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[RELATO] Loucuras do Libertador - Estados Unidos da América
#61
(23-10-2016, 12:22 AM)OldMan Escreveu: Tô curioso com a questão do Ebay..
Vc tá nos States ainda?

Oldman, vou responder essa pergunta na ultima parte. Big Grin

(24-10-2016, 05:35 PM)Minerim Escreveu: BRASILEIRA  Big Grin

O caras fogem daqui e abraçam uma a milhares de km de distância. Se o sujeito está longe escolha outra...

Minerim, o pior é que a grande maioria faz isso, eu não lembro de ter conhecido pessoalmente alguém que casou com uma americana sem ser por ter comprado o visto. Teve só um cara da igreja que casou com uma estrangeira, mas ela é colombiana.


(20-10-2016, 02:56 PM)Madroox Mx Escreveu: Boa, acompanhando, Libertador qual é a sua faixa de idade?

Madroox Mx, eu estou com 26 anos.

(28-10-2016, 01:38 AM)VOLVO Escreveu: Excelente relato e uma puta lição de vida, Libertador!

Passastes por cada perrengue que eu nem imaginava. Espero fazer uma edição bem feita no podcast, para postar aqui também.

Aguardando a continuação[2], pois a última notícia que tive sua, lá, foi justamente a busca pelo emprego na construção civil.

Valeu VOLVO. Eu fiquei no compromisso de fazer esse relato, demorou, mas agora está saindo. E vou ficar no aguardo do podcast.
A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.
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#62
Continuando!

Parte 5: A construção civil

[Image: building-friendship.jpg]

O dono da empresa de construção, vou chamar ele de João, me ligou e comentou assim: "Fiquei sabendo que você está precisando muito de um emprego, normalmente pagamos 100 dólares por dia, mas eu estou sem dinheiro e como você não tem experiência, se quiser trabalhar comigo posso te pagar 60 dólares por dia".

O esperto do João estava usando a situação difícil que eu estava passando para ter um funcionário por muito menos.

O salário era muito baixo para um serviço de construção civil nos EUA, mas eu estava com muito pouco dinheiro, e além disso, o dia do aluguel estava chegando. Eu não gosto de trabalhar com salário fixo, apenas para cumprir horário, pois você não tem projeção de crescimento, vai receber sempre o mesmo, é algo limitado.

E nas vendas eu achava muito melhor, mesmo eu não estando vendendo nesse período, eu estava aprendendo muita coisa e depois que se aprende, você ganha cada vez mais, de acordo com o seu desenvolvimento, além de que esse conhecimento eu poderia utilizar para várias áreas no futuro. E com as minhas vendas pela internet, eu poderia ganhar muito mais, não tinha limites. 

Mas infelizmente eu não tinha dinheiro de reserva para me manter lá.

Então eu decidi aceitar a proposta indecente do pedreiro João, pois eu pensei que quando eu aprendesse o serviço eu poderia arrumar umas casas para eu mesmo reformar e passar a ganhar bem mais dinheiro. E conversei com o Felipe para a gente continuar o negócio pela internet, e quando vendesse algum produto, como ele continuava no kiosk, ele compraria com o dinheiro dele, entregaria no correio e de noite quando eu voltasse da construção eu gerenciava as vendas e a conta do Ebay em casa. Foi o que fizemos.

Avisei o judeu e pedi as contas do kiosk, ele ainda foi legal e disse que quando eu quisesse voltar era só falar com ele.

Avisei o dono da casa, ele ficou muito feliz, porque agora o meu dinheiro era certo e o aluguel ia ser pago, mas eu eu já aproveitei e avisei ele que não conseguiria pagar o mês adiantado mesmo com esse dinheiro certo, por conta da data de pagamento já estar chegando, mas que no mês seguinte eu já estaria com tudo, pois com 60 dólares por dia, isso daria cerca de 1200 dólares trabalhando só de segunda a sexta. Mas tinha serviços que eram feitos no domingo também. 

Além disso, eu pensei que depois que eu aprendesse o serviço era bem mais fácil arrumar emprego por 100 dólares ao dia. Então eu não teria mais problemas de falta de dinheiro. A não ser que ocorresse algum imprevisto. Mas isso era pouco improvável, afinal, que imprevistos podem ter na construção civil?

Nessa data eu estava com algo em torno de 20 dólares para viver nos EUA. Ou seja, no limite mesmo.


Um irmão da igreja me ligou nesse dia e me chamou para ir no banco com ele, quando estávamos lá, ele sacou um dinheiro e me deu. Eu recusei e perguntei porque ele estava me dando dinheiro, ele disse que ele estava com um sentimento forte de que devia me entregar um dinheiro porque ele achava que eu estava precisando.

Eu fiquei sem graça de ficar recebendo ajuda e recusei. Ele insistiu e disse que era um empréstimo e que se eu não precisasse, que eu devolvesse daqui umas duas semanas e que ele ficaria ofendido se eu não aceitasse. Mesmo sem graça acabei aceitando o "empréstimo", eu não sabia mas esse dinheiro que veio milagrosamente seria crucial para o que eu iria passar em poucos dias.

No dia seguinte às 6 da manhã eu estava na frente do condomínio esperando o pedreiro. O João chegou em uma caminhonete velha com a logo da empresa dele e cheia de ferramentas em cima.

No primeiro dia de serviço eu trabalhei que nem um burro de carga, carregando peso sem parar. Porque eu era o ajudante do pedreiro, ou seja, aquele cara que faz o serviço pesado.

[Image: Construction%20worker%20using%20sledgeha...silhouette]

O João não providenciou nenhum material de proteção para mim, mesmo com o engenheiro chegando na obra e dizendo que era proibido alguém trabalhar lá sem proteção. E o João disse que se eu quisesse, que comprasse com o meu dinheiro. Mas o pagamento só seria depois de 7 a 10 dias segundo ele. Mas não foi o que aconteceu.

Arrebentei as minhas mãos porque não tinha luva, acabei cortando uma delas, estanquei o sangue como pude e continuei o serviço. Além de que para mexer na maquita, eu não tinha óculos de proteção e a que usávamos não tinha uma barreira de proteção, fazendo voar pedaços, correndo o risco de um pedaço da cerâmica voar no olho. Enfim, logo eu, que alguns meses atrás estava dando aula de Saúde e Segurança do Trabalho ensinando sobre a importância dos EPIs para um curso técnico da área de Construção Civil no Brasil, estava em uma situação dessas, que hilário. Ria sozinho pensando nisso.

Cheguei todo quebrado e exausto no final do dia. Mas eu sabia que era só no inicio, pois o meu corpo iria se acostumar com o tempo.

Liguei para o Felipe, já que a família dele tinha comprado um carro pra ele quando ele chegou na América, chamei ele para ir comigo comprar algumas coisas, usei o dinheiro que ganhei no dia anterior do irmão da igreja e os meus 20 dólares e comprei alguns materiais básicos de proteção em uma loja de construção e fui em um mercado e comprei comida substancial para me alimentar por 15 dias e assim aguentar o ritmo até receber o primeiro pagamento, fiquei literalmente com 1 dólar na carteira!!! De noite eu cozinhei a comida dos próximos 4 dias, para eu me alimentar bem e separei em potes na geladeira. Pois durante a semana eu chegaria muito exausto para ter que ficar cozinhando, então já adiantei a comida para vários dias.

No segundo dia de trabalho conheci um brasileiro na construção que estava fazendo outro serviço na mesma obra, vou chamar ele de Alex, troquei contato, caso ele soubesse de alguém que precisasse de ajudantes e pagasse mais de 60 dólares. Ele assustou pelo valor que eu estava ganhando pois ele tirava 100 dólares por dia lá e era novato também. Falou que normalmente pagam 100 dólares ao dia para os novatos e veteranos tiram de 120 a 200 dólares ao dia, e que iria me ajudar a conseguir um trabalho se soubesse de algo e eu iria ajudar ele a conseguir o emprego de vendedor no kiosk, que era o que ele queria, pois ele trabalhou a vida inteira com vendas, então uma mão lava a outra.

O Alex também gosta de aventuras, mais um louco que encontrei, ele morou 1 ano na Inglaterra, juntou um dinheiro voltou pro Brasil, casou e teve uma filha, fez uma reserva e depois de alguns anos, se mudou para Orlando com a mulher e a filha para ficar um tempo também, comprou um carro com o dinheiro que trouxe e estava lá na construção fazendo de tudo também. Ele era muito esperto, fez muitos contatos e tinha uma boa reserva de dinheiro.

Conheci muitos mexicanos, latinos e brasileiros, na construção, eles são maioria esmagadora nesse tipo de serviço. E não conheci nenhum judeu nesse tipo de serviço, todos ficam focados só em vendas e em coisas com grande potencial de crescimento.

O João para o qual eu estava trabalhando, ele era vaqueiro na Rondônia, tinha a oitava série incompleta, e um dia decidiu que iria morar nos EUA, foi tirar o visto mas foi negado. Então ele comprou uma passagem para o México e entrou clandestinamente pela fronteira, há 18 anos atrás.

[Image: 067-illegals-crossing-940.png]

E foi para a Flórida, onde estava até hoje. Casou com uma brasileira, teve um filho, depois se separou, agora estava casado com outra brasileira. A mulher atual dele tinha se "apaixonado" por um americano, casou e quando saiu o green-card dela, coincidentemente, ela separou do cara sem dó nem piedade. E uns meses depois conheceu o meu chefe e na época tinham só uns 3 meses que estavam casados. E ele tinha um filho de 7 anos do primeiro casamento que morava com ele, porque a mãe voltou pro Brasil.

O João, era extremamente mangina, e ele ficava buzinando e cantando todas as mulheres do transito enquanto dirigia, elogiava as mulheres como se fossem o máximo na vida, e olhava pra mim orgulhoso e na expectativa, como se esperasse que eu aplaudisse ou elogiasse esse comportamento mangina como normalmente fazem por aí. Parecia um maluco desesperado por buceta.

A minha situação iria melhorar agora, eu colocaria as contas em dia e faria uma reserva, a não ser que surgisse algum imprevisto bem fora do normal. E foi exatamente isso o que aconteceu. Big Grin

Na semana seguinte de trabalho, eu e ele estávamos indo para o serviço, por volta das 6 da manhã, e me veio um pensamento na cabeça: o que aconteceria se a polícia parasse ele, já que ele era totalmente ilegal ? Perguntei isso pra ele, ele respondeu que só foi parado duas vezes, e que normalmente quando é policial latino, as vezes, os deixam ir de boa, mas quando não são, dá muita confusão e ele pode até mesmo ser deportado, porque ele além de ilegal, não tinha carteira de motorista e nem documentação do carro, por isso ele quer evitar ao máximo ser parado e tenta fazer tudo direito.

E por incrível que pareça, cerca de 30 minutos depois que eu perguntei isso pra ele, uma carro da polícia liga a sirene atrás de nós e nos manda parar.

[Image: pcarinmirror.jpg]

O João ficou em pânico. Paramos o carro, os policiais chegaram e um deles mandou apresentar os documentos, o João nem sabia falar inglês! Mesmo tendo morado 18 anos lá, na construção civil tem tanto brasileiro e latino que quase não se usa inglês. Além de que quando se vai abrir uma conta no banco, por exemplo, tem atendentes falando em português ou espanhol lá na Flórida por conta da quantidade de imigrantes. E ele sempre usava os serviços em espanhol.

Eu fui traduzindo para o João o que o policial estava mandando. O meu inglês tinha melhorado absurdamente com as vendas. O policial pediu o documento do João, mas ele não tinha nenhum pois veio pela fronteira. Tentou explicar, pediu para falar com o policial espano que estava mais atrás, mas não, o policial não deu conversa. O João nem sequer tinha carteira de motorista. Eles viram o carro cheio de material de construção, nós dois com a roupa toda suja, então mandou ele descer do carro, algemou ele e colocou no banco de trás do carro. Ele seria deportado.

[Image: 1297685228347_ORIGINAL.jpg?quality=80&size=650x]

O João estava em pânico. E quando isso ocorre, você vai só com a roupa do corpo. O seu carro, sua casa, suas coisas, conta em banco, tudo o que você construiu fica para trás, você não consegue resolver mais nada e nem sair com nada. E agora? Ele nunca mais veria o filho?

Viraram para mim e pediram os meus documentos, eu entreguei o meu passaporte pois eu sempre andava com ele, fique assustado também. Viram um visto de turista lá, que eu poderia circular livremente por 6 meses, eu estava no prazo, logo eu estava legalmente nos EUA, contando que eu não tivesse trabalhando, aí olharam para a caminhonete cheia de ferramentas, olharam para mim com a roupa toda suja do trabalho. Me pediram a habilitação, eu entreguei a que eu tinha do Brasil, eles olharam e devolveram os documentos. E disseram que eu não poderia dirigir a caminhonete mas não me levaram para ser deportado, mas me disseram que eu não podia dirigir aquele carro em hipótese nenhuma e me deixaram.

O João antes de ser algemado me deu as chaves da caminhonete, me pediu para levar ela de volta pra casa dele, me entregou o celular dele e me pediu para ligar para a mulher dele e contar tudo o que aconteceu para ela ir lá visitar ele antes que ele fosse deportado, que ele queria ver o filho. Foi o que eu fiz, liguei para a mulher dele e a avisei, ela também entrou em pânico.

Um policial saiu e levou ele pra cadeia, o outro policial saiu também, mas eu vi ele esconder o carro dele atrás de umas moitas, ele ficou me observando de lá, esperando eu tentar sair com o carro para ter um motivo para me prender ou para prender o carro, não sei. Eu fechei o carro, sai e sentei lá fora. Depois de um tempo o policial saiu da moita, foi embora, mas quando eu olho melhor, vejo ele em outro canto mais longe me observando ainda. Eu ainda não sabia como iria fazer para sair de lá. 

Só uma coisa estava certa para mim naquele momento em que meu chefe foi preso. Eu agora estava sem trabalho e não receberia pelos dias que trabalhei.

Além disso, eu estava só com 1 dólar e não fazia ideia de como conseguiria pagar o aluguel ou comprar comida quando a minha acabasse. Ou seja, a minha situação tinha piorado. Qual seria a reação do dono do apartamento? Será que eu seria despejado?


[Image: crumpled-dollar.jpg]

Continua em breve.
A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.
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#63
Marcando este fantastico relato. Mas tarde continuo com a leitura.
"Apego corporal, desapego emocional"
Pragaklan 
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#64
O cara morar 18 anos nos estados unidos, não aprender inglês e nem acertar a documentação.. pqp.
E ainda queria explorar o funcionário, pagando valor bem abaixo da média e não dando o material de proteção.
Não sei, mas acho que o tal João mereceu se foder.
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#65
(30-10-2016, 03:09 PM)OldMan Escreveu: O cara morar 18 anos nos estados unidos, não aprender inglês e nem acertar a documentação.. pqp.
E ainda queria explorar o funcionário, pagando valor bem abaixo da média e não dando o material de proteção.
Não sei, mas acho que o tal João mereceu se foder.

Sem dúvidas, mereceu se fuder e muito bem fudido. Cara, inacreditável ler uma coisa dessa. 18 anos nos EUA e pensar que nunca seria pego, putz.
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#66
O problema é não se interessar em aprender e ficar trampando o resto da vida em construção...
Isso acontece com mts Brasileiros, vão pros EUA e ficam estagnados na mesmice, não tem ambição, não procuram se legalizar. Não vou julgar o rapaz, mas com esse tempo todo de América, ele deveria ter no mínimo um bom inglês.
Trabalhar pra hispânicos, Brasileiros e Latinos é furada(meu primo me disse que eles tiram proveito das pessoas)
Por isso é importante tem um inglês minimamente decente e se misturar com os americanos.
Chaotic Mind - Benji Chasin
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#67
(30-10-2016, 05:18 PM)Young Meyer Lansky Escreveu: O problema é não se interessar em aprender e ficar trampando o resto da vida em construção...
Isso acontece com mts Brasileiros, vão pros EUA e ficam estagnados na mesmice, não tem ambição, não procuram se legalizar. Não vou julgar o rapaz, mas com esse tempo todo de América, ele deveria ter no mínimo um bom inglês.
Trabalhar pra hispânicos, Brasileiros e Latinos é furada(meu primo me disse que eles tiram proveito das pessoas)
Por isso é importante tem um inglês minimamente decente e se misturar com os americanos.

Nos EUA a questão da classe social e da educação define seu lugar na sociedade.
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#68
(30-10-2016, 04:54 PM)Sociólogo Escreveu:
(30-10-2016, 03:09 PM)OldMan Escreveu: O cara morar 18 anos nos estados unidos, não aprender inglês e nem acertar a documentação.. pqp.
E ainda queria explorar o funcionário, pagando valor bem abaixo da média e não dando o material de proteção.
Não sei, mas acho que o tal João mereceu se foder.

Sem dúvidas, mereceu se fuder e muito bem fudido. Cara, inacreditável ler uma coisa dessa. 18 anos nos EUA e pensar que nunca seria pego, putz.
 O combinado não sai caro, então, nada a ver o cara se foder. O libertador aceitou o acordo, pois estava precisando e ponto. Isso é o mal do brasileiro, querer colocar a culpar em algo que não faz sentido. Acordos devem ser respeitados, só. O resto é outra historia.
"Apego corporal, desapego emocional"
Pragaklan 
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#69
Rapaz, que situação. Esse relato está cada vez mais interessante.
"Primeiro vêm os sorrisos, depois as mentiras; por último, o tiroteio" - Roland de Gilead
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#70
Continuando!
 
Parte 6: Criando o próprio caminho!


[Image: Criando+o+seu+caminho.jpg] 

A mulher do João foi buscar a chave do carro comigo, lá onde o carro tinha parado e me contou que ele estava preso aguardando para ser deportado e que ela estava fazendo de tudo para tentar tirar ele de lá, então eu entreguei a chave e o celular dele, expliquei toda a situação e eu voltei para o meu apartamento.

Eu já estava preocupado quanto ao meu futuro há algum tempo, justamente por conta da falta de dinheiro. Ainda mais agora, o que eu podia fazer com UM dólar na América?! Mas eu sabia que não podia me dar ao luxo de ficar lamentando, chorando, me vitimando, pois eu estava sozinho nos EUA e tinha que dar um jeito rápido de me virar.

[Image: crumpled-dollar.jpg]

E ficar se lamentando não ajuda em nada, só faz tornar as coisas mais difíceis, aprendi isso em uma loucura anterior. Reclamar, faz diversas coisas negativas como: a mente travar, ou entrar em uma crise de ansiedade, ou entrar em desespero, e assim a gente não consegue mais pensar com clareza. E eu não podia perder tempo com isso, precisava de clareza para pensar e agir. Então eu passei a me esforçar para administrar os meus pensamentos, igual eu relatei em um tópico recente de um confrade sobre a ansiedade, sempre que eles começavam a gerar ansiedade quanto ao futuro, eu dava um jeito de pensar que eu sairia dessa, que eu iria encontrar um jeito de resolver as coisas e mudava a linha de pensamento para ações práticas em vez de se concentrar nos problemas.

Afinal, eu pensei em qual era a pior coisa que me podia acontecer. Cheguei à conclusão que era eu ficar sem lugar para morar e sem comida. Mas eu havia descoberto que a Igreja Batista doava cestas básicas toda segunda feira para qualquer um que quisesse ir lá pegar. E que tinha um lugar em que as pessoas poderiam ir para dormir de graça, que funcionava igual naquele filme “A procura da Felicidade” com o Will Smith, era só chegar mais cedo, que se conseguia um lugar para passar a noite. Eu não viraria um morador de rua.

[Image: movies-that-will-make-the-even-manliest-...info&w=600]

Então eu me tranquilizava que se o pior ocorresse, eu fosse despejado ou não arrumasse um emprego a tempo, era só eu fazer essas coisas, até eu achar uma saída. Essa foi uma fase em que a minha capacidade de lidar sobre pressão e de gerenciar a minha inteligência emocional teve a oportunidade de ser praticada bastante.

A mulher do João conseguiu mostrar que tinha green-card e já tinha entrado com o processo de legalização da documentação dele, por isso tinha direitos e pressionou os policiais, que disseram que houve um mal entendido. Ela só teve que pagar uma taxa de 500 dólares e o João foi solto, mas ele não podia mais dirigir o carro dele até ir na Corte para ser julgado, porque caso dirigisse ele teria alto risco de ser deportado. E procurou um ajudante que tivesse carteira de motorista válida para dirigir na América. Mas depois me informaram que ele continuou arriscando e dirigindo por conta própria por aí.

Eu não voltei ao trabalho porque pensava que não podia dirigir com a minha, pois o policial tinha olhado a minha carteira de motorista do Brasil e dito que não era válida. Foi desinformação minha. Porque um tempo mais tarde que fui entender que podia ter voltado ao emprego e dirigido o carro sim, durante os 6 meses que estava legal. Mas, eu até me senti aliviado de ter saído da construção civil, tava puxado demais o serviço e eu ainda tava me arrebentando todo.

O Felipe que estava trabalhando no Ebay comigo, viu a situação e me chamou para ir morar na casa dele com ele e a irmã, para assim, nós dois nos dedicarmos pra valer nas vendas pelo Ebay. Ele disse que cobraria 250 dólares de aluguel mais o valor da comida, iria cobrar um valor baixo só pra me ajudar mesmo. É óbvio que eu aceitei, já que eu não conseguiria pagar o aluguel de onde eu estava mesmo. Eu finalmente consegui transferir todo os  360 dólares para o dono do apartamento, daquele dinheiro que tinha ficado preso no Paypal, que finalmente liberou, e ficou faltando o resto do valor. Eu dei a minha palavra que pagava quando pudesse. Ele não gostou, mas teve que aceitar. O que mais ele podia fazer?

Fiquei diversas semanas cobrando o João pelos meus dias trabalhados, mas ele sempre inventava uma desculpa, de que não tinha recebido, que tava em uma situação difícil, até que depois de um mês, eu liguei para a mulher dele cobrando, na mesma hora ele me ligou puto da vida e falou para eu nunca mais fazer isso, porém pagou o dinheiro no dia seguinte. Yes! Big Grin

Quando recebi, liguei para o dono do apartamento ir buscar o dinheiro que eu prometi que pagaria, e quando ele foi receber me contou que o rapaz que ficou no meu lugar no apartamento, depois de alguns dias lá, foi para o trabalho e não voltou mais. Ele preocupado foi atrás do cara, encontrou o emprego dele, que era em um hotel e descobriu que ele tinha sido parado pela policia quando estava chegando no trabalho com o seu carro. Ele estava legalizado do mesmo jeito que eu, por seis meses, mas foi deportado.

[Image: Border-Wars-Murder-Capital-01_04700300.jpg]

A história foi a seguinte, ele tinha sido pego pela polícia dirigindo bêbado há poucas semanas atrás e tinha que ir à Corte, assim como o João, e enquanto esperava o julgamento não poderia dirigir de jeito nenhum. Foi pego descumprindo a ordem judicial e foi preso e deportado com a roupa do corpo. O dono do apartamento juntou as coisas dele e deixou separado para quando voltasse para o Brasil enviasse para a família pelo correio. Normalmente as pessoas são deportadas porque cometem deslizes. Se você tomar cuidado, isso é bem pouco provável de acontecer.

Me mudei para a casa do Felipe, a casa era imensa, mas era bem mais afastada da cidade e não tinha linha de ônibus na região, e isso atrapalharia bastante para conseguir emprego. A família do Felipe era do interior de São Paulo, muito rica, dona de construtora, shoppings centers e supermercados na região do interior de São Paulo. Então eles decidiram que iriam dar o fora do Brasil por conta dos desmandos da comunista Dilma que estava no poder aqui no Brasil.

[Image: picture-uh70173ae8e0f735bec12cdc7e74c646...-32832.jpg]
A casa era bem parecida com essa.

Mandaram os mais jovens primeiro, eles chegaram aos EUA três semanas antes de mim, Felipe era bacharel em Direito e a irmã dele estava começando a fazer faculdade lá de veterinária em uma universidade qualquer da cidade, compraram uma casa de 300 mil dólares para eles morarem, e um carro para cada um, e disseram que se quisessem ter dinheiro para gastar além das despesas básicas lá, como para se divertir e sair, teriam que trabalhar para isso. Pois a casa, o carro e as despesas básicas que eram os mais importantes eles já tinham providenciado.

Como o Felipe era muito mangina, ele estava trabalhando muito porque queria comprar uma passagem para a namorada dele ir morar lá com ele. Essa namorada dele era daquelas espertinhas, o conheceu em uma festa que ele fez, viu que a família era bem de vida, e deu em cima dele por meses até que pela insistência ele começou a namorar com ela. Ela era nota 6,5. Passou algum tempo ela se mudou para dentro da casa deles. Morava no quarto do Felipe e continuou morando lá mesmo quando ele se mudou para os EUA. E fica o dia inteiro dentro da casa assistindo televisão, e fazendo compras junto com a mãe do Felipe, que acabou virando uma grande cúmplice da espertinha. Apoiando ela em qualquer discussão e briga, se virando contra o próprio filho muitas vezes, pois a espertinha sempre era a vítima.


[Image: wallpaper-olhar-de-piedade-do-gato-de-botas-304.jpg]
A namorada do Felipe, como muitas mulheres espertinhas, era sempre a vítima.

Depois de algum tempo colocaram ela para trabalhar no shopping da família, ajudando a gerenciar um setor, mas ela estava dando muitos problemas lá, diziam que ela chegava atrasada e não trabalhava direito, desrespeitava o chefe. O Felipe afirmava, vermelho de raiva, que era perseguição da família em cima da coitada, que ela estava sendo injustiçada. Eu joguei umas reais nele, na medida do possível, mas ele não conseguiu assimilar nada, parecia muito além da compreensão dele. A Real não é para todos e eu achei melhor não forçar.

Durante a minha estadia na casa deles eu me empenhei ao máximo nos anúncios do Ebay, pra valer mesmo. Criei contas para concorrer comigo mesmo e ver qual venderia mais, igual os judeus faziam nos kiosks, cada conta tinha um perfil de vendas diferente, assim se o cliente não gostasse de uma, ele poderia comprar de outra conta minha sem saber, aprendi muito com os judeus. Big Grin

Passei vários dias organizando, acrescentando e tirando informações para os anúncios ficarem perfeitos. Eu estava pesquisando e aprendendo mais sobre como anunciar e vender melhor. E começou a dar certo.

[Image: 00001675_dicas-de-marketing-digital.jpg]

Nos primeiros 15 dias nós vendemos 200 dólares, cerca de 100 dólares por semana, era pouco, mas estava dando certo. Eu ainda não podia contar com esse dinheiro porque o lucro era pouco. E fui procurando empregos por fora, mas não estava conseguindo.

O Alex, que eu conheci na construção, me ligou e informou que um colega iria faltar em um serviço de limpeza pós-obra que ele começou a fazer e se eu não poderia o substituir por um dia, pagariam 90 dólares, aceitei na hora. Trabalhei e comecei a ter algum dinheiro de novo. Quase toda semana o Alex me ligava com algum bico louco que ele arrumava. Me chamou até para limpar museus de madrugada. Eu comecei outro negócio próprio nesse período, mas vou relatar na próxima parte. E isso me ajudava a me manter enquanto estava engatinhando no negócio da internet. Fui usando esse dinheiro para comprar comida, pagar o telefone mas eu ainda não conseguia juntar nem um pouco para uma emergência.

Na terceira semana vendemos cerca de 250 dólares, ou seja, as vendas tinham duplicado, elas estavam crescendo aos poucos, o que era um bom sinal. O que era uma média de 100 dólares por semana, subiu para 250 dólares por semana. Eu estava motivado, vi que as vendas na internet poderiam crescer muito, alguns vendedores rivais chegavam a vender o absurdo de 1 milhão de dólares por mês. Eles estavam há anos vendendo os mais diversos produtos. Parece que quanto mais se vende, mais popular fica, e quanto mais popular, mais se vende.

[Image: Aumentar-trafego-site.jpg]

Alguns clientes compravam os meus produtos e voltavam a comprar mais depois que recebiam. E alguns endereços muito próximos aos primeiros compradores apareciam também. Comecei a ter entregas para fazer em vários estados do EUA.

Na quarta semana, as vendas dobraram de novo para algo em torno de 450 dólares na semana. Eu fiquei muito animado, pois era muito, mas eu tinha que tirar o custo que o Felipe gastou para comprar o produto, o custo do envio e ficar com a metade do lucro, então ainda era pouco, pois eu diminuí bastante o valor de venda em uma das contas e era essa que estava vendendo mais, o importante era que as coisas estava crescendo mais rápido que eu estava prevendo, pois se mantivesse esse ritmo, em apenas uns dois meses, eu poderia pagar o aluguel de onde estava morando, poderia fazer uma reserva boa e até comprar um carro para ajudar a me virar lá.


[Image: 668x400xaumentar-a-renda.jpg.pagespeed.i...8eAJgc.jpg]
Eu estava sempre enviando brindes e pedindo para elogiarem o produto no Ebay. Comecei um projeto de pós-venda, e estava estudando outros produtos que eu pudesse diversificar e crescer mais rápido. Na quinta semana eu vendi em torno de 850 dólares em apenas uma semana, descobri o fornecedor dos judeus, e o produto que eu comprava por 40 dólares, eu poderia comprar por 7 dólares se fizesse uma empresa nos EUA, o meu lucro dispararia, o Felipe topou a ideia e ficou muito animado também e entrou em contato com o contador da família dele para resolver a documentação para abrirmos a nossa própria empresa, eu estava olhando para frente e tinha excelentes perspectivas para o futuro. Finalmente, a minha situação estava mudando rapidamente e para a melhor.

Continua em breve.
A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.
Responda-o
#71
Esses relatos estão muito bons. Muitas lições de vida podem ser tiradas dessas experiências.
"A evolução do homem passa, necessariamente, pela busca do conhecimento." - Sun Tzu
Responda-o
#72
Muito bom Confrade.
A parte de que vc só é deportado se fizer merda é a mais pura verdade. O Felipe é mt manginão, eu aposto que essa mina vai trocar ele por um americano.
Aguardo os próximos capítulos.
Chaotic Mind - Benji Chasin
Responda-o
#73
Acompanhando.
Viajante, vá dizer aos espartanos que aqui, pela lei de Esparta, nós repousamos.

Responda-o
#74
Malandro, que lição de vida esse relato. Edificante!
Responda-o
#75
Continuando!

Parte 7: O Lava-Jato


Durante esse período de crescimento de vendas na internet. Eu fui fazendo um trabalho aqui, outro ali, até que eu me lembrei de uma frase que li, se não me engano, na página Geração de Valor, do Flavio Augusto, que inclusive também mora em Orlando, que dizia mais ou menos assim: “Se não consegue achar um emprego, então crie o seu próprio emprego”.
 
Decidi que faria isso, usei a minha criatividade e tentei criar ideias. Pensei sobre o assunto e decidi que montaria uma empresa de lavar carros nas casas dos americanos, um lava rápido móvel, pois como eles gostam de conforto, isso seria mais cômodo para eles. Arquitetei toda a ideia, para gastar o mínimo possível, mas eu precisaria de um carro para fazer o negócio funcionar, então eu conversei com o Felipe mais uma vez, sobre a gente utilizar o carro dele e dividir o lucro nisso também, ele topou.
 
Vale ressaltar que a família dele estava muito feliz comigo lá, e me agradecendo muito por colocar “juízo” na cabeça dele. Porque eu acabei descobrindo depois, pelos próprios parentes, que ele era um parasita social lá na família, ficava o dia inteiro atoa sem fazer nada, junto com a namorada, tinha um cartão de crédito preto ilimitado, por isso não trabalhava, não ajudava a família a administrar o império, nem nada, ele e a namorada ficam só torrando o cartão ilimitado numa boa. Ele não tinha perspectiva de vida. Estava satisfeito e feliz sem ter que trabalhar e nem estudar, e ,várias vezes, quase desistiu de terminar o curso de direito, só terminou porque pagou alguém para fazer o TCC pra ele e pagou alguém para fazer os trabalhos que os professores passavam


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E a família já não sabia mais o que fazer com ele, e agora eles estavam muito animados de ver ele se esforçando tanto assim, então, estava todo mundo incentivando ele a continuar lá trabalhando comigo nos projetos.

Ele e a irmã estavam lá com vistos de estudantes, que são válidos por dois anos, e ele fazia um curso fajuto de inglês para justificar o visto.
 
Eu fiz anúncios na Craiglist, pois eram grátis, criei um panfleto, inventei um nome de empresa, para parecer ser uma empresa, e imprimi na impressora da casa dele e fui entregando de casa em casa junto com ele. No entanto, uns dois dias depois acabamos tendo problema com um vizinho que ameaçou chamar a policia porque era proibido ficar entregando panfletos assim e a gente não sabia. Mas eu já havia entregado vários na região.
 
Peguei uma boa parte do dinheiro que eu tinha desses trabalhos que o Alex me chamava, e o que já tinha recebido do Ebay, para dividir o valor dos materiais que compraríamos para a empresa começar. Eu gastaria cerca de 90 dólares, era bem pouco, mas era muito dinheiro para mim naquele momento. Eu estava preocupado, pois não dependia só de mim para o negócio dar certo, então antes de comprar os materiais eu confirmei se o Felipe estava disposto a se dedicar nisso pra valer mesmo até dar certo. Que eu não podia me dar ao luxo de errar, era dar certo ou dar certo.
 
Pois o meu dinheiro era pouco e eu aplicaria praticamente tudo o que eu tinha nisso, caso ele dissesse que não, eu guardaria o dinheiro para usar em uma ocasião oportuna. Mas ele disse que ia dar o seu melhor e se empenhar ao máximo, pois ele queria que desse certo também. O meu erro foi ter acreditado.
 
O negócio começou, e já iniciou dando certo, recebi ligações de vizinhos, lavamos os carros nas casas deles, recebíamos boas gorjetas, e começou a entrar um dinheiro, os clientes ligavam mais pelo anuncio da internet do que pelos panfletos entregues, então intensifiquei os anúncios em sites que eram grátis e começaram a ligar de várias partes da cidade, para lavarmos os carros no estacionamento do serviço enquanto eles trabalhavam. Aí eu já decidi ampliar e comecei a fazer anúncios para lavar carros de empresas de entregas e de turismo, pois eles tinham uma frota e precisavam lavar sempre, então seria possível começar a formar uma carteira de clientes.
 
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Mas com apenas duas semanas que o negócio tinha começado, ainda nem tinha retirado o investimento inicial, o Felipe ao conversar com a namorada, que vou chamar de espertinha, mudou subitamente de ideia e disse que ia tirar o curso de inglês da noite e voltar com ele durante o dia e ia largar o negócio, e sem carro para levar os produtos e sem ônibus na região, eu vi o meu negócio ser travado e o meu dinheiro perdido. Pensei em ir de Uber, mas o custo seria maior que o lucro, não compensava. Nem de bicicleta dava pra ir, porque era tudo longe, já que eles moravam em um lugar mais afastado, era cerca de 35 minutos pro centro da cidade se fosse de carro.
 
Fiquei bem chateado. Pois eu estava com receio que acontecesse exatamente isso. Eu e a família dele tentamos conversar com ele, mas não teve jeito. A espertinha por algum motivo implicou com esse serviço e para ele só a opinião dela que importava. Mangina é foda. Meti umas reais nele, o que acabou deixando ele chateado comigo por uns dias.
 
Bom, como o negócio do Ebay estava engrenando rapidamente, eu relevei o que aconteceu e voltei a focar as minhas forças no Ebay, já estávamos começando a receber o dinheiro das primeiras semanas, pois normalmente demorava 20 dias entre a venda e o dinheiro de fato estar disponível para saque.
 
Eu fiz uma conta no Banco Wells Fargo, para receber a minha parte do lucro. Quando fui fazer a conta pude escolher entre um gerente que falasse português ou espanhol, de tantos imigrantes que há por lá.
 
Um fato que eu achei interessante é que alguns bancos funcionam 7 dias por semana e o horário em que ficam abertos é bem mais amplo do que no Brasil, cada banco decide o seu horário. Alguns tem Drive-thru para você falar com o atendente sem sair do seu carro. Vale tudo para atrair clientes no capitalismo opressor.

[Image: wells-fargo-bank-drive-thru-atm-usa-e66710.jpg]
Um cliente usando um caixa-eletrônico do banco.

O Felipe juntou o dinheiro que precisava e comprou a passagem para a espertinha. Ele estava extremamente ansioso com a viagem dela com medo de acontecer alguma coisa com a chuchuquinha dele, mas infelizmente, para ele e para mim, aconteceria. E isso mudaria completamente o rumo das coisas.
 
Ele comprou um buquê de rosas, um caixa de chocolate suíço e escreveu uma carta de amor, foi para o aeroporto a espera da amada no desembarque, mas a amada nunca chegou. Havia algo de errado e ele não conseguiu descobrir o que aconteceu, ficou a madrugada toda desesperado correndo atrás de informações. O que será que aconteceu com ela? Porque ela desapareceu? Descubra na próxima parte desta saga. Big Grin


Continua em breve. A próxima parte será a última.
A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.
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#76
Sempre tem uma mulher no meio, incrível...

Ela ficou com medinho "das gata" verem dois cabra viril lavando carro e de você levar ele para o mal caminho

Na cabeça dela
[spoiler="Na cabeça dela"]


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[/spoiler]

"Ai amor você não precisa disso"

No aguardo da última parte.
"Há um amplo fosso de aleatoriedade e incerteza entre a criação de um grande romance – ou joia, ou cookies com pedaços de chocolate – e a presença de grandes pilhas desse romance – ou joia, ou sacos de biscoitos – nas vitrines de milhares de lojas. É por isso que as pessoas bem-sucedidas em todas as áreas quase sempre fazem parte de um certo conjunto – o conjunto das pessoas que não desistem." O andar do bêbado.
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#77
Andar, fazer amizade e confiar em mangina é foda. O mangina por definição tem cabeça fraca. É 100% certo que vai falhar na brodagem.
Responda-o
#78
Continuando!

Parte 8: Agindo por impulso

Finalmente chegou a notícia, ela havia realizado uma ligação de dentro da cadeia para a mãe dela, ou seja, ela estava presa! Mas como ela foi parar lá?

[Image: hqdefault.jpg]

Vou explicar essa parte melhor. Quando se tira o visto para os EUA, ainda existem mais algumas peneiras em que se passa antes de entrar no país, a ultima de todas é quando se chega ao aeroporto. Por esse motivo, quando eu estava indo aos EUA, eu deletei o meu facebook, limpei meu whatsapp e desliguei o meu celular, para não dar oportunidade nenhuma para eles acharem alguma coisa, eu e a família do Felipe aconselhamos o mesmo para ela, mas ela não o fez e pagou caro por isso.

Quando os brasileiros chegam ao aeroporto, a polícia chama um por um e faz algumas perguntas com a intenção de perceber alguma contradição, neste momento ela mentiu sobre a volta. O Felipe comprou a passagem para dois meses e ela disse que ficaria só um mês, achando que soaria melhor.

[Image: immigration-officer.jpg]

Quando o policial percebeu algo errado, fez mais algumas perguntas e a Espertinha começou a gaguejar, então o policial a enviou para uma sala de interrogatório e é normal irem alguns para lá, é só você responder com calma.

Ao chegar lá, os policiais são sagazes, pediram para olhar a passagem, ela mostrou pela imagem do seu celular, pediram permissão para pegar o celular e olhar melhor e ela entregou o celular sem pestanejar, então acessaram o whatsapp e viram as mensagens dela falando sobre trabalho e coisas do tipo, alguns deles sabem falar bem o português e puderam ler sem problemas.

Fizeram uma investigação das informações dela na internet também, começaram a olhar as mensagens dela no facebook, as comunidades sobre “Empregos em Orlando” que ela burramente entrou antes de chegar, o que ela fazia no Brasil, para qual endereço ela estava indo morar em Orlando e coisas do tipo. Pressionaram a Espertinha no interrogatório, e ela contou tudo, falou da nossa empresa de lavar carros, falou que eu e o Felipe vendíamos produtos pelo Ebay, mostrou quais produtos vendíamos, como comprávamos, falou quanto tempo trabalhamos no Kiosk, onde morávamos, tudo.

Depois que eles pegaram tudo o que queriam, algemaram-na, colocaram uma roupa laranja, aplicaram algumas injeções nela e colocaram-na na cadeia junto com as prisioneiras.

[Image: d65beb71926332720212d4d16c8dbb3a.jpg]

Depois de um dia inteiro lá, no dia seguinte embarcaram ela em um avião e ela voltou humilhada para o Brasil. E ganhou uma restrição de pisar no solo americano por 10 anos.

O Felipe simplesmente surtou, voltou do aeroporto com a cartinha, as flores e o chocolate e chorava sem parar no quarto dele. Ficou assim até que conseguiu falar com ela pelo celular quando ela chegou no Brasil. E o mangina disse que ia abandonar tudo e voltar pro Brasil.

[Image: tumblr_mrig96kTtT1rk0k2jo1_500.gif]

Meu negócio promissor no Ebay estava em risco. A família dele tentou convencer ele a ficar de todo jeito, pois sabiam que se ele saísse daqui, dificilmente iria querer voltar para os EUA. E para eles era importante ele estar lá, pois eles estavam abrindo empresas para alguns negócios milionários que iam iniciar em breve lá.

A família me ligou e pediu para eu tentar convencer ele. Conversei sério com ele sobre a importância de não se tomar decisões sérias de cabeça quente. Pedi para ele esperar passar pelo menos uma semana para se acalmar e pensar com calma e tomar uma decisão mais sensata. Eu pensei em fazer isso, pois durante esse período eu teria mais tempo para fazê-lo mudar de ideia e convencê-lo a ficar. Ele disse que tudo bem, esperaria uma semana. Mas no dia seguinte ele comprou a passagem de volta, largou todo o nosso projeto no Ebay e todos os projetos da família dele.

Ele não ouvia nada, nem ninguém, só pensava em voltar correndo para os braços da Espertinha. A família toda ficou com raiva dela por ter feito tanta burrice e ainda aberto o bico e contado todas as informações comprometedores que conseguiu lembrar. A irmã do Felipe, que vou chamar de Leviana, teve que sair do trabalho no Kiosk sob o risco de ter problemas com a imigração, já que agora sabiam onde ela trabalhava e morava.

Sem o dinheiro de investimento dele, eu não tinha como continuar o negócio e com o dinheiro que sobrou da minha parte do lucro, retirando o prejuízo que eu tinha tido com o negócio do carro, o aluguel que estava pagando e as despesas básicas, era muito pouco até mesmo para eu procurar outro lugar para morar. Eu estava com cerca de uns 150 dólares. Mas eu teria que sair porque pra família deles, não tinha condições de eu morar sozinho na mansão com a Leviana.

Pedi um prazo de 5 dias para tentar levantar algum dinheiro e sair de lá. No dia seguinte levei o Felipe para o aeroporto, tentei pela última vez conversar com ele, mas foi em vão.

Voltei para a casa e ficamos só eu e a Leviana morando lá, ficou combinado que eu deveria tentar conseguir um lugar para morar o mais rápido possível. Mas, para a minha sorte, a Leviana bateu o pé que queria que eu ficasse lá morando com ela, pois não queria ficar sozinha em uma casa daquele tamanho.

A Leviana era a clássica garota leviana e fútil, tinha 22 anos, era bonita, mas usava medicamentos controlados antidepressivos, bebia cerveja e vinho toda noite, não se pode misturar bebidas com remédios controlados, mas ela misturava, além disso, ela fumava bastante, tinha colocado silicone aos 20 anos, tinha piercing no nariz, tatuagem e vivia indo em boates. Tudo o que ela queria fazer eles deixavam, ela era uma dessas adolescentes inconsequentes que crescem sem regras.

[Image: 635554908364904963-1041268689_6355541908...000x70.jpg]

Logo em seguida o pai dela me mandou uma mensagem deixando claro que ele já foi militar, que ele estaria de olho, que não admitiria nenhum tipo de problemas e etc. O pai dela ficou bem preocupado pelo fato de eu morar lá sozinho com ela. Eu também ficaria se tivesse no lugar dele. O que ele não sabe foi que eu a evitei de fazer muita merda, porque a garota tinha um cérebro de paçoca e só tinha ideia idiota. Agora se ele é militar e rígido, que tivesse criado ela direito e com regras, mas ele era frouxo pra bater de frente com a mãe da Leviana, e sim, ele casou com uma M$OL, porque a mãe da Leviana tinha outros dois filhos antes desse casamento, que era o Felipe e o irmão mais velho dele que é médico. E essa falta de autoridade dele deve ter contribuído pra ela crescer sem respeito e sem limites.

Continuei correndo atrás de empregos ilegais, sem sucesso. Tentei ver com a minha família se tinham condições de me mandar algum dinheiro, mas disseram que não podiam me ajudar com nada. Eu até tentei continuar o negócio com a Leviana, mas ela estava pouco se importando com aquilo ou qualquer trabalho. Ela nunca tinha se interessado em fazer dinheiro, afinal, a família bancava tudo, ela só se importava em “curtir o momento”, porque “a vida é passageira”, como ela dizia. Direto ela trazia umas amigas pra dormir aqui na casa com a gente e acabam saindo pra boate e me convidando para ir junto, mas eu nunca ia, porque acordava cedo pra correr atrás do meu futuro, e ficar pegando mulher é legal mas não ia pagar as minha contas.

[Image: Hot+Girls+Drinking.jpg]

Depois de alguns dias, criei um novo emprego novamente, peguei um pouco do dinheiro que eu tinha e comprei uns materiais no supermercado e fiz uns brigadeiros, peguei o carro do Felipe e sai vendendo por aí, o que até deu algum dinheiro, mas nada expressivo.

O meu visto estava perto de expirar e eu precisava tomar uma decisão. Eu tinha a opção de continuar lá depois que o visto expirasse, me tornando ilegal, como alguns fazem, e ao fazer isso, se eu saísse do país pelos próximos anos, eu ganharia um bloqueio de 10 anos para voltar, então era arriscado.

A outra opção era fazer um curso de inglês, que o mais barato que encontrei custava 450 dólares por mês e meu visto se tornaria de estudante com validade de dois anos, como era o da Leviana e o do Felipe antes dele ir embora. E eu poderia ficar legalmente nesses dois anos, a maioria faz essa opção. Já tinha planejado tudo para fazer essa também com o lucro do Ebay, mas aconteceu o incidente com a Espertinha, então eu não tinha condições nenhuma de fazer um curso.

E a última opção era voltar para o Brasil antes do visto vencer, assim eu poderia juntar algum dinheiro, me reestruturar e voltar quando eu quisesse.

Eu refleti bastante sobre o assunto, a minha situação estava difícil novamente, e eu não tinha condições de pagar o curso de inglês, as prestações da minha casa no Brasil estavam bem atrasadas, a minha família me informou que tinha acabado de chegar uma carta de que a casa iria para leilão se não pagasse em determinado prazo.

[Image: leao-wallpaper.jpg]

Eu queria continuar, mas era mais inteligente voltar pro Brasil e me reorganizar para ir de forma mais planejada daqui um tempo, pois eu manteria a porta aberta para voltar quando quisesse e organizaria as minhas coisas no Brasil. Poderia até vender a minha casa e ir com um dinheiro bem maior no futuro.

Liguei para a família e falei que ia voltar. O detalhe é que eles insistiam desde o início para eu não ir, e enquanto eu estava lá falavam sem parar para eu voltar, mesmo naqueles períodos em que tudo estava dando certo, é como dizem, as pessoas não querem ver o seu sucesso. Falei que ia tentar conseguir o dinheiro da passagem de volta. Mas no dia seguinte, curiosamente, eles compraram a passagem à vista para eu voltar. Não tinham nenhum centavo para me enviar em todo o período em que eu fiquei lá, comigo correndo o risco de ficar sem dinheiro pra comida, de ser despejado da casa, e não podiam ajudar com as prestações vencidas da minha casa no Brasil, mas quando eu decidi voltar, o dinheiro surgiu de uma vez e compraram a passagem antes que eu mudasse de ideia. Muito curioso isso.

Minha aventura chegou ao fim. Com o dinheiro que sobrou comprei algumas lembranças e peguei o avião de volta.

Ao voltar para o Brasil, me reestruturei, coloquei as coisas em dia. Apesar da sacanagem dele, o Felipe acha que é meu amigo e ainda me manda mensagens, ele quer voltar fazer negócios comigo, fui até visitar ele no interior paulista depois de um mês, conheci os dois shoppings centers da família e os outros negócios, um desses shoppings eles compraram por 500 milhões de reais, achei que era exagero mas depois fui ver o shopping e era imenso e bem no centro da cidade, tive a oportunidade de conversar com o avô dele, que foi o cara que construiu todo o império do zero e hoje administra tudo praticamente sozinho. Aprendi coisa demais com ele. Clique Aqui para ler o que aprendi com o multimilionário. 

Ele tem muitos herdeiros, mas não tem nenhum sucessor. Dá pra perceber que ele está bem preocupado com isso. Mas isso foi erro de criação dele, a impressão que eu tenho é que quando ele morrer, o império vai ruir, pois ninguém sabe administrar nada e nem tem interesse em aprender, dos filhos dele não há um, só querem dinheiro para gastar, e dos netos, o Felipe era um dos poucos que tem chance, e ele está tentando o colocar pra isso, mas ele não está correspondendo à expectativa ainda. Enfim, aprendi muita coisa interessante com a família dele.

Pretendo voltar novamente para os EUA ou mesmo ir morar no Canadá, mas vou com uma reserva decente na próxima vez e estou tentando validar o meu diploma, para já ir podendo trabalhar legalizado, pois uma pessoa formada na minha área de atuação ganha em média nove mil dólares por mês lá. Todo o processo deve demorar uns dois anos para resolver.
Enquanto isso estou investindo no meu plano B que é estudar para concurso. Pois, nesse meu plano B, eu quero usar o dinheiro do salário do concurso para investir em ideias de negócios que eu tenho.

Eu posso dizer que aprendi muito em pouco tempo. Pude tirar diversas lições com tudo o que passei. Aprendi a lidar sobre pressão, aprendi a gerenciar os meus pensamentos e o meu emocional, aprendi como a imagem que você transmite e o seu emocional fazem diferenças nas vendas e nos seus relacionamentos interpessoais, aprendi muito sobre negócios com os judeus e com o avô do Felipe, superei o medo de abordar estranhos com o trabalho no kiosk, tive oportunidade de aprender com o contato com diversas culturas e países, coisas que eu nem sequer imaginava, fiz amizades que mantenho contato até hoje, o fato de estar sozinho lá me ensinou muito sobre ser independente, desapegado tanto de mulheres quanto de familiares e amigos, a ser forte por mim mesmo. Posso dizer que aprendi muitas coisas que nem sei como relatar aqui.

Apenas seis meses em uma aventura dessas, são décadas de aprendizado, conhecimento que se leva por toda a vida. Agora, as vezes, anos vivendo do mesmo jeito, no mesmo emprego, na mesma rotina, podem não ser nada, apenas um desperdício de vida. Erros e acertos fazem parte do caminho, mas quem, por medo, não sai do lugar, passa a vida sem viver. Como escreveu Benjamin Franklin: "Algumas pessoas morrem aos 25 anos e não são enterradas até os 75".

[Image: 299659_orig.jpg]
Algumas pessoas passam a vida inteira no mesmo trabalho enfadonho e monótono.

Para finalizar um texto do Flavio Augusto que se aplica a este momento de finalização:

Citação:Sou apaixonado por histórias e acredito que cada pessoa é roteirista de sua própria vida. Eu, particularmente, escolhi escrever roteiros de aventura para minha curta passagem por este planeta, mas sei que muitos preferem viver na ficção, drama ou terror.
Outros, com medo de serem comidos por um jacaré ou serem devorado por um dragão que cospe fogo, escrevem roteiros conservadores, chatos e que dão vontade de dormir.
Sempre há tempo para começar a escrever um novo roteiro. O futuro é uma folha em branco.
Não se acovarde.

FIM!
[Image: giphy.gif]

Edição: Complemento pós-relato: https://legadorealista.net/forum/showthr...0#pid24870


Curtiu este relato? Então leia a segunda loucura que eu fiz, o relato Loucuras do Libertador - Saga O Teste Físico.


Se você gostou do relato, clique em avaliar aqui logo abaixo da minha postagem. Valeu legião!
A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que se não comprem nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exato; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao pólo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que caiam os céus.
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#79
Incrível o desfecho da história, como algumas pessoas tem uma capacidade incrível de fazer merda.

Acredito que para o Felipe a história vai piorar.

Show, muito bom!
"Há um amplo fosso de aleatoriedade e incerteza entre a criação de um grande romance – ou joia, ou cookies com pedaços de chocolate – e a presença de grandes pilhas desse romance – ou joia, ou sacos de biscoitos – nas vitrines de milhares de lojas. É por isso que as pessoas bem-sucedidas em todas as áreas quase sempre fazem parte de um certo conjunto – o conjunto das pessoas que não desistem." O andar do bêbado.
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#80
Relato muito bom, mas ficaram algumas dúvidas:

- Não seria interessante ter tentado com a família do cara algum emprego ou coisa do tipo pra vc trabalhar? Lá nos EUA ou até aqui no Brasil. Vc poderia ter conversado sobre isso com o pai do seu amigo, o tal ex militar ou com o avô que vc fez amizade. Sabe, ele não tem sucessor, mas talvez precise de um administrador, vc parece ter o perfil.

- Vc pretende voltar aos Estados Unidos ou ir a outro país tentar a vida? Poderia ir pra Inglaterra ou Alemanha por exemplo.

- Como esse tempo nos EUA alterou a sua vida/cotidiano aqui no Brasil? Por exemplo o modo como vc lida com parentes, amizades, mulheres, trabalho/emprego, etc. Alterou muito sua dinâmica de vida?

- O que vc recomendaria pra alguém que quer ir para os Estados Unidos? Às vezes penso em ir pra lá trabalhar de carreteiro por uns anos, pra ganhar alguns dólares e conhecer o país todo. Acho que o comércio é o melhor lugar para ganhar experiência de vida, mas não creio que eu leve jeito, sou muito quieto.
Responda-o


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