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Chamado à mais elevada norma - Versão para Impressão

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Chamado à mais elevada norma - Libertador - 11-01-2020

Eu li um trecho que achei bem interessante no livro que estou lendo. Ele traz uma reflexão sobre um ramo específico do desenvolvimento pessoal, ele fala de um desenvolvimento pessoal que está acima de todas as outras áreas que é o desenvolvimento espiritual e porque é tão importante alcançá-lo.

Lendo o texto eu fico pensando em como eu preciso me dedicar muito mais do que tenho feito e como eu não tenho me esforçado nem perto de como eu deveria. Eu quero chegar no final da minha vida e olhar para o que fiz e ficar satisfeito com os resultados que alcancei e saber que eu fiz tudo o que podia para ser a melhor versão de mim mesmo e não deixei nada por fazer. E não digo de resultados materiais, mas da vida como um todo. Quero chegar no final da minha vida, não orgulhoso porque alcancei X ou Y, mas estar satisfeito de saber que eu dei o meu melhor e tirei o máximo proveito dessa vida passageira. Independente de quais sejam os resultados.

Vou compartilhar o trecho com vocês. Esse capítulo do Livro Atos dos Apóstolos de Ellen White se refere a carta que Paulo escreveu aos Coríntios. É uma excelente reflexão ao desenvolvimento pessoal do cristão por isso postei aqui na seção de Desenvolvimento Espiritual.

Capítulo 30 — Chamado à mais elevada norma
Este capítulo é baseado na Primeira Epístola aos Coríntios.

Na esperança de imprimir vividamente no espírito dos crentes coríntios a importância do firme autocontrole, estrita temperança e persistente zelo no serviço de Cristo, Paulo em sua carta a eles faz destacada comparação entre a milícia cristã e as celebradas maratonas que se realizavam em intervalos fixos, próximo de Corinto. 

De todos os jogos instituídos entre os gregos e romanos, era a maratona a mais antiga e mais altamente considerada. A ela assistiam reis, nobres e governadores. Jovens fortes e sadios nela tomavam parte, e não se excluíam de qualquer esforço ou disciplina necessária para alcançar o prêmio.

As competições eram regidas por regulamentos estritos, dos quais não havia apelação. Os que desejavam ter seu nome inscrito como competidor ao prêmio, tinham que primeiro submeter-se a severo treino preparatório. Prejudicial condescendência com o apetite, ou qualquer outra concessão que pudesse diminuir o vigor físico ou mental, eram estritamente proibidas. Para alguém ter alguma esperança de sucesso nessas competições de força e velocidade, os músculos tinham de ser fortes e flexíveis e os nervos estar sob controle. Cada movimento tinha de ser exato, cada passo rápido e bem orientado; as faculdades físicas precisavam alcançar o mais alto ponto.

Enquanto os concorrentes na corrida se apresentavam perante a multidão expectante, seus nomes eram anunciados e as regras da corrida claramente expostas. Então, todos davam juntos a largada, sob a atenção fixa dos espectadores que lhes inspiravam a determinação de vencer. Os juízes assentavam-se próximo à meta final, para que pudessem observar a corrida do início ao fim, e dar o prêmio ao verdadeiro vencedor. Se um corredor alcançava o alvo primeiro, através de alguma vantagem ilegal, não tinha direito ao prêmio.

Nessas competições havia grandes riscos. Alguns jamais se refaziam do terrível esforço físico. Não era incomum pessoas caírem no percurso, sangrando pela boca e nariz, e algumas vezes um competidor caía morto quando estava para alcançar o prêmio. Mas a possibilidade de dano para o resto da vida, ou a própria morte, não eram olhados como risco grande demais por amor da honra reservada ao vencedor.

Quando o vencedor alcançava o alvo, os aplausos da vasta multidão de espectadores vibravam pelos ares e despertavam o eco das montanhas e morros circunvizinhos. Sob as vistas dos assistentes, o juiz presenteava-o com os emblemas da vitória — uma coroa de louros e um ramo de palma que o atleta levava na mão direita. Sua glória era cantada através da Terra; seus pais recebiam sua parte na honra; e a própria cidade na qual vivia era tida em grande estima por haver produzido tão grande atleta.

Referindo-se a essas corridas como uma figura da milícia cristã, Paulo deu ênfase à preparação necessária para o sucesso dos contendores na maratona — a disciplina preliminar, o regime de abstenção alimentar, a necessidade de temperança. “E todo aquele que luta”, declarou Paulo, “de tudo se abstém”. 1 Coríntios 9:25. Os corredores punham de lado toda a condescendência que tendesse a diminuir-lhes as faculdades físicas, e mediante severa e contínua disciplina, treinavam os músculos para se tornarem fortes e resistentes, para que, ao chegar o dia da competição, pudessem exigir de suas forças o máximo de rendimento. 

Quão mais importante é que o cristão, cujos eternos interesses estão em jogo, coloquem os apetites e as paixões em sujeição à razão e à vontade de Deus! Jamais deve ele permitir que seja sua atenção desviada por entretenimentos, luxos ou comodidades. Todos os seus hábitos e paixões devem ser postos sob a mais estrita disciplina. A razão, iluminada pelos ensinos da Palavra de Deus e guiada por Seu Espírito, tem de assumir o controle.

E havendo feito isso, precisa o cristão esforçar-se ao máximo para alcançar a vitória. Nos jogos coríntios, as passadas finais dos competidores eram dadas sob agonizante esforço para conservar a velocidade. Assim o cristão, ao aproximar-se do alvo, prosseguirá com ainda maior zelo e determinação que no início da carreira. 

Paulo apresenta a diferença entre a coroa perecível de louros recebida pelo vencedor nas corridas, e a imortal coroa de glória que será dada ao que corre vitoriosamente a carreira cristã. “Eles o fazem”, declara, “para alcançar uma coroa corruptível”. 1 Coríntios 9:25. Para alcançar um prêmio perecível, os corredores gregos não fugiam a qualquer esforço ou disciplina.

Nós estamos lutando por um prêmio infinitamente mais valioso, a própria coroa da vida eterna. Quão mais cuidadosa deveria ser nossa luta, e quão maior nossa disposição para o sacrifício e renúncia! Na epístola aos hebreus é destacada a inteireza de propósito que deve caracterizar a carreira do cristão para a vida eterna: “Deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé”. Hebreus 12:1, 2. Inveja, malícia, ruins suspeitas, maledicências, cobiça — são embaraços que o cristão deve pôr de lado, se quiser correr com êxito a carreira para a imortalidade.

Cada hábito ou prática que conduz ao pecado e leva a desonra a Cristo, precisa ser posto de lado, seja qual for o sacrifício. A bênção do Céu não pode acompanhar qualquer homem em violação dos eternos princípios de justiça. Um pecado acariciado é bastante para promover a degradação do caráter e desviar outros. “Se a tua mão te escandalizar”, disse o Salvador, “corta-a; melhor é para ti entrares na vida aleijado, do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga; e, se o teu pé te escandalizar, corta-o; melhor é para ti entrares coxo na vida, do que, tendo dois pés seres lançado no inferno”. Marcos 9:43-45. Se para salvar o corpo da morte, o pé ou a mão devem ser cortados, ou mesmo o olho arrancado, quão mais interessado deveria estar o cristão em afastar o pecado que resulta na morte eterna!

Os competidores nos antigos jogos, depois de se haverem submetido à renúncia e rígida disciplina, não estavam ainda assim seguros da vitória. “Não sabeis vós”, pergunta Paulo, “que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio?” 1 Coríntios 9:24. Não importa com quanto entusiasmo e ardor tivessem corrido os competidores, o prêmio seria apenas de um. A mão de um apenas agarraria o cobiçado galardão. Alguns podiam dedicar supremo esforço para obter o prêmio, mas ao estenderem a mão para apanhá-lo, outro, um instante antes dele, poderia arrebatar-lhe o cobiçado tesouro.

Tal não é o caso na milícia cristã. Ninguém que se submete às condições ficará desapontado ao fim da carreira. Ninguém que seja fervoroso e perseverante deixará de alcançar sucesso. Não é dos ligeiros a carreira, nem dos valentes a peleja. O mais fraco dos santos, bem como o mais forte, podem alcançar a coroa de glória imortal. 

Podem vencer todos os que, pelo poder da divina graça, conduzem a vida em conformidade com a vontade de Cristo. Nos pormenores da vida, a prática dos princípios estabelecidos pela Palavra de Deus é, não raro, olhada como coisa sem importância — assunto por demais trivial para que se lhe dê atenção. Mas, considerando o que está em jogo, nada é pequeno quando ajuda ou estorva. Cada ato acrescenta seu peso na balança que determina a vitória ou fracasso na vida. E a recompensa dada aos que triunfam será proporcional à energia e fervor com que lutaram.

O apóstolo se compara a uma pessoa disputando uma corrida, exigindo de cada músculo para alcançar o prêmio. “Pois eu assim corro”, diz ele, “não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado”. 1 Coríntios 9:27. Para que não viesse a correr incertamente ou a esmo na carreira cristã, Paulo se submetia a severo exercício. As palavras “subjugo o meu corpo”, literalmente significam repelir por severa disciplina os desejos, os impulsos e as paixões.

Paulo temia que, tendo pregado a outros, viesse ele próprio a ficar reprovado. Compreendia que se não praticasse na vida os princípios em que cria e que pregava, seu trabalho em favor de outros em nada lhe aproveitaria. Sua conversação, sua influência, sua recusa de render-se à satisfação própria, deviam mostrar que sua religião não era mera profissão mas um viver diário em ligação com Deus. 

Um alvo mantinha ele sempre diante de si, e lutava fervorosamente por alcançá-lo: “a justiça que vem de Deus pela fé”. Filipenses 3:9. Paulo sabia que sua batalha contra o mal não terminaria enquanto ele tivesse vida. Sempre sentia a necessidade de praticar estrita vigilância sobre si mesmo, para que os desejos terrestres não conseguissem minar seu zelo espiritual. Com todas as suas forças, continuava a lutar contra as inclinações naturais. Sempre mantinha diante de si o ideal a ser alcançado, e esse ideal procurava alcançar mediante voluntária obediência à lei de Deus. Suas palavras, atos e
paixões — tudo era posto sob o controle do Espírito de Deus.

Era essa inteireza de propósitos para vencer na carreira pela vida eterna que Paulo ansiava ver revelada na vida dos crentes coríntios. Ele sabia que para alcançar o ideal de Cristo, tinham eles diante de si uma luta vitalícia na qual não haveria tréguas. Insistia com eles para que porfiassem lealmente, buscando dia a dia a piedade e a excelência moral. Suplicava-lhes que pusessem de lado todo embaraço, e prosseguissem rumo ao alvo da perfeição em Cristo.

[...] O capítulo continua....mas eu encerro por aqui.


RE: Chamado à mais elevada norma - Bastardo - 12-01-2020

Texto formidável, grato por trazer.

Estou construído um artigo sobre mais ou menos do que foi exposto e esse texto me deu vários insights, quando postar farei referência a esse texto, como complementar.


RE: Chamado à mais elevada norma - Melancton - 20-01-2020

(12-01-2020, 02:17 PM)Bastardo Escreveu: Texto formidável, grato por trazer.

2

Me fez refletir bastante. Estou me dedicando demais para coisas sem valor e deixando o que de fato importa sempre para depois.


RE: Chamado à mais elevada norma - Indomável - 21-01-2020

Excelente texto. Muito obrigado!


RE: Chamado à mais elevada norma - lokoman - 21-01-2020

o texto é muito bom. Apesar de eu não ser religioso, consegui extrair muita coisa útil dele. Os nossos antepassados tinham um grande conhecimento sobre conduta e sobre a vida. É realmente uma pena que muitos "progressistas" desdenham de tanta sabedoria ancestral em nome de uma suposta "evolução". Cada um colhe o que planta no final.

Parabéns pelo post!!


RE: Chamado à mais elevada norma - Ducati - 21-01-2020

Texto muito bom. Apesar de eu não ser adventista, reconheço o trabalho bem feito da escritora em esclarecer o enunciado do trecho bíblico.

É comum ao me observar o quanto podemos ser vistos como "pessoa religiosa", ou termos em própria conta como pessoa de fé, em determinado credo, "respeitando" aquilo que as seguras fontes dizem ser o correto. Mas o texto me fez questionar: estou vivendo isso? E a resposta em grande parte do tempo é NÃO. Ora, por causa disso devemos nos reprimir e ficar com um sentimento de culpa latente durante todo o tempo? A resposta também é não. Esse sentimento, inclusive, por vezes fora de proporção é, como diz um colega de fórum, diabólico. Quando escuto algo relacionado à religião, tenho custado dar a atenção apropriada, quando não afastado meus pensamentos. Já recebi muito de Deus, mas por que custo reconhecê-lo?

O texto (primeiramente de Paulo, mas bem explicado pela autora referida) me trouxe uma perspectiva de como enfrentar e me posicionar nesse sentido. Mas há trabalho duro pela frente...

Eu acredito que ao maratonista experiente, não cabe uma culpa devastadora ao falhar em uma atividade ou pequena tarefa. Ele como atleta erra. Por outro lado, jamais imaginaria um maratonista em plena preparação abandonar bons hábitos e sucumbir ao desregramento... isso deve causar um enorme desprazer. Os colegas que praticam atividade física vividamente sabem como é desprazeroso quando começamos a falhar repetidas vezes ou sair da rotina, é quase um sentimento de letargia, enferrujamento... Por outro lado, daqueles que não conhecem ou tem pouco contato com a atividade física, é comum escutar comentários como: "isso não é pra mim", "como tem coragem de sair cedo para fazer isso?", "o meu negócio é outro". Os dois lados fazem sentido, dependendo do que a pessoa já experimentou ou teve coragem para ir atrás. Agora, é inegável que os benefícios de fazer atividade física são muito grandes perante a não fazer, nisso concordam tanto quem faz quanto quem não faz.


RE: Chamado à mais elevada norma - Libertador - 28-06-2020

(12-01-2020, 02:17 PM)Bastardo Escreveu: Texto formidável, grato por trazer.

Estou construído um artigo sobre mais ou menos do que foi exposto e esse texto me deu vários insights, quando postar farei referência a esse texto, como complementar.

No aguardo da sua postagem.


RE: Chamado à mais elevada norma - Bastardo - 29-06-2020

(28-06-2020, 11:44 PM)Libertador Escreveu:
(12-01-2020, 02:17 PM)Bastardo Escreveu: Texto formidável, grato por trazer.

Estou construído um artigo sobre mais ou menos do que foi exposto e esse texto me deu vários insights, quando postar farei referência a esse texto, como complementar.

No aguardo da sua postagem.


Então @Libertador eu fiz a postagem mais coloquei no blog, e acabei não fazendo referência, colocarei lá. Por falta de tempo acabei reduzindo ele e postando.

Segue link do texto:

https://hometamorfose.wordpress.com/2020/02/08/o-ser-homem-nobreza/