia ter comido laticínios. Então, esses puristas paleolíticos evitam grãos e laticínios. Tanto os que comem quanto os que não comem laticínios, porém, estão começando a incluir grandes quantidades de carboidratos – primordialmente amido – em suas dietas com a presunção de que o homem paleolítico o teria comido.

Eu não tenho dúvidas que um homem do paleolítico enfiaria a cara em um caixa de rosquinhas se tivesse a oportunidade. Mas ele não tinha. Ele também raramente tinha a oportunidade de indulgir numa festa de carboidratos compostas de frutas e vegetais com muito amido. Talvez na primavera quando as frutas amadureciam (se ele conseguisse chegar antes dos pássaros e insetos), mas não muito durante o resto do ano.

(Eu sei que Denise Minger escreveu um post a pouco tempo demonstrando que existem frutas com muito açúcar e amido em áreas tropicais, querendo dizer que os primeiros humanos devem tê-las consumido, e logo evoluíram para se adaptar bem à dietas com muitos carboidratos. O problema com este raciocínio é que o homo sapiens arcaico emigrou das áreas tropicais entre 60.000 e 150.000 anos atrás e passou pela encruzilhada da seleção natural em outros climas com menos frutas. As pessoas de ascendência europeia certamente tinham ancestrais que não tinham acesso a essas frutas a qualquer hora.)

O segundo evento que me levou a escrever isto foi um linha de um post convidado no blog  Free the Animal de Richard Nikoley, por Darrin Carlson intitulado “The Five Failings of Paleo.” (Os cinco erros da dieta paleo) Nas palavras do próprio Mr. Carlson, o erro #1:

Nós REALMENTE não sabemos o que nossos ancestrais comeram [Negrito e letras maiúsculas no original.]

Eu discordo por um par de razões. Primeiramente, nós podemos ter bastante certeza do quê nossos ancestrais europeus não comeram. Eles não comiam trigo anão, maçãs Red Delicious, bananas, peras Barlett ou quais outros tipos de frutas híbridas comumente disponíveis hoje em dia. Até onde sabemos não existia nenhum Luther Burbanks paleolítico enxertando e hibridizando plantas para fazê-las maiores e mais doces. Nosso predecessores comeriam quaisquer comidas vegetais que estivessem à mão, que é mais ou menos o você encontrará nas florestas ainda hoje. Eles teriam de brigar com pássaros e outros animais selvagens para conseguir essas frutas, e as teriam somente sazonalmente.

O segundo motivo que eu discordo é aludido pelo Mr. Carlson em sua explicação do erro #1: Ele disse:

Nós ainda temos de achar um orelhão mágico que nos transportaram de volta no tempo – apesar de Bill e Ted – para observar diretamente como nós tata(450 vezes)-ravós viveram.

Na verdade nós temos tal ‘orelhão mágico’ disponível a nós, ou pelo menos àqueles que sabem usá-lo. É um espectrômetro de razão de massa de isótopos (isotope ratio mass spectrometer), e seu uso foi refinado nos últimos 30 a 40 anos para nos permitir dar uma espiada no passado e calcular o que nossos ancestrais comeram.

Eu conheci esse ‘orelhão mágico’ no outono de 2000 em Hamburgo, Alemanha onde MD e eu participamos de uma boa conferência intitulada Meat and Nutrition (Carne e Nutrição). Após a última apresentação, em uma tarde fria, enevoada, triste e com garoa, MD, Loren Cordain e eu começamos uma peregrinação à Indra e ao Kaiserkeller, os clubes onde os Beatles começaram sua carreira no começo dos anos 1960. Nós pedimos à Michael Richards, um professor na University of Bradford para se juntar a nós. Na primeira manhã da conferência, Michael havia dado uma palestra fascinante sobre o uso de isótopos estáveis para determinar a dieta do homem primitivo, e nós queríamos aprender mais sobre o assunto.

Após passarmos pelos lugares que os Beatles se apresentaram no começo, nós fomos para um café de Hamburgo para nos aquecermos. Eu perguntei muito sobre a metodologia dos isótopos estáveis e segui a crescente literatura desde então. Michael se tornou uma super-estrela acadêmica e agora está no prestigiado Max Planck Institute para Antropologia Evolucionária em Leipzig, Alemanha, onde ele continua a publicar seu trabalho sobre análises isotópicas da dieta dos primeiros homens.

Vamos dar uma olhada no ‘orelhão mágico’ da análise de isótopos estáveis e ver o que ele mostra. Toda a noção é bem complexa então eu fico dividido entre fazer a ciência simples o suficiente para que Homer Simpson pudesse entendê-la, o que realmente não faz justiça à técnica, ou fazê-la desnecessariamente difícil. Vou tentar algo no meio do caminho.

Conforme quase todo mundo sabe, átomos são compostos de prótons, nêutrons e elétrons. O número de prótons dá a um elemento seu número atômico. Um dado elemento sempre tem o mesmo número de prótons mas pode ter quantidades variáveis de nêutrons. O carbono, por exemplo, tem seis prótons (e um número atômico de 6). Mas o átomo de carbono pode ter 6, 7 ou 8 nêutrons. Todas as três versões são carbono, mas os átomos variam no número de nêutrons. Estas três versões diferentes são chamadas de isótopos, então basicamente isótopos são átomos do mesmo elemento, com o mesmo número de prótons mas números diferentes de nêutrons. A massa atômica de um átomo é determinada pelo número de prótons e nêutrons que ele contém, então embora o carbono sempre carregue o número atômico 6, ele tem três massas atômicas diferentes : 12C, 13C e 14C.

Átomos de carbono com uma massa atômica de 12 e 13 (12C, 13C) são estáveis, enquanto que o 14C (pronuncia-se carbono 14) se desintegra radioativamente ao longo do tempo.  Este decaimento radioativo é o que permite a cientistas determinarem a idade de materiais orgânicos até 40.000 anos de idade. A descoberta da radioatividade natural do 14C e sua utilidade em determinar idades deram a Willard Libby o Prêmio Nobel de Química em 1960. Embora os isótopos instáveis como o 14C tenham seus usos, aqui nós nos preocuparemos com os isótopos estáveis.  Principalmente o 12C, 13C, 14N e 15N (nitrogênio 14 e 15). A partir desses quatro isótopos estáveis, nós podemos aprender muito sobre a dieta do homem primitivo.

Armas nucleares começaram a adicionar 14C à atmosfera em meados dos anos 1940, então a razão entre 12C, 13C e 14C mudou levemente. Uma vez que 12C e 13C são estáveis, não houve virtualmente qualquer mudança na razão entre os dois ao longo do tempo. Mas foi descoberto que a razão entre ambos varia de um material que contém carbono para outro. Por exemplo, o dióxido de carbono gerado por rochas calcárias contém mais 13C do que o dióxido de carbono gerado pela queima de madeira. Em geral, fontes marinhas contém mais 13C do que fontes terrestres.

Só para tornar as coisas um pouco mais complexas, quando pesquisadores submetem amostras a um espectrômetro de massa para determinar a razão 13C/12C, esta razão é comparada com um padrão que foi acordado previamente. Então a diferença entre uma amostra e o padrão é chamada de conteúdo relativo de 13C, que é simbolizada por δ13C e medida em partes por mil (‰). Então se a amostra tem uma razão menor que a padrão de 5 partes por mi, ela é definida como tendo um valor de δ13C de −5‰.

Não se preocupe com tudo isso acima – somente se lembre que quando você vir o símbolo δ13C daqui para a frente, ele se refere à razão entre o 13C para o 12C. Não se desespere. Vai ficar mais fácil conforme formos caminhando.

Do peso seco do osso, um pouco mais de 25% é colágeno, e é o colágeno o tecido preferido para análises de isótopos estáveis. Virtualmente todo o carbono e nitrogênio no colágeno vem de proteínas, e uma vez que a maior parte da proteína do corpo humano vem da proteína na dieta, os isótopos de carbono e nitrogênio no colágeno refletem as fontes de proteína da dieta. E uma vez que a composição de isótopos estáveis do colágeno muda muito lentamente, as razões entre os isótopos estáveis de carbono e nitrogênio refletem a dieta em um período de aproximadamente oito a dez anos.

Isótopos estáveis tanto do carbono quanto do nitrogênio ocorrem em proporções variáveis em comidas diferentes, e essas proporções são transmitidas aos animais, inclusive humanos, que comerem essas comidas. Ao saber as proporções de isótopos em diversas comidas, nós podemos determinar essas comidas ao analisarmos os isótopos estáveis no colágeno humano.

Pesquisadores estão aptos a extrair informações valiosas a partir do colágeno de ossos antigos. Infelizmente não existem muitos ossos antigos espalhados por aí, e uma vez que parte dos ossos pode ser destruída para realizarmos a análise de isótopos, estas análises não são feitas aos milhares. Cada vez que um esqueleto ou grupo de esqueletos é descoberto Michael Richards e outros pesquisadores de isótopos estáveis tentam pegar um pedacinho do osso e olhá-lo no espectrômetro de massa. Este tipo de trabalho tem sido feito a décadas agora, e os resultados – embora arduamente coletados um espécime de cada vez – estão sendo acumulados, e agora existe uma quantidade razoável de dados.  E estes dados são notavelmente uniformes ao mostrarem os hábitos dietários dos nossos ancestrais europeus.

O δ13C  e o δ15N revelam informações diferentes sobre a dieta do homem paleolítico. Uma vez que o isótopo 13C é achado em maiores quantidades em ambientes marinhos do que em ambientes terrestres, um δ13C maior indica uma dieta com muita proteína de fontes do mar, enquanto um δ13C menor é associado a dietas compostas principalmente de proteínas terrestre. Pesquisadores acumularam dados consideráveis sobre o δ13C de focas e outros animais parecidos que vivem consumindo outros seres marinhos para comparar com os dados obtidos de animais vivendo em terras longe do mar. Ao comparar o δ13C de ossos de humanos ancestrais com estes extremos podemos determinar se os humanos consumiam proteínas de fontes marinhas ou terrestres, ou uma combinação das duas.

O δ15N conta uma história diferente. O δ15N basicamente nos conta onde o animal está dentro da cadeia alimentar. Comidas vegetais básicas tem um valor de δ15N razoavelmente constante. Quando animais, tipicamente herbívoros, comem tais plantas, o isótopo N estável da planta tende a se concentrar entre 5 a 8% no colágeno do animal. Então se o colágeno de um animal tiver, digamos, 7% a mais de δ15N do que a flora local, podemos dizer que o animal era herbívoro. E animais que são reconhecidamente herbívoros, quando analisados, se encaixam nesse espectro.

Qualquer animal, inclusive o homem, que come herbívoros terá um colágeno cujo δ15N é aproximadamente 7% maior que aquele achado nos herbívoros que eram a comida, um fato confirmado pela análise de isótopos estáveis em carnívoros. Um super carnívoro (pela falta de um termo melhor) que come outros carnívoros e herbívoros terá um nível de δ15N ainda maior.

Então, o δ15N nos indica onde estamos na cadeia alimentar enquanto o δ13C nos conta se a nossa comida vem da água ou da grama ou de ambas.

Agora que temos um entendimento completo do ‘orelhão mágico’ que é a análise de isótopos estáveis, vamos dar uma olhada no que os dados mostram.

Os dados como um todo mostram o seguinte:

O homem primitivo era um carnívoro de alto nível. (Assim como seu parente distante, o Neandertal, que viveu concomitantemente ao homem antigo na Europa.) Um carnívoro de mais alto nível, de fato, que raposas, lobos e outros carnívoros conhecidos. Os primeiros humanos anatomicamente modernos obtinham a maior parte de sua proteína de animais terrestre. Conforme o tempo passou e as populações de grandes animais que eram caçados diminuíram devido à caça pesada tanto de humanos quanto de Neandertais, a posição humana na cadeia alimentar não mudou, mas as fontes de proteína mudaram de totalmente terrestres para cada vez mais marinhas (que incluem peixes de água doce, mexilhões, amêijoas etc., todas as quais tem um δ13C similar ao de animais do oceano). Independentemente de se a proteína veio da terra ou mar, o homem primitivo ocupou um nicho de super carnívoro nos dias pré-agriculturais.

Aqui vai um par de gráficos mostrando estudos de isótopos estáveis feitos por Michael Richards – um de Neandertais; e o outro do homem primitivo – que eu apresentei no Ancestral Health Symposium (Simpósio de Saúde Ancestral) em agosto na UCLA.

Stable isotope Neanderthal Are we meat eaters or vegetarians? Part III

(O que os Neandertais comiam? A evidência de isótopos estáveis aponta decisivamente que eles se comportavam como carnívoros de alto nível. [Neandertal em roxo e laranja, lobo em azul e raposa em verde])

Conforme vocês podem ver a partir desse slide, os Neandertais ficavam um pouco acima do lobo e da raposa na escala de predadores/comedores de carne. Conforme Michael Richards comentou no artigo citado acima:

…a dieta do Neandertal europeu indica que embora fisiologicamente eles eram presumivelmente onívoros, eles sem comportavam como carnívoros, e a proteína animal era a principal fonte de proteína na dieta.

Quando olhamos outro estudo avaliando humanos ancestrais, vemos praticamente a mesma coisa.

Stable isotope Early human Are we meat eaters or vegetarians? Part III

Comparado às raposa do ártico, você pode ver que os primeiros humanos estão fora da tabela, na direita. O comentário de Michael Richard:

Estávamos testando a hipótese de que estes humanos tinham uma economia principalmente de caça, e logo uma dieta alta em proteína animal. Descobrimos ser este o caso…

A maior parte dos estudos de isótopos estáveis demonstra que tanto Neandertais quanto humanos ancestrais eram, em seus núcleos robustos, comedores de carne ao máximo. O que os estudos de isótopos estáveis não mostram, é o quanto de carboidratos esse pessoal comia junto com sua carne. (Na verdade alguns estudos de isótopos estáveis demonstram que tipos de carboidratos no sentido que eles conseguem diferenciar grãos de não-grãos, mas uma vez que não existiam grãos comestíveis no paleolítico, isto não é uma preocupação.) Mas desde que nós sabemos que lobos e raposas são predadores que consumem principalmente comida de origem animal, e nós sabemos que os humanos primitivos tem um marcador de isótopos estáveis ainda mais carnívoro, parece improvável que estes humanos consumissem muitas calorias de fontes não-animais. Lembre-se, fontes naturais de proteína são quase sempre associadas à gordura (enormes quantidades de gordura se a proteína vier de animais grandes e a carcaça inteira for consumida), então é duvidoso que nós tivéssemos ou a capacidade ou a necessidade de complementar uma dieta baseada em proteína e gordura com muitos carboidratos. Mas, de qualquer modo, mesmo que nossos ancestrais tivessem comido alguns carboidratos que eles conseguiam arranjar em certas épocas, a evidência dos isótopos estáveis claramente demonstra que eles não eram vegetarianos.

Se você quiser ler mais sobre a análise de isótopos estáveis para a determinação de qual era a dieta dos primeiros homens, um bom lugar para começar são as publicações de  Michael Richards. (em inglês)

Outras fontes boas para informações básicas (em inglês):

Katzenburg MA (2008) Stable isotope analysis: a tool for studying past diet, demography, and life history. In Katzenburg MA, Saunders SR (eds) Biological Anthropology of the Human Skeleton. (Hoboken, Wiley-Liss) 2nd Edition pp 413-441

Schoeninger MJ, DeNiro M (1984) Nitrogen and carbon isotopic composition of bone collagen from marine and terrestrial animals.  Geochim Cosmochim Acta 48:635-639.

Schoeninger MJ (1995) Stable isotope studies in human evolution. Evolutionary Anthropology 4(3): 83-98.

van der Merwe, NJ (1982) Carbon isotopes, photosynthesis, and archeology. American Scientist 70: 596-606.
  • Sem a visão de um objetivo um homem não pode gerir a sua própria vida, e muito menos a vida dos outros.
Leia: Nuvem de Giz
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#12
eu acho que a teoria do autor tem as suas falhas, ele valoriza demais a carne

os leoes e ursos que sao carnivoros pra valer nao ficaram tao inteligentes como os humanos, dizer que a inteligencia é pelo consumo de carne a supostos milhoes de anos é muito falho

tambem acho que a carne nao é tao importante quanto o autor diz para o crescimento de musculos e força

olha esse cara vegetariano aqui, como é fraco e sem musculos

[Image: ?u=http%3A%2F%2Fcdn.gospelherald.com%2Fd...be.jpg&f=1]

aposto que ele é ate mais forte que os atletas de alto nivel

se a carne fosse tao importante assim para desenvolver musculos e força , animais vegetarianos como bufalo, gorila, elefante, nao seriam tao musculosos e fortes como sao

nao estou dizendo que ser vegetariano é o certo, mas estou dizendo que super valorizam demais a carne como se fosse a melhor coisa do mundo, fantasiando demais
"A paixão é como o álcool. Entorpece a consciência, elimina a lucidez, impede o julgamento crítico e provoca alucinações, fazendo com que o ser amado seja visto como divino." Como lidar com Mulheres - Nessahan Alita
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#13
Melancton, vou desenhar para ver se você entende: O consumo de carne é um PRÉ-REQUISITO para o crescimento do cérebro, e não condição única. Não é que uma espécie comece a comer carne e automaticamente o cérebro aumente, existem outros fatores ecológicos que vão determinar isso ou não.

E sobre a massa muscular, tem quase três anos que traduzi esses textos, mas não lembro nem encontrei onde o autor fala que animais vegetarianos não podem ser fortes. (Mas é óbvio que animais carnívoros, ou primordialmente carnívoros não serão).
  • Sem a visão de um objetivo um homem não pode gerir a sua própria vida, e muito menos a vida dos outros.
Leia: Nuvem de Giz
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#14
Citação:os leoes e ursos que sao carnivoros pra valer nao ficaram tao inteligentes como os humanos
Eles não ficaram inteligentes porque consumiram carne crua.
A teoria se trata de comer carne que foi cozinhada, os homens da caverna faziam fogueira e o fogo fazia parte da digestão ficar mais fácil.
Além do mais você está comparando animais carnívoros com onívoros e com herbívoros. Essa salada de frutas não faz sentido
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#15
Irmãos, excelente texto. Eu só fiquei com uma dúvida, a taxa metabólica não aumenta com o crescimento da massa muscular? Pode me indicar ou passar mais material sobre isso?
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#16
Segundo a visão Bíblica, a alimentação de nossos primeiros pais, no Éden era frutas, verduras e grãos. Antes do dilúvio Deus pediu a Noé para que separasse os animais puros dos impuros. Após o dilúvio, ao entrar em uma nova terra, devido a escassez de alimentos Deus permitiu que nós comêssemos carne mas de acordo com os princípios de levíticos 11. Muitos dizem que esta lei foi abolida pois foi  feita para o povo de Israel, mas  antes do dilúvio, quando Deus pediu para Noé separar os animais puros dos impuros não havia Israel, portanto é um princípio alimentar que continua ativo até nos dias de hoje.
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#17
Mas esse título tá um terror eim.
Nenhum ser humano é carnívoro, eles são onívoros.
E a pessoa pode ser onívora e vegetariana ao mesmo tempo. O primeiro é questão de biologia e o segundo é uma opção pessoal.
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#18
(07-09-2017, 12:06 AM)Melâncton Escreveu: eu acho que a teoria do autor tem as suas falhas, ele valoriza demais a carne

os leoes e ursos que sao carnivoros pra valer nao ficaram tao inteligentes como os humanos, dizer que a inteligencia é pelo consumo de carne a supostos milhoes de anos é muito falho

tambem acho que a carne nao é tao importante quanto o autor diz para o crescimento de musculos e força

olha esse cara vegetariano aqui, como é fraco e sem musculos

[Image: ?u=http%3A%2F%2Fcdn.gospelherald.com%2Fd...be.jpg&f=1]

aposto que ele é ate mais forte que os atletas de alto nivel

se a carne fosse tao importante assim para desenvolver musculos e força , animais vegetarianos como bufalo, gorila, elefante, nao seriam tao musculosos e fortes como sao

nao estou dizendo que ser vegetariano é o certo, mas estou dizendo que super valorizam demais a carne como se fosse a melhor coisa do mundo, fantasiando demais
Só falou merda. São espécies diferentes porra. Além disso a inteligência dos humanos aumentou consideravelmente com aquisição da linguagem e da habilidade de andar em duas patas tendo as mãos livres para fabricar ferramentas. A carne cozida também fez a diferença.
David Goggins. A lei da semeadura não falha. A única coisa que a vida exige de nós é coragem. Somos prisioneiros dos nossos instintos e emoções e jamais seremos homens livres. A natureza se prepara para algo ainda pior.
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#19





Não sei se vai fugir do tema mas por acaso achei essa palestra na internet, o que percebo é que os vegetarianos querem empurrar seus estilos de vida mundo a fora porém desprezando completamente o fato de que vegetais e frutas são literalmente mais podres do que a própria carne, eles defendem com unhas e dentes os estrogenos puros presentes nesse "mato" inorgânico, cheios de anti-nutrientes e toxinas além de folhas repletas de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos e bizarros e nem preciso citar os peixes de água salgada, eles sim se alimentam de fezes, ou melhor, de resíduos de esgotos, é chover no molhado, cada um que escolha sua preferência e arque com suas consequências, a carne pode sim ser "podre" no sentido de fazer mal porém vegetais são realmente piores e nem preciso falar dos peixes, estamos fadados na involução, a espécie humana não está evoluindo, mas sim regredindo e em todos os sentidos.
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