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Versão completa: Treine-se para não perder o controle emocional a curto, médio e longo prazo.
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Treine-se para não perder o controle emocional a curto, médio e longo prazo.

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Nesses últimos tempos estou fazendo várias reflexão baseado em certas situações que venho passando, e também venho refletindo sobre comportamentos que eu tive durante minha graduação que eu percebo que é uma lição que a vida insiste em dar e eu acabo me afogando no cotidiano e na rotina e esqueço e quando as coisas apertam eu não aplico novamente, ou seja, eu não estou absorvendo integralmente o aprendizado e volta e meio cometo o mesmo erro.


Falando sobre minha graduação, quando entrei na graduação eu tinha um objetivo muito claro que era me formar, fazer mestrado, doutorado, pós-doutorado e depois faria concurso público para me tornar professor universitário, objetivo claro, simples, direto e sem rodeios, era isso que eu queria, no meio da graduação comecei a me deparar com obstáculos, com todo esse problema de uma pensamento unilateral para esquerda, me senti enojado e cai fora, na verdade fiz uma mudança de objetivo que é mais claro e objetivo que o primeiro, estudar e passar para um concurso da área fiscal.


Pois bem, o que ocorre é que eu quis tanto mas tanto adquirir meus títulos e me formar que eu cai em um conto do vigário eu acabei fazendo tudo que me era exigido e me dediquei 100%, durante a graduação me desgastei e acabei me tornando alguém que eu não era mais, resumindo, eu me perdi porque estava agindo para agradar meus orientadores, para ter uma continuidade acadêmica, com isso elevei meus níveis de stress a estratosfera e isso me levou ao vício, obesidade e stress.


Assim que terminei minha graduação, que terminei todas as matérias, entreguei minhas horas extra-curriculares, terminei todos os estágios obrigatórios eu percebi o quanto eu fui bobo em lutar tanto por aquilo colocando minha saúde em segundo, até mesmo em terceiro plano, por fim, senti que um diploma é apenas um pedaço de papel e nossa vida deve ser levada com mais tranquilidade e cautela.


Qual a lição que tirei disso tudo? Não deixar meu ego me levar agir impulsivamente para alcançar um objetivo, ter mais frieza e paciência e não me deixar levar pela maré, como fui com muita sede ao pote, acabei me arrebentando pelo meio do caminho e é claro que no final eu estaria enjoado e ferrado com uma queima tão alta de energia, o culpado fui eu mesmo, se fui enganado eu permiti porque cria de forma errônea que se me submetesse a todo tipo de humilhação conseguiria meu objetivo mais rápido.


A lição é circunstancial e até mesmo pessoal, mais a mensagem mais profunda disso é geral e valida universalmente, quando você perde o controle emocional, seja por ganância e ambição excessiva como foi no meu caso, por vaidade, medo, raiva, orgulho, ou seja lá o que for, você não vai conseguir enxergar o todo e o detalhe e vai permitir ser enganado e isso vai te levar para um inferno pessoal, que no final você mesmo criou, ou seja, a culpa é sua.


A uns 2 meses atrás eu tive um problema com minha impressora, usando um software bugado (não sabia), acabei achando que a impressão errada era um problema no hardware, simplesmente eu sai de controle dentro de casa, me bateu um desespero, minha cabeça foi a mil por hora, pensei em quanto teria que sacar dos meus investimentos para comprar uma impressora nova, pensei quanto teria que pagar para uma gráfica imprimir a papelada, pensei quanto isso atrasaria meu cronograma apertado.


Meus pais ficaram receosos e eu explodia de raiva e descontrole, no final das contas, meu pai disse, já esta tarde, esquece isso e vai dormir, parei, ouvi meu coroa e pensei, ele esta certo, seja o que for, não vai ser comigo perdendo a cabeça e socando a parede que as coisas vão se resolver, deixei aquela merda de lado, assisti umas porcarias na televisão e fui dormir, no dia seguinte liguei para minha namorada, ela teve o mesmo problema, instalei o software correto e o problema estava resolvido, cheguei ao ponto de abrir a impressora, se continuasse futucando poderia danificar um equipamento totalmente funcional por descontrole emocional.


O que eu aprendi com isso ? Que antes de sair esmurrando a parede e ficando com raiva, é melhor eu pensar e usar mais a cabeça, um problema em um equipamento é um problema a ser resolvido racionalmente não emocionalmente, o custo disso é uma parada cardíaca, AVC, você pode quebrar o equipamento, estressar as pessoas que moram com você, enfim, as consequências podem ser nulas ou podem ser enormes, lição é básica não perca a cabeça.


Agora vem a cereja do bolo, a última vez que briguei na rua faz 10 anos, fui em um festival de punk rock e Hard core, entrei na roda, no encontrão um cara me deu uma porrada no pescoço, entrei na roda como um bicho caçando ele e isso ficou o show inteiro, no final tomei mais porrada do que bati, apesar de revidar eu relembrei de já ter tomado soco e sangrar e não ter ligado para isso, fiquei velho para essa merda e já não era mais divertido para mim me engalfinhar com um monte de macho em uma roda de pongo, depois disso só entrei em roda em shows grandes e bandas que gosto de verdade como o Matanza, Krisiun e Ratos de Porão, passei dos 30 não tenho mais a gratuidade necessária que a roda punk exige.


Pois bem, eis que essa semana andando no centro da cidade com minha namorada, passando pela calçada estavam umas 3 caçambas enormes de entulho, aparentemente estavam vazias, passamos pelas duas primeiras pelo canto e ao passar pela terceira ouvimos um barulho ensurdecedor e parecia que aquela porcaria iria cair sobre nossas cabeças, resumindo eu e ela iriamos virar pate de carne ou no barato iriamos ficar aleijados, acabou que foi apenas uma sensação e não aconteceu nada de fato, o motorista do caminhão estava puxando a caçamba para cima da plataforma, sem sinalização, pino ou qualquer coisa, apenas subiu e puxou, com uma calçada irregular, correndo o risco da caçamba tombar.


Como o susto foi grande eu me desequilibrei e perdi a cabeça, me bateu uma raiva tão grande que minha vontade era subir pela escada lateral do caminhão, puxar o cara pela janela e esmurrar a cara dele até ele parar de respirar, a sensação é que eu voltei uns 15-20 anos no tempo eu era punk de novo, minha vontade era matar aquele motorista pisando na cabeça dele até quebrar o pescoço dele, mas eu bati boca com o cara e depois fui embora, acabei me contendo e fazendo 30% do que eu queria, não houve nenhuma consequência extra, porém eu errei feio, minha consequência foi nula, mas poderia ter sido uma facada, poderia tomar uma barrada de ferro na cabeça e até um tiro, o Rio de Janeiro anda assim, na mão já morreu faz tempo.


Depois em casa parei para pensar nessa situação, o certo seria eu agradecer a Deus pelo livramento que eu recebi, essa seria uma atitude 100% correta, conter totalmente minha raiva e seguir meu caminho, essa seria a atitude congruente de quem esta com o autocontrole emocional solidamente edificado, medidas concretas somente na justiça, através do registro de um B.O, se quisesse realmente ter uma atitude madura, eu deveria filmar tudo aquilo com uma câmera e depois levar isso para ser resolvido pelo judiciário, se quisesse ser mais prático, o certo seria deixar isso tudo para lá, não bater boca, e simplesmente ser grato pela minha vida e de minha companheira, mas quero deixar aqui meu erro registrado, para que reflitam sobre a realidade de vocês, façam o que quiser, esse é meu ponto de vista pessoal e não prescrevo conduta para ninguém, filtrem e aproveite o que for melhor para vocês o resto descartem.
Em várias situações eu já me imaginei espancando pessoas aleatórias que me irritavam de alguma forma constante, ou matar algum bicho na base da pedrada ou estilingue, seja um cachorro que fica avançando sem mais nem menos, seja galo cantando, por sorte, não sei dizer se bom senso ou covardia, talvez um pouco dos dois, essas coisas só ficam na imaginação, e com a mente clara e calma, sempre vem uma solução melhor e mais madura.

Bom relato.
Ótimo relato e excelente reflexão.
O controle emocional é algo obtido gradativamente, pois as experiências vão nos moldando. Com certeza se houver alguma outra situação semelhante, você não agirá da mesma forma (por mais que o cara do caminhão merecesse mesmo uns tapas para acordar, pois mesmo sem intenção colocou pessoas em risco iminente).

Isso é importante, pois o controle emocional é fundamental em nossas ações e tomadas de decisões. Por isso que fazer as coisas de cabeça cheia ou estressado é cagada, acaba é piorando mais a situação.

Podem reparar, a maioria das pessoas tomam decisões de cabeça quente, no susto, no calor das emoções.
Pessoas centradas levam em consideração todas as hipóteses e só emitem uma sentença quando estão calmas e relaxadas quanto ao assunto.
Óbvio que as tomadas de decisões do segundo caso são muito menos nocivas do que as do primeiro.

Ótimo relato.
Bom texto.

É realmente um desafio, tenho percebido que consigo manter o controle com estranhos e em situações aleatórias, porém quando é coisa com conhecidos ou pessoas mais próximas e ainda mais condutas reiteradas eu tenho perdido o controle e começo a falar mais que devia, no começo com argumentos e depois xingando pra caramba. É uma merda sentir essa perda de controle, mas o bizarro é que tem funcionado, já que afasta imbecis ou os deixa mais alerta em suas condutas para comigo no futuro.

Isso está muito complicado, pois tenho a crença que somos a média das pessoas com que convivemos e isso tem me feito afastar de medíocres ou abaixo da média da minha vida, resultando cada vez mais em distanciamento da família, o que eu nem acho tão ruim, porém gera uma espécie de culpa social na minha cabeça.
(29-09-2020, 01:38 PM)Ares Escreveu: [ -> ]
Depois em casa parei para pensar nessa situação, o certo seria eu agradecer a Deus pelo livramento que eu recebi, essa seria uma atitude 100% correta, conter totalmente minha raiva e seguir meu caminho, essa seria a atitude congruente de quem esta com o autocontrole emocional solidamente edificado, medidas concretas somente na justiça, através do registro de um B.O, se quisesse realmente ter uma atitude madura, eu deveria filmar tudo aquilo com uma câmera e depois levar isso para ser resolvido pelo judiciário, se quisesse ser mais prático, o certo seria deixar isso tudo para lá, não bater boca, e simplesmente ser grato pela minha vida e de minha companheira, mas quero deixar aqui meu erro registrado, para que reflitam sobre a realidade de vocês, façam o que quiser, esse é meu ponto de vista pessoal e não prescrevo conduta para ninguém, filtrem e aproveite o que for melhor para vocês o resto descartem.

Que bom que aprendeu a lição, e posso falar pois tive os mesmos problemas.

Não se esqueça que sua loucura cega pelo furor pode te matar. Primeiro por acabar mexendo com alguém mais louco e capaz do que você, segundo porque o ódio afeta seu desempenho em uma briga (leia meu tópico sobre brigas que você vai entender). 

No meu tempo de caserna e até mesmo aqui fora, eu estive levando um estilo de vida destrutivo, me alimentando mal, deixando tudo e todos me afetarem. Não sei te dizer quais os motivos, mas vivia estressado dentro de casa, sendo grosseiro, seco e sem paciência com tudo e todos. Só notei que isso estava me fazendo mal quando as pessoas a minha volta começaram a reclamar, pessoas que eu amo. Finalmente caiu a minha ficha de quão babaca eu estava sendo. 

Eu posso morrer amanhã, ter um AVC ou algo do tipo e iria morrer sabendo que estava sendo um merda com pessoas que se importavam comigo. O famoso "memento mori". 

Hoje, levando uma rotina mais regrada, me exercitando, comendo bem e sempre lembrando que devo me controlar, buscando ser alguém melhor posso te falar que melhorei muito. Não tem segredo: crie consciência do problema, faça um esforço mental de disciplina para se corrigir sempre que fizer merda de maneira consciente, vença seus impulsos.

Boa sorte com isso, camarada.

Edit: Psicóloga me ajudou em absolutamente PORRA nenhuma. Criei vergonha na cara por conta própria.
NOTA: para variar, o relato ficou maior do que eu esperava, mas espero que ajude de alguma forma.  


Olhe amigo, vou falar umas coisas com conhecimento de causa.

Eu passei um longo período da minha vida com um comportamento mais ou menos parecido com o seu: eu queria extravasar a minha raiva interna de alguma forma, eu precisava achar confusão, briga, treta, discussão... sempre que saia de casa (e dentro dela também). Eu era uma bomba relógio ambulante, pronta para explodir com o menor movimento.

Perdi a conta de quantas vezes me meti em tretas, pancadarias (e nem sempre deu bom pra mim)... e sabe o que é o "pior" disso? Eu realmente gostava. Inclusive a vez que eu mais apanhei foi quando eu me senti mais feliz. Eu cheguei em casa com a cabeça cheia de hematoma e cara coberta de sangue, mas e feliz da vida, até tirei umas selfies. E na hora que eu estava apanhando, eu não sentia nada, absolutamente nada, só uma euforia enorme e crescente como se estivesse em transe, tive um estranho sentimento de realização, e sabia se eu morresse ali (o que de fato não era difícil) eu ia morrer feliz. Eu não queria sair de lá, de jeito nenhum, mesmo apanhando de 6 caras ao mesmo tempo. Talvez isso seja a tal "loucura da batalha" que os antigos nos relatavam... o medo de morrer simplesmente desaparece e você só vive o momento, aproveitando ao máximo tudo.

Hoje eu ainda sinto uma vontade de me meter no meio de uma confusão dessas, mas já não é tão forte quanto antigamente, e eu aprendi umas lições depois desse dia.

Quanto a mim, eu vim a descobrir e entender que essa raiva latente era um descontentamento com a minha própria vida. Eu achava, inconscientemente, que merecia algo melhor do que eu tinha até ali. Minha vida não condizia com os meus ideais de superioridade, na sociedade eu era visto e estava muito abaixo do que eu gostaria de fato, e isso me causava raiva. Eu observava pessoas que julgava serem muito mais estúpidas e desonradas que eu serem bem mais respeitadas na sociedade. Eu precisava descontar em alguém essa raiva, eu tinha um ódio reprimido de todos, por eles não me respeitarem como eu achava que merecia... por isso alguém tinha que pagar. Assim eu era praticamente um arma autodestrutiva, e qualquer coisa que eu poderia usar como desculpa para justificar atitudes imbecis eu usava. Me ancorei na bebida, eu sempre dizia que as merdas que eu fazia era culpa da bebida que me deixava retardado. Uma parte disso até é verdade, mas a bebida ou qualquer outra droga ou atitude autodestrutiva apenas vão libertar o que está trancafiado AÍ DENTRO, são como uma chave que abre uma porta proibida que deixa sair todos os demônios que você veio cultivando por anos. A literatura oculta e mesmo bíblica fala muito sobre como os demônios são criados e alimentados, como eles realmente exitem DENTRO de você. Não é folclore. Sabe aquela invejinha do seu colega de faculdade que se deu melhor? Sabe aquele comentário maldoso que você faz sobre alguém... bem, essas coisas não são "neutras", estão alimentando algo no seu subconsciente, acredite. Como eu disse em outro tópico, a palavra é mágica, é o nosso poder de CRIAÇÃO, nunca esqueça disso. Eu tive algumas oportunidades de ver e sentir vivamente como essas coisas coisas que estão escondidas no fundo da nossa consciência são assustadoras e apavorantes, as técnicas mais profundas de meditação (e tem várias formas de se fazer isso, ortodoxamente falando) vão te levar a conhecer isso de perto... (sim, eles aparecem nitidamente na sua frente, você estando completamente consciente) mas isso é assunto para outro tópico. 

A questão é que talvez esse descontentamento seja o causa da sua raiva. Como você disse, se esforçou muito, mas a sociedade como um todo não reconhece isso, ou não está te dando o reconhecimento que você acha que merecia. Isso causa muita frustração.

Descobri depois (e isso é algo muito difícil de admitir) que todas as merdas que eu fiz "bêbado" na verdade eu realmente queria ter feito. A bebida libera o nosso consciente e o que vem a tona são os nossos ressentimentos reprimidos e demônios. Lógico que na época eu não sabia disso, e ia cada vez mais pro fundo do poço, vendo eu mesmo como vítima. Mas nesse episódio do furor que eu relatei acima, eu tive um isigth... eu resolvi refletir a fundo e eu finalmente mudei, tanto que desde então nunca mais arrumei briga (fazem uns 3 anos atrás isso). 

E amigo, sabe o que me fez perceber definitivamente a merda que eu estava fazendo? A VERGONHA! 

Vergonha de ter apanhado? NÃO, como eu disse, esse foi um dos dias mais felizes da minha vida e eu já tinha apanhado outras vezes.

Mas sim, a vergonha de ver o que eu causei na vida das pessoas que se importavam comigo. O desespero misturado com aflição e decepção em quem me conhecia um pouco melhor e queria o meu bem de alguma forma. O que realmente me deixou mal nisso tudo foi que muitas pessoas se envolveram para tentar me ajudar (mesmo eu não querendo). Se acontecesse algo comigo, eu nem ligava, mas se acontece algo com alguma dessas pessoas? Se alguma delas morresse por exemplo, o que eu ia fazer? Finalmente perceber que eu estava sendo um agente tóxico e degenerativo na vida de muita gente foi o que me fez querer mudar para sempre, eu precisava aprender a me controlar e aceitar a minha situação. Nisso me aprofundei ainda mais no autoconhecimento e ficou ainda mais claro que só eu mesmo tinha responsabilidade sobre a minha situação, ninguém mais. Ninguém tinha que reconhecer porra nenhuma. Eu não era e nem sou superior e nada... só o trabalho (em toda acepção da palavra) edifica.  

Outro fator foi, da mesma forma que ocorreu com você, a certeza de que eu mais dia menos dia eu ia acabar morrendo. Eu tive e tenho a certeza absoluta disso, de que se eu entrar em alguma confusão feia de novo, vai ser de vida ou morte para alguém. Por isso eu aprendi a filtrar e ignorar muita coisa, aprendi a me desfazer de fixações, e principalmente, aprendi que eu não preciso provar nada para ninguém dessa forma. A masculinidade e virilidade de um homem sem dúvidas se provam pela coragem de correr riscos (esse era outro dos fatores subconscientes que sempre me levavam a brigas, eu queria provar algo para todos, de que eu era corajoso, que eu tinha valor... o que cai no que eu disse anteriormente sobre não se achar respeitado o suficiente) mas eu aprendi a transmutar essa energia... eu provo a minha coragem de outras maneiras não destrutivas. Esse é o amadurecimento do espírito masculino, a força destrutiva se torna a força construtora. 

Os antigos ensinamentos espirituais nos dizem que uma das formas de você transmutar essa energia viril masculina poderosa e autodestrutiva em algo benéfico, é praticando a caridade de alguma forma. É aceitar e se colocar deliberadamente por vontade própria a fazer atividades e trabalhos vistos como "humilhantes" pela nossa sociedade ostentativa. Isso significa, de uma maneira bem simples e prática, fazer trabalhos sujos e braçais, sem se importar com a opinião alheia. Os monges budistas passam anos limpando privadas e comendo restos, Jesus andou como um mendigo e com toda sorte de maus elementos da sociedade da época... não por acaso. Fazer sempre um pouco mais pelo próximo, mesmo ele não merecendo de fato, se colocar em trabalhos sujos e degradantes, viver NA PELE a simplicidade ... e eu fiz isso e finalmente acordei.

Esse também é um processo profundo e renovador de autoconhecimento, talvez o maior de todos. Você se doar de corpo e alma a alguma coisa, simplesmente pelo bem do ato. Se colocar a serviço do próximo deliberadamente, sem esperar nada em troca libera algo novo dentro do seu espírito. Antes de qualquer coisa você vai aprender muitas coisas sobre você mesmo se fizer isso, muito mais que qualquer terapia ou livro poderão te dizer. Por isso eu bato tanto na tecla do FAZER, DO SER ÚTIL! Só isso nos liberta das amarras das fixações. Tu vai perceber que na verdade o bem maior está sendo feito para si mesmo, não para o outro. Eu descobri que era muito centrado em mim, era muito egocêntrico... eu queria a todo custo aprovação e validação pelos meus atos, por isso brigava tanto... mas na verdade, depois desse processo percebi que isso também não tem valor nenhum, como disso o velho, é pura vaidade. Virei uma Madre Tereza ou um Monje? Claro que não, ainda tenho os meus desejos, problemas e vícios... mas como dito anteriormente, é um processo, uma jornada, e os primeiros passos foram dados, e brigas por motivos idiotas eu não arrumei mais, ou seja, mudei para melhor de fato. Uma tranquilidade serena e contínua brota dentro de você, quando entende que você é só um veículo, que o seu bem estar não é tão importante.  

A coragem que eu tinha para sair na mão com qualquer um foi transferida para coragem de ajudar qualquer um em qualquer tarefa, por mais "humilhante" que ela possa ser... a fazer alguma caridade, enfim ... esse processo de transmutação é sem dúvidas, renovador...você vai nascer um novo homem. 

Se ainda sente raiva, experimente fazer isso. Só refletir não vai ajudar muito, pq por muitos anos eu só refletia sobre as merdas que eu fazia e não mudava muita coisa... talvez seja o começo de tudo, mas é preciso fazer uma coisa na forma de ação prática. Os ensinamentos antigos me ensinaram isso, e como sempre, eles estão certos.
(29-09-2020, 07:09 PM)hjr_10 Escreveu: [ -> ]Podem reparar, a maioria das pessoas tomam decisões de cabeça quente, no susto, no calor das emoções.
Pessoas centradas levam em consideração todas as hipóteses e só emitem uma sentença quando estão calmas e relaxadas quanto ao assunto.
Óbvio que as tomadas de decisões do segundo caso são muito menos nocivas do que as do primeiro.

Esse é o ponto alto desse difícil aprendizado, quanto mais frio, calmo e relaxado mais certeira é sua atitude, olhando de uma perspectiva externa nada aconteceu dentro da minha mente compreendi meu descontrole e isso é um ponto fraco que um homem deve trabalhar em si, descontrole é sinal de imaturidade.

(29-09-2020, 08:53 PM)Mr. Mike Escreveu: [ -> ]Bom texto.

É realmente um desafio, tenho percebido que consigo manter o controle com estranhos e em situações aleatórias, porém quando é coisa com conhecidos ou pessoas mais próximas e ainda mais condutas reiteradas eu tenho perdido o controle e começo a falar mais que devia, no começo com argumentos e depois xingando pra caramba. É uma merda sentir essa perda de controle, mas o bizarro é que tem funcionado, já que afasta imbecis ou os deixa mais alerta em suas condutas para comigo no futuro.

Isso está muito complicado, pois tenho a crença que somos a média das pessoas com que convivemos e isso tem me feito afastar de medíocres ou abaixo da média da minha vida, resultando cada vez mais em distanciamento da família, o que eu nem acho tão ruim, porém gera uma espécie de culpa social na minha cabeça.

Nesses ultimo anos eu tenho melhorado significativamente minha capacidade de me manter frio e cauteloso nas situações que eu me deparo, mas essa situação do relato, eu simplesmente percebi retornando para dentro de mim emoções enterradas, emoções que eu não sentia a muitos anos, esse lado que ressurgiu me lembro que eu tenho que fortalecer mais meu emocional ele não esta tão sólido quanto imaginei, tenho que me policiar mais, na verdade, não existe essa de "cheguei lá", a manutenção do autocontrole é constante, essa situação toda me levou a entender que preciso ser mais atento, principalmente nesses coisas que acontece no susto de forma completamente repentina.

(29-09-2020, 09:30 PM)Gorlami Escreveu: [ -> ]Que bom que aprendeu a lição, e posso falar pois tive os mesmos problemas.

Não se esqueça que sua loucura cega pelo furor pode te matar. Primeiro por acabar mexendo com alguém mais louco e capaz do que você, segundo porque o ódio afeta seu desempenho em uma briga (leia meu tópico sobre brigas que você vai entender). Fato!

No meu tempo de caserna e até mesmo aqui fora, eu estive levando um estilo de vida destrutivo, me alimentando mal, deixando tudo e todos me afetarem. Não sei te dizer quais os motivos, mas vivia estressado dentro de casa, sendo grosseiro, seco e sem paciência com tudo e todos. Só notei que isso estava me fazendo mal quando as pessoas a minha volta começaram a reclamar, pessoas que eu amo. Finalmente caiu a minha ficha de quão babaca eu estava sendo. 

Eu posso morrer amanhã, ter um AVC ou algo do tipo e iria morrer sabendo que estava sendo um merda com pessoas que se importavam comigo. O famoso "memento mori". 

Hoje, levando uma rotina mais regrada, me exercitando, comendo bem e sempre lembrando que devo me controlar, buscando ser alguém melhor posso te falar que melhorei muito. Não tem segredo: crie consciência do problema, faça um esforço mental de disciplina para se corrigir sempre que fizer merda de maneira consciente, vença seus impulsos. Esse é o caminho !

Boa sorte com isso, camarada.

Edit: Psicóloga me ajudou em absolutamente PORRA nenhuma. Criei vergonha na cara por conta própria.

Tive essa fase agressiva de arrumar confusão na rua de forma constante, até meus 18 anos eu vivia com meu corpo cheio de hematomas, eu tinha que andar com blusa de manga cumprida até os pulsos para esconder os hematomas aqui em casa, de tanta porrada que eu levava em roda punk, com o tempo minha gratuidade foi passando e as coisas foram ficando sérias com uns 20 anos eu lembro que levei meu primo mais novo para um show, no meio do show arrumei confusão com um conhecido, acabei enfiando a porrada no cara e além de ter assustado meu primo mais novo, assustei os meu colegas que foram no show comigo, fui desacelerando e com 25 anos eu parei com essa merda toda e fui acalmando, agora essa semana que passou com essa situação eu senti emergindo toda aquela raiva que para mim estava morta, me enganei, a raiva continua lá no fundo da minha mente esperando uma brecha para sair e atacar, o problema disso tudo são as consequências pessoais, conheço uma pessoa que perdeu 90% da visão por problemas pessoais e aporrinhação com justiça, ou seja, além de morrer em uma briga ou matar, ainda podemos ter um problema de saúde uma puta que pariu e morrer por falta de autocontrole, as consequência da falta de autocontrole são ridículas. 
@Héracles ,

Eu entendo perfeitamente essa satisfação de estar enterrado na lama até o pescoço é uma sensação falsa de libertação altamente viciante, essa busca alucinada por adrenalina é uma coisa que me levou a muitas situações difíceis, hoje eu não louvo essa perda de autocontrole como para mim é algo completamente nocivo, mas entendo completamente seu argumento no dia que dentro da roda eu levei a coisa para o lado pessoal eu vi que era hora de parar, mas semana passada depois de 10 anos eu percebi que nossos fantasmas continuam nos rondando, a atenção deve redobrar em situações que temos “razão” para fazermos alguma coisa.

E é um fato devemos transmutar nossos vícios em virtude, através da autocritica, reorientação comportamental e busca do aprimoramento constante, meu erro maior foi ter criado uma crença pessoal errada de que eu estava “curado” dessa força macabra que se apossava da minha consciência me fazendo ter atitudes irracionais, se essa situação com o motorista teve algo útil foi poder fazer uma autocritica, reconhecer meu ponto fraco e agora vou combater nesse bom combate contra mim mesmo, agradeço pelo feedback confrade, ainda vou reler mais algumas vezes seu texto para absorver melhor as ideias, li com atenção mais ainda vou ter que digerir mais profundamente seu comentário. 
[Image: controle_cerebral_e_emocional_narciso_ir...151039.jpg]
Não podia ver este tópico em melhor hora. Todo mundo fala q sou um cara calmo, quieto e tal. Essa e minha personalidade. Mas, quando eu perco o controle.... é devastador. São gatilhos, eu percebo que habitam essas coisas q vc falou (heracles) dentro de mim. Meu subconsciente esta totalmente sujo. Eu penso em coisas crueis com meus "inimigos". Vinganças, desafetos e todas essas merdas.... é um trabalho diário você reciclar tanta bosta reunida dentro da mente. Uma bosta abstrata que não fede.

Quando eu estouro, bom, eu me sinto mais leve, aliviado. Da-se uma falsa impressão de alívio, mas é so o inicio do inferno... por que uma hora meus atos de furia e destruição (fisica e emocional) vão ser pagos por mim em maior ou em menor grau

É muito complicado ser homem. Essa e a verdade. Não to querendo ser q nem aqueles idiotas destas novas gerações que se acham especiais ou coisa do tipo. Mas a nossa mente é muito ordenadora. A gente tenta ordenar tudo que a gente acha que esta errado pela nossa lógica. Claro, quando a gente parte do pressuposto de que EU sei o que é melhor para os outros (sociedade em geral) , eu to sendo egocêntrico por me colocar acima dos "idiotas" que eu acredito estarem errando.

Eu quero me desapegar desta insatisfação, encontrar uma maneira de canalizar essa energia.... energia é energia no meu ponto de vista. Se ela é positiva ou negativa depende de como a gente lida com ela. Vou tentar seguir o conselho do colega Herácles para ver se eu consigo me resolver neste aspecto com caridades; Por outro lado, temos a visão otimista desta "insatisfação". Se aprendermos como lidar com essas 'forças' interiores, a gente vai se edificar de certa forma.

Inclusive, eu, como arquiteto, tenho o maior interesse de aprender o trabalho braçal. Acredito que os arquitetos do Brasil são desprestigiados pela sociedade porque o arquiteto é um cara q vive no ar condicionado e que da piti quando as coisas nao sao como ele desenha. mais de 90% das construções do Brasil são feitas sem responsável técnico. E a maioria dos arquitetos e dos estudantes de arquitetura são oriundos de familias de classe media alta (pelo menos nas melhores universidades do pais).

to falando muito ja, obrigado confrades pelas reflexoes

paz
A postagem deve ser lida sob o palio humorístico....


Arquiteto e homem  pode isso no Brasil?

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Inclusive, eu, como arquiteto, tenho o maior interesse de aprender o trabalho braçal. Acredito que os arquitetos do Brasil são desprestigiados pela sociedade porque o arquiteto é um cara q vive no ar condicionado e que da piti quando as coisas nao sao como ele desenha. mais de 90% das construções do Brasil são feitas sem responsável técnico. E a maioria dos arquitetos e dos estudantes de arquitetura são oriundos de familias de classe media alta (pelo menos nas melhores universidades do pais).

Declare-se engenheiro é mais digno para sua masculinidade se gostar de buceta é claro.

Quanto ao trabalho braçal cuidado com a munheca de desenhista...vá para  algo mais afetivo e identitário relacionado a sua profissão que é o design...

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Spoiler Revelar

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[Image: Viadagem-nao-pode.jpg]

Musica de ARQUITETO....